ARTIGO  
EPISTEMOLOGIA E HERMENÊUTICA NA CIÊNCIA DA  
INFORMAÇÃO  
aspectos epistemológicos a partir da hermenêutica habermasiana  
Niliane Cunha de Aguiar  
Universidade Federal de Sergipe  
Émerson Vieira Bragança Louro  
Universidade Federal de Minas Gerais  
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Resumo  
O presente artigo objetiva sintetizar aspectos epistemológicos na ciência da informação, a partir da teoria do agir  
comunicativo de Habermas, com vistas à elaboração de um modelo hermenêutico próprio para a ciência da  
informação. Objetiva, ainda, investigar a viabilidade da hermenêutica habermasiana como base de construção  
epistemológica da ciência da informação. Para isto, será realizada pesquisa com metodologia teórica, qualitativa  
e bibliográfica, por meio de revisão narrativa da literatura.  
Palavras-chave: Epistemologia. Hermenêutica. Ciência da informação. Habermas.  
EPISTEMOLOGY AND HERMENEUTICS IN INFORMATION SCIENCE  
epistemological aspects based on habermasian hermeneutics  
Abstract  
This article aims to synthesize epistemological aspects in information science, based on Habermas' theory of  
communicative action, with a view to developing a hermeneutic model specific to information science. It also  
aims to investigate the viability of Habermasian hermeneutics as a basis for the epistemological construction of  
information science. For this, research will be carried out using theoretical, qualitative and bibliographic  
methodology, through a narrative review of the literature.  
Keywords: Epistemology. Hermeneutics. Information Science. Habermas.  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-10, e-7358, nov. 2024.  
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1 INTRODUÇÃO  
A informação é o mecanismo, o meio apropriado, para se combater o estado de  
alienação que tomou conta do homem contemporâneo. A informação é a única ferramenta  
capaz de provocar transformações socioculturais a partir da formação de sujeitos reflexivos,  
críticos, partícipes nos fatos políticos de sua sociedade.  
Max Weber (1864-1920) apresentou-nos o conceito de racionalização para descrever  
a forma como as sociedades se desenvolvem. Segundo o autor, esta racionalização vincula-se  
diretamente à transformação pela qual passaram as sociedades industriais durante seu  
processo de modernização, visando ao progresso da ciência e da técnica em detrimento das  
relações de trabalho enquanto meios de interação social.  
Marcuse (1982) critica a racionalidade científica que dissociou do progresso técnico  
todas as questões sociais, valores, privilegiando a relação meio-fins que por si só impõe ao  
sujeito o germe da dominação. Gonçalves (1999) sobre a racionalidade instrumental aponta  
que este tipo de racionalidade traz em seu bojo uma forma de dominação política de dentro  
para fora, já interiorizada no próprio processo de construção.  
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A racionalidade instrumental, portanto, pautada na relação de produção meio-fins, na  
construção de um conhecimento técnico-científico que afasta o sujeito do exame da razão e o  
coloca em condição de submissão na sociedade em que vive, deve ceder lugar a uma nova  
racionalidade, uma nova forma de pensamento capaz de libertar o sujeito desta relação de  
dominação, possibilitando-o participar da construção do processo histórico e cultural em que  
se encontra inserido.  
Nesse entendimento, este artigo buscou, sob o olhar hermenêutico habermasiano,  
investigar as bases epistemológicas da ciência da informação, para, então, buscar responder ao  
seguinte problema: É possível um modelo epistemológico na ciência da informação, fundado  
a partir da hermenêutica habermasiana, sob o crivo de sua teoria do agir comunicativo?  
Posto isto, esta investigação procurou embasar-se nos conceitos elaborados sobre  
racionalidade instrumental e racionalidade comunicativa, debruçando-se sobre a teoria do agir  
comunicativo de Habermas como hipótese de resposta a esta questão. Nessa perspectiva, a  
informação se configura como conditio sine qua non da teoria comunicativa habermasiana,  
propiciando o exercício pleno do diálogo e da argumentação. Assim, considera-se como  
objetivo do presente estudo investigar os paradigmas epistemológicos da ciência da  
informação e a verificação da necessidade de elaboração de um novo modelo epistemológico  
a partir da hermenêutica proposta por Habermas em diálogo com sua teoria do agir  
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comunicativo.  
Para tanto, esta investigação partiu de um modelo metodológico téorico, qualitativo e  
metodológico. Desta forma, foram utilizados processos hermenêuticos para discutir os traços  
epistemológicos ainda não compreendidos na ciência da informação.  
2 METODOLOGIA  
O recorte metodológico utilizado foi de base filosófica teórico-metodológica marxista,  
com enfoque no materialismo dialético, sem prejuízo do materialismo histórico que o precede.  
Quanto à abordagem, foi realizado um estudo qualitativo para se encontrar as respostas para  
as questões elencadas anteriormente, uma vez que, neste momento, a pesquisa não possui  
especificidades passíveis de quantificação. Em relação à finalidade, nossa pesquisa se situou  
na categoria qualitativa, delineada em pesquisa teórico-bibliográfica.  
Assim, utilizamos a técnica investigativa da revisão narrativa da literatura, a partir do  
levantamento bibliográfico da literatura científica da área. Tendo como base de dados a Base  
de Dados em Ciência da Infomração (BRAPCI) fizemos um levantamento inicial de 29  
documentos, entre revistas nacionais, revistas estrangeiras, eventos, livros e capítulos de  
livros. Em seguida, selecionamos 10 documentos dentro de um recorte temporal dos últimos  
10 anos (2015 a 2024). O método de exclusão adotado para chegarmos nestes 10 artigos se  
deu a partir da exclusão dos artigos mais antigos, seguidos pela exclusão por títulos e resumos  
fora do objeto da investigação.  
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3 REVISÃO NARRATIVA DA LITERATURA  
A fim de se fundamentar a relevância do tema, é preciso, antes, conceituar alguns  
termos que norteiam essa linha de pesquisa, no intuito de promover melhor compreensão de  
suas peculiaridades.  
As regras de convivência estabelecidas em uma sociedade, de um modo geral,  
resultam do processo comunicativo, ou seja, do diálogo e das interações linguísticas.  
Habermas (1987), no entanto, acrescenta a necessidade de se estabelecer um processo  
argumentativo para coordenação de nossas ações, a partir de critérios e parâmetros racionais  
pré-estabelecidos.  
Dessa forma, para Gomes (2009), com Habermas poderemos reunir as condições para  
o desenvolvimento de uma pedagogia crítica e emancipatória orientada pelo agir  
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comunicativo. Este processo se daria a partir de um projeto educativo que vincule a  
racionalidade comunicativa ao mundo da vida, provocando no homem um potencial  
emancipatório da razão em detrimento de uma cultura estrategicamente racionalizada.  
A racionalidade instrumental não foi capaz de incluir o sujeito no processo de  
construção histórico e cultural de seu tempo. Nascimento (1995) apud Ludwig, C; Trevisan,  
A; Pereira (2007) afirma que houve no plano cultural uma quebra, uma ruptura das grandes  
promessas da modernidade pelo racionalismo instrumental, que se apoiou na concepção da  
ciência e da técnica, marcada pelo  
Idealismo da passagem ou transição leve, entre uma sociedade secularizada e  
controlada pela racionalidade instrumental, mas sufocante, e de bens escassos –  
porque não respeitadora das diferenças e singularidades e não resolutiva do  
problema da pobreza e da desigualdade para uma sociedade em que, conservando  
alguns dos aspectos anteriores, de forma mais moderada, faria possível a emergência  
do novo (Nascimento, 1995, p. 78).  
Indubitavelmente, a emancipação desse sujeito, a fim de que se torne partícipe do  
processo de construção da sociedade nos moldes de um Estado Democrático e de Direito,  
adotando uma postura de criticismo e envolvimento político, só é possível a partir do acesso à  
informação. Torna-se necessário um modelo epistemológico de ciência da informação como  
constante exercício do diálogo e do processo argumentativo, onde o sujeito seja criador de  
normas e das suas condições de validade, em vez de meros destinatários destas. O modelo  
sugerido encontra guarida na teoria do agir comunicativo de Habermas.  
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Habermas (1987) propõe um novo pensamento, uma nova racionalidade, a que chama  
racionalidade comunicativa. Insta mencionar que o autor não se coloca radicalmente contra a  
racionalidade instrumental, mas reconhece a necessidade de se imperar outro tipo de  
racionalidade centrada nas esferas de decisão. É preciso compreender que embora Habermas  
reconheça a importância da ciência e da técnica em si mesmas, enquanto meios para a  
autoconservação do homem, o autor se afasta da ciência e da técnica de forma universalizada,  
pois neste momento, nas esferas de decisão, deve prevalecer a racionalidade comunicativa.  
Nesse sentido, “a causa dos graves problemas da sociedade industrial moderna, para  
Habermas, não reside no desenvolvimento científico e tecnológico como tal, mas, sim, na  
unilateralidade dessa perspectiva como projeto humano” (Gonçalves, 1999, p. 130). O que  
Habermas critica na racionalidade instrumental, portanto, embora reconheça sua importância,  
é a ausência discursiva sobre questões vitais em torno das quais uma sociedade decide o rumo  
da sua história.  
A racionalidade instrumental, na trajetória de ampliação de seu campo de atuação,  
substituiu de forma crescente o espaço de interação comunicativa que havia  
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anteriormente no âmbito das decisões práticas que diziam respeito à comunidade.  
Dessa forma, caem por terra as antigas formas ideológicas de legitimação das  
relações sociais de poder. Com esse tipo de racionalidade não se questiona se as  
normas institucionais vigentes são justas ou não, mas somente se são eficazes, isto é,  
se os meios são adequados aos fins propostos, ficando a questão dos valores éticos  
e políticos submetida a interesses instrumentais e reduzida à discussão e problemas  
técnicos" (Gonçalves, 1999, p. 130).  
É notória a atualidade e relevância do tema, haja vista a crescente produção intelectual  
e o diálogo entre as diversas áreas do conhecimento, na busca por um modelo  
epistemológico de ciência da informação que seja capaz de proporcionar a formação de  
sujeitos autônomos, críticos e politizados.  
Nas últimas duas, décadas Habermas vem sendo pensado como modelo de ações  
pedagógicas, senão vejamos: (Shafer 1982; Pucci et al. 1994; Flecha 1996; Peukert 1996) e  
mais recentemente (Gonçalves, 1999; Ludwig et al. 2007; Gomes, 2009). Deste modo,  
acreditamos que uma das possibilidades de conceito de ciência da informação se dá através  
da fundação de paradigmas epistemológicos capazes de formar um sujeito livre das  
amarras da dominação e alienação, com potencial emancipatório. Nessa perspectiva, a  
informação apresenta-se como ferramenta de ação comunicativa, a partir do modelo do agir  
comunicativo habermasiano que visa à formação de indivíduos críticos e participativos.  
(Gonçalves, 1999, p. 131).  
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O modelo apresentado por Habermas propõe a utilização da linguagem como  
instrumento para pessoas interagirem e se organizarem social e livremente, fora de qualquer  
modo de coação. “No modelo comunicativo, o parâmetro de racionalidade e de crítica deixa  
de ser o sujeito que se relaciona com os objetos a fim de conhecê-los e manipulá-los,  
passando a ser a relação intersubjetiva que os sujeitos entre si estabelecem sobre algo”  
(Habermas, 1987, p. 499).  
Gomes (2009) resume esse pensamento habermasiano na capacidade do indivíduo  
estabelecer uma fala universalmente válida, por meio de expressões inteligíveis onde todos os  
atores do discurso consigam fazer-se compreensível, dar a entender e si compreender  
mutuamente. A teoria do agir comunicativo consiste em que “todo agente que atue  
comunicativamente tem que assegurar na execução de qualquer ato de fala, pretensões  
universais de validade e supor que tais pretensões podem desempenhar-se” (Habermas, 2001,  
p. 300).  
Neste pensamento Habermas torna a ação comunicativa e a práxis educativa  
indissociáveis, ao estabelecer uma correspondência natural estruturada entre os atos de fala  
comunicativos e o mundo da vida, onde “podemos inferir a ideia de que cultura, sociedade e  
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personalidade têm nas ações do tipo comunicativo o seu meio de reprodução, de modo que  
fica estabelecida uma forte relação entre o agir comunicativo e a educação” (GOMES, 1999,  
p. 242).  
A fim de ilustrar o pensamento supracitado, Habermas citado por Gomes diz:  
Quando os pais querem educar os seus filhos, quando as gerações quevivem hoje  
querem se apropriar do saber transmitido pelas gerações passadas, quando os  
indivíduos e os grupos querem cooperar entre si, isto é, viver pacificamente com o  
mínimo de emprego de força, são obrigados a agir comunicativamente. Existem  
funções sociais elementares que, para serem preenchidas, implicam necessariamente  
o
agir comunicativo. Em nossos mundos da vida, compartilhados  
intersubjetivamente e que se sobrepõem uns aos outros, está instalado um amplo  
pano de fundo consensual, sem o qual a prática cotidiana não poderia funcionar de  
forma alguma (Habermas apud Gomes, 2009, p. 243).  
A teoria da ação comunicativa de Habermas é, portanto, caminho para a transição de  
uma racionalidade instrumental que exerce poder de dominação e alienação sobre o indivíduo,  
em uma racionalidade comunicativa que favorece o diálogo, a argumentação, a criação de  
oportunidades iguais, ou seja, que liberta o indivíduo da condição de dominado à condição de  
construtor de sua própria realidade histórica e cultura.  
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Ao nos debruçarmos sobre as bases epistemológicas da Ciência da Informação,  
verificou-se que esta não produziu ao longo de décadas uma epistemologia voltada para este  
olhar emancipatório, como propõe Habermas.  
Os postulados construídos pela Ciência da Informação foram erigidos a partir das  
relações interdisciplinares desta com outras ciências, recebendo influências externas  
assumindo a limitação de seu próprio conteúdo.  
Silva e Castro (2016), apontam que a interação e relação interpessoal nas organizações  
precisam ser plainificadas a partir da ação comunicativa, alcançando a Ciência da Informação,  
de modo a introduzir o diálogo como condição emancipatória. Somente assim é possível à CI  
romper com as amarras interdisciplinares que condicionam suas bases epistemológicas,  
criando paradigmas próprios da Ciência da Informação, personificando – assim – seu próprio  
conteúdo.  
Produzir uma teoria, um conceito teórico próprio da ciência informacional propõe, não  
erguer uma teoria universal, mas uma outra possível.  
Ou seja, significa erguer não a, mas uma via teórica crítica e plural para se ler, ver e  
perceber as coisas do campo da informação. Ou seja, significa erguer um conceito  
dessa de modo sustentado, finito e aberto a vários contatos. Em tempo algum  
totalizante, definitivo, indiscutível ou mesmo absoluto. Em tudo provisório,  
aproximado e breve; expressão de um momento, espaço e tempo: seja ele social,  
histórico e epistemológico.” (Cavalcante et al, p. 10, 2023).  
Para Semidão e Almeida (2013), uma concepção estimada para o conceito da ciência  
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da informação partiria da noção morfológica de conhecimento que, por seu turno, ensejam  
conhecimentos que requerem ser categorizados para favorecer a comunicação discursiva  
dentro de um quadro histórico comum.  
Capurro (2000) orienta que apesar da hermenêutica do conhecimento propor uma  
divisão por partes, cada qual só consegue produzir resultado a partir do exercício  
interpretativo do todo. Apenas por meio desta abordagem é possível vislumbrar uma  
compreensão hermenêutica que alcance a totalidade conceitual que se busca na epistemologia  
da ciência da informação. Conforme explicam Zattar e Lima (2020, p.159)  
A escolha de Habermas é a escolha de uma via crítica. A sua teoria crítica apresenta  
um fundamento humanista para as ciências sociais. A sua teoria do agir baseada na  
linguagem propõe o entendimento a partir da relação discursiva com o outro. A  
relação entre crítica, ação e sistema em Habermas abre grandes possibilidades  
teóricas e metodológicas a serem exploradas, especialmente no que se refere à  
administração discursiva de organizações complexas.  
Assim, ao concluir esta breve revisão de literatura, é necessário ressaltar que o tema é  
abrangente e com um campo de pesquisa imensurável. Acreditamos que os paradigmas  
epistemológicos da ciência da informação erigidos sobre os pilares da ação comunicativa  
podem promover a(res)significação do conhecimento na construção de uma sociedade  
menos desigual em detrimento do processo coercitivo imposto pelo racionalismo instrumental  
que impera na sociedade contemporânea. Gomes (2001) alerta que a Ciência da informação  
ainda não estabeleceu esse núcleo básico e orientador capaz de organizar a informação  
constitutiva da área num corpo conceitual próprio, resultando – assim – em um campo  
fragmentado que provavelmente continuará desse modo, ou seja, um arremedo conceitual e  
interdisciplinar, uma quimera epistemológica.  
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Há ainda, por óbvio, inúmeros conceitos e definições que poderão ser descobertos  
através da ampliação da presente pesquisa, conceitos estes que passam longe de ser esgotados  
aqui, até mesmo em razão da metodologia aplicada, e que, ao ser investigados dentro de  
outras abordagens metodológicas, como através de uma revisão sistemática da literatura,  
poderão contribuir para o desenvolvimento de um conceito próprio, autônomo, constitutivo a  
partir da hermenêutica habermasiana e sua teoria da ação comunicativa, promovendo um  
caráter emancipatório e autônomo nas bases epistemológicas da Ciência da Informação.  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A interdisciplinaridade é marca da ciência da informação. Seu diálogo com várias  
outras áreas do conhecimento é característica desta ciência que, se por um lado abre um leque  
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de possibilidades para elaboração de paradigmas epistemológicos, por outro é capaz de  
esvaziar seu próprio conceito, afastando-se de uma base epistemológica sólida, limitando  
assim seu próprio conteúdo.  
Por se tratar de pesquisa cuja base metodológica se valeu de uma revisão narrativa da  
literatura, dentro de um recorte temporal de 10 anos e a partir de artigos selecionados de uma  
única base de dados, qual seja, a Brapci, considera-se que a partir do levantamento  
bibliográfico feito e da leitura que demandou o presente artigo, que a Ciência da Informação  
apesar de não apresentar em suas bases epistemológicas um conceito autônomo, emancipado  
de outras ciências e com bases sólidas e paradigmáticas, está nesses dez anos analisados,  
estabelecendo reflexões para construir conceitos fundados a partir do modelo de  
racionalização e da ação comunicativa proposta por Habermas. Tais reflexões podem oferecer  
inúmeras contribuições não apenas para o campo epistemológico da Ciência da Informação,  
mas também para as questões próprias de sua práxis, especialmente no âmbito da organização  
da informação e do conhecimento.  
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