Comunicações

Seminário sobre Avaliação da Produção Científica: sessão de abertura


José Fernando Perez
Diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O Seminário sobre Avaliação da Produção Científica foi realizado em São Paulo pelo Projeto SciELO, de 4 a 6 de março de 1998.

Tenho o prazer de abrir o Seminário sobre Avaliação da Produção Científica. Quero inicialmente agradecer ao Instituto de Biociências, ao professor doutor João Stenghel Morgante, na pessoa da vice-diretora, professora Vera Imperatriz Fonseca, pela acolhida e hospitalidade e por ter colocado este espaço à disposição para esta reunião. Quero também agradecer à presença de todos, em particular aos nossos convidados do exterior: doutora Anna Maria Prat, doutor Cesar Macias-Chapula, o engenheiro Ernesto Spinak, doutor James Testa, do Institute for Scientific Information (ISI), e doutor Ronald Rousseau, da Universidade da Antuérpia. Todos são bem-vindos e parte importante na avaliação do Projeto Scientific Electronic Library Online (SciELO).

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) recebe 1% da receita tributária do Estado de São Paulo para o financiamento da pesquisa científica e tecnológica. A SciELO é um projeto financiado pela Fapesp e coordenado pelo professor Rogério Meneghini e por Abel Packer, do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

Esse projeto tem características especiais, porque não é um projeto de pesquisa no sentido estrito, mas um projeto de natureza infra-estrutural para a pesquisa e para ajudar a divulgação da produção científica brasileira.

Nem toda produção científica brasileira de qualidade está listada nas bases de dados internacionais, e é muito importante que tomemos conhecimento, em primeiro lugar, de qual é essa produção e que organizemos a informação sobre essa produção de forma a poder torná-la acessível nacional e internacionalmente; em segundo lugar, que possamos avaliar como essa informação circula e como é utilizada para que possamos avaliar o significado e a importância de cada uma das contribuições.

Estamos vivendo um momento especial na ciência brasileira. Os indicadores das bases de dados internacionais documentam isso de forma expressiva: nos últimos 15 anos, podemos ver que a produção científica brasileira documentada na base do ISI duplicou. Na realidade, a fração que essa produção representa no universo internacional duplicou. Isso significa que nós crescemos muito e relativamente bem em relação ao mundo, ou seja, duas vezes mais depressa do que o mundo está crescendo, em um período em que a produção mundial cresceu bastante. Esses são dados precisos.

No entanto, essa produção que aparece listada no ISI, de longe, não documenta toda a produção nacional de qualidade. Há muitas áreas do conhecimento, por uma série de razões, que apresentam seus trabalhos inicialmente no contexto nacional. Há exemplos interessantes. Geociências é uma área que tem uma produção interna significativa, mas tem uma pequena produção documentada no ISI. E mesmo a produção que ali aparece tem um impacto grande, e esse é um indicador importante: não só o volume da produção brasileira cresceu muito, mas também a qualidade. Se formos auferir a qualidade pelo número médio de citações dos trabalhos ou pela fração de trabalhos não citados, veremos que estão muito próximos da média mundial. Então, a qualidade da nossa produção tem o mesmo padrão da produção internacional.

O que ocorre é que a nossa produção é pequena porque somos poucos cientistas, perto de 25 mil pesquisadores no país. Se compararmos com os números dos Estados Unidos, ou seja, cerca de 450 mil pessoas envolvidas com pesquisa, veremos que temos uma comunidade científica pequena em relação ao nosso PIB e à nossa população.

Ainda assim, temos uma produção que é bastante expressiva. Fica claro que temos de continuar crescendo e, ao mesmo tempo, criar os instrumentos para avaliar e acompanhar esse crescimento.

O projeto SciELO está dentro dessa filosofia: um instrumento importante para a nossa pesquisa. Um fator importante para a nossa pesquisa é expor a produção internacionalmente, garantir a melhor divulgação e possibilitar a avaliação dos mecanismos de circulação da informação dentro da nossa comunidade. Há muitos setores que não publicam internacionalmente, mas precisamos tomar consciência do que é feito, como é feito, como a informação é utilizada. O projeto SciELO nasceu de considerações dessa natureza, para as quais o professor Rogério Meneghini vem, há anos, chamando a atenção, para a necessidade de enfrentarmos essa dificuldade e, devido à insistência dele, nós nos convencemos de que tínhamos uma oportunidade e uma necessidade. Foi gerada uma parceria com a Bireme, na figura de Abel Packer, e esse projeto depende crucialmente dessas duas figuras.

Em nome da Fapesp, quero deixar registrado o meu agradecimento pelo empenho de toda a equipe do projeto. Tenho certeza de que é um projeto que vai ser da maior importância, não só para o Estado de São Paulo, pois é um projeto aberto para revistas do Brasil inteiro, e, talvez, possamos ter a ambição de, em algum momento, ampliar a sua base para revistas de toda a América Latina, à medida que o projeto se afirme como um instrumento eficaz na busca de seus objetivos.

Vejo que temos uma agenda densa, não vou cansá-los com considerações de natureza geral, mas quero deixar claro que a Fapesp considera esse projeto da maior importância e temos grandes expectativas acerca do impacto que poderá ter para a divulgação e a avaliação da nossa produção científica. Desejo um bom dia a todos.

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