ARTIGO
Valendo-nos dos estudos de Menezes (2023) fundamentados a luz de Winnicott
(2012), observa-se de modo geral que, a infância enquanto importante fase de busca pela
autonomia e pela autoafirmação é capaz de gerar muitos conflitos ao adentrar no mundo
adulto que é repleto de exigências e que remete a uma série de normas sociais a serem
cumpridas pelos indivíduos, seja nas relações entre as crianças e os adultos ou nas relações
entre crianças que vivem realidades distintas umas das outras, ou seja, a criança em algum
determinado momento da vida sai do conforto do seio materno/colo da mãe e passa a ser
confrontada com um mundo o qual precisará respeitar as regras pré-estabelecidas socialmente.
Nesse sentido e de acordo com Winnicott (2012, p. 140-141 citado por Menezes, 2023, p. 62).
Existem duas direções na tendência antissocial, embora às vezes uma seja mais
acentuada do que a outra. Uma direção é representada tipicamente pelo roubo e a
outra pela destrutividade. Numa direção, a criança procura alguma coisa, em algum
lugar, e não encontrando, busca-a em outro lugar, quando tem esperança. Na outra
direção, a criança está procurando aquele montante de estabilidade ambiental que
suporte a tensão resultante do comportamento compulsivo. É a busca de um
suprimento ambiental que se perdeu, uma atitude humana, uma vez que se possa
confiar nela, dê liberdade ao indivíduo para se movimentar, agir e se exercitar.
Como podemos constatar, para Winnicott (2012), a delinquência é compreendida
enquanto um problema de ordem ambiental que possui um agravamento em relação aos
distúrbios antissociais, principalmente quando o fator ambiental de certa forma favorece
comportamentos lesivos, como por exemplo, quando a criança sente que lhe tiraram algo
importante que em determinado momento de sua vida chegou a possuir ou usufruir, como: o
carinho ou a atenção materna. A tentativa de recuperar o que lhe foi negado pode ser
manifestada pela criança por meio de um roubo de algum objeto ou mesmo por meio de uma
agressão, seja ela de ordem física ou verbal. Cabe ressaltar que, no comportamento antissocial
também há a busca pela figura paterna que representa a força, a proteção e a segurança que
possivelmente lhe faltou em algum momento de sua vida.
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No contexto apresentado anteriormente, Winnicott (2012) enfatiza o termo
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“esperança” , que de acordo com a sua perspectiva caracteriza-se pelas tentativas de
recuperar durante as fases da vida subsequentes aquilo que foi roubado na infância, e, nesse
sentido, a agressão é tida como uma reinvindicação da criança para que o ambiente reconheça
os direitos que lhes foram negados ou negligenciados, e, por conta disso, compreende-se que é
essencial para a criança antissocial que o ambiente6 ao seu redor ofereça-lhe todo o suporte
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Para Winnicott (2012) a delinquência é tida como a capacidade e continuidade para o amadurecimento,
portanto, um ato de esperança.
6 Família, escola, poder público e sociedade em geral.
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-14, e-7368, nov. 2024