ARTIGO  
A MEDIAÇÃO IMPLÍCITA E EXPLÍCITA DA INFORMAÇÃO E A SUA  
RELAÇÃO ANTROPOLÓGICA SOB UM VIÉS FENOMENOLÓGICO  
Wallace Bertoli Moreira  
Bibliotecário da Prefeitura de Vila Velha  
Meri Nádia Marques Gerlin  
Universidade Federal do Espírito Santo  
Gleice Pereira  
Universidade Federal do Espírito Santo  
______________________________  
Resumo  
Este artigo objetiva compreender a essência antropológica dos conceitos de mediação implícita e explícita,  
principalmente, com base nas pesquisas de Oswaldo Francisco Almeida Júnior sob um viés fenomenológico.  
Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica de caráter exploratório-descritivo, com uma abordagem  
qualitativa e procedimento metodológico baseado na construção do conhecimento científico produzido por  
Telma Cristiane Sasso de Lima e Regina Célia Tamaso Mioto que consubstanciam três fases de análise da  
pesquisa: investigação das soluções, análise explicativa e síntese integradora, tendo como referencial teórico o  
que foi produzido por pesquisadores, como Oswaldo Francisco de Almeida Júnior, Sueli Bortolin, João Arlindo  
dos Santos Neto, Angela Ales Bello e Giovanni Reale. No processo de pesquisa, percebe-se a manifestação do  
fenômeno estudado de forma teórica pela pesquisa bibliográfica e pela prática exemplificada por meio de relato  
de contexto didático-pedagógico de estudo de lendas, como ação cultural que se manifesta em uma essência  
antropológica, pois tanto a mediação da informação, quanto a informação só possuem sua existência e a  
manifestação fenomenológica do seu ser em uma vivência informacional na interação de pessoas humanas, nos  
sujeitos envolvidos no processo da mediação da informação. O fenômeno da mediação da informação é  
apreendido mediante a vivência fenomenológica como um ato antropológico. O trabalho possibilitou identificar  
o estudo da mediação da informação a partir da análise e da incorporação de elementos da Antropologia  
Filosófica e da Fenomenologia, compreendendo que o centro das ações informacionais é a pessoa humana. A  
pesquisa poderá contribuir para o processo de ensino-aprendizagem nos campos da Ciência da Informação e da  
Biblioteconomia, bem como no desenvolvimento dos processos de mediação da informação para novas e futuras  
pesquisas.  
Palavras-chave: Mediação da informação. Mediação implícita. Mediação explícita. Fenomenologia.  
Antropologia filosófica.  
THE IMPLICIT AND EXPLICIT MEDIATION OF INFORMATION AND ITS  
ANTHROPOLOGICAL RELATIONSHIP UNDER A PHENOMENOLOGICAL BIAS  
Abstract  
This article aims to understand the anthropological essence of the concepts of implicit and explicit mediation,  
mainly based on the research of Oswaldo Francisco Almeida Júnior under a phenomenological bias. This is a  
theoretical and bibliographical research of an exploratory-descriptive nature, with a qualitative approach and  
methodological procedure based on the construction of scientific knowledge produced by Telma Cristiane Sasso  
de Lima and Regina Célia Tamaso Mioto that substantiate three phases of research analysis: investigation of  
solutions, explanatory analysis and integrative synthesis, having as a theoretical reference what was produced by  
researchers, such as Oswaldo Francisco de Almeida Júnior, Sueli Bortolin, João Arlindo dos Santos Neto,  
Angela Ales Bello and Giovanni Reale. In the research process, we can see the manifestation of the phenomenon  
studied theoretically through bibliographical research and through practice exemplified by means of a report of  
the didactic-pedagogical context of studying legends as a cultural action, which manifests itself in an  
anthropological essence, since both the mediation of information and information only have their existence and  
the phenomenological manifestation of their being in an informational experience in the interaction of human  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-17, e-7374, nov. 2024.  
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beings, in the subjects involved in the process of information mediation. The phenomenon of information  
mediation is apprehended through the phenomenological experience as an anthropological act. The work made it  
possible to identify the study of information mediation from the analysis and incorporation of elements of  
philosophical anthropology and phenomenology, understanding that the center of informational actions is the  
human person. The research may contribute to the teaching-learning process in the fields of Information Science  
and Library Science, as well as in the development of information mediation processes and for new and future  
research.  
Keywords: Information mediation. Implicit mediation. Explicit mediation. Phenomenology. Philosophical  
anthropology.  
LA MEDIACIÓN IMPLÍCITA Y EXPLÍCITA DE LA INFORMACIÓN Y SU  
RELACIÓN ANTROPOLÓGICA BAJO UN SESGO FENOMENOLÓGICO  
Resumen  
Este artículo tiene como objetivo comprender la esencia antropológica de los conceptos de mediación implícita y  
explícita, basándose principalmente en la investigación de Oswaldo Francisco Almeida Júnior bajo un sesgo  
fenomenológico. Es una investigación teórica y bibliográfica de carácter exploratorio-descriptivo, con un  
enfoque cualitativo. y procedimiento metodológico basado en la construcción de conocimiento científico  
producido por Telma Cristiane Sasso de Lima y Regina Célia Tamaso Mioto que fundamentan tres fases del  
análisis de la investigación: investigación de soluciones, análisis explicativo y síntesis integradora, utilizando  
como referencia teórica lo producido por los investigadores, como Oswaldo Francisco de Almeida Júnior, Sueli  
Bortolin, João Arlindo dos Santos Neto, Angela Ales Bello y Giovanni Reale. En el proceso investigativo se  
percibe la manifestación del fenómeno estudiado teóricamente a través de la investigación bibliográfica y a  
través de la práctica ejemplificada a través de un informe sobre el contexto didáctico-pedagógico del estudio de  
las leyendas como acción cultural, que se manifiesta en una esencia antropológica, como, Tanto la mediación  
informativa como la información sólo tienen su existencia y la manifestación fenomenológica de su ser, en una  
experiencia informacional en la interacción de las personas humanas, en los sujetos involucrados en el proceso  
de mediación informativa. El fenómeno de la mediación informativa se entiende a través de la experiencia  
fenomenológica como un acto antropológico. El trabajo permitió identificar el estudio de la mediación  
informativa a partir del análisis e incorporación de elementos de la antropología filosófica y la fenomenología,  
entendiendo que el centro de las acciones informacionales es la persona humana. La investigación podrá  
contribuir al proceso de enseñanza-aprendizaje en los campos de las Ciencias de la Información y la  
Biblioteconomía, así como al desarrollo de procesos de mediación de la información y de nuevas y futuras  
investigaciones.  
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Palabras clave: Mediación de la información. Mediación implícita. Mediación explícita. Fenomenología.  
Antropología filosófica.  
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1 INTRODUÇÃO  
Almeida Junior e Bortolin (2007) discorrem que a mediação da informação é uma ação  
do profissional da informação que se caracteriza por ser uma interferência, em um âmbito de  
singularidade e pluralidade, individualidade e coletividade, ampliando sua complexidade para  
além da conceitualização e da disseminação. Assim, permeia todo o desenvolvimento das  
atividades do profissional da informação. Desse modo, a  
Mediação da informação como toda ação de interferência é realizada pelo  
profissional da informação, direta ou indireta, consciente ou inconsciente, singular  
ou plural, individual ou coletiva, que propicia a apropriação de informação que  
satisfaça, plena ou parcialmente, uma necessidade informacional (Almeida Junior;  
Bortolin, 2007, p. 6).  
Almeida Junior (2009) reflete que o conceito de mediação faz parte do próprio objeto  
da área da Ciência da Informação. Enfatiza que o objeto de estudo deixa de ser a informação  
em si e passa a ser a mediação dela, ao reconhecer a importância da mediação. Ampliando o  
conceito além da informação registrada, pode ser dividida em mediação explícita e mediação  
implícita. De forma geral, o conceito de mediação está ancorado em outros conceitos que dão  
suporte e sustentação teórica ao processo proposto. Entre eles, poderíamos citar: a concepção  
de interferência, a concepção de que as ações do profissional da informação não são neutras e  
imparciais, a concepção de apropriação de informação e necessidade informacional e as ideias  
de ambiência e conflitos.  
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Mediação implícita é um conceito que se refere a uma ação do profissional da  
informação que, segundo Almeida Júnior (2009), ocorre quando o profissional da informação  
não tem contato direto com o usuário, mas influencia sua busca e o uso da informação por  
meio da organização, seleção, indexação e disseminação dos documentos. De acordo, com  
Almeida Junior e Santos Neto (2017), esse conceito abarca e compreende vários trabalhos na  
práxis do profissional da informação em seu processo de mediação da informação, por  
exemplo: o desenvolvimento de coleções; processamento técnico; conservação/restauração;  
biblioteca digital, entre outros serviços e produtos das unidades de informação, que “[...]  
ocorrem nas atividades meio, como a aquisição, o processamento técnico, etc.” (Almeida  
Junior; Bortolin, 2007, p. 5).  
A mediação está presente de forma implícita, muito embora dirigindo e norteando  
todas as atividades ali desenvolvidas. O armazenamento de informações é  
alimentado a partir de interesses e demandas dos usuários. A política de seleção,  
amplamente discutida no desenvolvimento de coleções, tem o usuário final como  
base de sustentação. O mesmo se dá com os trabalhos de processamento das  
informações: têm suas ações voltadas para a recuperação de informações que  
atendam e satisfaçam necessidades dos usuários (Almeida Junior, 2009, p. 4).  
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Mediação explícita é uma ação de interferência direta do profissional da informação  
com o usuário. Acontece na medida em que o profissional da informação tem contato com o  
usuário: “[...] ocorre nos espaços em que a presença do usuário é inevitável, é condição sine  
qua non para sua existência” (Almeida Junior, 2009, p. 4), mediante serviços de referência e  
atendimento, educação, promoções culturais1 que acontecem nas unidades informacionais, nas  
bibliotecas e nos espaços informais de/em atendimento ao usuário. Dessa forma, “[...] exige a  
presença do usuário, a interação entre o profissional bibliotecário e o usuário neste caso é  
fundamental” (Almeida Junior; Santos Neto, 2014, p. 112). De maneira geral,  
A mediação implícita, ocorre nos espaços dos equipamentos informacionais em que  
as ações são desenvolvidas sem a presença física e imediata dos usuários [...]. A  
mediação explícita, por seu lado, ocorre nos espaços em que a presença do usuário é  
inevitável, é condição sine qua non para sua existência, mesmo que tal presença não  
seja física, como, por exemplo, nos acessos à distância em que não é solicitada a  
interferência concreta e presencial do profissional da informação (Almeida Junior;  
Santos Neto, 2017, p. 258).  
Sobre os conceitos de interferências e apropriação da informação, os profissionais da  
informação, em seu campo de atuação, em suas unidades informacionais, dentre as quais  
podemos citar os bibliotecários e as bibliotecas, atuam por meio de ações de mediações  
implícitas e explícitas, propõem a projeção de ideias alternativas elaboradas em planejamento  
das atividades efetuadas, tanto nos processos de mediação implícita, quanto em atividades  
desenvolvidas na mediação explícita (Almeida Junior, 2020).  
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A mediação da informação, como conceito, não é somente uma transmissão  
informacional, mas, “[...] acredita-se, porém, que mediação é mais que somente uma ‘ponte  
transmissora’” (Almeida Junior; Santos Neto, 2014, p. 100), um processo que envolve  
plenamente e de forma complexa os sujeitos: sujeito mediador da informação e os sujeitos  
singulares ou coletivos. Portanto, “[...] a mediação da informação não é um trabalho que  
acontece momentaneamente, em um espaço definido de tempo, em um único ambiente. Ela é  
um processo e por esse motivo sua existência é contínua” (Almeida Júnior, 2018, p. 82).  
Da mesma forma, podemos afirmar que, no processo de mediação, não há uma  
neutralidade pura, o que é evidenciado pela interferência dos processos informacionais, essa  
“[...] existência da interferência. É ela constante e indissociada do fazer do profissional da  
informação” (Almeida Junior, 2009, p. 5), o que acontece tanto na forma implícita, quanto na  
forma explícita da mediação. Essa interferência ocorre, por exemplo, diretamente na pesquisa  
1 “Para nós da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, o conceito com o qual trabalhamos é o que entende  
cultura vinculada a uma concepção antropológica. [...] a ideia de cultura é a de algo que vem sendo construído  
historicamente e sempre vinculado à sociedade, às transformações, mudanças, alterações sociais” (Almeida  
Júnior, 2018, p. 52).  
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do usuário, nas escolhas das bases informacionais e bibliográficas, no processo de  
desenvolvimento de coleções que permeia as diversas perspectivas sociais, econômicas e  
culturais.  
A mediação da informação não é passiva, é uma ação de interferência, acompanha  
todo o fazer do bibliotecário, ainda que indireta e inconscientemente. Ela não é  
neutra, não pode ser imparcial, o bibliotecário deve assumir seu papel e não  
simplesmente esperar que os usuários busquem a informação somente ao se  
depararem com uma necessidade informacional (Almeida Junior; Santos Neto, 2014,  
p. 101).  
O profissional de informação carrega consigo sua bagagem histórica, social e cultural  
no desafio para uma vivência da imparcialidade e neutralidade proposta por sua atuação  
profissional, portanto deve estar ciente de sua historicidade, que deve ser aplicada para que a  
mediação atenda às necessidades do usuário, para pôr uma aplicabilidade de mediação para  
que os atendimentos e serviços tenham relação com a universalidade que a própria informação  
exige. Nessa dinâmica, a “[...] interferência não deve ser negada, mas, sim, explicitada,  
afirmada, tornada consciente para que, criticamente, o profissional possa lidar com ela de  
maneira a amenizar, minimizar possíveis problemas que dela decorram” (Almeida Junior,  
2009, p. 5).  
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Objetivamos, com este estudo, compreender a essência antropológica dos conceitos de  
mediação implícita e explícita, principalmente, com base nas pesquisas de Oswaldo Francisco  
Almeida Júnior sob um viés fenomenológico. Trata-se de uma pesquisa teórica e bibliográfica  
de caráter exploratório-descritivo, com uma abordagem qualitativa, tendo como referencial  
teórico o que foi produzido por pesquisadores como Almeida Junior (2007, 2009, 2014, 2015,  
2017, 2018), Bortolin (2007), Santos Neto (2017), Bello (2006), Reale e Antiseri (2003,  
2006). Fundamentamo-nos nos critérios do referencial teórico e em uma prática vivencial,  
descrita e analisada em um relato de experiência, contribuindo para o desenvolvimento de  
uma síntese integradora.  
A pesquisa se justifica pela intencionalidade de encontrar a essência antropológica da  
mediação da informação, compreendendo esse fenômeno como um ato antropológico em que  
a existência da mediação da informação e da própria informação se torna possível na  
interação das pessoas humanas e em suas interações informacionais, com a contribuição da  
incorporação de elementos da Antropologia Filosófica e da Fenomenologia aos conceitos de  
mediação da informação.  
Trata-se de um procedimento metodológico baseado na construção do conhecimento  
científico produzido por Lima e Mioto (2007) que consubstanciam três fases de análise desta  
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pesquisa: investigação das soluções, análise explicativa e síntese integradora. A pesquisa teve  
a aplicabilidade de uma abordagem do método fenomenológico, mantendo uma atitude  
reflexiva e teórica, conforme proposto por Bello (2006) e pesquisado por Pereira e Moreira  
(2024, p.10).  
1. Primeira etapa ̶ a busca do sentido dos fenômenos: a redução eidética (suspensão  
e imersão: observação da vivência da leitura dos conteúdos intencionais propostos  
na pesquisa e na prática educacional na biblioteca escolar);  
2. Segunda etapa ̶ sujeito que busca o sentido: a redução transcendental ̶ atos da  
consciência:  
a) O primeiro nível de consciência: nível dos atos perceptivos (vivência do ato),  
b) O segundo nível de consciência: nível dos atos reflexivos (vivência reflexiva e  
conceitual).  
2 A MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E O PROBLEMA DA SUA ESSÊNCIA  
ANTROPOLÓGICA EM UMA ABORDAGEM FENOMENOLÓGICA  
A mediação da informação não pode ser pensada de forma simplista e fracionada nas  
esferas e nos campos que o profissional da informação realiza sua práxis de trabalho. Implica  
uma análise mais ampla e mais integral do fenômeno ̶ profissional da informação, mediação  
da informação, apropriação, usuário e conflitos ̶ não devendo ser analisada apenas como um  
agente de transmissão de informações; é um pensamento reduzido, pois a mediação pode  
alcançar uma complexidade de fatores que vão além da recuperação e da transmissão da  
informação.  
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Mediante o conceito de ambiência, as unidades informacionais, entre elas a biblioteca,  
devem adaptar os seus serviços e produtos a seu espaço físico, mas pensar além deste, pois a  
mediação informacional permite uma ampliação espacial das paredes físicas, podendo chegar  
a pontes de mediação de acordo com os objetivos e metas projetados em planejamento pelo  
profissional da informação e a especificidade da própria unidade de informação.  
Essa ampliação espacial, para além do que está posto, contribui para considerar as  
unidades informacionais e bibliotecas como um espaço dinâmico e flexível, que pode se  
adequar às diferentes demandas e perfis de usuários, com a atualização dos meios de  
comunicação, promovendo as informações em ambientes virtuais relevantes, como as redes  
sociais e plataformas digitais. Podemos também ampliar a ideia para os eventos culturais,  
gerando novos conhecimentos, visando ao desenvolvimento cultural e social.  
A mediação, portanto, só se dá em um processo, envolvendo sujeitos e situações,  
que despertam novas necessidades e, consequentemente, novas mediações. Ao  
utilizar o termo ambiência, refere-se a ela sendo física ou virtual (de um arquivo,  
biblioteca ou museu) (Almeida Junior; Santos Neto, 2017, p. 257, grifo nosso).  
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Ponto importante é a visão da informação como um construto em desenvolvimento. A  
informação vai sendo ressignificada e interpretada. Em seu contato com os usuários, vai se se  
tornando informação reinterpretada em um processo contínuo de construção interpretativa, de  
desenvolvimento e produção de conhecimentos. A informação vai ganhando dimensões  
interpretativas na subjetividade do usuário. A própria informação se abre para novas  
perspectivas, novas ressignificações, portanto a informação se torna receptiva ao usuário.  
Segundo Duarte (2009), a informação atravessa um processo de objetividade e  
subjetividade, mediante a atribuição de significados das vivências da realidade que são  
manifestas e apreendidas em inúmeros canais informacionais de forma objetiva, nos quais o  
sujeito interpretante, que é o receptor da informação, a ressignifica, trazendo alterações de  
conhecimentos, gerando desenvolvimento individual  
e
coletivo, criando novos  
conhecimentos, problemas, indagações e novas demandas informacionais, e realimentando, de  
forma contínua, a informação em uma dimensão individual, coletiva e global.  
A informação alocada na unidade informacional é uma quase informação. É no  
processo de mediação e na apropriação do usuário que ela será transformada e terá a sua  
ressignificação para se tornar uma informação momentânea em função de uma necessidade  
que foi posta. Portanto, é uma informação em construção no momento que essa informação  
passa por seu fluxo informacional, mediante o processo de disseminação. Dessa forma, na  
mediação da informação em seu núcleo central ̶ profissional da informação e usuário ̶ a  
informação adquire o seu significado, manifesta-se como um fenômeno e temos em ato o ser  
da informação, pois o usuário apreende e capta a informação como um fenômeno objetivo,  
então, ela mesma passa por um processo de autoconstrução na subjetividade do usuário,  
fazendo-se parte dele para também possibilitar a sua autoformação.  
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De acordo com Reale e Antiseri (2003), os conceitos de ato e potência são  
fundamentais para se compreender a realidade e a mudança das coisas. O ser em ato em sua  
forma caracteriza o ser realizado, mas, em função de sua materialidade, é potencialidade, é  
potência, é a capacidade de se transformar, de ser o que ainda não é, mas poderá ser.  
Para Chaui (2000, p. 279), “[...] ato: é a atualidade de uma matéria, isto é, sua forma  
num dado instante do tempo; o ato é a forma que atualizou uma potência contida na matéria”  
e “[...] potência: é o que está contido numa matéria e pode vir a existir, se for atualizado por  
alguma causa” (p. 279). Segundo Sberga (2014), explicando os conceitos aristotélicos, a  
potência seria possibilidade de uma mudança qualquer. O conceito de ato sinaliza o ser em  
uma consistência atual, mas o mesmo ato terá como pressuposto a potência em sua dinâmica  
de atualização contínua.  
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A informação disseminada na mediação pelo profissional da informação em ato tem  
uma forma, porém a informação, ao estar em contato com os usuários, é potência, porque,  
nesse processo, é transformada e ressignificada, produzindo novos conhecimentos e novas  
informações. A informação é mudança constante na mediação, na vivência subjetiva do  
usuário e nas suas relações intersubjetivas na coletividade e na sociabilidade.  
Portanto, a mediação da informação é um fenômeno vivencial de uma ação de  
interferência, mediante um processo realizado pelo profissional da informação em um  
planejamento de aplicabilidade dos equipamentos informacionais, em uma ambiência espacial  
complexa e ampla nas dimensões de singularidade, individualidade e coletividade. Dessa  
forma, promove ao usuário a apropriação da informação que satisfaça parcialmente e de  
maneira momentânea uma necessidade informacional, gerando conflitos singulares e coletivos  
e abrindo-se para novas necessidades informacionais (Almeida Júnior, 2007, 2009, 2014;  
Santos Neto, 2014; Bortolin, 2007).  
Figura 1 - Fluxo de Mediação da Informação  
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Fonte: Dos autores (2024) com base em Almeida Junior (2007, 2009) e Bortolin (2007).  
A informação proporciona a geração de mais dúvidas. Esse fenômeno,  
conceitualmente classificado como um conflito, contribui com o sujeito que recebe a  
informação, levando a uma reflexão conceitual da mesma informação disseminada e mediada,  
produzindo novos conhecimentos, novas demandas, necessidades informacionais e  
direcionando para novos conflitos.  
Segundo Almeida Junior (2009), a informação é empregada como criadora de  
conflitos, viabilizando a transformação do conhecimento. A informação não extingue as  
dúvidas ou incertezas, pois é direcionada para ressignificações e reconstruções teóricas do  
conhecimento. Ela, em si, traz uma abertura para a inquietação do sujeito, portanto de  
conflitos. A informação se autoconstrói no indivíduo, na medida em que ele mesmo se  
autoconstrói e se autoforma em sua singularidade, por meio da exterioridade coletiva da  
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informação, pois a apropriação da informação e a geração de conhecimento são dependentes  
da dimensão coletiva, social e cultural.  
2.1 VIVÊNCIA DE PRÁTICA EDUCACIONAL NA BIBLIOTECA ESCOLAR  
Como forma de exemplificar o exposto, percebemos, pensar em uma aplicabilidade de  
análise fundamentada no método fenomenológico, na busca do sentido do fenômeno: na  
redução eidética (suspensão e imersão: observação da vivência da atividade), com uma  
segunda etapa na redução transcendental na busca do sentido pelo primeiro nível dos atos  
perceptivos (vivência do ato) e no segundo nível dos atos reflexivos (vivência reflexiva e  
conceitual), tendo como base a teoria dos conceitos de mediação da informação em Oswaldo  
Francisco Almeida Júnior.  
O fenômeno a ser apreendido foi a práxis da mediação da informação por meio do  
profissional da informação, bibliotecário, na biblioteca escolar em colaboração com  
professores em uma unidade de ensino fundamental. Desse modo, o contexto didático-  
pedagógico constitui-se de um estudo de lendas como ação cultural, com turmas de 6º ao 9º  
anos, atividade mediada pelo bibliotecário, contribuindo com os professores. As etapas das  
atividades foram desenvolvidas parte em sala de aula e outras na biblioteca escolar, o que  
pode ser contemplado, na sequência didática, em quatro etapas, a saber:  
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a) seleção do acervo temático e específico disponibilizado para a atividade;  
b) escolha dos textos pelos alunos juntamente com o professor;  
c) estudo da literatura e sua importância para a cultura e sociedade;  
d) apresentação teatral por meio do teatro de palitoches.  
A mediação implícita ocorre quando o profissional da informação não tem contato  
direto com o usuário, mas influencia a sua busca e o uso da informação por meio da  
organização, seleção, indexação e disseminação dos documentos. Neste caso será  
contemplada a primeira etapa da sequência didática.  
O contexto didático-pedagógico, em sua primeira etapa ̶ seleção do acervo temático e  
específico ̶ foi disponibilizado para a atividade. Nesse primeiro momento, foi necessário que  
o bibliotecário realizasse a seleção de livros que seriam utilizados. Nesse passo, a mediação  
está evidenciada de forma implícita, no momento da escolha dos materiais que farão parte da  
atividade proposta do acervo da biblioteca. Esse conteúdo foi previamente analisado,  
catalogado no sistema gerenciador de acervo da biblioteca, identificado como literatura  
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infantojuvenil no gênero literário folclore. Está organizado com base na representação  
temática e representação descritiva, favorecendo a seleção de materiais de acordo com o ano  
escolar a ser trabalhado.  
Quadro 1 ̶ Acervo temático para a atividade proposta  
Tipos de lendas  
Ano escolar  
6º e 7º anos  
8º e 9º anos  
Livros de lendas capixabas  
Livros de lendas diversas do mundo  
Fonte: Dos autores (2024).  
Almeida Junior (2014, p. 111) comenta que “[...] as ações de organização do  
conhecimento e da informação estão diretamente relacionadas com a mediação da  
informação”, pois as ações de mediação ocorrem independentes da presença do usuário em  
bibliotecas.  
A ação da mediação da informação implícita é um processo com a presença de sujeito  
mediador. O profissional da informação manifesta o fenômeno do ser da mediação da  
informação e da própria informação. A informação, nesse processo, é identificada por meio  
das representações: temática e descritiva. O profissional da informação descreve o conteúdo  
temático e os pontos de acesso da informação, realizando o tratamento técnico, para sua  
organização, recuperação, disseminação e uso. Esse processo é intermediário e mediador da  
informação para posterior acesso do usuário.  
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Percebemos que todo o processo proposto tem como foco a manifestação do fenômeno  
que é a informação direcionada para os usuários, contemplando a pessoa humana como fim da  
ação da mediação. Esta etapa de mediação implícita é fundamental para a sequência didática  
posterior, com a mediação explícita, ação de interferência direta do profissional da  
informação com o usuário o que acontece na medida em que o profissional da informação tem  
contato com o usuário, por meio de serviços de referência e atendimento, entre outras  
atividades desenvolvidas, que serão contempladas na segunda, na terceira e na quarta etapas  
da sequência didática.  
Na segunda etapa, o bibliotecário, em contato direto com o professor e alunos,  
disponibilizou os livros que seriam escolhidos. Os alunos, juntamente com o professor,  
fizeram as escolhas das lendas. Nesta etapa, o bibliotecário explicou a relevância desse acervo  
para a biblioteca e indicou a diversidade cultural dos textos, sinalizando a importância das  
lendas para a sociedade e para a cultura dos povos.  
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Na terceira etapa, houve uma diversificação de uso de espaços para o estudo proposto,  
acontecendo algumas atividades em sala de aula e outras no espaço da biblioteca. É  
importante compreender como as culturas diversas têm explicações mitológicas populares  
para as diferentes situações da vida e os estados da natureza. A diversidade de lendas no  
acervo gerou conhecimento multicultural dos povos, pois “[...] a biblioteca escolar atende a  
um público curioso pelas coisas da vida” (Sales, 2004, p. 56).  
Na quarta etapa, ocorreram algumas fases internas, pois se tornaram necessários: a)  
um trabalho de resumo das lendas selecionando pontos importantes que seriam direcionados  
para a dimensão teatral; b) o processo de construção dos palitoches e cenários de fundo para a  
apresentação dos teatros, o que demandou tempo para o ato construtivo; c) a apresentação dos  
grupos de alunos, conforme as lendas escolhidas.  
Na sequência didática em suas etapas, segunda, terceira e quarta, evidenciamos o  
fenômeno da mediação explícita com o papel mediador do bibliotecário como profissional da  
informação, de forma colaborativa, juntamente com o professor. Percebemos que, pela ação  
da mediação da informação ̶ com a presença de sujeitos: o profissional da informação  
(bibliotecário), os usuários da informação (professor e alunos), a manifestação do ser da  
mediação da informação e a própria informação, com a inserção do elemento conflito ̶ a  
existência do ser será da potência ao ato, do ato à potência de forma contínua, pois toda a  
informação apropriada nesse processo é transformada em conhecimento, é criadora de  
conflitos, de inquietações, que irão contribuir para novas produções de conhecimentos e novas  
demandas informacionais.  
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Assim, tanto a mediação da informação, quanto a informação adquirem em ato  
momentâneo, significados e são, potencialmente, fonte de novas necessidades, novas  
mediações e novas ressignificações informacionais. Dessa forma, percebemos que todo o  
processo proposto tem como foco a manifestação do fenômeno, o direcionamento da  
mediação da informação para os usuários, a pessoa humana em sua interação objetiva e  
subjetiva mediante a ação da mediação.  
2.2 SÍNTESE INTEGRADORA DA REDUÇÃO TRANSCENDENTAL: VIVÊNCIA  
REFLEXIVA E CONCEITUAL  
Portanto, analisamos a percepção da mediação da informação em seus conceitos de  
mediação implícita e explícita, nas obras de Oswaldo Francisco Almeida Júnior, e suas  
perspectivas antropológicas, voltando-se para a própria manifestação do fenômeno em uma  
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vivência da leitura dos conteúdos intencionais propostos na pesquisa e vivência de prática  
educacional na biblioteca escolar em seu contexto didático-pedagógico. Verificamos, então,  
que os sujeitos são a parte essencial de todo o processo, que a existência da mediação da  
informação e da informação é somente com a presença da pessoa humana, pois a pessoa  
humana está no núcleo fundamental do processo de mediação da informação.  
O fenômeno proposto para essa vivência se caracteriza em sua complexidade e  
diversidade conceitual, partindo da própria informação, que não existe como ser, fora da  
interpretação e ressignificação humana. A informação em si mesma se manifesta como uma  
ação antropológica, na qual a pessoa humana gera significados na medida que o fluxo  
informacional transita entre os sujeitos envolvidos.  
A base conceitual refletida na pesquisa de Oswaldo Francisco Almeida Júnior o  
processo de mediação da informação com os sujeitos envolvidos, a apropriação, os conflitos,  
em uma perspectiva antropológica, contribuem para a reflexão da pessoa humana em sua  
dimensão de singularidade e em sua interação intersubjetiva na dimensão coletiva e cultural.  
Assim, encontramos o fenômeno da sociabilidade, da dimensão social. De acordo com  
Mondin (1980), na sociabilidade, a pessoa humana, os seres humanos vivem juntos,  
comunicam-se e participam das experiências da vida.  
12  
O homem é essencialmente sociável, sozinho não pode vir a este mundo, não pode  
crescer, não pode educar-se, sozinho não pode nem ao menos satisfazer suas  
necessidades reais elementares nem realizar as suas aspirações mais elevadas, ele  
pode obter tudo isso apenas em companhia dos outros (Mondin, 1980, p.160).  
A assimilação e apreensão do fenômeno propõem que a base do conceito, em um viés  
antropológico, fundamentado nesse encadeamento: profissional da informação – interferência  
da mediação da informação, apropriação, usuário e conflitos ̶ tem a pessoa humana como  
elemento central, tornando-se meio e fim de todas as ações previstas e aplicadas. Sem o  
conceito de pessoa, a própria mediação fica inexistente (em sentido aristotélico do que  
poderia ser em ato). É somente na vivência humana que a mediação da informação tem seu  
sentido e/ou essência, portanto o seu ser.  
Na vivência reflexiva e conceitual, o fenômeno se manifesta como ser existencial,  
tanto em uma dimensão singular, quanto coletiva, tendo a sua aplicabilidade em conceitos  
antropológicos, como indivíduo, sociedade e cultura, em um ciclo contínuo, no qual a própria  
pessoa humana singular (sujeito singular), a própria sociedade (sujeito coletivo) e a própria  
informação se manifestam em autoconstrução e desenvolvimento existencial.  
Percebemos, então, que a ação e a inação da mediação da informação, como processo  
mediado e ressignificado por pessoas humanas, ou seja, com os sujeitos envolvidos no fluxo ̶  
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profissional da informação, interferência, mediação da informação, apropriação, usuário e  
conflitos ̶ se apresentam em uma possível compreensão da mediação da informação sob um  
viés do método fenomenológico, de apreender o sentido ou essência do fenômeno:  
a) A inação da mediação da informação como processo e a ausência de sujeitos  
estão em relação ao não ser da existência da mediação da informação e da  
informação;  
b) A inação da mediação da informação como processo, com a presença de  
sujeitos, está em relação ao ser em potência da existência da mediação da  
informação e da informação;  
c) A ação da mediação da informação como processo, com a presença de sujeitos,  
é geradora do ser da mediação da informação e da informação.  
Quadro 2 ̶ Uma possível compreensão da mediação da informação em uma abordagem fenomenológica  
Sujeitos envolvidos  
(mediadores e usuários)  
Ausência de sujeitos  
Presença de sujeitos  
Presença de sujeitos  
Existência da mediação da informação  
e da própria informação  
O não ser  
Processo  
Inação ̶ Mediação da Informação  
Inação ̶ Mediação da Informação  
Ação ̶ Mediação da Informação  
13  
O ser em potência  
O ser em ato  
Fonte: Dos autores (2024), com base em: Bello (2006) para a aplicabilidade interpretativa de um viés do método  
fenomenológico; Reale e Antiseri (2003, p. 195-203) conceitos de ato e potência; e Almeida Junior (2007,  
2009, 2014, 2015, 2017) conceitos de mediação da informação.  
Outro problema que podemos apreender e questionar é: se a mediação da informação e  
a própria informação, em ação e com a presença de sujeitos, na qual se manifesta o processo  
da existência da mediação da informação e da informação, é um ser em ato com possíveis  
potências? A princípio, a resposta seria sim, pois são pessoas humanas em construção e  
formação, envolvidas no núcleo central da mediação da informação. Com base na ideia de  
Conflito de Almeida Junior e Santos Neto (2017):  
A apropriação abre caminhos para o último elemento incorporado à definição, o  
conflito, pois, acredita-se que a informação e a mediação dela não dirimem dúvidas,  
não preenchem lacunas, mas despertam outras dúvidas, suscitam novas necessidades  
informacionais, gerando novos conflitos (Almeida Junior; Santos Neto, 2017, p.  
257, grifo nosso).  
Podemos propor que a mediação da informação e a informação, em ação e com a  
presença de sujeitos, estão em uma mudança constante e contínua do ato à potência, pois a  
mediação da informação sempre será geradora de novas dúvidas e de novas necessidades de  
informação e, assim, temos novos conflitos. Portanto, a ideia de conflito será uma  
manifestação de potência para mediação da informação, que “[...] causam conflitos em nosso  
conhecimento. Aparentemente, o conhecimento está organizado, equilibrado, mas, uma nova  
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informação nos faz pensar, refletir e exige posturas frente ao novo, ao desconhecido”  
(Almeida Júnior, 2018, p. 84).  
A ação da mediação da informação, com a presença de sujeitos, é geradora do  
ser da mediação da informação e da informação. Assim, com a inserção do  
elemento conflito, a existência do ser será da potência ao ato, do ato à  
potência de forma contínua.  
Quadro 3 ̶ Uma possível compreensão da mediação da informação em uma abordagem fenomenológica e a  
inclusão do conceito de conflito  
Sujeitos envolvidos  
(mediadores e usuários)  
Conflitos (nos  
sujeitos)  
Existência da mediação da  
informação e da informação  
Processo  
O ser em potência ao ato – do ato  
à potência de forma contínua.  
Ação ̶ mediação da  
informação  
Constantes e  
contínuos  
Presença de sujeitos  
Fonte: Dos autores (2024), com base em: Bello (2006) para a aplicabilidade interpretativa de um viés do método  
fenomenológico; Reale e Antiseri (2003, p. 195-203) para conceitos de ato e potência; e Almeida Júnior  
(2007, 2009, 2014, 2015, 2017) conceitos de mediação da informação.  
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Portanto, a mediação da informação apresenta-se em suas dimensões implícita e  
explícita, analisada mediante um viés antropológico e fenomenológico, da mesma forma  
problematizando os conceitos de interferência, apropriação e conflito. A pessoa humana e os  
sujeitos envolvidos são o fundamento de toda ação do profissional da informação, o sentido e  
essência do ser do processo de mediação da informação e da própria informação em si. A  
aplicabilidade teórica e a prática apontam para os sujeitos. Dessa forma, “[...] a mediação,  
portanto, só se dá em um processo, envolvendo sujeitos e situações, que despertam novas  
necessidades e, consequentemente, novas mediações” (Almeida Júnior; Santos Neto, 2017, p.  
258). Nesse sentido, a mediação da informação é um ato antropológico: “[...] o profissional da  
informação [...] passa a ser entendido em uma outra esfera, em um outro estrato profissional,  
o daqueles que fazem história, são sujeitos na sociedade e participam efetivamente da  
construção do destino da humanidade” (Almeida Júnior; Bortolin, 2007, p. 8).  
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A proposta deste trabalho consistiu em compreender como a mediação implícita e a  
explícita da informação, sob um viés fenomenológico, problematizaram a investigação: se os  
conceitos de mediação se manifestam com uma essência antropológica, tendo a pessoa  
humana no centro do processo de mediação da informação. Durante a pesquisa, buscamos a  
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aplicabilidade de uma atitude reflexiva para distinguir os objetivos e finalidades dos conceitos  
de mediação implícita e explícita, analisando-os em suas perspectivas antropológicas.  
Percebemos a manifestação do fenômeno estudado de forma teórica e prática a partir  
de uma vivência descrita em um relato de contexto didático-pedagógico. Ambas as formas se  
manifestam em uma essência antropológica, pois tanto a mediação da informação, quanto a  
informação só possuem sua existência e a manifestação do seu ser em uma vivência  
informacional na interação de pessoas humanas, nos sujeitos envolvidos no processo da  
mediação da informação, de modo singular ou coletivo. O fenômeno da mediação da  
informação é apreendido como um ato antropológico.  
O trabalho possibilitou uma base teórica para o estudo da mediação da informação,  
mediante a análise e a inclusão de elementos da Antropologia Filosófica e da Fenomenologia,  
compreendendo que o centro das ações informacionais está na pessoa humana. Dessa forma, a  
pesquisa poderá contribuir para o processo de ensino-aprendizagem nos campos da Ciência da  
Informação, Biblioteconomia e também no desenvolvimento dos processos de mediação da  
informação para novas e futuras pesquisas.  
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