ARTIGO
disponíveis, em sua maioria constituídas por registros administrativos, além das pesquisas
realizadas pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística - IBGE. Essas bases de dados
estão nos governos nos diversos níveis e nas empresas privadas, além daquelas armazenadas
com as big techs via compartilhamento de dados pessoais nas redes sociais.
Essa situação coloca na ordem do dia a elaboração e aprovação de uma politica
pública de uso de dados públicos articulada com o setor privado, para além da Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais – LGPD. Essa politica de dados deve responder a demandas por
consistência e compatibilidade, entre outros requisitos.
As bases de dados hoje são considerados ativos pelas empresas para ganhar dinheiro
conforme observado na experiência com as operadores de telefonia móvel no caso do
planejamento urbano.
Brasil se quiser competir, terá como já foi dito, que realizar investimentos que hoje
não são suficientes e em pessoas na área que hoje não são suficiantes para desenvolver uma
IA generativa a partir de dados brasileiros que podem desenvolver milhares de aplicações para
melhorar a vida das pessoas. Precisamos de gente, infra e conectividade
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Márcio Pochmann,
planeja para o final deste mês dar o primeiro passo para um projeto de lei que
garanta a soberania dos dados no país. Na prática, ele quer criar o Sistema Nacional
de Geociência, Estatísticas e Dados (Singed), tanto para integrar cadastros dos mais
variados setores (como saúde, educação e benefícios sociais), como também ter
acesso e controlar informações que atualmente somente as gigantes de tecnologia
possuem (conhecidas como ig techs).
18
Diz Porchman na mesma entrevista à Agência Brasil:
Nesse início do século 21, a questão que emerge é justamente a soberania de dados,
porque, na realidade, pela transformação digital, os nossos dados pessoais e também
de empresas e instituições passaram a servir de modelo de negócio para um
oligopólio mundial que controla esses dados pessoais, individuais e utiliza, de
acordo com os seus interesses, que não são interesses necessariamente nacionais.
Balaji Srivnivasan, empreendedor rico americano com investimentos que vão desde
criptomoedas até empresas de tecnologia de informação, revela sua visão em que “os
governos existentes sejam submissos para que as empresas possam gerir seus próprios
assuntos como também substituir os governos por empresas, em um “estado em rede”. O
conceito de estado em rede se baseia na ideia de “cidade outorgada”, áreas urbanas que
constituem uma zona econômica especial, semelhante às zonas francas. Diz ainda que vários
projetos desses estão em andamento em lugares como Nigéria e Zâmbia. Mas também
sabemos que no Oriente Médio e no Japão.
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-20, e-7369, nov. 2024