OS COLÓQUIOS HABERMAS À LUZ DO REGIME DE INFORMAÇÃO

 

Isa Maria Freire[1]

Universidade Federal da Paraíba

Email: isafreire2011@gmail.com

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Resumo

Compartilha resultados de pesquisa exploratória para aplicação do modelo de regime de informação ao conjunto das 14 edições dos Anais do Colóquio Habermas, evento de comunicação científica na área de Ciência da Informação. Trata-se de pesquisa descritiva e documental, apoiada no método indiciário (Ginzburg) e na técnica do brauseio (Araújo), realizada nos arquivos dos Anais dos Colóquios no período de 2009 a 2022. Adota a abordagem do regime de informação na perspectiva de González de Gómez, apresentando seus elementos — atores sociais, ações, dispositivos e artefatos de informação — no contexto da forma de vida da comunidade científica. Descreve as interações entre os elementos do regime de informação do Colóquio Habermas desde a criação, por atores sociais, de um valor de informação (estrato semântico-pragmático) à conformação das regras em dispositivos (estrato meta-informacional) e o compartilhamento dos resultados mediante artefatos digitais (infraestruturas de informação). Foram identificados quatro grupos de atores sociais no conjunto de participantes dos Colóquios Habermas: (a) os que participam desde o início; (b) os que começaram a participar em meados da série histórica; (c) os que começaram a participar recentemente, mantendo regularidade na participação; e (d) os que participaram apenas uma vez. Em uma análise preliminar, entende-se que através da realização dos Colóquios e da publicação dos Anais os resultados da pesquisa científica foram compartilhados e discutidos por uma comunidade qualificada, propiciando a criação de novos conhecimentos na Ciência da Informação.

 

Palavras-chave:  Colóquio Habermas; regime de informação; comunicação científica; ciência da informação. 

 

THE HABERMAS COLLOQUIES IN THE LIGHT OF THE INFORMATION REGIME

 

Abstract

Shares results of exploratory research to apply the information regime model to the set of 14 editions of the Annals of the Habermas Colloquium, a scientific communication event in the area of Information Science. This is descriptive and documentary research, supported by the indexical method (Ginzburg) and the brauseio technique (Araújo), carried out in the archives of the Annals of Colóquios in the period from 2009 to 2022. It adopts the information regime approach from the perspective of González de Gómez, presenting its elements — social actors, actions, devices and information artifacts — in the context of the scientific community's way of life. It describes the interactions between the elements of the information regime of the Habermas Colloquium, from the creation, by social actors, of an information value (semantic-pragmatic stratum) to the conformation of rules into devices (meta-informational stratum) and the sharing of results through digital artifacts (information infrastructures). Four groups of social actors were identified among the participants of the Habermas Colloquia: (a) those who participated from the beginning; (b) those who started participating in the middle of the historical series; (c) those who recently started participating, maintaining regular participation; and (d) those who participated only once. In a preliminary analysis, it is understood that through the holding of Colloquia and the publication of the Annals, the results of scientific research were shared and discussed by a qualified community, enabling the creation of new knowledge in Information Science.
 
Keywords: Habermas Colloquium; information regime; scientific communication; information science
 
 

1  INTRODUÇÃO

Compartilhamos os resultados de aplicação do modelo do regime de informação à participação de pesquisadores nos Anais de 14 edições do Colóquio Habermas, evento de comunicação científica na área de Ciência da Informação. Trata-se de pesquisa exploratória, descritiva e documental, apoiada no método dos indícios (Ginzburg) e na técnica do brauseio (Araújo), realizada nos arquivos dos Anais do Colóquio publicados no período de 2009 a 2022.

Nossa abordagem se fundamenta no modelo do regime de informação na perspectiva de González de Gómez, apresentando seus elementos ─ atores sociais, ações, dispositivos e artefatos de informação ─ no contexto da forma de vida da comunidade científica. Descrevemos as interações entre os elementos do regime de informação desde a criação, por atores sociais, de um valor de informação à conformação das regras em dispositivos e o compartilhamento dos resultados mediante artefatos informacionais na Internet.

Como resultado, é possível dizer que a pesquisa identificou que o Colóquio representa um valor de informação para uma forma de vida da comunidade científica, cujos sujeitos sociais criaram dispositivos para sua organização (projetos, normas, programas) e artefatos para compartilhamento dos resultados na Internet (site, redes de comunicação, softwares de editoração), promovendo a produção de conhecimento e sua comunicação em uma dada forma de vida da comunidade científica.

A série dos Anais dos Colóquios Habermas, que se inicia em 2009 com a participação de 15 autores, chegou à sua 14ª. edição, em 2022, com 51 autores participantes do XIX Colóquio, alguns presentes desde a primeira edição dos Anais e muitos outros que foram respondendo às chamadas do evento, ao longo da série histórica.

 

2 TECENDO OS FIOS DO TEXTO

 

A seguir, apresentamos os fios teóricos com os quais tecemos, no tear interdisciplinar da Ciência da Informação, a rede conceitual para abordagem dos Colóquios Habermas na perspectiva do regime de informação.

 

2.1 A CONSTITUIÇÃO DE VALORES DE INFORMAÇÃO

 

O regime de informação na sociedade em rede resulta, historicamente, de inovações nas tecnologias de informação e comunicação, as quais, em conjunto com a relevância econômica e política da informação, provocaram profundas alterações nos diversos setores da sociedade, em nível global, embora a importância e influência dessas inovações esteja desigualmente distribuída nos diferentes estratos sociais e regiões geográficas.

Nessa nova ordem econômica mundial, que se anuncia nas explanações científicas e na economia das tecnologias digitais, é que ocorre a “nova relevância de um fenômeno antigo” (Wersig; Neveling, 1975 citados por Freire, 2001) e o regime de informação, com seus sistemas de informação e linguagens documentárias, inicia sua hegemonia sobre o regime industrial, na sociedade contemporânea (Unger; Freire, 2008, p. 85. Itálico nosso).

Mas, o que vem a ser o regime de informação? Para González de Gómez (2002, p. 34), trata-se de

Um modo de produção informacional dominante numa formação social, conforme o qual serão definidos sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação e distribuição (González de Gómez, 2002, p. 34).

Utilizando um recurso gráfico, Delaia (2008) descreveu os elementos de um regime de informação e suas interações, a saber:  

Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Figura 1 Dinâmica entre os elementos de um regime de informação

Fonte: Delaia, 2008.

 

Resumimos, a seguir, suas respectivas atuações, conforme González de Gómez:

a)   Os atores, ou sujeitos sociais, “podem ser reconhecidos por suas formas de vidas e constroem suas identidades através de ações formativas existindo algum grau de institucionalização e estruturação das ações de informação” (2003, p. 35. Itálico nosso);

b)   Os dispositivos de informação podem ser considerados um mecanismo operacional, “um conjunto de produtos e serviços de informação e das ações de transferência de informação” (1999a, p. 63);

c)   Os artefatos de informação constituem os modos tecnológicos e materiais de armazenagem, processamento e de transmissão de dados, mensagem, informação (2002, 2003, passim).

De modo que o regime de informação consiste no conjunto de determinações onde estão definidos os elementos que compõem o fluxo estrutural da produção, organização, comunicação e transferência de informações, em um dado espaço social.        Nesse sentido, González de Gómez (2003, p. 34) analisa a informação enquanto ação de informação, na perspectiva de que as ações constituem um conjunto de estratos heterogêneos e articulados, a saber:

a)      de informação (semântico-pragmático), estrato que se define nos inúmeros setores da produção social sob a forma de ações narrativas;

b)      de metainformação, estrato regulatório definido nos espaços institucionais do Estado, do campo científico, da educação formal, da legislação e dos contratos;

c)      de infraestruturas, estrato dos objetos de informação, “definido na indústria e nos mercados das tecnologias, das máquinas e dos produtos”.

 

Nessa abordagem, em um dado regime de informação os sujeitos sociais “[são] reconhecidos por suas formas de vidas e constroem suas identidades através de ações formativas existindo algum grau de institucionalização e estruturação das ações de informação” (González de Gómez, 2003, p. 35. Itálico nosso). Para implementar as ações, os sujeitos desenvolvem dispositivos, mecanismo operacional composto de regras de formação e de transformação; ou, “conjunto de produtos e serviços de informação e das ações de transferência de informação” (González de Gómez, 1999a, p. 63); ou, ainda, tudo que, “como matéria informada, mediação maquínica ou passado instituído do mundo social condiciona uma ação de informação, [podendo] atuar como variável causal na ocasião pontual de sua intervenção” (González de Gómez, 1999, p. 5).

De modo geral, um dispositivo de informação é constituído sobre dispositivos anteriores, que atuam como seu preenchimento estratégico, em um dado regime de informação. A reutilização é parte do dispositivo. As redes de comunicação remotas, nessa concepção, seriam num primeiro momento herdeiras dos conteúdos informacionais já disponíveis em meio digital, independentemente de gerar outros recursos, e de modificar conforme os novos sistemas de inscrição os repositórios já existentes (González de Gómez, 1999, p. 26. Itálico nosso).

Em síntese, um regime de informação se caracteriza por sua complexidade e por sua opacidade, nele ocorrendo conflitos, vontades plurais e efeitos não desejados. É nesse contexto que os sujeitos sociais, atuando em suas respectivas formas de vida, constituem uma “informação” a partir de formas culturais de linguagem que traduzem suas experiências do mundo, iniciando seus desdobramentos em atos de enunciação, interpretação, transmissão e inscrição. De modo que a constituição de valores de informação em uma dada forma de vida, como na comunidade científica, por exemplo, é orientada por regras construídas por sujeitos coletivos cujas práticas e discursos concretos estão ancorados no tempo e no espaço. Esses sujeitos coletivos são considerados sujeitos sociais quando existe

 

[...] algum grau de institucionalização e estruturação das ações coletivas dos quadros conceituais e das estratégias prático-discursivas, as quais agenciam diferenciais para configurar ações formativas que singularizem e sustentem expectativas de reconhecimento social desses sujeitos (González de Gómez, 1999, p. 24).

A autora faz uma distinção entre sujeitos sociais e sujeitos gnosiológicos: enquanto os primeiros “são reconhecidos por suas formas de vida, construindo suas identidades através de ações formativas”, os sujeitos gnosiológicos são aqueles cujas ações formativas são, de modo dominante, ações de informação.

A relação entre ator social, ação formativa e valor de informação é a junção que define as ações de informação. Nesse contexto são construídos e aceitos certos valores de informação, em situações que demandam processos sociais de arbitragem, tais como os de produção de conhecimentos científicos. De modo que a toda ação formativa corresponde uma ação informacional. Denomina-se ator gnosiológico ao ator social (cientista, pesquisador, tecnólogo) cuja ação formativa é a ação de informação (González de Gómez, 1999, p. 24. Itálico nosso).

No entrelaçamento dos domínios, estratos e modalidades das ações de informação no regime de informação, González de Gómez relaciona ‘ação social’ e ‘forma de vida’, esclarecendo que uma ‘forma de vida’ pode estar

[...] constituída pelas interações duradouras de um grupo que partilha de atividades, situações e experiências comuns. Uma ação formativa, por exemplo, na academia, é apresentar uma comunicação num congresso. O que ‘fixa’ um significado, um discurso, ou pode pré-configurar um ‘artefato de informação’ em alguma de suas dimensões, não seria logo e em primeiro lugar a base material da inscrição, e sim as condições institucionais e as relações socioculturais entre os sujeitos – incluídas as relações de poder que articulam os artefatos e as infraestruturas de informação em regimes de informação (González de Gómez, 2003, p. 36. Itálico nosso).

 

Nesse contexto, a autora sustenta que ações de informação tanto podem orientar-se à reprodução quanto à mudança dos regimes de informação, direcionando o fluxo e a distribuição de informação entre sujeitos, áreas do conhecimento, atividades e regiões. E insere em seu quadro teórico o conceito de forma de vida, de Collins e Kush (1999), compreendido como os espaços sociais onde sujeitos coletivos realizam práticas significativas e mais ou menos duradouras. As ações formativas seriam aquelas que, ao fazerem sentido para um grupo social, lhes dá, ao mesmo tempo, a identidade e a diferença a partir das quais o grupo colocará suas demandas de reconhecimento na sociedade.

Nesse espaço de atuação, os sujeitos que compartilham uma forma de vida – no caso do Colóquio Habermas, a forma de vida científica – entrelaçam domínios, estratos e modalidades das ações de informação desde seus aspectos semântico-pragmático, relacional e formativo, da aplicação de modelos e coordenação de atividades à disponibilização de artefatos e serviços virtuais. González de Gómez (2003, p. 36-37, passim. Itálico nosso) reconhece três modalidades de manifestação de uma ação de informação, conforme o contexto de sua constituição no regime de informação:

a)  formativa, quando a ação é orientada à informação, não como um meio, mas como sua finalização, produzida por sujeitos que transformam “os modos culturais de agir e de fazer, nas artes, na política, na ciência, na indústria e no trabalho, iniciando um novo domínio informacional” na ‘forma de vida’ de um grupo ou comunidade;

b)  relacional, quando a ação de informação busca intervir em outra ação para dela obter direção e fins, ampliando seu espaço de realização, “o qual alarga nas formas de descrição, da facilitação, do controle ou do monitoramento, sendo realizada por ‘sujeitos articuladores’ [...]”;

c)  de mediação, quando a ação de informação fica atrelada aos fins e orientação de uma outra ação, cujos “sujeitos podem ser vistos como ‘funcionais’ [e] cujas práticas serão definidas pelo contexto acional em que atuam, dentro das múltiplas atividades sociais”.

 

No contexto do entrelaçamento dos estratos e modalidades das ações de informação no regime de informação, González de Gómez (2003, p. 36) relaciona ‘ação social’ e ‘forma de vida’, esclarecendo que uma ‘forma de vida’ pode estar “constituída pelas interações duradouras de um grupo que partilha de atividades, situações e experiências comuns”. Nesse sentido, a autora entende as ações formativas como “aquelas constitutivas de uma ‘forma de vida’, [que] singularizam e diferenciam em relação a outros modos de ação  e formas de vida”.

Uma ação formativa, por exemplo, na academia, é apresentar uma comunicação em um [evento científico]. Nesse contexto, um ‘artefato de informação’, em qualquer de suas dimensões, não seria a base material da sua inscrição, mas, sim as condições institucionais e as relações socioculturais entre os sujeitos ― incluídas as relações de poder que articulam os artefatos e as infraestruturas de informação em regimes de informação (González de Gómez, 2003, p. 36. Itálico nosso).

 

A partir de Collins e Kush (1999, p.19), González de Gómez também admite outra leitura das ações de informação, conforme se trate de ações mimeomórficas ou polimórficas, esclarecendo que

Ações mimeomórficas seriam aquelas que poderiam ser reproduzidas tanto por um observador externo [...] que não compreende sua intencionalidade nem seu contexto de geração [...] quanto por quem compreende a ação (Collins; Kush, 1998, p. 21). São tipos de ações pré-modeladas que podem apreender-se através de exemplos, por treinamento (González de Gómez, 200a, p. 34. Itálico nosso).

 

Por sua vez,

Ações polimórficas são aquelas que podem ser compreendidas por quem participa de uma  cultura ou forma de vida. Nesse caso, a mesma ação, na mesma situação, pode ser executada conforme um número indefinido de comportamentos e, ao mesmo tempo, uma mesma instância de comportamento pode dar lugar a muitas e diferentes ações. Dado que são ações  determinadas por regras, o modo ‘correto’ de praticá-las só é possível para quem participa da forma de vida que é o contexto da ação. (González de Gómez, 2003, p. 34. Itálico nosso)

 

Nesse contexto, as ações formativas, relacionais e de mediação integram um mesmo campo de orientações estratégicas para o estabelecimento do valor de informação criado pelo grupo, atendendo ao conjunto de dispositivos determinados pela forma de vida da comunidade.

 

2.1 O CONTEXTO DA COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Arthur Jack Meadows inicia o seu celebrado texto sobre a comunicação na pesquisa (1999, p. vi) com esta afirmação: A comunicação situa-se no próprio coração da ciência. Para o autor, a pesquisa científica “exige, necessariamente, que seja comunicada”, de modo que “Qualquer que seja o ângulo pelo qual a examinemos, a comunicação eficiente e eficaz constitui parte essencial do processo de investigação científica” (Meadows, 1999, p. vii). O argumento fundamental do autor transparece em todo o texto: a legitimidade da pesquisa científica advém da análise e aceitação dos seus resultados pelos pares, ou seja, por outros cientistas.

Em Meadows (1999, p. 3), encontramos a ideia do surgimento da comunicação científica na Grécia Antiga, nos debates entre filósofos, muitos deles registrados e dos quais se conservaram alguns manuscritos. Desde então, essa comunicação tem se intensificado, facilitada pelos novos meios de comunicação que acompanharam o desenrolar do século XX e iluminaram a rede Internet com seus pontos em conexão. Nesse contexto, o autor ressalta que é “no ambiente universitário que todos os ramos do conhecimento avançam juntos […], fator importante na própria evolução da ciência e dos seus métodos”, destacando as formas que a comunicação científica desenvolveu lentamente ao longo de mais de três séculos (Meadows, 1999, p. viii).

Mas foi John Bernal, físico e historiador da ciência, quem primeiro usou, na década de 1940, o termo “comunicação científica”, definida como “um amplo processo de geração e transferência de informação científica” (Rosa; Gomes, 2010, p. 17). As autoras identificam outros estudiosos pioneiros da comunicação científica, “na sequência de um crescimento sem precedentes e de forma desordenada da literatura”, como Menzel (1958), Merton (1969), Price (1976), Garvey (1979), Ziman (1979), Griffith (1989) e Meadows (1999), que são “considerados os autores clássicos no que diz respeito à temática” (Rosa; Gomes. 2010, p. 17). Para Targino (2000, p. 18. Negrito nosso), esses autores

[...] substituem o caráter empírico dos estudos iniciais por uma abordagem teórica mais consistente priorizando cinco hipóteses, enunciadas por Menzel (1966): (1) a comunicação na ciência constitui um sistema; (2) vários canais podem atuar sinergeticamente na transmissão de uma mensagem; (3) a comunicação informal tem papel vital no sistema de informação científica; (4) os cientistas constituem público específico; (5) os sistemas de informação científica assumem múltiplas funções. 

 

Conforme Rosa e Gomes (2010, p. 18) informam, já em 1958, Menzel havia realçado o papel da comunicação científica para o desenvolvimento da ciência, definindo-a como “a totalidade das publicações, recursos, oportunidades, sistemas institucionais e costumes que afetam a transmissão direta ou indireta de mensagens científicas entre os cientistas”. Nesse contexto, Menzel (1958, p. 6 apud Rosa e Gomes. 2010, p. 19.  Tradução das autoras) propõe sete funções para a efetiva realização da comunicação no âmbito das atividades científicas:

1) fornecer respostas a perguntas específicas;

2) contribuir para a atualização profissional do cientista no campo específico de sua atuação;

3) estimular a descoberta e a compreensão de novos campos de interesse;

4) divulgar as tendências de áreas emergentes, fornecendo aos cientistas ideia da relevância de seu trabalho;

5) testar a confiabilidade de novos conhecimentos, diante da possibilidade de testemunhas e verificações;

6) redirecionar ou ampliar o rol de interesse dos cientistas;

7) fornecer feedback para aperfeiçoamento da produção do cientista.

 

De modo que, formal ou informal, escrita ou verbal, disseminada em periódicos ou compartilhada em eventos científicos, a comunicação voltada para o compartilhamento das atividades de pesquisa faz parte e subsidia o processo de pesquisa na comunidade científica.

Nesse contexto, é necessário lembrar a “literatura cinzenta”, termo que designa o conhecimento científico que circula nos corredores e rodas de conversas nos eventos científicos. No Brasil, em artigo pioneiro, Población (1992, p.243-45) denomina “literatura cinzenta” aos documentos que “circulam nos eventos e permitem a agilização dos contatos entre investigadores, fortalecem os elos de comunicação entre os membros dos colégios invisíveis”. A autora inclui nesse grupo, “as comunicações apresentadas em eventos, os anais”, que também podem “ser apresentados dentro dos padrões exigidos pela publicação seriada e/ou periódica” (Población, 1992, p. 244). Por fim, antevê que esse tipo de literatura “deve se impor como força propulsora da velocidade que caracteriza a comunicação eletrônica, a qual dominará o século XXI”. Quase 20 anos depois, Arboit e Bufrem (2011, p. 217), ratificam essa afirmação, mediante pesquisa documental extensa, e mostram que

[...] embora este tipo de canal de comunicação científica não seja o mais valorizado na área pelas agências de fomento, ele constitui uma fase intermediária no processo de legitimação do conhecimento científico. Ou seja, os eventos refletem a tendência das pesquisas baseada nos anseios e discussões da comunidade científica [...].

 

As autoras alertam para a necessidade de preservação dos anais contendo a “literatura cinzenta” produzida nos eventos científicos, especialmente com vistas a estudos sobre a produção científica dos eventos nacionais da área. Na sociedade em rede, essa recomendação torna-se factível pelas tecnologias digitais de gestão e disponibilização da informação científica on line, desde a submissão dos trabalhos à produção dos anais do evento. Assim, a literatura cinzenta se revela no cenário multicolorido do ciberespaço como fonte de informação iluminada nos múltiplos olhares de pesquisa compartilhados nos eventos científicos. Nos anais desses eventos registram-se trilhas de pesquisa, mapas de territórios da literatura ainda inexplorados, relatos de investigações surpreendentes.

Nesse contexto, as tecnologias digitais de informação e comunicação são fundamentais, na medida em que facilitam o acesso dos usuários às informações e permitem que os pesquisadores possam disponibilizar, de forma direta, sem intermediários, os resultados de suas pesquisas. Conforme Freire e Freire (2021), a criação desses novos espaços de comunicação de caráter científico, convivendo com os já tradicionais canais formais, como os periódicos, é resultado da dinâmica da comunicação social atual, em que o regime de informação dominante exige novas formas de expressão e compartilhamento de informações, que crescem exponencialmente e demandam novos canais para sua disseminação. Nesse sentido, a digitalização das informações que circulam no processo de comunicação científica, mediante formatos de publicação eletrônica, troca de e-mails ou redes de pesquisa on line, tornou-se parte integrante da comunicação e subsidia esse processo na sociedade conectada pela Internet.

Também em uma comunidade científica, a estrutura de comunicação em rede mediada na Internet adquire inestimável valor no que concerne ao atendimento a necessidades informacionais dos atores sociais. Nesse contexto, formais ou informais, visíveis ou invisíveis, os canais de comunicação científica representam o locus onde pulsa o coração da ciência, movimentando o sistema onde circula a matéria-prima do conhecimento científico: a informação.

 

3 COLÓQUIO HABERMAS: ação formativa para comunicação científica

 

A pesquisa utilizou o método indiciário de Ginzburg (1989) e a técnica do brauseio, que Araújo (1994) traduz como uma atividade de busca tendo como causa uma necessidade ou interesse de informação percebido.

O método indiciário apresentado por Ginzburg (1989) consiste num conjunto de princípios que atentam para detalhes, dados marginais, resíduos, pistas indícios, sinais, vestígios. O autor esclarece que

[um] grupo de disciplinas que chamamos de indiciárias não entra absolutamente nos critérios de cientificidade deduzíveis do paradigma galileano. Trata-se, de fato, de disciplinas eminentemente qualitativas, que têm por objeto casos, situações e documentos [...] (GINZBURG, 1989, p. 156).

 

O paradigma indiciário é considerado um método interpretativo, no qual, analogicamente, o pesquisador é um caçador atento aos vestígios de sua caça (o objeto da pesquisa), de modo a criar uma narrativa das causas e efeitos da passagem da caça no campo da pesquisa. Se os rastros identificados não são suficientes para se criar a história, Ginzburg (1989, p. 169) propõe atentar especialmente nos efeitos para reconstruir a narrativa: "Quando as causas não são reprodutíveis, só resta inferi-las a partir dos efeitos". Para o autor, toda pesquisa também pode ser comparada à produção de um tapete, com fios ponto a ponto, delineando e tecendo uma trama que permite a interpretação do objeto de estudo em seu contexto. Em uma linguagem metafórica, é o percurso em que se poderia tomar em um tear, seguindo fio a fio, de modo a fazer a investigação.

Na pesquisa exploratória nos Anais do Colóquio utilizamos a técnica do brauseio, que se dá por um processo de exploração visual por meio do ‘acesso direto’, o qual, conforme Araujo (1994, p. 189), pode ser descrito como “a arte de não saber o que se quer até que se o encontre”. Essa forma de pesquisa bibliográfica e/ou documental, é descrita por Freire (2014) como uma atividade de busca derivada de uma necessidade ou interesse informacional percebido, o que no âmbito dessa pesquisa consiste em buscar pistas sobre o regime de informação do Colóquio Habermas.

 

3.1 O TERRITÓRIO DA PESQUISA

Nosso campo de pesquisa foi constituído pela série histórica dos Anais dos Colóquios disponibilizados no site do evento, <coloquiohabermas.wordpress.com/>, a qual se inicia em 2009 com a publicação das comunicações apresentadas no V Colóquio (2008) e segue até a publicação das comunicações do XIX Colóquio (2022), como mostra o quadro 1.

Quadro 1 Série dos Anais dos Colóquios disponíveis no site [N = 14]

Ano

publ.

Tema do Colóquio

[ano do evento]

 

Local/Período

Qtde.

autores

 

2009

O pensamento vivo de Habermas: uma visão interdisciplinar [2008]

Florianópolis, 8 a 11 de setembro 2008

 

15

2011

Habermas e Interlocuções [2011]

Londrina, 9 a 21 de outubro 2011

46

 

2012

Discursos habermasianos [Diálogos habermasianos] [2010]

Brasília, [s.d.] maio 2010

27

Mudança estrutural na esfera pública 50 anos depois [2012]

Rio de Janeiro, 22 a 24 de maio 2012

40

2014

Anais do IX Colóquio Habermas [Sem tema] [2013]

Rio de Janeiro, 4 a 6 de junho 2013

39

2015

Representação, democracia e controle social [2014]

Rio de Janeiro, 9 a 11 de setembro 2014

48

 

2016

Os limites para a liberdade comunicativa? [2015]

Rio de Janeiro, 22 a 24 de setembro 2015

46

Conflitos contemporâneos: Direitos Humanos   e Solidariedade [2016]

Rio de Janeiro, 13 a 15 de setembro 2016

42

2017

Anais do XIII Colóquio Habermas [Sem tema] [2017]

Rio de Janeiro, 19 a 21 de setembro 2017

29

2018

Direito e Democracia: entre fatos e normas [2018]

Rio de Janeiro, 18 a 20 de setembro 2018

39

2019

Reconhecimento do outro e Estado de direito [2019]

Rio de Janeiro, 17 a 19 de setembro 2019

29

2020

Esfera pública em tempos de internet [2021]

Rio de Janeiro, 17 a 19 de novembro 2020

38

2021

Patologias da razão e direitos sociais na Pandemia [2021]

Rio de Janeiro, 14 a 16 de setembro 2021

32

2022

Solidariedade, políticas públicas e democracia [2022]

Rio de Janeiro, 13 a 15 de setembro 2022

51

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

 

Observamos, no quadro 1, que as primeiras publicações da série dos Anais não seguem a anualidade dos eventos:

a.     as comunicações do V Colóquio, de 2008, primeiro evento da série, foram publicadas no ano seguinte (2009);

b.     mas as comunicações do VI Colóquio, de 2010, só foram publicadas em 2012;

c.     as comunicações do IX Colóquio, de 2013, foram publicadas em 2014;

d.     as do X Colóquio, de 2014, foram publicadas em 2015;

e.     e as comunicações do XI Colóquio, de 2015, foram publicadas em 2016.

 

A partir do XII Colóquio Habermas, em 2017, a publicação dos Anais passa a registrar a edição dos Colóquios e a publicação dos Anais no mesmo ano. E a partir de 2014 o Colóquio Habermas passa a receber o Colóquio de Filosofia da Informação, com os anais publicando suas comunicações em conjunto. Nesta pesquisa, contudo, não fazemos distinção entre as comunicações dos respectivos Colóquios Habermas e Filosofia da Informação, considerando a publicação dos Anais na perspectiva de uma ação formativa pertinente à tradição da forma de vida da comunidade científica.

A seguir, no quadro 2, em ordem alfabética, os nomes dos autores com mais de cinco participações nos Anais do Colóquio Habermas, ao longo da série.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadro 2 – Autores com + de 5 publicações nos Anais [N = 14]

Autores

Qtde.         eventos

Ocorrências nas publicações

André Berten

6

2012; 2014; 2016; 2017; 2018; 2020.

André Guimarães Borges Brandão

8

2015 a 2022.

André Luiz Souza Coelho

6

2010; 2012; 2013; 2019; 2020; 2021.

Cândido Francisco Duarte dos Santos e Silva

7

2012; 2013; 2015; 2016; 2017; 2019; 2022.

Charles Feldhaus

11

2009; 2010; 2012; 2014; 2015 a 2021.

Clóvis Ricardo Montenegro de Lima

14

2009 a 2022.

Delamar José Volpato Dutra

6

2009; 2014; 2015; 2016; 2021; 2022.

Eugênia Vitória Câmera Loureir

6

2010; 2018 a 2022.

Flavio Beno Siebeneichler

6

2010; 2011; 2012; 2014; 2016; 2017.

Jovino Pizzi

14

2009 a 2022

Marcia Heloisa Tavares de Figueiredo Lima

6

2014 a 2017; 2020; 2022.

Maribel da Rosa Andrade

6

2013; 2014; 2017; 2018; 2019; 2021.

Sérgio Gustavo de Mattos Pauseiro

6

2010; 2012 a 2016

Fonte: Dados da pesquisa, 2023. Em negrito e destaque: participantes da 1ª. edição.

 

Destacamos, em negrito, os sujeitos sociais que participaram do V Colóquio e cujas comunicações foram publicadas na primeira edição dos Anais. Como fizemos um corte no número de participações nos anais, um dos autores da edição inicial ficou excluído do quadro: Luiz Bernardo Leite Araújo, que participou da publicação em 2009 e, depois, entre 2012 e 2016.

Mais de 80 autores marcaram presença nos Anais do Colóquios Habermas, no período de 2009 a 2022, e nesse grupo alguns sujeitos sociais têm participado em quase 50% das edições. Esse grupo de autores também pode ser representado através de uma nuvem de tags, como na figura 1.

Figura 1 –Nomes dos autores com + de cinco participações nos Colóquios

Texto

Descrição gerada automaticamente

Fonte: Dados da pesquisa, 2023. Elaborado por Niedja Nascimento Barros.

 

No gráfico 1, acompanhamos, ao longo do tempo histórico, os eventos de publicação e o número de autores na série histórica dos Anais.

Gráfico 1 – Anos de publicação dos Anais e número de autores por edição

Fonte: Dados da pesquisa, 2023. Elaborado por Niedja Nascimento Barros.

 

No período abordado pela pesquisa, um pequeno grupo esteve atuante na gestão da publicação dos Anais dos Colóquios Habermas, desde sua primeira edição, como segue:

·      As comunicações do V Colóquio, em 2008 que inauguram a publicação dos Anais, em 2009, foram organizadas por Alessandro Pinzani, Clóvis Montenegro de Lima e Delamar José Volpato Dutra.

·      As comunicações do VI Colóquio, em 2010, foram publicadas em 2012 e organizadas por Clóvis Montenegro de Lima e Maria Nélida Gonzalez de Gómez.

·      As comunicações do VII Colóquio, de 2011, foram organizados por Charles Feldhaus, Eder Soares Santos e José Fernandes Weber e publicasdas no mesmo ano;

·      As comunicações do VIII Colóquio, de 2012, foram organizadas por Clóvis Montenegro de Lima, que a partir deste ano passou a organizar a publicação das comunicações dos eventos.

 

A seguir, compartilhamos resultados e reflexões a partir  e  sobre a pesquisa.

 

4 REFLEXÕES

                                                                                 

Conforme demonstrado, por suas sucessivas edições e a constância do seu público, o Colóquio pode ser caracterizado como um evento de comunicação científica, criado e produzido sucessivamente por um grupo de sujeitos sociais que compartilham uma forma de vida específica no âmbito da comunidade científica. E pode ser caracterizado como um evento híbrido: enquanto evento, se define como canal informal de comunicação e troca de informações; enquanto, publicação, se define como canal formal de comunicação, misto de dispositivo e artefatos ─ textos, produção editorial e compartilhamento em rede.

Com base em Dalaia (2008), aplicamos ao Colóquio Habermas o modelo de interação dos elementos do regime de informação, a saber:

 

Fonte: Dados da pesquisa, 2023. Elaboração própria.

 

No total, ao longo de 14 edições, os Anais do Colóquio Habermas registram mais de 80 autores, muitos dos quais com três ou mais participações no evento, o que define, a nosso ver, a ação como formativa, ou pertinente a uma forma de vida, qual seja a forma de vida dos cientistas sociais interessados no estudo da teoria de Habermas e em suas aplicações para um entendimento do mundo em que vivemos. Os sujeitos construíram uma narrativa e produziram um valor de informação, um Colóquio, criando o aparato de dispositivos e artefatos necessários ao seu desenvolvimento na comunidade científica: textos, normas, definições operacionais, redes digitais de comunicação.

Em nível da interação entre estratos e ações no regime de informação do Colóquio Habermas, reunimos, na figura a seguir, suas interações e características.

 

 

 

 

Figura 3 – Interação entre estratos e ações no regime de informação

           

Fonte: Dados da pesquisa, 2023. Baseado em Freire, 2020.

 

Nesse contexto, entendemos que o Colóquio foi criado como valor de informação por um grupo de sujeitos sociais e desenvolvido mediante uma ação polimórfica no contexto de uma forma de vida, no âmbito da comunidade científica. Para o evento ser aceito nessa forma de vida, os sujeitos gnosiológicos da ação formativa criaram uma narrativa, ou discurso, por exemplo a relevância da teoria habermasiana, seguindo-se o desenvolvimento de dispositivos e artefatos necessários ao registro da proposta e sua continuidade: um projeto, discutido em grupo, regras de participação, as temáticas e suas descrições, um site para compartilhar informações e publicações, um grupo de comunicação na rede WhatsApp.

A figura a seguir, descreve esse movimento de criação e manutenção de um valor de informação em uma forma de vida, na comunidade científica.

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 3 – Estratos e ações de informação no Colóquio Habermas

 

 

Fonte: Dados da pesquisa, 2023.

 

Nesse contexto, entendemos que o regime de informação do Colóquio Habermas representa uma intervenção no regime de informação da forma de vida da comunidade científica, onde as proposições são discutidas, testadas e aceitas conforme seu valor para o desenvolvimento da pesquisa científica.

Com o tempo, ao longo de 14 edições, o grupo de participantes da comunidade científica, criador do Colóquio Habermas, foi recebendo, a atenção e a participação não somente de cientistas sociais como, também, de pesquisadores da área de Filosofia. Um novo valor de informação foi agregado à proposta inicial, com a criação do Colóquio de Filosofia da Informação.

Trata-se, assim, de uma intervenção bem-sucedida no regime de informação da comunidade científica, uma ação formativa a par com ações relacionais e tecnológicas, com reflexos em uma forma de vida, seja na oportunidade de conhecer e trabalhar a teoria habermasiana, ou na publicação das comunicações nos anais, ou na interação com outros pesquisadores interessados nessa área, durante os eventos e depois, nas redes de comunicação virtual.

 

6 A EXPERIÊNCIA DA PESQUISA

 

Iniciamos nossa jornada de pesquisa exploratória a partir de uma sugestão do prof. Clóvis Montenegro de Lima: “por que não aborda o regime de informação?”. Mas, como fazer? Foi quando surgiu a ideia de abordar, e por que não?, o regime de informação do próprio Colóquio.

Pela limitação de tempo, entre a ideia da pesquisa e a realização do XX Colóquio, privilegiamos os elementos do regime de informação mais relevantes, os sujeitos e sua participação no evento.

 Ao longo da série de eventos com seus anais, o Colóquio estabeleceu um regime de informação no âmbito da forma de vida da comunidade científica, ampliando o espaço da comunicação tanto de abordagens teóricas quanto de experiências de pesquisa aplicada nas Ciências Sociais, notadamente a Ciência da Informação. Esse regime de informação interage com inúmeros outros regimes de informação, no contexto da forma de vida da comunidade científica no regime de informação da sociedade em rede. Como as bonecas russas, umas dentro de outras.[2]

Mas há um tesouro oculto nesses anais que não foi possível descobrir neste momento, quando lutamos contra o tempo. São questões à espera de respostas, como, por exemplo,

a.     como surgiu a ideia de criar o Colóquio?

b.     quais são as abordagens predominam nas comunicações?

c.     qual é a formação dos participantes e sua vinculação institucional?

d.     quantos participantes são pesquisadores em formação?

e.     quais participantes são voluntários na gestão do evento?

Esta é uma história do sucesso do trabalho coletivo no campo científico, “um campo de luta”, no entendimento de Bourdieu (1983), e essa história merece ser contada em detalhes. Quem se habilita?

 

Agradecimento

A Niedja Nascimento Barros, Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba e Editora Adjunta da revista Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia (PBCIB), pela elaboração dos gráficos.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, V. M. R. H. de. Sistemas de recuperação da informação: nova abordagem teórico conceitual. 1994. Tese (Dout. em Com.) – Faculdade de Comunicação, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, UFRJ. Rio de Janeiro, 1994.

 

ARBOIT, A. E.; BUFREM, L. S. Produção de trabalhos científicos em eventos nacionais da área de ciência da informação Transinformação, Campinas, v.23, n.3, p.207-217, set./dez., 2011

 

BOURDIEU, P. O Campo Científico. In: ORTIZ, R. Pierre Bourdieu – Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Editora Ática, 1983.

 

COLÓQUIO HABERMAS. Espaço de discussão do pensamento de Jürgen Habermas. Disponível em: https://coloquiohabermas.wordpress.com/.

 

FREIRE, I. M. A perspectiva do valor de informação: aplicação teórica no laboratório de tecnologias intelectuais. Revista Conhecimento em Ação, v. 5, n. 2, p. 182-203, 2020. DOI: 10.47681/rca.v5i2.39368.

 

FREIRE, I. M. Mediação da informação: um olhar sobre o portal LTi a partir literatura indexada na Brapci. Informação & Informação, Londrina, v. 19, n. 2, p. 23-45, maio/ago. 2014.

 

FREIRE, I. M.; FREIRE, G. H. de A. No coração da ciência. In: FREIRE, G. H. de A.; FREIRE. I. M. (Org.).  Comunicação científica em rede. Rio de Janeiro: IBICT, 2022. 

 

GARVEY, W. D. Communication: the essence of science. Oxford: Pergamon, 1979.

 

GINZBURG, C. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Cia. Letras, 1989.

 

GONZÁLEZ DE GÓMEZ, M. N. Escopo e abrangência da Ciência da Informação e a Pós-Graduação na área: anotações para uma reflexão. Transinformação, v.15, n.1, p.31-43, 2003.

 

GONZÁLEZ DE GÓMEZ, M. N. O caráter seletivo das ações de informação. Informare, v.15, n.2, p. 7-31, 1999.

 

GRIFFITH, B. C. Understanding science; studies of communication and information.

Communication Research, Newbury Park, v. 16, n. 5, p. 600-614, Oct. 1989.

 

MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Trad. Antonio Agenor Briquet de Lemos. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.

 

MENZEL, H. The flow of information among scientists - problems, opportunities, and research questions. New York: Columbia University, Bureau of Applied Social Research, 1958.

 

MERTON, R. K. Behavior patterns of scientists. American Scholar, v. 38, p. 197-225, 1969.

 

POBLACION, D. Literatura cinzenta ou não convencional: um desafio a ser enfrentado. Ciência da Informação, v.21, n.3, p.243-246, set./ dez. 1992.

 

PRICE, D. J. de S. O desenvolvimento da ciência: análise histórica, filosófica, sociológica e econômica. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1976. 

 

ROSA, F. G. M. G.; GOMES, M. J. Comunicação científica: das restrições ao acesso livre. Salvador: EDUFBA, 2010.

 

TARGINO, M. D. G. Comunicação científica: uma revisão de seus elementos básicos. Informação & Sociedade: Estudos, v. 10 n.2 2000, n. 2, 2000.

 

ZIMAN, J. Conhecimento público. Belo Horizonte: Itatiaia, 1979.

 

 

 

APÊNDICE

 

Nomes dos autores em 14 edições dos Anais do Colóquio Habermas 2009 – 2022

 

Alessandra Genú Pacheco

Alessandro Pinzani

Ana Carolina de Gouvêa Dantas Motta

Ana Paula da Silva Bezerra

Anderson de Alencar Menezes

André Berten

André Guimarães Borges Brandão

André Luiz Souza Coelho

Antonio Tancredo Pinheiro da Silva

Asy Pepe Sanches Neto

Cândido Francisco Duarte dos Santos e Silva

Carline Schröder Arend

Charles da Silva Nocelli

Charles Feldhaus

Claudia Bucceroni Guerra

Claudia Castro de Andrade

Clóvis Ricardo Montenegro de Lima

Danilo Persch

Davi José de Souza da Silva

Dayo de Araújo Silva Côrbo

Delamar José Volpato Dutra

Diogo Silva Corrêa

Edna Gusmão de Góes Brennand

Elizabeth Artmann

Eugênia Vitória Câmera Loureiro

Fernanda Mattos Borges da Costa

Fernando Amaral

Flavia da Silva Carvalho

Flavio Beno Siebeneichler

Francisco Antonio de Vasconcelos

Francisco Javier Uribe Rivera

Gerson Moreira Ramos Junior

Gilvan Luiz Hansen Junior

Guilherme de Figueiredo Preger

Gustavo de Melo Silva

Helen Fischer Günther

Isa Maria Freire

Jackson da Silva Medeiros

Jairo André Marques Junior

João Paulo Rodrigues

Jorge Atilio Silva Iulianelli

José Antonio Callegari

José Claudio Matos

José Rodolfo Tenório de Lima

Jovino Pizzi

Juliano Cordeiro da Costa Oliveira

Kenneth Baynes

Lídia Silva de Freitas

Lucas Alves Araujo

Luciana de Souza Gracioso

Luiz Bernardo Leite Araújo

Luiz Repa

Marcelo Faria Larangeira

Marcelo Pereira de Mello

Márcia Feijão de Figueiredo

Marcia H. Tavares de Figueiredo Lima

Mariangela Lima de Almeida

Mariangela Rebelo Maia

           

 

 

 

 

 

 

 

Marcio Gonçalves

Maribel da Rosa Andrade

Marina Velasco

Meri Nadia Marques Gerlin

Nadja Hermann

Oswaldo Almeida

Ozéas Corrêa Lopes Filho

Raphaela Nascimento de Carvalho

Ricardo Salas Astrain

Ronald E. Day

Rosalvo Nobre Carneiro

Rosely Dias da Silva

Sérgio Gustavo de Mattos Pauseiro

Sérgio Murilo Rodrigues

Simone Vinhas de Oliveira

Solange Machado Blanco

Tânia Marcia Kale

Valeria Cristina Lopes Wilke

Vanessa Capistrano Ferreira

Verônica Barboza Scartassini

Virgílio Andrade Neto

Vitor Gomes da Silva

Vitoria Sinimbu de Toledo

Wescley Fernandes Araujo Freire

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



[1] Doutora em Ciência da Informação pelo convênio Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenadora do Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi. Editora científica do periódico Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia (PBCIB). Em pós-doutoramento na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

[2] As matrioscas são um tradicional brinquedo russo. Trata-se de uma série de bonecas, em geral de madeira, colocadas umas dentro das outras, da maior até a menor. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Matriosca.