ARTIGO  
ÉTICA DISCURSIVA, INCLUSÃO DO AUTISMO E INTELIGÊNCIA  
ARTIFICIAL  
uma proposta de aplicativo  
Bárbara Gabriella da Silva Paiva  
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte  
Rosalvo Nobre Carneiro  
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte  
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Resumo  
A ética discursiva de Jurgen Habermas ressalta o compromisso da linguagem racional em um diálogo no qual o  
objetivo é a busca de um consenso comum. Na atual sociedade a inteligência artificial (IA) tem ganhado cada  
vez mais espaço, e no contexto educacional não é diferente. Diante disso, objetiva-se então compreender como  
os princípios habermasianos podem conduzir a prática das IAs, de maneira que possa promover um ensino  
inclusivo e equitativo para os alunos com autismo em sala de aula. Trata-se de pesquisa qualitativa, com  
levantamento bibliográfico e a proposta de criação de um aplicativo considerando a ética discursiva de acordo  
com Habermas. Os resultados implicam que uma IA criada com base haremmasiana ajuda a tornar a sala de aula  
inclusiva para os alunos com o diagnóstico do autismo. Conclui-se então que a IA pode ser um instrumento  
promotor da inclusão se criado com este propósito e aplicado de maneira coerente para alunos com autismo.  
Palavras-chave: Autismo. Inteligência Artificial. Inclusão. Ética.  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-14, e-7376, nov. 2024.  
ARTIGO  
1 INTRODUÇÃO  
Na sociedade contemporânea o avanço tecnológico se amplia com a Inteligência  
Artificial (IA). Esta é um ramo da área da ciência da computação, cujo diferencial é o seu  
objetivo na produção do comportamento humano, a partir do desenvolvimento de tarefas que  
exigem inteligência segundo Teixeira (2016)  
As IAs têm se difundido pelos diversos setores da sociedade, tais como no transporte,  
no mercado financeiro, na saúde. No contexto educacional, ela tem gerado preocupações dos  
professores e gestores em escolas diante do uso sem regulamentação de aparelhos  
tecnológicos como celulares e fones de ouvido durante as aulas. Ainda demonstram  
preocupações na elaboração de atividades e escritas de trabalho, pois o crescimento  
desenfreado das IAs tem chegado aos alunos, eles podem procurar as respostas nesses sites,  
sem que haja uma leitura ou estímulo do pensamento crítico para obter as respostas. Outra  
realidade das salas de aulas é a negligência diante dos alunos com o diagnóstico do autismo,  
pois estes tendem a ter uma baixa participação nas aulas na interação com os colegas e  
discussões em tarefas em grupo. Diante disso, neste trabalho objetiva-se propor a criação de  
um aplicativo baseado na ética do discurso, como um recurso de inclusão e informação do  
autismo em sala de aula. Assim, pode-se compreender como os princípios discursivos  
habermasianos podem conduzir as práticas da inteligência artificial para promover uma sala  
de aula inclusiva para os alunos com TEA.  
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Os alunos com o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo é uma realidade  
em sala de aula que precisa ser considerada, a comunidade escolar precisa se apropriar de  
práticas que insiram esses alunos no contexto escolar. A tecnologia e IAs são uma nova  
realidade da sociedade moderna, e não deve ser vista como uma barreira a ser enfrentada.  
Entendemos que um dos fatores essenciais para a inclusão seja a comunicação, uma  
vez que a inclusão e comunicação não podem ser entendida de maneira dissociada,  
considerando também o avanço tecnológico, como seria possível unir essas perspectivas na  
elaboração de um aplicativo que pudesse ser utilizado como um recurso de inclusão do aluno  
diagnosticado com o TEA, além de propor informações sobre o autismo em sala de aula?  
Com a propagação do acesso a aparelhos eletrônicos e o crescimento da utilização de  
inteligência artificial crescente no ambiente escolar, este trabalho propõe uma alternativa que  
estimule a comunicação social entre discentes autistas e não autistas a partir do discurso da  
conduta e da verdade moral, usando da tecnologia como um recurso para tornar a sala de aula  
um ambiente inclusivo para os estudantes com TEA.  
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Nas salas de aulas há um déficit de conhecimento sobre o que é o autismo, não  
somente os professores precisam ter propriedade sobre o assunto, mas os colegas de classe  
também. Para tornar a sala de aula um ambiente mais inclusivo e respeitoso para todos. No  
sentido de realizar este trabalho na prática, considerando Creswell (2010) a pesquisa  
qualitativa é aquela cujo objetivo é compreender os significados de um problema de um  
determinado grupo social. Por exemplo, a inclusão de estudantes com autismo relacionada  
com a IA. As etapas do estudo foram divididas da seguinte forma: primeiramente foi feito o  
levantamento bibliográfico, utilizando o Google acadêmico, Periódicos CAPes e os seguintes  
descritores; inteligência artificial e educação, inclusão do autismo, ética do discurso e  
inclusão, são descritores são fundamentais no levantamento bibliográfico uma vez que  
permite filtrar os textos que são mais pertinentes para a pesquisa. Após esse levantamento, a  
segunda etapa consistiu na elaboração do aplicativo criado por três alunas do 3º ano do Ensino  
Médio. No primeiro momento esse aplicativo foi criado para apresentação na Feira de Ciência  
em uma Escola Estadual do Rio Grande do Norte, especificamente no município de Martins.  
Após uma conversa informal com uma das alunas, apresentei a ela a ética do discurso e  
propôs pensar no aplicativo a partir disso, depois de alguns diálogos as alunas concluíram o  
aplicativo e testamos em três escolas do mesmo município. A terceira etapa foi a análise e  
tratamentos dos resultados.  
O texto está organizado em 4 seções. Inicialmente em Ética do discurso, nesse ponto a  
ética do discurso de Jurgen Habermas é apresentada. Em seguida à inclusão do autismo, neste  
tópico expõe-se o que é o autismo e a importância da inclusão do autismo em sala de aula. Na  
terceira seção, Educação e inteligência artificial, mostra-se como o crescimento das  
tecnologias e IAs tem ganhado espaço no contexto educacional. No quarto; Uni Autismo  
conectando Mentes, ponto apresenta-se o aplicativo fazendo a conexão com a ética do  
discurso de Jurgen Habermas.  
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2 ÉTICA DO DISCURSO  
De acordo Velasco (2001) a ética do discurso surgiu na década de 70, e os fundadores  
foram Karl-Otto Apel e Jurgen Habermas, sustentada a partir dos pressupostos da  
comunicação. Para Lima e Carneiro (2023),  
Neste enquadramento teórico da ética do discurso, a competência linguística significa  
não apenas a abertura cognitiva para o diálogo, mas a intelecção acerca dos pressupostos  
comunicativos orientados para o entendimento. Pressupostos como aspirar a veracidade  
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acerca do que se diz, não dissimular, não ludibriar, não instrumentalizar o outro ou torná-lo  
um oponente, jamais negar ao outros o direito à fala, são premissas e componentes éticos  
fundamentais para o estabelecimento de um acordo mínimo entre os parceiros de  
comunicação (p. 4-5).  
Ou seja, a ética do discurso propõe a oportunidade de um diálogo simétrico, pois ela  
requer comportamentos éticos da fala, implicando em condutas fundamentadas no respeito ao  
próximo, onde todos os sujeitos tenham a mesma oportunidade de expressar suas opiniões,  
ouvir a dos outros e a partir disso buscar um consenso mútuo.  
De acordo com Habermas (2014) a ética do discurso é uma abordagem que mais se  
configura como promissora e vem também como o intuito de romper o agir instrumental que  
consiste em sua razão orientada para um fim. Uma orientação em que cujos objetivos sejam  
orientados para um fim tende a desvalorizar a comunicação e a busca pelo entendimento  
mútuo  
Habermas (2014)) afirma que os princípios que orientam nossas ações só devem ser  
considerados corretos quando puderem ser justificados por meio de argumentos que sejam  
capazes de proporcionar um acordo racional. Compreende-se assim que os sujeitos  
participantes de uma discussão pública precisam estar em condições de dialogar de maneira  
justa e aberta, conduzindo-se a partir das regras de uma comunicação ideal onde todos tenham  
a oportunidade de expressar as suas opiniões.  
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Dessa forma é fundamental a racionalidade comunicativa pois ela auxilia na  
construção de um entendimento verdadeiro e justo. Nessa perspectiva Pinker (2022) afirma  
que a racionalidade ajuda na tomada de decisões contingentes, além de auxiliar na  
compreensão da incompatibilidade existente na nossa sociedade. Ou seja, é preciso nos  
afastarmos do nosso próprio mundo para podermos enxergar a realidade do mundo do  
próximo.  
Nas palavras de Teixeira (2016),  
A Ética do discurso de Jürgen Habermas trata das questões filosóficas morais e  
políticas, onde a ética tem espaço dentro do discurso comunitário frente a  
um agir comunicativo que, para ele, se caracteriza como a oportunidade que  
todos os falantes têm para se expressarem frente às normas e condutas morais  
(Teixeira 2016, p.307).  
Sendo a comunicação é fundamental para abordar questões da moral e da política na  
comunidade escolar enfrentam-se desafios quando o assunto é inclusão de alunos  
diagnosticados com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Destaca-se neste caso, o  
fato de os alunos não participarem ativamente nas aulas.  
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Para proporcionarmos aos nossos alunos com TEA uma sala de aula inclusiva, onde  
eles tenham a mesma oportunidade que os demais, o primeiro passo é torná-la propícia à  
comunicação. Desta forma os professores poderão fazer uma auto-reflexão acerca de suas  
práticas pedagógicas além de compreender melhor as lacunas que impedem que os estudantes  
sejam sujeitos.  
3 INCLUSÃO DO AUTISMO  
Os alunos com o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) estão  
presentes no contexto educacional. Subentende-se que durante as aulas esses alunos tendem a  
não serem incluídos nas discussões ou atividades pela falta de comunicação entre alunos e  
professores nas salas de aulas e o distanciamento entre alunos e professores.  
De acordo com O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-5  
(2014), uma das características do autismo é o déficit de comunicação social e da interação  
social em seus múltiplos contextos, incluindo também problemas em relações sociais. Ainda  
de acordo com o DSM-5 podem apresentar comportamentos repetitivos e restritivos.  
A partir destas características enfatiza-se então a importância que os professores  
adotem em sala de aula práticas inclusivas, é nesta perspectiva que a ética do discurso pode  
ser uma alternativa para preencher a lacuna existente em sala de aula no que diz respeito à  
inclusão. É importante ressaltar Camargo e Bosa (2009)  
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Da mesma forma, proporcionar às crianças com autismo oportunidades de conviver  
com outras da mesma faixa etária possibilita o estímulo às suas capacidades interativas,  
impedindo o isolamento contínuo. Além disso, subjacente ao conceito de competência social  
está a noção de que as habilidades sociais são passíveis de serem adquiridas pelas trocas que  
acontecem no processo de aprendizagem social.  
Camargo e Bosa (2009) reforçam a importância do contato com outras crianças para o  
desenvolvimento dos alunos com TEA, uma vez que o autismo não tem cura, mas tem  
intervenções com terapias, e estímulos, logo o contato e a troca dentro da sala de aula é  
fundamental nesse processo de intervenção. Tornar uma sala de aula comunicativa, onde  
todos tenham direito de fazer o uso da fala, está estimulando a fala dos alunos com TEA,  
desenvolvendo a concentração e proporcionando a esses estudantes a inclusão, uma vez que  
apenas colocar esse aluno em sala de aula não é incluir.  
Segundo Cunha (2017) a educação inclusiva deve ser individualizada para cada aluno,  
considerando a particularidade do desenvolvimento do autismo em cada sujeito, essa  
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educação inclusiva deve não somente ser estimulada na sala de apoio, mas também na sala de  
aula comum. A comunicação é importante no processo de inclusão em sala de aula, Pires  
(2017) afirma que é essencial que os professores se preocupem em tornar as salas de aulas  
ambientes favoráveis à comunicação, uma vez que ela auxilia no desenvolvimento de ideias  
além da troca de experiências. Ademais a comunicação precisa ser considerada importante do  
processo de inclusão, pois não tem como tornar a sala de aula um ambiente inclusivo, onde os  
alunos e professores não se comunicam, principalmente com os alunos com o diagnóstico do  
TEA tendo em vista que possa ter uma maior dificuldade nesse aspecto.  
Entende-se assim que a inclusão do autismo em sala de aula, precisa ser debatido  
pelos profissionais da educação, considerando o espaço que as tecnologias e inteligência  
artificial vem ganhando na atualidade, no próximo ponto será abordado como a inteligência  
artificial vem se desenvolvendo na educação.  
4 EDUCAÇÃO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL  
De acordo com Teixeira (2019), a inteligência artificial é a capacidade da máquina  
reproduzir tarefas que exigiria a inteligência humana, assim não é simplesmente projetar e  
desenvolver uma máquina de calcular, pois para se fazer IA é necessário que a máquina copie  
nossa atividade mental.  
Para a educação, Boulay (2023) salienta:  
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O aspecto científico da IA na educação tem-se preocupado com questões  
relacionadas com a natureza da aprendizagem e do ensino humano, frequentemente  
com o objetivo de compreender e, posteriormente, a duplicação do desempenho do  
ensino por peritos humanos (Boulay, 2023).  
Isto significa que a IA no contexto educacional tenta repetir o processo de  
aprendizagem executado pelos seres humanos. A IA tem ganhado destaque nos mais diversos  
setores do mundo, enquanto professores não podemos ver a inteligência artificial como uma  
barreira a ser enfrentada, mas como um novo recurso que precisa ser explorado. Neste sentido  
salienta-se Taulli (2000)  
Em outras palavras, mais e mais empregos exigirão conhecimentos em IA. Contudo,  
isso não significa que você precisará aprender linguagens de programação ou entender  
características avançadas. Será fundamental, entretanto, ter uma base sólida dos fundamentos.  
No contexto educacional esse crescimento não será diferente, principalmente em  
decorrência da maior acessibilidade a aparelhos eletrônicos como celulares e computadores,  
implica que cada vez mais os alunos terão acesso aos recursos das IAs. Torna-se então  
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necessário que a comunidade educacional busque por alternativas que possam unir essa nova  
era tecnológica com os processos de desenvolvimento em sala de aula. Segundo Breviário  
(2024) as inteligências artificiais contribuem significativamente para inclusão de pessoas com  
TEA no mercado de trabalho, embora enfrentem alguns desafios.  
Ao longo do texto compreendemos como a ética do discurso é pertinente no processo  
de inclusão, pois não há como promover uma sala de aula inclusiva para alunos com autismo  
sem o uso dela. Os recursos tecnológicos podem ser desenvolvidos para atender objetivos  
específicos, o ponto a seguir mostrará um aplicativo desenvolvido com o objetivo de ser um  
espaço virtual de comunicação e informação sobre o autismo, que pode ser utilizado em sala  
de aula como um recurso complementar para a inclusão.  
5 UNIAUTISMO: CONECTANDO MENTES  
Figura 1 - Ícone  
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Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
Este é o ícone do aplicativo, que é intitulado UniAutismo: conectando mentes, o  
aplicativo foi elaborado por Araújo, Alves e Oliveira (2024), com o objetivo de fornecer  
informações sobre o autismo, além de oportunizar um ambiente virtual de troca de  
experiência e comunicação.  
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Figura 2 – Aba professor  
Figura 3 – Aba professor/Ferramentas  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
Ao baixar o aplicativo assim como demonstrado na figura 1 aparecerá a aba do  
professor, onde estão disponíveis ferramentas para o professor, que contém sugestões de  
atividades que podem ser adaptadas (figura 2) para os alunos com TEA. É importante frisar  
que as sugestões mudam de acordo com a turma do professor, disciplina, conteúdo e  
dificuldade do aluno. Na aba do professor também conta com uma seção de informações  
sobre o autismo (figura 3). Ao longo do texto vimos que de acordo com Camargo e Bosa  
(2009) é fundamental proporcionar aos alunos com TEA a convivência com os demais alunos  
e também as incluir em todas as atividades que ocorrem no ambiente escolar, a aba de  
ferramentas para o professor oferece sugestões de atividades que podem ser adaptadas de  
acordo com a necessidade dos alunos, proporcionando que todos em sala de aula possam está  
estudando o mesmo conteúdo.  
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Figura 4 – Professor/sobre autismo  
Figura 5 – Aba aluno  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
A próxima aba é a do aluno, onde está disponível a importância da inclusão (figura 4)  
de aluno para aluno. há algumas sugestões de convivências pensadas a partir da ética do  
discurso de Habermas (figura 5). vimos na seção ética do discurso que de acordo com Lima e  
Carneiro (2023) a ética do discurso não se limita a comunicação a fim de desenvolvimento  
cognitivo, mas, sim a busca de um de um entendimento a partir do uso da comunicação, sem  
dissimular, ludibriar e nem o tornar o outro um oponente. Nessa Aba de aluno para aluno há  
dicas que estimulam a comunicação, como; “converse sobre o que torna cada pessoa especial  
e como todos podem ajudar uns aos outros”, ao colocar esse ponto em prática os alunos a  
partir do uso da fala vão ter que entrar em um consenso sobre suas próprias atitudes, para  
tornar a sala de aula um ambiente mais agradável.  
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Ressaltando a importância de entender o que é o Autismo, pois não só os professores  
precisam saber o que é, mas os alunos também, resultando em um ambiente mais agradável  
para todos. Citando os benefícios de compartilhar as ideias, como podemos ajudar uns aos  
outros, a partir do diálogo, como foi discutido ao longo do texto. Essa aba também apresenta a  
importância de valorizar as diferenças, como ser sujeitos mais empáticos, como respeitar o  
tempo e espaço de cada um, essas atitudes nos tornam pessoas mais humanizadas, o que  
reflete em nossas condutas morais para com o próximo.  
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Figura 5 – Aba aluno/ de aluno para aluno  
Figura 6 – Perguntas frequentes  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024)  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024)  
Na terceira aba (figura 6), constam informações sobre dúvidas e suas respectivas  
respostas sobre o autismo, além das apresentadas, o aplicativo mostra outras dúvidas; como  
posso criar um ambiente de sala de aula inclusivo? o que fazer quando não temos o apoio da  
família? e outras questões também.  
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Na quarta e última aba (figura 7) o aplicativo disponibiliza um chat virtual para  
diálogo, espaço onde os alunos e professores podem discutir sobre acontecimentos na aula,  
demonstrar suas emoções, apresentar sugestões, além de dialogar sobre os conteúdos para as  
aulas. Ao longo do texto vimos que de acordo com o DSM-5 uma das características do  
autismo é o déficit de interação social, dependendo das dificuldades do aluno, criar um  
ambiente virtual, onde ele possa se expressar sem o contato visual e físico pode ser uma forma  
de adaptação. Esse espaço virtual propõe um ambiente de comunicação onde através da fala  
podem dialogar e entrar em um consenso sobre diversos aspectos que podem ocorrer em sala  
de aula.  
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Figura 7 – Aba Chat para discussão  
Fonte: Araújo, Alves e Oliveira (2024).  
6 CONCLUSÃO  
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Conclui-se então que a ética do discurso é importante para o processo de inclusão em  
sala de aula. A tecnologia e a inteligência artificial não podem ser vistas como uma barreira a  
ser enfrentada, mas como um novo recurso. Nestas perspectivas surgiu o UniAtismo:  
conectando mentes, aplicativo pensado a partir da ética do discurso, pode ser um recurso para  
inclusão de alunos com TEA, uma vez que, a ética do discurso visa promover a tomada de  
decisões baseadas no uso da comunicação aberta e na participação igualitária, respeitando a  
autonomia e a individualidade de todos os participantes do diálogo. Como foi apresentado no  
aplicativo, além de informações sobre o autismo, ele proporciona um ambiente virtual de  
comunicação onde os alunos com diagnóstico de autismo podem trocar ideias com os colegas  
e professores com o objetivo de chegar em um consenso comum. Além de estimular a  
comunicação como visto na aba de aluno para aluno. Salienta-se a necessidade de  
aprimoramento do aplicativo, ele também precisa ser utilizado por mais professores e alunos,  
fazendo-se então necessários estudos.  
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AGRADECIMENTOS  
Gostaria de agradecer a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível  
Superior - CAPES pelo financiamento para a realização deste trabalho.  
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