A DIVERSIDADE

A diversidade lingüística da Internet como reação contra-hegemônica das tendências de centralização do império

Adalto Guesser
Doutoramento em poscolonialismos e cidadania global do Centro de Estudos Sociais e da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Mestre em sociologia política pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina.
E-mail: adalto@adaltoguesser.net

Resumo

A Internet nasceu nos EUA como variação de um projeto militar muito específico. No início, quase a totalidade da comunicação em rede era em língua inglesa, pois a maioria das pessoas envolvidas nos projetos provinha dos EUA, ou de comunidades científicas nas quais o inglês era língua franca. Com o aumento da utilização da Internet em diferentes países, a hegemonia do inglês passou a ser revista. Em 1998, o inglês já havia sofrido queda de 15% do seu total, devido principalmente à proliferação da rede e à produção de conteúdos locais nas línguas nacionais. O presente trabalho busca perceber quais são as causas do crescente aumento de línguas locais na produção da Internet e identificar as formas de reação contra-hegemônica empreendida pelo uso desta ferramenta como campo fértil para a produção e difusão de idéias, informações, conteúdos, conhecimentos e saberes.

Palavras-chave

Internet. Línguas. Ciberespaço. Império hegemônico. Contra-hegemonia.

Linguistic diversity of Internet as a counter-hegemonic reaction of the trends of centralization of the empire

Abstract

The Internet was born in the USA as a variation of a specific military project. In the beginning, almost all communication of network was in English because most of  the people involved in the projects came from the USA, or the scientific communities in which the English language was the lingua franca. With the increasing use of Internet in various countries, English hegemony is now reviewed. In 1998, English had suffered loss of 15% of its total use, mainly due to the proliferation of the network and the production of local content presented in the national languages. The present work seeks to understand what the causes of the growing increase in local languages in Internet production are and identify ways of counter-hegemonic reaction undertaken by the use of this tool as a fertile ground for the production and dissemination of ideas, information, content, and knowledge.
 
Keywords

Internet. Language. Cyberspace. Hegemonic empire. Counter-hegemonic.

Alguns autores sociais buscam avaliar as transformações pelas quais passam as nossas sociedades a partir dos reflexos do crescente desenvolvimento tecnológico computacional que o mundo vem experimentando a partir da segunda metade do século XX, o que denominam digitalização ou virtualização das relações sociais (NEGROPONTE, 1995). Neste sentido, surgem adjetivações específicas para designar tais formas de relações nos diferentes níveis da vida social, política e econômica. Tais qualificações também concedem às nossas sociedades um elemento classificatório baseado no estado de desenvolvimento tecnológico e na sua capacidade de adaptar-se ao uso das novas tecnologias de comunicação e de informação. São exemplos os termos fartamente utilizados na literatura contemporânea, seja ela especializada ou do senso comum, como o de “sociedade em rede”, adaptado por Castells (1996) para estudar o fenômeno crescente das interconexões estabelecidas nas relações sociais, principalmente as mediadas pelas novas tecnologias, ou de “sociedade da informação*” (LEVY, 1997), para dar conta de exprimir um conjunto de interações sociais que se fundam nas novas trocas de informações que passaram a ocorrer em uma velocidade sem precedentes na história humana.

Neste sentido, as ferramentas privilegiadas para tal processo são as novas tecnologias de comunicação e informação, interligadas em uma ampla e poderosa rede de elementos humanos e não-humanos (LATOUR, 1999). Tal operação ocorre por meio das malhas sempre mais imbricadas da rede mundial de computadores, por meio da Internet. De fato, esta junção de tecnologias, artefatos e atores sociais compõe novas realidades, cada vez mais complexas e presente no quotidiano das sociedades seja pela inclusão neste mundo cibernético pelas conseqüentes transformações das relações por meio das inovações, seja pela exclusão de tais inovações e pelo déficit gerado no tempo e na capacidade de troca das informações e conhecimentos em comparação com as sociedades mais desenvolvidas. Informação é conhe-cimento, e conhecimento é poder (HARDT; NEGRI, 2001). Por isso, tem-se que o nível de inclusão ou de exclusão aos meios comunicacionais e de trocas pelo ciberespaço podem determinar também níveis de maior ou menor poder, transformando-se inevitavelmente em lutas políticas no sentido de garantir seja o controle, seja o acesso a este poder de caráter informacional.

* O termo “sociedade da informação” foi cunhado por Bell (1973) quando formulou a idéia de que a sociedade que estava se desenvolvendo a partir do final do século passado em diante seria organizada por um eixo central baseado no conhecimento, o qual se converteria vertiginosamente na estrutura central da nova economia e de uma sociedade sustentada na informação. Nos anos 1990, o termo retorna com força no contexto do desenvolvimento da Internet. É importante registrar pequena variação em termo correlato, preferido pelos acadêmicos como alternativos ao primeiro; trata-se do termo knowledge society, que nas línguas latinas tem sido traduzido por “sociedade do conhecimento”, ou muitas vezes como “sociedade do saber”. No segundo caso, a utilização do termo gerou intensos debates em face de distinção conceitual entre conhecimento e saber. No universo lingüístico latino, a noção de saberes indica certezas mais precisas ou práticas, enquanto conhecimento abarca uma dimensão mais global ou analítica. Para fugir desta armadilha conceitual, alguns teóricos, como Gorz (2004), sugerem o termo “sociedade da inteligência”. Para uma discussão mais atenta desta questão, ver Burch (2005) e Ambrosi et alli (2005).

A DIVISÃO DIGITAL: UMA GEOGRAFIA DESIGUAL

O papel de destaque que se confere às novas tecnologias de informação e de comunicação (nTICs) nas sociedades atuais é atribuído principalmente à valorização da informação e a capacidade de processamento destas e da velocidade de troca que se possa estabelecer. Desta forma, toda a ferramenta que permita potencializar ou facilitar o manuseio da informação representa um elemento importante no processo de controle e distribuição do poder. É neste sentido que se podem apontar tais tecnologias como agentes principais da atual sociedade. Dentre tais tecnologias, a Internet desponta como o meio mais proeminente na contemporaneidade, propiciando o meio pelo qual as nTICs podem desenvolver seu potencial articulador e interconector. Inicialmente pensada no bojo de um projeto de defesa dos EUA, a Internet, a rede das redes, extrapolou este domínio restrito, ganhou os espaços sociais e privados e hoje liga dezenas de milhões de pessoas em todo o mundo, tornando-se poderoso meio transnacional de comunicação interativa. Este universo virtual compõe a galáxia da Internet, com suas fronteiras eletrônicas sempre em expansão, fronteiras estas que parecem não ter limites nunca imaginados na história humana, a ponto de confundirem-se com a possibilidade de um espaço infinito. De fato, um dos resultados do desenvolvimento tecnológico possibilitado pela Internet foi o incremento quantitativo e qualitativo do universo virtual, algo muito em consonância com o que afirma Baudrillard (1991) sobre a operação completa dos simulacros, cada vez mais presentes em nosso tempo. Não se pode negar que a “realidade” virtual agora existe em um mundo paralelo, on-line, cibernético, uma espécie de universo hiper-pós-moderno, onde conceitos como tempo, espaço e geografia são muitas vezes são desconsiderados das análises, rotulados indevidamente como “não-existentes” (ESCOBAR, 1994). O que ocorre na realidade virtual não é uma ausência do tempo, espaço, e de uma geografia, mas considerável alteração na forma de perceber e definir estes três conceitos. Todos existem de forma imaterial, não linear e não contígua, mas são reais e interferem no quotidiano das interações sociais, e as evidências são as profundas mutações que vêm sofrendo nossas sociedades contemporâneas. Mais que descartá-los ou renegá-los, é preciso antes que estes conceitos sejam adequadamente relativizados.

Segundo Castells (2001), a “geografia” da Internet pode ser analisada sob três perspectivas: pela sua geografia técnica, pela sua distribuição espacial e de seus usuários e pela sua geografia econômica e da produção do material disponível. Este mapeamento cartográfico da infra-estrutura e da penetração da rede mundial de computadores permite perceber que a sua distribuição no mundo está concentrada na América do Norte e na Europa, que juntas possuem a maior parte do total de usuários conectados, em marcante contraste com a distribuição da população no planeta. Como demonstra o autor com um conjunto de gráficos e dados estatísticos, as três perspectivas apresentam algumas variações bastante significativas entre si, embora a margem de vantagem dos países do Norte nunca chegue a perder a liderança em nenhum dos casos. Neste sentido, pode-se verificar qual a região do mundo possui o maior número de computadores conectados à rede, que país tem a maior produção de tecnologias e aplicações no ciberespaço, qual a faixa etária que mais utiliza a Internet, e assim por diante, criando setores de análises conforme os critérios de interesse. Tal geografia da Internet remete as questões da distribuição para incontável número de estudos realizados no sentido de avaliar a “divisão digital” (digital divide) como um fenômeno característico das sociedades em rede.

A divisão digital pode ser estudada sob diferentes perspectivas a partir de uma avaliação de como estão distribuídas as malhas da rede. Todas essas divisões setoriais podem ser muito bem quantificadas estatisticamente e pode-se estabelecer uma expressiva cartografia da divisão digital. Uma das formas de catalogar a distribuição da produção e do uso da Internet e, conse-qüentemente, avaliar o seu alcance e a sua influência em diferentes campos é mediante estudo das línguas por ela utilizadas. Uma vez que a Internet utiliza informações e conhecimentos, pode-se deduzir que eles são passíveis de serem traduzidos em linguagens e línguas cognoscíveis para o seu público de interesse. Como afirma Ribeiro (1995), esta nova cultura pressupõe a existência de uma linguagem e de acesso a ela, isto é, de uma competência lingüística que permita o acesso e a compreensão daquele universo simbólico, algo que, como afirma Bourdieu (1983), nunca pode ser dissociado de intrincadas relações de poder.

A LÍNGUA COMO UM INSTRUMENTO DE PODER: UM PROBLEMA A SER ANALISADO

Uma língua pode determinar, por exemplo, um número maior ou menor de usuários incluídos em dado processo comunicacional, ou, se melhor analisada, pode evidenciar as geopolíticas que formam as bases constitutivas da sua estrutura e proliferação de um sistema de comunicação. A língua inglesa é ainda a mais freqüente na Internet, como veremos adiante neste trabalho, não por ser a mais falada, nem por representar a primeira língua do maior número de usuários de Internet no mundo, mas por possuir uma aceitação que provém de questões históricas e também de seu caráter imperial*. A situação da anglofonia no mundo não corresponde a um cenário que atenda a critérios de maioria; entretanto o inglês é hoje indiscutivelmente considerado, no universo dos países ocidentais, como a língua hegemônica, chegando-se a atribuir a ela, muitas vezes, o status de língua franca**, como no caso da literatura acadêmica e no âmbito de operação de trocas científicas, o que faz alguns teóricos afirmar que “o inglês é a língua da ciência”. Uma pequena incursão pelo índex de publicações científicas de qualquer área permite verificar que a maioria dos principais periódicos científicos se encontra nesta língua. Mas, se não é o fato de ser a língua mais falada no mundo, o que fez com o inglês tenha ganhado tanta hegemonia no Ocidente? Quais os fatores contextuais e históricos que contribuíram para a sua hegemonia? Existe uma tendência que possa ratificar esta hegemonia no sentido de maior expansão ou universalização? Esta é uma hegemonia sem resistência, pacífica? Ou será que existem disputas de interesse e de poder travadas no sentido de garantir ou de diminuir este status hegemônico? Como se encontra a situação do ciberespaço, um locus forte de interação social da atualidade? A língua da Internet é a língua das relações internacionais (economia e política) e da ciência? São estas algumas das questões que este trabalho procura desenvolver na sua seqüência. Entretanto, cabe ressaltar que o que aqui se propõe são apenas algumas reflexões a partir de dados e estudos recentes. Uma resposta mais acertada destas questões só poderá ser obtida em um futuro, que tanto poderá ser distante, como próximo, uma vez que a velocidade com que as transformações sociais estão a ocorrer é cada vez mais variável. Entretanto, estipular prognósticos para fatos sociais é sempre uma atitude profética perigosa, um erro no qual não se deve incorrer em um trabalho científico.

* Utilizo aqui o conceito de império na concepção desenvolvida por António Negri e Michael Hardt (2001), não tanto como metáfora, mas como conceito teórico. Cabe ressaltar que o conceito de império difere qualitativamente do clássico conceito de imperialismo econômico, experimentado a partir do século XVIII com o avanço do capitalismo moderno.
** O termo “franca” é tomado de empréstimo da economia. Neste caso específico, designa alguns territórios particulares onde os países concedem regimes administrativos especiais, que inclui, entre outras, a franquia aduaneira. Ou seja, as trocas comerciais estabelecidas dentro daquele território ocorrem livremente, sem tributação. Pela expressão “língua franca” pretende-se designar aquela que possui a capacidade de exprimir, escrita ou oralmente, sentidos claros e compreensíveis, possibilitando diferentes povos de diferentes idiomas comunicarem-se em dado contexto ou espaço determinado.

A DIFUSÃO DO IMPÉRIO EM REDE

Seguindo a pista de Hardt e Negri (2001), podemos perceber que o império é constituído por uma rede de elementos variados que conformam uma biopolítica que orienta as formas de produção e de controle do social. Esta biopolítica gera uma cultura específica orientada por princípios subjacentes aos seus interesses da qual partilham todos os elementos que a ela estão sujeitos. Os autores ainda enfatizam a positividade do virtual e sua potência de subjetivação, conectando-o não a qualquer instância transcendente, mas diretamente à ação do sujeito, ou melhor, da multidão*. O “não-lugar” da virtualidade seria o que investe todo o tecido biopolítico e condensa o potencial de agir da multidão. O virtual, assim concebido, é o que pode exercer pressão nas bordas do possível e tocar o real, em um ato de criação. Este poder de agir é constituído por trabalho, inteligência, paixão e afeto em um lugar de todos (HARDT; NEGRI, 2001). A Internet e as nTICs, a partir das suas potencialidades de geração do virtual, poderiam expressar assim um novo campo de resistência. Uma resistência que já aponta muitos exemplos de atuação.

* A multidão é um conceito central na obra de Hardt e Negri, e não é entendido apenas como o equivalente de massa, ou com suas conotações de unidade homogênea e indiferenciada. Os autores atribuem ao conceito de multidão o equivalente de multiplicidade, com suas características de diversidade e heterogeneidade. Uma multidão é um conjunto de atores múltiplos, reunidos por um determinado fim ou objetivo.

Contudo, não se podem desconsiderar as forças do poder do império, que não são cegas a esta possibilidade e que procuram estender seus tentáculos em todas as esferas do tecido biopolítico. Elas são múltiplas e invadem todas as esferas da vida social, buscando imprimir nelas o seu controle e sua dominação. É visível que Hardt e Negri, ao pensarem desta forma, têm como base o rastro da teoria de Foucault. Michel Foucault (1997), ao estudar as múltiplas formas de exercício do poder na vida social, identifica a formação de uma microfísica de poderes que atuam simultaneamente em diferentes escalas e ordens de intensidade no corpo social. Ao estudar as conquistas “universais” da modernidade, faz importante observação com relação à questão da liberdade e alerta para o fato de que, a partir do século XVIII, o Ocidente europeu inventou as liberdades, entretanto, concomitantemente a tais conquistas, também forneceu uma base profunda e sólida de controle social – a sociedade disciplinar. As dimensões estudadas por Foucault encontravam-se nos limites territoriais dos espaços fechados das fábricas, das prisões, das escolas e dos hospitais. O que assistimos nos dias de hoje é uma generalização dessas formas disciplinares em todos os espaços da vida humana, extrapolando os domínios das instituições disciplinares, prolongando-se para os espaços abertos e potencialmente sem limites fixos e rígidos.

Tais espaços transfronteiriços são cada vez mais presentes nas sociedades contemporâneas, que têm experimentado ampliação do locus vivendi mediante o aumento sempre crescente de intercâmbios econômicos e culturais facilitados pelas nTICs e, principalmente, pela intensificação de atividades cibernéticas realizadas em um espaço virtual/digital, designado ciberespaço. Esta realidade marcada pela flexibilidade dos limites geográficos exige que novas formas de controle passem a atuar no corpo coletivo, garantindo a ordem social conforme padrões hegemônicos e interesses específicos. Este novo conjunto de elementos que operam simultaneamente e articulados a fim de gerar disciplinização generalizada dos coletivos dispersos promove uma nova forma de controle social, a que Deleuze (1990) denomina “sociedade de controle”.

AS LÍNGUAS COMO FORMAS DE CONTROLE: UM MEIO DE DIFUSÃO IMPERIAL

Entre os elementos que contribuem mais decisivamente para a difusão e transmissão de uma cultura, está a linguagem utilizada por ela para fazer-se comunicar. São muitos os tipos de linguagem utilizados no corpo social, sob variada miríade de formas gráficas, fonéticas e gestuais. A partir destas formas, criam-se as línguas, ou seja, conjuntos complexos de símbolos e sinais (gráficos ou sonoros) que reunidos permitem trocas de sentidos e significados.

Os seres humanos, desde os primórdios, sempre recorreram a formas de comunicação, pois é impossível a vivência em sociedade sem nenhum meio de trocas simbólicas. As linguagens orais e escritas foram se desenvolvendo à medida que os agrupamentos foram crescendo e se complexificando. Aos poucos, foram surgindo as línguas, ou seja, conjuntos simbólicos dotados de sentidos compartilháveis por dado grupo de pessoas. As línguas, nos primórdios dos agrupamentos humanos, foram muito provavelmente os elementos aglutinadores mais importantes (RUHLEN, 1994), embora seja uma tarefa impossível procurar identificar uma data, mesmo que aproximada, do surgimento das primeiras línguas humanas. Alguns autores remontam este fenômeno social para o período designado pleistoceno, ou seja, aproximadamente 1,8 milhão de anos atrás, com os primeiros agrupamentos de hominídeos da época, os Homo erectus. Especula-se que na altura a língua era composta por um misto de sons orais, gestos manuais e movimentos corporais. Com o passar dos séculos e com a evolução dos homens, a língua foi se especializando e formando primeiro alguns conjuntos de códigos orais e, mais tarde, conjuntos de códigos que podiam ser expressos por meio oral e também gráfico.

A história das línguas do mundo é muito complexa e variada*. Centraremos nossos esforços neste trabalho a partir da realidade ocidental, procurando, a partir da experiência européia, recolher algumas pistas capazes de nos orientar para algumas reflexões. Em 1786, sir William Jones publicou o trabalho The Sanscrit Language (O Sânscrito), no qual ficou conhecido por seu trabalho com as línguas indo-européias, ao lançar a hipótese de que o sânscrito, o grego e o latim teriam origem comum. Seu extenso trabalho viria a sugerir que as três línguas analisadas tinham uma raiz única e que elas ainda poderiam estar relacionadas com outras línguas indo-européias, como o gótico, as línguas celtas, bem como com o persa. Mais tarde estas idéias foram sendo reforçadas com estudos comparativos mais aprofundados, envolvendo esforços da arqueologia, antropologia e da nova área da especialização científica que se formou, designada de lingüística (ARACIL, 2004).

* Neste trabalho não teremos possibilidade de seguir a origem das línguas não-ocidentais, e mesmo deste grupo muito específico, não faremos senão algumas incursões muito superficiais, de modo a nos permitir a reconstrução de uma linha de argumentação capaz de nos conduzir ao nosso objetivo. Uma história mais aprofundada destes temas pode ser obtida nos trabalhos já referidos de Ruhlen (1994), de Victorri (2006) e também na recente publicação de Dessales et alli (2006). Para o caso específico das línguas européias, ver também Aracil (2004).

A EXPANSÃO DO LATIM COMO LÍNGUA IMPERIAL

A primeira língua imperial de que temos registros no Ocidente é o latim, que deve ter surgido por volta do século VII a.C., na região denominada Lácio, correspondente ao Vetus Latinum, pequena fração do que hoje é a Itália. O latim se espalhou pelo mundo de maneira progressiva e vertiginosa. A sua expansão se deve exatamente pelo fato de o Império Romano utilizá-la como língua oficial. Com o aumento da influência militar e política de Roma, o latim foi crescentemente difundindo-se tanto nas cidades como nas zonas rurais, mesmo que com características dialetais próprias (Dessales, 2006). Lentamente, o latim foi dando origem a grande número de línguas européias, denominadas românicas, ou neolatinas, como o português, o espanhol, o francês, o italiano, o romeno, o galego, o occitano, o rético, o catalão e o dalmático (já extinto).

Existe uma série de datas históricas que podem servir de marcos para o expansionismo do latim, todas elas, porém, estão vinculadas com a expansão de Roma*. O uso do latim teve grande influência em todo o mundo, sendo utilizado como a língua de comunicação oficial do Império Romano. Outro fator que contribuiu muito para a vulgarização do latim foi ele ter sido decretado língua oficial da Igreja Católica do Ocidente, após o grande cisma, no início do século XI**. A igreja do Ocidente passou a chamar-se Igreja Católica Romana, por ter sua sede em Roma, na figura do papa, e aos poucos deixou de utilizar o grego, que era a sua língua oficial, para utilizar o latim, de uso corrente no Império. Este fato tornou o latim obrigatório em todos os cultos oficiais até meados do século XX. Entretanto, a época áurea do latim no Ocidente deu-se a partir do século XV, com seu redescobrimento pelos eruditos do Renascimento. O seu valor como meio de transmissão de conhecimentos e tradições é incalculável para a história da humanidade, mas o seu uso na atualidade está cada vez mais residual e, embora ainda seja considerada a língua oficial do Vaticano, é utilizado apenas para ritos religiosos e comunicações escritas muito específicas. No próprio Vaticano, a língua corrente no quotidiano é hoje o italiano.

* Em 241 a.C. a Sicília se torna província romana; em 238 a.C. também a Sardenha e a Córsega; em 197 a.C. a Espanha; em 146 a.C. A África; em 167 a.C. a Ilíria; em 120 a.C. a Gália Meridional; em 50 a.C. a Gália Setentrional; em 15 a.C. a Retia e por último, em 107 d.C. sob Trajano, a Dácia. Dados obtidos na Wikipédia, em 14/06/2006, verbete: Latim, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim.
** O Cisma Ocidente-Oriente, Cisma do Oriente ou simplesmente Grande Cisma foi a cisão entre a igreja Oriental Bizantina (Ortodoxa) e a Ocidental (Romana), que se tornou definitivo em 1054. As tensões entre as duas igrejas datam no mínimo da divisão do Império Romano em Oriental e Ocidental, e a transferência da capital da cidade de Roma para Constantinopla, no século IV (SANTIAGO et alli, 1990).

No início do desenvolvimento científico do Ocidente, como as universidades e em geral a educação formal estavam diretamente ligadas à Igreja, o latim também desempenhou neste campo forte influência. A língua do conhecimento era a língua da religião*, ou seja, o latim. É por isso que o latim vulgar continuou a ser usado por grandes eruditos até o século XVII, como, por exemplo, Isaac Newton. O declínio na área da ciência começou a se intensificar a partir da segunda metade do século XVIII, com o desenvolvimento do Iluminismo europeu.

O latim é uma brilhante demonstração de poder que uma língua possui quando inserida em um contexto imperial. Entretanto, como já foi dito, o tempo áureo do latim também foi o período em que este esteve vinculado ao Império Romano, ou ao seu braço mais forte, a Igreja Católica. Cabe ressaltar o papel que a Igreja desempenhou neste campo, perpetuado mesmo depois do final do imperialismo político de Roma. Isso reforça a tese de Hardt e Negri (2001), que, ao conceituar o Império, estabelecem-no como uma rede de elementos capazes de garantir um dado controle e uma dada hegemonia, sem delimitar-se a um estado específico ou a determinado território. Neste sentido, podemos pensar que o poder que a Igreja Católica Romana desempenhou no Ocidente até o século XVIII foi imperial. Um imperialismo religioso. É possível perceber, também, neste caso específico, que as relações de dominação e controle imperial não terminam com o final do período imperialista de uma dada hegemonia. As zonas de contato e de permanência das relações moldadas pelo império perduram por muito tempo, até serem substituídas por novas formas em um regime subseqüente, pois os elementos que compõem determinado império são muito mais que políticos, são também ideológicos, culturais e epistemológicos.

* Este fato tem a ver com a cosmologia que se tinha, na época, de “conhecimento”. Fundada em preceitos judaico-cristãos, existia a idéia difusa de que todo conhecimento e toda forma de conhecer só poderiam advir de Deus, criador de todas as coisas.

A EXPANSÃO ANGLÓFONA NO OCIDENTE

O inglês teve origem igualmente nas línguas indo-européias. É do ramo germânico ocidental da família, o qual também inclui o baixo alemão (Plattdeutsch), o neerlandês e o frisão. O inglês deriva de três dialetos alemães falados pelos anglos, saxões e jutos, que emigraram da Dinamarca e do norte da Alemanha para se estabelecer na Inglaterra a partir da metade do século V em diante. Entretanto, é a partir de 1500 que começa o período da expansão geográfica do inglês; primeiro nas regiões vizinhas da Cornuália, Gales, Escócia e Irlanda, onde substitui quase completamente o céltico, e nas ilhas Shetlands e Orcadas substitui a língua descendente do norueguês antigo, chamada Norn*, e depois com o colonialismo britânico.

Dois momentos determinam a expansão da língua inglesa no Ocidente e também têm a ver com questões políticas do expansionismo colonial da Inglaterra e do poderio britânico por meio do crescimento e do seu desenvolvimento industrial a partir do século XVIII. A revolução industrial na Inglaterra significou o início do processo de acumulação rápida de bens de capital com conseqüente desenvolvimento do capitalismo ou da economia de mercado como sistema econômico dominante**. A Inglaterra adianta sua industrialização em 50 anos em relação ao continente europeu e sai na frente na expansão colonial. O pioneirismo inglês pode ser explicado com base na existência de um Estado liberal burguês, de capitais acumulados oriundos da exploração colonial e do domínio sobre as atividades mercantis, até então de mão-de-obra barata, e da disponibilidade de recursos naturais (IANNONE, 1997). A riqueza e o desenvolvimento proporcionados pela industrialização e pela exploração da força de trabalho permitiram que a Inglaterra reafirmasse o seu poderio político no Ocidente, fato que perdurou até o final da Segunda Guerra Mundial, em meados do século XX, quando perdeu a sua hegemonia econômica e militar para os Estados Unidos, que fora uma de suas colônias até 1776.

* Dados obtidos na Wikipédia, em 19/06/2006, verbete: Língua Inglesa, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%Lingua_inglesa.
** Apenas para se ter uma rápida idéia do expressivo crescimento demográfico que este período proporcionou, basta relembrarmos que a população da Inglaterra passou de 8,5 milhões em 1780 para 36 milhões em 1880. O desenvolvimento científico registrado no período, que contribuiu para a diminuição da mortalidade infantil também, é um fator que deve ser mencionado (IANNONE, 1997).

Durante todo o século XVIII, a Inglaterra, além de principal pólo de desenvolvimento econômico e político, era o principal pólo cultural da Europa e, conseqüentemente, do mundo ocidental. Foi o local onde as idéias iluministas mais se desenvolveram e proliferaram entre os intelectuais da época, influenciando todas as esferas da vida política, econômica e social. As sociedades baseadas nestes princípios foram tornando-se cada vez mais secularizadas, e os Estados-Nação modernos, recém-criados, já haviam passado por anos turbulentos de revoltas e revoluções, em que a questão religiosa teria sofrido fortes abalos. O império Católico Ocidental começava, de uma vez por todas, a ser fortemente ameaçado. Um dos princípios mais fortemente defendidos por esta corrente era a separação entre o Estado e a Igreja, e o predomínio da razão humana sobre qualquer outra fonte de explicação do mundo. Também no campo do conhecimento a religião começava a perder o seu espaço de primazia. Com a secularização do conhecimento e o desenvolvimento da ciência moderna, o latim perdeu também o seu status de língua franca da ciência e foi pouco a pouco sendo substituído pelas línguas locais dos centros de produção científica. Como a Inglaterra era na época o maior produtor científico, o inglês passou a ser difundido largamente, também entre os meios acadêmicos, em virtude da grande produção e publicação*.

* A imprensa de tipos móveis de Gutenberg havia sido criada no século XV e nesta altura já havia recebido muitíssimas melhorias devido à sua presença nos jornais que se multiplicaram pela Europa.
A Inglaterra investiu muito no aperfeiçoamento desta tecnologia de imprensa, e no século XVIII era o país onde mais se concentravam imprensas gráficas do Ocidente (IANNONE, 1997).

Em contrapartida, a ciência ocidental, desde seus primórdios, requereu para si o caráter de universal. O conhecimento científico moderno é aquele que se caracteriza pela sua qualidade de ser universal e universalizante. Para que o conhecimento científico atinja este objetivo, é necessário que ele se faça inteligível para toda a comunidade científica. E, para isto, a existência de uma língua universal sempre foi uma utopia desejada. Entretanto, temos de reconhecer que a ciência moderna européia, durante muito tempo, criou a própria comunidade científica, ignorando as diferentes formas de produção e transmissão de conhecimento que não se baseavam nas suas estruturas epistêmicas. O desenvolvi-mento científico do ocidente europeu se deu principalmente a partir do seu contacto com outros povos do Oriente e do além-mar americano, seja pelo aprendizado, seja pela usurpação de conhecimentos produzidos naqueles locais e posteriormente transformados em conhecimentos científicos. Mas a comunidade científica moderna foi por muito tempo uma criação ocidental, da qual somente participavam homens, europeus e brancos.
A expansão colonial britânica para além do continente europeu também foi elemento importantíssimo para a vulgarização da língua. As colônias da Inglaterra, ao serem forçadas a renegar as suas línguas nativas e adotar a língua da metrópole, expandiam o domínio da anglofonia. Os povos colonizados sempre foram considerados, desde o século XVI, como os “outros”, selvagens e sem cultura. A idéia de civilização, que já é por si só uma criação moderna (QUIJANO, 1999), consistia em dotar, mesmo que pelo uso da força e da criação de não-existências, as colônias com as características dos colonizadores. A língua do colonizador sempre foi considerada superior em relação à língua do nativo, nos processos de expansão colonial europeu (MARGARIDO, 2000). Deste modo, a violência colonial exigia do colonizado que assimilasse do colonizador inclusive a própria língua, renegando a nativa*. Este fator histórico político foi o que determinou a forte difusão da anglofonia presente no mundo ainda hoje. Embora os dados não sejam precisos, estima-se que apenas cerca de pouco menos de 30% da população mundial fale inglês como idioma oficial. Entretanto, deste total apenas cerca de 7% a possui como primeira língua, ou língua materna**. Os demais falam o inglês como língua oficial do Estado, uma herança colonial que demonstra as tais permanência que perduram mesmo após o término de um período colonial ou imperial. Contudo, não se pode afirmar que toda esta população considerada anglófona possua boa fluência oral e muito menos escrita desta língua, como é o caso de inúmeros povos na África e, também, na Ásia.

* Um dos requisitos para requerer o estatuto de assimilado em muitos domínios coloniais europeus, como o português, por exemplo, era a exigência da comprovação de ótima fluência escrita e oral do idioma do colonizador, fato que, no colonialismo português, tornava-se completamente arbitrário, pois a maioria da população portuguesa da metrópole não possuía a tal fluência exigida dos pretensos assimilados (MARGARIDO, 2000).
** Os dados que dispomos foram obtidos em Gordon (2005). Nota-se que não ocorreram grandes variações desde o estudo realizado por Truchot (1990), no final da década de 1980. Entretanto, ambos os autores alertam para o fato de os dados serem aproximações calculadas com bases em informações muito dispersas e não uniformes, e que podem conter algumas discrepâncias significativas com relação ao valor exato ou em relação a outros levantamentos similares realizados. Isto não invalida a utilidade destes dados para o fim analítico deste texto, que não se propõe efetuar uma rigorosa estatística da anglofonia, mas, antes, apenas realizar breve cartografia demonstrando o espaço que a língua inglesa ocupa no cenário lingüístico mundial.

A primeira metade do século XX testemunhou a inversão política e militar das mãos da Inglaterra para os Estados Unidos. Sem entrar em pormenores políticos e econômicos, apenas faz-se importante ressaltar o surgimento de uma potência fora do contexto europeu, cujo universo lingüístico é o mesmo que o utilizado pela potência hegemônica anterior, o inglês. Os EUA, desde a sua independência em 1776, investiram fervorosamente no seu desenvolvimento industrial e alcançaram resultados espetaculares com as conseqüências do enfraquecimento europeu decorrido de maneira especial durante a Segunda Guerra. Foi em particular nos EUA que o capitalismo do século XIX encontrou terreno fértil para desenvolver-se, em um contexto de muito pouca resistência. A Inglaterra, endividada e desestruturada politicamente, não perdeu de todo a sua importância no cenário político-econômico mundial do século XX em diante, mas foi progressivamente cedendo primazia aos EUA, que foram demonstrando resultados incríveis no seu desenvolvimento industrial. Hoje é inegável a supremacia política e militar dos EUA no sistema mundial, mesmo que já se possa questionar a sua situação econômica.

Com o desenvolvimento capitalista, a sociedade americana experimentou rápido crescimento em todas as áreas, incluindo grande investimento nas áreas sociais, o chamado período forte do welfare state americano. De lá para cá, o país tem investido massivamente em ciência e tecnologia, fomentando investigações em todas as áreas, financiando projetos de investigações variados e gerado crescente acúmulo de produção técnica e científica.

A INTERNET E A LÍNGUA INGLESA: UMA CAUSA OU UMA CONSEQÜÊNCIA?

Como já ressaltado, a Internet nasceu nos EUA, como variação de um projeto militar muito específico. Entretanto, não foram os militares americanos que desenvolveram sozinhos a Internet; ela é fruto de projeto coletivo empreendido por milhares de pessoas no mundo inteiro. A idéia inicial era apenas a de criar uma rede de computadores com a finalidade limitada de servir aos interesses de troca de informação militar. Mas, desde muito cedo, o escopo inicial foi pervertido pelo envolvimento de inúmeros profissionais da área da informática preocupados com os resultados secundários deste projeto hierárquico centralizador. Este corpo de altos especialistas em engenharia de computadores e em programação informática permitiu o desenvolvimento paralelo de uma infra-estrutura de redes que rapidamente passou a ser utilizada por muitas pessoas fora do círculo militar inicial. Podemos dizer que a história das redes foi fortemente escrita graças à cooperação dos aficionados por informática, os hackers*, que desenvolveram ampla comunidade de especialistas na área com o objetivo de criar um meio alternativo e mais democrático de intercâmbio de informações. O passo determinante para a expansão e o crescimento da rede e sua vulgarização deu-se quando os empresários capitalistas começaram a perceber o grande potencial deste mercado consumidor de informações e comunicações e passaram a investir nele massivamente (BRETON, 1991; CASTELLS, 2001).

A origem de nascimento da Internet, entretanto, conferiu a ela, juntamente com a nacionalidade, a sua língua materna. Nos primórdios do desenvolvimento da rede Internet, quase a totalidade da comunicação estabelecida era em inglês, uma vez que a maioria das pessoas envolvidas nos projetos provinha dos EUA, ou de comunidades científicas nas quais, como já vimos, o inglês é utilizado como língua franca. Nesta época, a sua geografia ainda estava muito restrita aos centros universitários dos EUA e algumas universidades da Europa (CASTELLS, 2001). Ainda mais tarde, nos primeiros anos do salto comercial da Internet, em 1997 o inglês ainda era completamente dominante, com 90% de páginas disponíveis nesta língua**.

* Diferente da imagem veiculada pelo senso comum, o hacker não é o viciado em computador que espalha desordem no ciberespaço, corrompendo arquivos, disseminando vírus e ameaçando a segurança das privacidades de computadores pessoais e corporativos (CASTELLS, 2001). Esta atitude é freqüentemente desenvolvida pelo craker, que, ao contrário, é desprovido de qualquer ideologia a não ser da satisfação egoísta de superação a qualquer preço. O hacker está preocupado com a luta contra a injustiça do sistema e com a liberdade de expressão, utilizando o próprio sistema como arma e o ciberespaço como campo de batalha (MUSTARO, 2003).
** Dados obtidos em estudos realizados pela Global Reach, a primeira companhia americana a realizar um estudo quantitativo da dispersão das línguas presentes na Internet. Dados consultados em http://global-reach.biz/ Acesso em 19/06/2006.

Tabela 1
Tabela de evolução das línguas na Internet*

 

Inglês

Espanhol

Francês

Italiano

Português

Romeno

Alemão

Outras

Sep-98

75,00 %

2,53 %

2,81 %

1,50 %

0,82 %

0,15 %

3,75 %

 13,44 %

Ago-00

60,00 %

5,05 %

4,40 %

2,76 %

2,37 %

0,22 %

3,00 %

 22,20 %

Ago-01

55,00 %

5,20 %

4,34 %

2,71 %

2,44 %

0,18 %

6,29 %

 25,45 %

Feb-02

50,00 %

5,80 %

4,80 %

3,26 %

2,81 %

0,17 %

7,21 %

25,97 % 

Feb-03

49,00 %

5,31%

4,32 %

2,59 %

2,23 %

0,11 %

6,80 %

29,65 % 

May-04

46,30 %

4,72 %

4,93 %

2,85 %

1,86 %

0,14 %

7,12 %

32,09 % 

Mar-05

45,00 %

4,60 %

4,95 %

3,05 %

1,87 %

0,17 %

6,94 %

33,43 % 

(*) Apesar de mostrar apenas as línguas latinas, esta tabela concentra os dados absolutos incluindo toda a diversidade preseante na Internet. As demais línguas não latinas compõem a soma do campo “Outras”.
Fonte: Funredes (2006).

Entretanto, esta realidade de hegemonia absoluta do inglês passou a ser constantemente revista com o crescente aumento da utilização da Internet nos diferentes países do globo, a partir de 1998. Neste ano, o inglês já havia sofrido queda de 15% do seu total, devido principalmente à proliferação da rede e a produção de conteúdos locais nas línguas nacionais. Esta tem sido uma tendência registrada até os dias de hoje. A última estatística produzida pela FUNRED* estabelece a presença absoluta do inglês em apenas 45% do total das línguas presentes na Internet, dado que difere daquele apresentado pela GLOBAL REACH, que fixa o inglês em valor menor, 35,2% (ver figura 1). Uma acentuada queda de 50% em um intervalo de apenas nove anos, conforme demonstra a tabela 1.

As possíveis causas apontadas pelo estudo são de fato oriundas da característica da crescente expansão da Internet em todos os países do globo, impulsionadas pela globalização hegemônica de viés econômico e político. Apesar da desigualdade visível com relação à distribuição da Internet no mundo, sobretudo nos países mais pobres, não é mais possível negar que a sua penetração tenha se estendido muito rapidamente, no intervalo breve de uma década, se considerarmos a fase comercial da Internet e a cobertura de parte relativamente expressiva do globo terrestre. Por certo, parcela considerável ainda não possui as mínimas condições de acesso, por faltarem os recursos mais elementares, sem os quais nenhuma cidade urbana desenvolvida hoje conseguiria mais viver. Cidades inteiras da África, da Ásia e da América Latina vivem ainda em relativo descompasso com relação às infra-estruturas tecnológicas mais elementares da modernidade, como a ausência de fornecimento de energia elétrica, só para dar um exemplo muito evidente. Não queremos aqui entrar em uma lógica de avaliação monocultural no sentido de estabelecer uma linearidade que determine estágios de progresso ou de atraso no desenvolvimento das sociedades, mas sim apenas assinalar a grande discrepância entre aqueles que se encontram incluídos e aqueles que estão completamente excluídos deste processo globalizante impulsionado pelas nTICs.

* A Funredes é uma organização não-governamental internacional dedicada à difusão das TICs nos países em desenvolvimento, principalmente na América Latina e Caraíbas. Desde 2006, desenvolve estudos de línguas e culturas latinas na Internet, em um projeto denominado “Observatorio sobre la diversidad lingüistica y cultural en la Internet”. Mais informações podem ser obtidas em http://funredes.org/lc.

Os dados que dispomos na tabela 1 demonstram que a Internet tem conseguido realizar parte do sonho de muitos de seus idealizadores, ou seja, está servindo como canal de trocas e de produção de informações e comunicações de maneira menos centralizada. Os dados contestam algumas das tendências fortemente difundidas no senso comum nos primeiros anos de vida desta poderosa tecnologia, que era a de que a rede mundial de computadores iria ratificar de uma vez por todas a difusão do inglês como língua internacional de trocas, confirmando o seu caráter de língua imperial tanto no Ocidente, quanto no Oriente. Quanto a esta questão, é bom lembrar que o inglês ainda desempenha este papel hegemônico, mas é importante ressaltar a progressiva perda deste status, ao menos no âmbito do ciberespaço.

Os trabalhos de Prado (2005) e Pimenta (2005), para o caso da América Latina, de Mikami et. alli (2005), para uma perspectiva asiática, e o de Fantognan (2005), para o caso da África, têm demonstrado crescente valorização das línguas locais dos países usuários da Internet, de modo a produzir cada vez um número maior de conteúdos expressos em línguas que não o inglês. A Internet permite, com custo muito mais baixo do que as formas convencionais, a produção de textos e materiais gráficos digitais possíveis de serem disponibilizados a um público crescente, permitido e estimulando a criatividade e o interesse de produção locais dos diferentes sujeitos sociais, nos diversos países do mundo.

Os estudos anteriormente mencionados demonstram a dificuldade de estabelecer critérios de avaliação de medição do conteúdo presente na rede Internet, pois, como cita Pimenta (2005), que possui o maior conjunto de exposições metodológicas, os conteúdos presentes na rede mundial de computadores precisam ser classificados, pois não constituem um todo homogêneo. Em uma época como a nossa, em que a transnacionalização das empresas se faz cada vez mais presente, os conteúdos comerciais na rede tendem a ser cada vez mais, igualmente, transnacio-nalizados. Portanto, é preciso estabelecer uma metodologia complexa que permita calcular a produção local, sem excluir a produção transnacional em formato multilíngüe. Mesmo assim, neste cenário complexo, e considerando apenas o universo das línguas latinas européias, o autor consegue perceber considerável crescimento anual, em detrimento do inglês, sempre em decréscimo. A presença das línguas latinas européias na Internet praticamente duplicou no período de 1998 a 2005, fato que ocorreu inversamente à língua inglesa. No universo de línguas latinas européias, o francês tem sido a que mais cresceu no período de 1998 a 2005, registrando acréscimo de 11%, seguido pelo espanhol, com acréscimo de 10,23% de páginas produzidas em março de 2005, conforme demonstra a tabela 2.

Tabela 2
Evolução relativa das línguas latinas européias com relação ao inglês*

 

Espanhol

Francês

Italiano

Português

Romeno

Sep-98

3,37 %

3,75 %

2,00 %

1,09 %

0,20 %

Ago-00

8,41 %

7,33 %

4,60 %

3,95 %

0,37 %

Ago-01

11,24 %

9,13 %

6,15 %

5,57 %

0,35 %

Feb-02

11,80 %

9,60 %

6,51 %

5,62 %

0,33 %

Feb-03

10,83 %

8,82 %

5,28 %

4,55 %

0,23 %

Mai-04

10,19 %

10,64 %

6,15 %

4,02 %

0,31 %

Mar-05

10,23 %

11,00 %

6,77 %

4,15 %

0,37%

 

(*) Com relação a cada 100 páginas em inglês.
Fonte: Funredes (2006).

Algumas justificativas apresentadas pelo autor para o forte crescimento do francês neste período ligam-se ao fato de a França e a Bélgica, dois países desenvolvidos da Europa, terem aderido ao uso da Internet, embora tardiamente em relação à Inglaterra e à Alemanha, e investido fortemente na infra-estrutura de rede e sua promoção de uma cultura do ciberespaço. É preciso também mencionar a política voluntarista da francofonia no sentido de incentivar e incrementar a produção de conteúdos. Neste sentido, todas as línguas latinas européias têm registrado progressivo crescimento, com exceção do português, que sofreu ligeiro retrocesso, que o autor atribui a fortes crises econômicas pelas quais vem passando os países de língua lusófona, desde o seu maior representante, o Brasil, praticamente todos os países africanos e inclusivamente Portugal, embora este inserido no contexto europeu.

De qualquer forma, é importante ressaltar o crescimento do conjunto dos conteúdos disponíveis de línguas latinas européias que tem seguido o crescimento de acessos e de trocas comunicacionais nestes países de línguas latinas. O resultado é maior quantidade de conteúdos em línguas locais, facilitando as trocas informacionais em muitos níveis, marcadamente nos culturais e sociológicos.

Se o crescimento das línguas européias hegemônicas na Internet pode ser apresentado como uma conquista contra-hegemônica, muito mais será quando registrado o igual crescimento das demais línguas não européias. O estudo de Mikami et alli (2005) aponta para o crescimento das línguas asiáticas, com considerável expressão para os idiomas árabe, chinês (simplificado), japonês e coreano. Neste estudo, o inglês em 2004 apresenta cerca de 10% a menos de presença do que o do levantamento da Funredes, como mostra a figura 1. Entretanto, a complexidade deste trabalho e o universo maior de fontes e línguas tendem a resultar em um valor mais expressivo e mais aproximado do real. As fontes estatísticas utilizadas por estes autores, nas quais usam os dados da Global Reach, englobam um universo muito mais amplo de línguas. Neste caso, o chinês é segunda língua mais presente na Internet no mundo, com 13,7% em 2004. O japonês possui outra parcela significativa, com 8,4%, e o coreano, com 3,9%. No total, o conjunto das línguas asiáticas representa 33% do total de presença na Internet. O conjunto das línguas asiáticas apresenta parcela considerável que praticamente supera sozinho a hegemonia do inglês, que neste estudo representa parcela igual a 35,2% do total.

Figura 1
Distribuição mundial das línguas presentes na Internet em setembro de 2004

Fonte: Global Reach (2006).

Não podemos duvidar de que a China, com a maior população mundial e com o forte desenvolvimento tecnológico e cultural apresentado nas últimas décadas, não poderia deixar de demarcar o seu território lingüístico no ciberespaço. Igualmente o Japão, país que registra as maiores taxas de produção tecnológica do mundo (CASTELLS, 2001) não poderia deixar de se fazer presente. Segundo os autores, a parcela só não é maior, devido ao fato de grande parte da população chinesa e japonesa ter boa proficiência em inglês, permitindo boa iteração com o Ocidente.

Entretanto, o trabalho de MIKAMI et alli (2005) ressalta que parcela significativa de contribuição para o aumento da presença destas línguas na Internet provém da iniciativa individual ou coletiva de atores sociais dispersos, que percebem na rede uma forma acessível, fácil e barata de publicar suas produções e de estabelecer comunicações interativas em todas as esferas da vida social. Neste sentido, a Internet também no espaço asiático tem propiciado maior participação no ciberespaço, mesmo que muitas vezes estes países tenham o ciberespaço bastante controlado, devido aos seus regimes políticos, como China e Coréia do Norte.

Os autores apontam ainda outro fator que tem contribuído bastante para a vulgarização das línguas asiáticas e o aumento da produção da Internet. São as ferramentas de tradução e dicionários gráficos em línguas asiáticas desenvolvidos pelos principais sistemas operativos e ferramentas de buscas de conteúdos na Internet. Neste caso os autores ressaltam a contribuição da empresa americana Microsoft*, que detém a hegemonia no mercado de computadores pessoais, com 90% (GUESSER, 2006a), e produziu ferramentas de idiomas adequados para as realidades dos países de línguas asiáticas. A vulgarização de conteúdos em línguas locais só foi possível a partir da geração de tecnologias acessíveis para os usuários interagirem e produzirem conteúdos de maneira agradável e simplificada.

Igualmente, Fantognan (2005) vem com seu estudo ressaltar a incrível variedade lingüística do continente africano e a importância destas ferramentas de idiomas que possibilitam o acesso e a produção em línguas locais. O autor comenta que tais esforços contribuem para maior participação no ciberespaço, mas avalia que, no caso africano, ainda há muito que se fazer. Na África existem, segundo o autor, aproximadamente duas mil línguas. Deste universo, somente 400 sofreram algum trabalho de sistematização escrita. As demais 1.600 são línguas orais, que mesmo presentes na Internet (por meio de arquivos de áudio), não podem ser medidas por metodologias gráficas utilizadas pelas pesquisas atuais. Em outras palavras, tais línguas nem são contabilizadas e são consideradas inexistentes do ciberespaço. Entretanto, o autor chama a atenção para o fato de que grande parte das trocas comunicacionais mediadas pelas nTICs em África ocorre nestas línguas orais locais, ou nos dialetos crioulos, fato que não pode ser medido pelas estratégias de aferição até então adotadas, baseadas nas trocas escritas e na produção disponível sob forma gráfica (textual).

* Cabe aqui pequena ressalva para lembrar o papel de pressão exercido pelo movimento internacional pela adoção do software livre e do Projeto GNU+Linux, cuja proposta de inclusão digital contém como base a priorização das línguas locais como meio de interação entre usuário e tecnologia. Desde as primeiras versões do sistema operativo GNU+Linux, ele tem sido traduzido em muitas línguas, além das européias hegemônicas. Esta iniciativa tem sido seguida por praticamente toda a comunidade hacker que desenvolve tecnologias de código-fonte aberto (open source). Este fato contribuiu para a decisão da Microsoft em não seguir o mesmo caminho, uma vez que correria o risco de perder este grande mercado consumidor para concorrentes.

CONCLUSÃO

A incrível diversidade lingüística do mundo, representada apenas de maneira muito parcial na Internet, possibilita vislumbrar a complexidade que envolve os processos interacionais existentes e pode fazer o sistema-mundo buscar cada vez mais o estabelecimento de critérios e padrões lingüísticos universais, na tentativa de permitir razoável nível de entendimento e reconhecimento cognoscível das interações humanas, que serão cada vez mais necessárias em tempos de transnacionalização e de globalizações. Certamente que tais padrões seguirão as lógicas de poderes classificatórios presentes nas nossas sociedades, tendendo sempre para o lado mais forte, ou seja, do centro, ou dos centros hegemônicos do império, como nos falam Hardt e Negri (2001).

Diante do atual processo de globalização hegemônica, é inevitável que as comunicações se estabeleçam segundo critérios lingüísticos dos centros hegemônicos de poder. Pensar que o mundo deixará de ter uma língua hegemônica parece ser uma utopia descartada para a quase maioria dos lingüistas contemporâneos, como afirmam os estudos de Yaguello (2001). Esta autora destaca que a origem da linguagem e a universalidade das línguas ocupam o pensamento filosófico desde a Antiguidade. Platão falava em uma língua fundada na natureza; Descartes, em uma língua universal bastante fácil de aprender; Rousseau, na degeneração da linguagem dos primeiros homens. O ideal da universalidade e o medo do caos representado na mitologia judaica da torre de Babel chegaram a inspirar no final do século XIX a criação de línguas artificiais como o volapuk e o esperanto, na esperança de gerar alternativas negociadas de uma forma de linguagem pretensamente isenta e neutra. Porém, a Primeira Guerra Mundial, no começo do século XX, marca o fim das utopias universalistas e o reforço da hegemonia da língua inglesa no Ocidente, fato que tem perdurado até os dias de hoje. Entretanto, uma universalização da linguagem no mundo é coisa que parece ilusória, como bem apontam os dados sobre a presença das línguas na Internet.

Se é verdade que a ciência e as relações internacionais contemporâneas requerem uma língua universalmente reconhecível, capaz de permitir as suas transações interacionais, o mesmo não tem ocorrido no universo do ciberespaço, como demonstram os dados já apresentados. No plano das sociabilidades práticas, quotidianas, as pessoas tendem a preferir suas línguas locais, o que tem gerado o acréscimo da variedade lingüística na Internet. Em contrapartida, diante do atual sistema-mundo em transição, e com o crescimento econômico e político de países como a China e o Japão, no Oriente, o crescimento na Internet destas línguas asiáticas também pode ser lido como um processo de estabelecimento de redes que se juntam para articular forças na polarização de um novo centro de poder hegemônico, no império sempre mais difuso e desterritorializado.

Num caso ou noutro, a única tendência que podemos avaliar como conseqüência dos dados apresentados é que o ciberespaço tende a funcionar como um espelho da sociedade onde está inserido, reproduzindo as características das práticas sociais empreendidas no mundo concreto. Em outras palavras, o exemplo da crescente diversidade das línguas na Internet vem reafirmar as teorias de Levy (1997) sobre a virtualização do real, ou seja, da reprodução em meio virtual das práticas sociais desenvolvidas no real. Desta forma, o crescimento de outras línguas no ciberespaço é o resultado natural da normalização das relações, que aos poucos estão incorporando as nTICs e imprimindo nelas as características da sociabilidade quotidiana tradicional.

Como reflexo especular da sociedade, o ciberespaço é também um palco de disputas de poder e da busca de contínuo controle social por parte dos poderes hegemônicos do império. Entretanto, a presença crescente de línguas locais na Internet vem apontar para uma possibilidade que não pode ser desperdiçada nos projetos de emancipação humana. O espaço-tempo do ciberespaço, somado com as possibilidades de interação em diferentes línguas locais, pode vir a permitir maior e mais ampla sociabilidade, ao passo que produz uma divisão digital menos exclusiva e menos centralizadora.

Artigo submetido em 04/01/2007 e aceito em 19/10/2007.

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