ARTIGO
A RAZÃO ESTRATÉGICA E AS RELAÇÕES CONTEMPORÂNEAS DE
TRABALHO
o caso dos motoristas por aplicativos e o Projeto de Lei Complementar nº
12/2024
Alda de Barros Araújo
Universidade Federal de Alagoas
Darlan do Nascimento Lourenço
Universidade Federal de Alagoas
Anderson de Alencar Menezes
Universidade Federal de Alagoas
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Resumo
Devido às principais transformações recentes na esfera social acontecidas a partir do final do século XX e início do
século XXI, em muito motivadas pelo avanço desmedido da economia neoliberal, da racionalidade técnica e da
ciência, as relações de trabalho foram impactadas significativamente. Sobretudo a partir da inclusão das tecnologias
digitais, com sistemas de informação mais complexos, inteligência artificial e aplicativos das mais variadas ordens,
vivencia-se uma verdadeira mudança estrutural na esfera pública atual, conforme Habermas. Com isso, o discurso do
empreendedorismo mostrou-se competente em obscurecer o senso crítico capaz de localizar a precarização do trabalho
e dos direitos trabalhistas. Um caso claro disso se reflete no fenômeno dos motoristas por aplicativo e a pretensa ideia
de autonomia que subjaz o imaginário desses trabalhadores. Nesse sentido, o presente estudo tem por objetivo analisar
de que modo a razão estratégica implica um modo muito peculiar de reprodução social nas relações contemporâneas
de trabalho, sobretudo no âmbito dos motoristas por aplicativo em nexo ao Projeto de Lei 12/2024. O Projeto foi
apresentado pelo governo federal em abril de 2024 e garante a conquista de alguns direitos, porém ratifica o status de
trabalho autônomo, negando o vínculo de emprego com as empresas proprietárias das plataformas. A discussão da
matéria se dará sob a ótica da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas, uma vez que a tendência brasileira
revelada no anteprojeto de lei consolida uma opção de aprofundamento da razão estratégica, muito distante de uma
postura democrática e consensual com os trabalhadores.
Palavras-chave: Anteprojeto de Lei 12/2024. Jürgen Habermas. Motoristas por aplicativo. Razão Estratégica.
Relações de trabalho.
Abstract
Due to the main recent transformations in the social sphere that occurred from the end of the 20th century and the
beginning of the 21st century, largely motivated by the excessive advancement of the neoliberal economy, technical
rationality and science, work relations were significantly impacted. Especially from the inclusion of digital
technologies, with more complex information systems, artificial intelligence and applications of the most varied
orders, a true structural change is being experienced in the current public sphere, according to Habermas. As a result,
the discourse of entrepreneurship proved to be competent in obscuring the critical sense capable of locating the
precariousness of work and labor rights. A clear case of this is reflected in the phenomenon of app drivers and the
supposed idea of autonomy that underlies the imagination of these workers. In this sense, the present study aims to
analyze how strategic reason implies a very peculiar mode of social reproduction in contemporary work relations,
especially in the context of app drivers in connection with Bill 12/2024. The Project was presented by the federal
government in April 2024 and guarantees the achievement of some rights, but ratifies the status of self-employment,
denying the employment relationship with the companies that own the platforms. The discussion of the matter will
take place from the perspective of Jürgen Habermas' Theory of Communicative Action, since the Brazilian trend
revealed in the draft law consolidates an option for deepening strategic reason, very far from a democratic and
consensual stance with workers.
Keywords: Project Law 12/2024. Jurgen Habermas. Drivers by application. Strategic Reason. Labor relations.
Esta obra está licenciada sob uma licença
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-17, e-7356, nov. 2024.