ARTIGO
Mediação explícita é uma ação de interferência direta do profissional da informação
com o usuário. Acontece na medida em que o profissional da informação tem contato com o
usuário: “[...] ocorre nos espaços em que a presença do usuário é inevitável, é condição sine
qua non para sua existência” (Almeida Junior, 2009, p. 4), mediante serviços de referência e
atendimento, educação, promoções culturais1 que acontecem nas unidades informacionais, nas
bibliotecas e nos espaços informais de/em atendimento ao usuário. Dessa forma, “[...] exige a
presença do usuário, a interação entre o profissional bibliotecário e o usuário neste caso é
fundamental” (Almeida Junior; Santos Neto, 2014, p. 112). De maneira geral,
A mediação implícita, ocorre nos espaços dos equipamentos informacionais em que
as ações são desenvolvidas sem a presença física e imediata dos usuários [...]. A
mediação explícita, por seu lado, ocorre nos espaços em que a presença do usuário é
inevitável, é condição sine qua non para sua existência, mesmo que tal presença não
seja física, como, por exemplo, nos acessos à distância em que não é solicitada a
interferência concreta e presencial do profissional da informação (Almeida Junior;
Santos Neto, 2017, p. 258).
Sobre os conceitos de interferências e apropriação da informação, os profissionais da
informação, em seu campo de atuação, em suas unidades informacionais, dentre as quais
podemos citar os bibliotecários e as bibliotecas, atuam por meio de ações de mediações
implícitas e explícitas, propõem a projeção de ideias alternativas elaboradas em planejamento
das atividades efetuadas, tanto nos processos de mediação implícita, quanto em atividades
desenvolvidas na mediação explícita (Almeida Junior, 2020).
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A mediação da informação, como conceito, não é somente uma transmissão
informacional, mas, “[...] acredita-se, porém, que mediação é mais que somente uma ‘ponte
transmissora’” (Almeida Junior; Santos Neto, 2014, p. 100), um processo que envolve
plenamente e de forma complexa os sujeitos: sujeito mediador da informação e os sujeitos
singulares ou coletivos. Portanto, “[...] a mediação da informação não é um trabalho que
acontece momentaneamente, em um espaço definido de tempo, em um único ambiente. Ela é
um processo e por esse motivo sua existência é contínua” (Almeida Júnior, 2018, p. 82).
Da mesma forma, podemos afirmar que, no processo de mediação, não há uma
neutralidade pura, o que é evidenciado pela interferência dos processos informacionais, essa
“[...] existência da interferência. É ela constante e indissociada do fazer do profissional da
informação” (Almeida Junior, 2009, p. 5), o que acontece tanto na forma implícita, quanto na
forma explícita da mediação. Essa interferência ocorre, por exemplo, diretamente na pesquisa
1 “Para nós da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, o conceito com o qual trabalhamos é o que entende
cultura vinculada a uma concepção antropológica. [...] a ideia de cultura é a de algo que vem sendo construído
historicamente e sempre vinculado à sociedade, às transformações, mudanças, alterações sociais” (Almeida
Júnior, 2018, p. 52).
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-17, e-7374, nov. 2024.