Semiótica das fake news
a manipulação de dados e informação na Era Digital
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2025v12n1e-7555Palavras-chave:
Informação, Fake news, teorias semióticas, veracidade informacional, manipulação de usuáriosResumo
A Era Digital proporciona a rápida disseminação de informações e trouxe consigo desafios sem precedentes para a veracidade e para a confiabilidade dos dados compartilhados. As fake news se espalham ligadas a fatores como algoritmos de recomendação, bolhas informacionais e o comportamento dos usuários na web. Assim, é o objetivo desta pesquisa investigar os processos semióticos que sustentam a propagação e a aceitação de fake news em ambientes digitais como as redes sociais, analisando como signos, discursos e estratégias narrativas influenciam sua disseminação e distribuição. Aplicou-se uma metodologia de natureza qualitativa, do tipo exploratória, bibliográfica e de caráter interdisciplinar. Essa análise permite confrontar as nuances entre informação verídica e desinformação, destacando os desafios que essas questões impõem à sociedade e à pesquisa científica. Por isso, apresenta-se uma visão geral da teoria semiótica, que serve como aporte teórico-conceitual e metodológico para a construção dos resultados. Essa abundância, associada à rapidez com que os conteúdos são propagados e disseminados promove um ambiente propício para a manipulação dos usuários. Em suma, as fake news atuam como ruídos que comprometem a clareza e a integridade dos processos de significação, interferindo na formação e validação dos significados. Enquanto diferentes linhas da semiótica (peirceana, francesa ou a da cultura) oferecem perspectivas variadas sobre o que constitui informação, todas convergem para a ideia de que a manipulação de dados e de signos impede a construção de um sentido autêntico e verificável.
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