ARTIGO
personalidade têm nas ações do tipo comunicativo o seu meio de reprodução, de modo que
fica estabelecida uma forte relação entre o agir comunicativo e a educação” (GOMES, 1999,
p. 242).
A fim de ilustrar o pensamento supracitado, Habermas citado por Gomes diz:
Quando os pais querem educar os seus filhos, quando as gerações quevivem hoje
querem se apropriar do saber transmitido pelas gerações passadas, quando os
indivíduos e os grupos querem cooperar entre si, isto é, viver pacificamente com o
mínimo de emprego de força, são obrigados a agir comunicativamente. Existem
funções sociais elementares que, para serem preenchidas, implicam necessariamente
o
agir comunicativo. Em nossos mundos da vida, compartilhados
intersubjetivamente e que se sobrepõem uns aos outros, está instalado um amplo
pano de fundo consensual, sem o qual a prática cotidiana não poderia funcionar de
forma alguma (Habermas apud Gomes, 2009, p. 243).
A teoria da ação comunicativa de Habermas é, portanto, caminho para a transição de
uma racionalidade instrumental que exerce poder de dominação e alienação sobre o indivíduo,
em uma racionalidade comunicativa que favorece o diálogo, a argumentação, a criação de
oportunidades iguais, ou seja, que liberta o indivíduo da condição de dominado à condição de
construtor de sua própria realidade histórica e cultura.
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Ao nos debruçarmos sobre as bases epistemológicas da Ciência da Informação,
verificou-se que esta não produziu ao longo de décadas uma epistemologia voltada para este
olhar emancipatório, como propõe Habermas.
Os postulados construídos pela Ciência da Informação foram erigidos a partir das
relações interdisciplinares desta com outras ciências, recebendo influências externas
assumindo a limitação de seu próprio conteúdo.
Silva e Castro (2016), apontam que a interação e relação interpessoal nas organizações
precisam ser plainificadas a partir da ação comunicativa, alcançando a Ciência da Informação,
de modo a introduzir o diálogo como condição emancipatória. Somente assim é possível à CI
romper com as amarras interdisciplinares que condicionam suas bases epistemológicas,
criando paradigmas próprios da Ciência da Informação, personificando – assim – seu próprio
conteúdo.
Produzir uma teoria, um conceito teórico próprio da ciência informacional propõe, não
erguer uma teoria universal, mas uma outra possível.
Ou seja, significa erguer não a, mas uma via teórica crítica e plural para se ler, ver e
perceber as coisas do campo da informação. Ou seja, significa erguer um conceito
dessa de modo sustentado, finito e aberto a vários contatos. Em tempo algum
totalizante, definitivo, indiscutível ou mesmo absoluto. Em tudo provisório,
aproximado e breve; expressão de um momento, espaço e tempo: seja ele social,
histórico e epistemológico.” (Cavalcante et al, p. 10, 2023).
Para Semidão e Almeida (2013), uma concepção estimada para o conceito da ciência
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-10, e-7358, nov. 2024.