ARTIGO
comunicativo.21 Para Haidt, os humanos somos terminantemente biofílicos, conquanto
sentimos atração por ambientes “naturais maravilhosos” (2024, p. 247).22
Essa é, sem dúvidas, uma alternativa saudável, pois os públicos subalternos podem
reencontrar sua coautoria na polifonia das vozes e a diversidade de rostos e feições de nossas
gentes, enquanto socialmente reconectados. Sem dúvidas, a transformação retoma, agora, a
noção de Koppelung, isto é, o reacoplamento como religamento. Reaparece, então, a
hospitalidade e a convivência, abençoadas pela espiritualidade mundana, retraduzida não
como um εἴδωλον ou desde uma perspectiva puramente escatológica. A ressignificação
pretende de re-situar sua mística na convivência em um Lebenswelt salutar e hospitaleiro.
Nesse sentido, a pulsão pelo conviver na hospitalidade justifica a vitalidade biofílica, isto é, a
ecologia da vida consegue, então, sincronizar a diversidade polifônica de vozes, sejam elas de
mulheres, de afro-descendentes, de grupos ligados à diversidade sexual, étnico-raciais etc. A
biofilia irá, pouco a pouco, assumindo seu lugar para, então, transformar-se em afeição e
ternura entre amantes da vida e da convivência prazerosa na hospitalidade.
Nesse sentido, a solidariedade mútua se transforma em compromisso social entre
sujeitos coautores. A autorrealização será, então, o reflexo da heterorrealização, um caminho
com duas vias complementares uma da outra. Então, a intersubjetividade não se resume às
trocas mercadológicas entre agentes concebidos como produtores e consumidores. Enfim, a
polifonia das vozes do mundo da vida se liga à consciência educadamente solidária, ou seja,
entre dimensões subjetivas, intersubjetivas e também no âmbito das necessidades
fundamentais de vestir-se, alimentar-se e ter aonde residir, isto é, das objetividades materiais
mais prementes. Uma vez satisfeitas às necessidades básicas de cada sujeito, atendidos
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pode ser denominada como uma necessidade intrínseca às relações sociais. Daí, então, a hospitalidade
convivial ou a convivialidade na hospitalidade. A ordem dos vocábulos não altera o significado, uma vez que a
biofilia presume um tipo inexorável de incomensurabilidade inexorável. Mead contrapõe a questão com a
análise puramente biológica do ser humano. Mas em Habermas, além da discussão com Mead e Parsons, o
tema aparece nas entrelinhas da discussão entre Israel e Atenas, fé e razão, naturalismo e religião etc. Adela
Cortina, por outro lado, trata da aliança e do contrato. Essas indicações demonstram que há, no escopo da
racionalidade comunicativa, uma dimensão humana incomensurável. E isso não é escatologia, muito menos
uma referência ao externo e forâneo ao Lebenswelt.
21 Outra vez mais, parece importante ressaltar um tipo de espiritualidade “laica”, mas que, no meu ponto de vista,
pode ser denominada como uma necessidade intrínseca às relações sociais. Daí, então, a hospitalidade
convivial ou a convivialidade na hospitalidade. A ordem dos vocábulos não altera o significado, uma vez que a
biofilia presume um tipo inexorável de incomensurabilidade inexorável. Mead contrapõe a questão com a
análise puramente biológica do ser humano. Mas em Habermas, além da discussão com Mead e Parsons, o
tema aparece nas entrelinhas da discussão entre Israel e Atenas, fé e razão, naturalismo e religião etc. Adela
Cortina, por outro lado, trata da aliança e do contrato. Essas indicações demonstram que há, no escopo da
racionalidade comunicativa, uma dimensão humana incomensurável. E isso não é escatologia, muito menos
uma referência ao externo e forâneo ao Lebenswelt.
22 Haidt menciona a “atração por ambientes nos quais nossos ancestrais prosperaram, como campos com árvores
e água, onde abundavam herbívoros, ou à beira do mar, com sua riqueza de recursos. […] É por isso que
crianças amam explorar florestas e levantar pedras para ver o que encontram embaixo” (2024, p. 247).
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 11, ed. especial, p. 1-26, e-7378, nov. 2024.