PAUL ISRAEL SINGER: APRESENTAÇÃO

v.5, n. 1, Ed. Especial, 2018

 

“Paul Singer é um dos maiores economistas que tivemos mas em verdade foi um grande educador a semelhança de Paulo Freire. Para ele tudo se traduzia em oportunidade de aprendizagem. Chegou a definir a economia solidária como um ato pedagógico em si” (Valmor Schiochet, nesta Revista).

 

 

Singer nos deixa preciosos legados. Destaco, inicialmente, os relativos ao papel do intelectual, realçando especialmente sua permanente independência teórica e de intelecto, o que lhe deu liberdade para ousadias políticas e teóricas de imensa repercussão e importância.

Intelectual é aquele que proporciona à sociedade uma “consciência inquieta” de si mesma (Sartre), permitindo romper com o imediatismo do contínuo fluxo da vida, despertando a reflexão. Somente quem não aceita “clichês estereotipados” (Said), possui “espírito indócil” (Altamirano, 2013: 48) e suscita questões incômodas, para governantes, instituições, doutrinas estabelecidas e si próprio é que podemos chamar verdadeiramente de “intelectual”.

Ou seja, a “consciência inquieta” retorna, como bumerangue, na própria autocrítica, permitindo permanentemente evoluir e superar-se, o que é decisivo para que o intelecto possa alimentar-se e existir. Em verdade, como ensina o ditado – “vivendo e aprendendo” – a capacidade aprendente, de contínuo aprendizado, é parte decisiva da vida. Vida é processo de aprendizagem, processos cognitivos são processos vitais, de ininterrupta aprendizagem, demonstrou Hugo Assmann (1996: 27).

Nesta edição especial de P2P vários artigos ilustram o grande e raro intelectual que foi Paul Singer, que já há muitas décadas contribuiu decisivamente para inspirar e renovar diversas gerações em diversas áreas do conhecimento. Particularmente, o artigo de Hoyêdo Lins desnuda a importância das reflexões de Singer para as gestões municipais deste imenso país há praticamente 50 anos.

Se “convicções são piores inimigos da verdade que as mentiras” (Nietzsche), Singer é um belo exemplo de alguém que não ficou preso as ilusões de suas certezas ou num confortável trono, deslumbrado com toda sua contribuição anterior, por mais relevante que seja e que o consagrou ainda jovem como economista e pensador. Ele próprio nunca se congelou e ossificou, como o fez ao, tardia e humildemente, reconhecer a importância da temática ecológica[1].

Nas últimas duas décadas de vida, quando então já era celebrado como um dos clássicos do pensamento econômico brasileiro, Singer abraça a economia solidária (ecosol). E por ela é abraçado. Reconhece então que o movimento da ecosol “é muito mais rico do que nossas formulações. Ele não cabe nos nossos esquemas” (entrevista à Loureiro, 2008). Esta riqueza e complexidade transparece nos artigos de Nelsa Nespolo; Ioshiaqui Shimbo e pessoal do NuMI-EcoSol/UFSCar; Elisete Correggio e Sandra Schlichting; e André Souza, presentes nesta Revista.

Mesmo estando já consagrado, perfazeu uma evolução simplesmente abissal, até por entender que adentrou num campo novo onde vai muito mais reagir e aprender com a “outra economia que nasce com o povo”, do que dirigir e ensinar: “o que me encanta na economia solidária é que ela vem de baixo. E que nós que estamos à sua testa – e eu tenho hoje condições de dizer que estou por causa do cargo no governo; eu sou empurrado na verdade, eu não lidero” (2008).

Entre 1996 e 1997 ele tinha se aproximado (“recriado”, cf. ele mesmo dizia) da ecosol como forma de abrir alternativas no núcleo da economia industrial (especialmente São Paulo) para os operários desempregados com a nova revolução tecnológica. Ocorreu então uma famosa reunião na PUC/SP em setembro de 1997, convocada pelo GT de Economia Solidária da Unitrabalho, rede recém criada a partir da CUT, e coordenada por Singer e Cândido Vieitez (Unesp)[2].

Após a apresentação da pioneira Incubadora de Cooperativas da UFRJ, por Gonçalo Guimarães, fundador e coordenador da mesma, voltada para a organização econômica da população de baixa renda moradora nas favelas e tradicionalmente excluída do mercado de trabalho industrial, Singer foi taxativo e, do alto de sua autoridade, proferiu que “não era nada disso que ele vislumbrava para a ecosol”. Encerrado aquele primeiro dia, no início da manhã do segundo e último dia Singer abre os trabalhos informando que ter lido naquela noite um livro sobre “economia popular” do Coraggio[3] que alguém emprestou no dia anterior e que até então desconhecia. Aí comunicou que estava se reposicionando pois tinha entendido melhor o papel “dos setores populares” dentro do campo da ecosol. Um ano após, em 1998, a ITCP/USP foi criada, tendo em Singer seu principal impulsionador e dinamizador. Seu entusiasmo contagiou a inúmeros jovens acadêmicos, como atesta o artigo de André Souza nesta revista.

Isabel Loureiro fez uma reveladora entrevista em 2008 com Singer. Ela então buscava material para um filme sobre Rosa Luxemburgo e estava a descobrir Paul Singer como um dos três maiores luxemburguistas brasileiros (Mário Pedrosa e Michel Lowy os dois outros)[4]. Perguntado sobre este “legado luxemburguista”, o qual conheceria desde sua adolescência, responde que “não estava consciente” do mesmo até aquele momento da entrevista, frustrando aqueles que se apressam em rotulá-lo de “luxemburguista”. Ocorre que Singer simplesmente leu e inspirou-se em Rosa, sem se preocupar em se apresentar como discípulo desta ou de qualquer outro.

Para Singer, a grande qualidade da Rosa é a “absoluta recusa da ortodoxia”, especialmente ter ousado criticar o próprio Marx, pois “nenhuma contribuição é definitiva”. Sua virtude é, simplesmente, ter exercido o pensar, que, por definição, é livre e capaz de duvidar, ou não é pensar. Assim, Singer conclui a entrevista iconoclasticamente, afirmando que a própria Rosa, para se tornar atual e relevante hoje, precisa “ser superada”, e não cultuada e reverenciada num pequeno clube de fãs.

Ortodoxias produzem seitas e cegueiras. Singer debateu-se continuamente com a cegueira de uma certa esquerda em aceitar a realidade dos mercados. Nesta edição de P2P o artigo de Fernando Muller e Sjoerd Robijn ajuda a quebrar os incríveis bloqueios quanto aos mercados que teimam em persistir entre aqueles que buscam alternativas ao capitalismo. Em vida Singer demonstrou a importância fulcral de enfrentar e não pactuar com quaisquer ortodoxias e poderes (inclusive levando-o a criticar publicamente o próprio governo petista de que fazia parte, como revela Valmor Schiochet em seu artigo nesta revista). Coerente com esta práxis ao longo de toda sua vida, afirmou em outra entrevista (2005) que deixou-se de se “considerar marxista quando descobri que ser marxista significaria jamais questionar qualquer coisa que Marx tivesse assinado”.[5]

Outro traço central de Rosa Luxemburgo realçado por Singer, na entrevista à Loureiro, é serem “as massas”, as pessoas comuns, jovens e camponeses, que fazem e dirigem as mudanças, e não vanguardas dirigentes, as quais, na verdade, tendem a refrear as mesmas.

“Rosa Luxemburgo estava certa. As grandes transformações, a revolução social em marcha que existe hoje no mundo é tocada pelas pessoas que veem nisso uma solução concreta para seus problemas” (2008).

Esta lição, bem aprendida em sua juventude com Rosa, voltou a encantar Singer quando se deparou com o movimento da economia solidária na última etapa de sua vida: “essa visão das massas como carregando o ímpeto da mudança é uma coisa que calou fundo em mim, e eu a reencontrei na economia solidária” ( 2008).

Para Singer a ecosol “não foi encontrada por ninguém – não foi inventada pela Igreja, não foi inventada pelos sindicatos –, foi uma criação das pessoas em situações difíceis, mas recorrendo às forças comunitárias que são socialistas, em última análise” ( 2008).

Intelectual é quem está “completamente dentro” dos movimentos da história, não aquele que lidera, pois os novos metabolismos societários não comportam mais lugar para vanguardas e intelectuais orgânicos (Negri; Hardt, 2016: 139). Isto foi também antecipado tanto por Fanon em 1961, quando alertou para “o papel quase sempre nefasto do líder” (1968: 151); quanto por Iván Illich, em 1968, mandando “para o inferno” as boas intenções dos que veem de fora com teorias prontas: “venham ver, venham escalar nossas montanhas, desfrutem nossas flores. Venham estudar. Mas não venham ajudar” (Illich, apud Acosta, 2016: 98).

Por mais de 13 anos Singer coordenou a SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária, órgão do Ministério do Trabalho), e esta edição traz um belo artigo-testemunho de um dos seus colaboradores, Valmor Schiochet, que o acompanhou ao longo daqueles anos. Tendo consciência dos limites estatais, em especial dos seus como gestor do Estado na implementação de políticas públicas de ecosol, nunca se vislumbrou como operando uma panaceia que redimiria e salvaria aos pobres. Pelo contrário, tinha ciência de que neste campo atuava mais “como um papel passivo de apoio”, que, por mais que fosse relativamente importante, não substituiria à organização popular, pois complementar e subsidiário à mesma.

Um caráter militante e comprometido caracterizou Singer, sem prejuízo à sua qualidade acadêmica. Dentro de sua vastíssima produção intelectual, registro sua participação nos livros “São Paulo, 1975: crescimento e pobreza” (produzido em 1975 pelo CEBRAP a pedido da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo); e “São Paulo: o povo em movimento”, que organizou em 1980 junto com Vinicius Caldeira Brant[6]. Eles demarcam seu profundo envolvimento com os processos sociais de luta e transformação em curso naquela difícil e ditatorial época, especialmente por se tratar de obras de importância ímpar para a ocasião, produzidas com o propósito de “contribuir para que o potencial de organização e expressão das classes trabalhadoras se torne conhecido e possa desenvolver-se” (contracapa de “São Paulo: o povo em movimento”).

Michael Löwy (1996) com Singer conviveu intensamente nos anos 1950/60, e dele se “considerava um discípulo” [7]. Perguntado sobre como definiria Paul Singer, assim o fez:

“Alguém que ao mesmo tempo tinha uma formação econômica marxista sólida, conhecia perfeitamente Marx, Rosa Luxemburgo, e tinha um engajamento sindical, operário e político muito forte. Ele tinha a preocupação de manter um vínculo com o sindicato e os sindicalistas, com as lutas operárias e com a esquerda, buscando uma alternativa política marxista fora dos quadros do Partido Comunista e da socialdemocracia, tal como era representada exoticamente pelo Partido Socialista”.

Paul Singer constitui um raro, precioso e inspirador patamar de experiência, inteligência, generosidade, lucidez e abertura de espírito. Advindo da cultura judaica, e solidamente ancorado no mundo existencial-político paulistano (como demonstra Eugenia Loureiro em seu artigo nesta Revista), no pensamento marxista e autogestionário e na reflexão econômica, em verdade não se pode reduzi-lo a nenhum destes campos, estritamente falando, pois ele nunca se deixou aprisionar por estreitos limites. De algum modo, transcendeu sua condição de “paulista”, “marxista”, “economista”, e até mesmo a de “judeu”.

Aliás, ainda que fosse reconhecido como um dos clássicos economistas brasileiros, esta condição, verdadeiramente, foi a que menos o restringiu, pois ele sempre transitou ampla e livremente sobre as áreas da geografia, sociologia, política e história. Não se pode, rigorosamente, enquadrá-lo numa única área. Sua condição de leitor voraz de obras das mais diversas áreas desde adolescente, somado ao fato de ter participado em 1958 do “Seminário de Marx”, grupo multidisciplinar que estudou “O Capital”[8], contribuiu muito para sua desenvoltura transdisciplinar: “nós tentamos através de um esforço conjunto quebrar as barreiras disciplinares entre nós. Eu queria entender o Weber. Considero Weber uma grande influência sobre mim” (1999: 62).

Singer participou de um momento fundacional decisivo para a história recente brasileira, o do PT no Colégio Sion, São Paulo, em fevereiro de 1980. Foi também um dos fundadores do CEBRAP em 1969, junto com outros docentes que, assim como ele, foram compulsoriamente aposentados da USP pelo Regime Militar. Junto com Erich Sachs fundou a POLOP em 1959, instante de que também participaram Michel Löwy, Emir e Éder Sader, Theotônio dos Santos, Juarez de Brito e Simon Schwartzman, entre outros. Em sua rica e coerente trajetória de vida foi também eletrotécnico fabril, sendo um dos líderes da greve de metalúrgicos, tecelões, gráficos, marceneiros e vidreiros que parou por um mês a indústria de São Paulo em 1953, quanto tinha 20 anos.

Para a presente edição contamos com a decisiva cooperação de André Ricardo Souza, dirigente da Associação Brasileira de Pesquisadores de Economia Solidária (ABPES), cuja parceria honrou e viabilizou esta publicação.

 

 

Armando de Melo Lisboa (UFSC)

 

 


 

REFERÊNCIAS

 

Acosta, Alberto (2016). O bem viver. São Paulo: Elefante.

Altamirano, Carlos (2013). Intelectuales. Buenos Aires: Siglo XXI.

Assmann, Hugo (1996). Metáforas novas para reencantar a educação. Piracicaba: Unimep.

Costa Filho, Alfredo (2007). “Paul Israel Singer”. In: Szmrecsányi, T.; Coelho, F. (org.). Ensaios de história do pensamento econômico no Brasil contemporâneo. São Paulo: Atlas.

Fanon, Frantz (1968). Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Löwy, Michael (1996). “Um intelectual marxista: entrevista com Michael Löwy” (Entrevista à Ângela de Castro Gomes e Daniel Aarão Reis em 11 de setembro de 1996). In: Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, n° 2, pp. 166-183.

Negri, Antonio; Hardt, Michael (2016). Bem estar comum. Rio de Janeiro: Record.

Singer, Paul (1999). “Entrevista”. In: Mantega, Guido; Rego, José M.. Conversas com economistas brasileiros. II. São Paulo: Ed. 34.

____ (2000). “Incubadoras universitárias de cooperativas: um relato a partir da       experiência da USP”. In: Singer P.; Souza, A. (org.). A economia solidária no Brasil. São Paulo: Contexto.

____ (2005). “Entrevista” (à Paulo Vannuchi e Rose Spina). In: Teoria e Debate, n. 62,abril.

____ (2008). “Paul Singer: Rosa Luxemburgo, uma discípula de Marx que ousava criticar Marx” (entrevista por Isabel Loureiro, Marcos Barbosa de Oliveira, Danilo César e Nicolau Bruno).  In: Loureiro (org.). Socialismo ou   barbárie – Rosa Luxemburgo no Brasil. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo.

 

 


 

REFERÊNCIAS

 

Acosta, Alberto (2016). O bem viver. São Paulo: Elefante.

Altamirano, Carlos (2013). Intelectuales. Buenos Aires: Siglo XXI.

Assmann, Hugo (1996). Metáforas novas para reencantar a educação. Piracicaba: Unimep.

Costa Filho, Alfredo (2007). “Paul Israel Singer”. In: Szmrecsányi, T.; Coelho, F. (org.). Ensaios de história do pensamento econômico no Brasil contemporâneo.  São Paulo: Atlas.

Fanon, Frantz (1968). Condenados da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Löwy, Michael (1996). “Um intelectual marxista: entrevista com Michael Löwy” (Entrevista à Ângela de Castro Gomes e Daniel Aarão Reis em 11 de setembro de 1996). In: Tempo, Rio de Janeiro, vol. 1, n° 2, pp. 166-183.

Negri, Antonio; Hardt, Michael (2016). Bem estar comum. Rio de Janeiro: Record.

Singer, Paul (1999). “Entrevista”. In: Mantega, Guido; Rego, José M.. Conversas com economistas brasileiros. II. São Paulo: Ed. 34.

____ (2000). “Incubadoras universitárias de cooperativas: um relato a partir da      experiência da USP”. In: Singer P.; Souza, A. (org.). A economia solidária no Brasil. São Paulo: Contexto.

____ (2005). “Entrevista” (à Paulo Vannuchi e Rose Spina). In: Teoria e Debate, n. 62, abril.

____ (2008). “Paul Singer: Rosa Luxemburgo, uma discípula de Marx que ousava criticar Marx” (entrevista por Isabel Loureiro, Marcos Barbosa de Oliveira, Danilo César e Nicolau Bruno).  In: Loureiro (org.). Socialismo ou barbárie – Rosa Luxemburgo no Brasil. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo.

 

 



[1] “[...] fui bastante crítico desta posição; não que eu fosse a favor da destruição da natureza, mas eu achava que não tinha nem de longe a importância que na verdade tinha. Eu estava errado e estou fazendo uma autocrítica aqui. Eu não tinha noção, mas mudei de opinião” (2008).

[2] A importância desta reunião, da qual participei com mais 20 a 30 pessoas de todo país numa acanhada sala da PUC, é apontada pelo próprio Singer (2000: 125-126), pois foi a primeira reunião nacional a aproximar atores que terão grande papel nas futuras redes de ecosol, como a ANTEAG, ITCP/UFRJ, FASE, MST.

[3] José Luis Coraggio é um dos principais intelectuais argentinos envolvidos nas redes de ecosol.

[4] Singer organizou a edição do volume “Rosa Luxemburgo” na coleção “Os economistas”.

[5] Nesta mesma entrevista, ressalve-se, que se declara “marxista no sentido de continuar basicamente acreditando na visão de mundo de Marx”.

[6] Fruto de suas pesquisas e entrevistas, neste livro escreveu os capítulos “Movimentos de bairro”; “O feminino e o feminismo”; e “Movimentos sociais em São Paulo” (capítulo conclusivo).

[7] “Em conversas e discussões com Paul Singer aprendi tanto quanto na universidade. Do ponto de vista da formação intelectual e política marxista, ele foi uma espécie de universidade particular para mim” (Lowy).

[8] Formado por jovens professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (com José Giannotti, filósofo; Fernando Henrique Cardoso e Octávio Ianni, sociólogos; Ruth Cardoso, antropóloga; e Fernando Novais, historiador), quando então ainda era estudante de Economia da USP(ingressou em 1956).

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