CENSURA NO TRATAMENTO TEMÁTICO DA INFORMAÇÃO
discussões em torno da atribuição de assunto pela classificação bibliográfica
Stephany Fernandes Araújo[1]
Universidade Federal de Goiás
stephany_fernandes@discente.ufg.br
Laís Pereira de Oliveira[2]
Universidade Federal de Goiás
laispereira2@ufg.br
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Resumo
Discorre sobre a censura na atribuição de assunto pela classificação bibliográfica. Busca discutir teoricamente sobre a censura quanto ao tratamento temático dos livros, na forma do processo de classificação bibliográfica. Constitui pesquisa descritiva, bibliográfica e de natureza qualitativa, realizada com aporte da revisão de literatura de tipo narrativa. Prioriza coleta de dados pautada em artigos de periódicos e trabalhos apresentados em eventos em Biblioteconomia e Ciência da Informação. A busca foi realizada, de forma prioritária, na Base de Dados em Ciência da Informação, observando-se os assuntos “classificação” e “censura” para entender como os dois assuntos se atrelam ao trabalho do bibliotecário. Os resultados da revisão narrativa demonstram que os sistemas de classificação, especialmente a Classificação Decimal de Dewey, aqui discutida de modo específico, incorporam hierarquias e valores culturais eurocêntricos que podem marginalizar determinadas expressões culturais e religiosas, como as de matriz africana. Evidencia-se que tais estruturas classificatórias, quando não revistas criticamente, podem reforçar processos de invisibilização de assuntos e exclusão temática no acervo bibliográfico. Conclui-se que é necessário repensar os sistemas de classificação sob uma perspectiva mais plural e inclusiva, promovendo o diálogo entre profissionais da informação e os assuntos que eles tratam, a fim de mitigar práticas de censura estrutural e favorecer a equidade no acesso à informação.
Palavras-chave:Tratamento temático da informação; classificação bibliográfica; censura de livros; censura na classificação.
CENSORSHIP IN THE SUBJECT REPRESENTATION
discussions around the attribution of subject by bibliographical classification
Abstract
This article discusses censorship in the assignment of subject matter through bibliographic classification. It seeks to discuss theoretically the censorship regarding the subject representation of books, in the form of the bibliographic classification process. It constitutes descriptive, bibliographic and qualitative research, carried out with the support of a narrative literature review. It prioritizes data collection based on journal articles and papers presented at events in Library Science and Information Science. The search was carried out, as a priority, in the Information Science Database, observing the subjects “classification” and “censorship” to understand how the two subjects are linked to the work of the librarian. The results of the narrative review demonstrate that classification systems, especially the Dewey Decimal Classification, discussed here specifically, incorporate eurocentric hierarchies and cultural values that can marginalize certain cultural and religious expressions, such as those of African origin. It is evident that such classificatory structures, when not critically reviewed, can reinforce processes of invisibility of subjects and thematic exclusion in the bibliographic collection. It is concluded that it is necessary to rethink classification systems from a more plural and inclusive perspective, promoting dialogue between information professionals and the subjects they deal with, in order to mitigate structural censorship practices and favor equity in access to information.
Keywords: Subject representation; bibliographic classification; censorship of books; censorship in classification.
CENSURA EN EL TRATAMIENTO TEMÁTICO DE LA INFORMACIÓN
discusiones en torno a la atribución de tema por clasificación bibliográfica
Resumen
Se analiza la censura en la asignación de temas mediante la clasificación bibliográfica. Se busca debatir teóricamente la censura en el tratamiento temático de los libros, mediante el proceso de clasificación bibliográfica. Se trata de una investigación descriptiva, bibliográfica y cualitativa, realizada con el apoyo de una revisión bibliográfica narrativa. Se prioriza la recopilación de datos a partir de artículos de revistas y trabajos presentados en eventos de Bibliotecología y Ciencias de la Información. La búsqueda se realizó principalmente en la Base de Datos de Ciencias de la Información, observando los temas «clasificación» y «censura» para comprender su relación con el trabajo del bibliotecario. Los resultados de la revisión narrativa demuestran que los sistemas de clasificación, en especial la Clasificación Decimal Dewey, que se analiza específicamente aquí, incorporan jerarquías eurocéntricas y valores culturales que pueden marginar ciertas expresiones culturales y religiosas, como las de origen africano. Es evidente que estas estructuras de clasificación, al no revisarse críticamente, pueden reforzar los procesos de invisibilidad de los sujetos y la exclusión temática en la colección bibliográfica. Se concluye que es necesario repensar los sistemas de clasificación desde una perspectiva más plural e inclusiva, promoviendo el diálogo entre los profesionales de la información y los sujetos que abordan, para mitigar las prácticas de censura estructural y favorecer la equidad en el acceso a la información.
Palabras clave: Tratamiento temático de la información; clasificación bibliográfica; censura de libros; censura en la clasificación.
1 INTRODUÇÃO
O tratamento temático da informação (TTI), uma das dimensões em organização da informação, se pauta pela evidência do assunto de uma obra, o que pode acontecer quando esta é classificada, indexada ou resumida. Deve-se destacar que estes são processos complexos, pelos quais se determina o teor ou assunto, mediante análise detida ao item informacional. Conforme evidenciam Guimarães e Pinho (2007), organização e representação estão no cerne da atuação profissional bibliotecária, tornando-se possível discutir até que ponto estas se estabelecem de forma ética, especialmente quando dedicadas à expressar conteúdo.
Ao atribuir assunto, o bibliotecário tem a responsabilidade de evidenciar do que trata o material que tem em mãos e a que o usuário da informação terá acesso, circunstância que ganha em proporção ao se falar da classificação, uma vez que atua como localizador da obra no acervo. Sendo assim, o profissional deveria ser o mais neutro possível em seu modo de classificar. Porém, Guimarães e Pinho (2007) afirmam que, o processo de organização e representação do conhecimento acaba tendo posições ideológicas inseridas em meio social, aos usuários, que gera um recorte e segmenta em resultados que dificultam a recuperação dessa informação. Como discutido por Mai (2004, p. 43):
A tarefa principal da classificação bibliográfica é classificar documentos que representam ideias, e essas ideias independentemente dos documentos poderiam ser expressas de outras formas, com outras palavras. O desafio é construir um esquema que faça sentido para os usuários, representando corretamente os documentos conforme seu uso potencial. Isso depende da compreensão dos domínios e das tarefas dos usuários.
Entende-se que essa falta de representação em detrimento da classificação particular pelo bibliotecário, estrita aos seus modelos de mundo, sem considerar o usuário, pode levar à censura. A tarefa do bibliotecário classificador é evidenciar o assunto a que corresponde à obra para acesso futuro, durante as buscas no catálogo. A censura, neste entorno, pode ser concretizada pela invisibilidade de um dado assunto, pela classificação mais restrita de certa obra, ou mesmo, pelo “apagamento” ou ausência de temáticas específicas, consideradas “impróprias” para constarem nos registros catalográficos do catálogo da biblioteca.
Considerando tais aspectos, o objetivo geral desta pesquisa volta-se a discutir teoricamente sobre a censura quanto ao tratamento temático dos livros, na forma do processo de classificação bibliográfica. Nesse sentido, a problemática central da investigação envolve a circunstância subjetiva do ato classificatório, enquanto integrante da dimensão de TTI, passível de inconsistências ou incompletudes no seu desenvolvimento, seja pela falta de compreensão dos assuntos a serem representados, seja pela conduta intencional de não evidenciá-los enquanto pontos de acesso temáticos. Agrega-se a isso a problemática relativa aos sistemas de classificação e ao desenho hegemônico de temas e áreas do conhecimento valoradas, historicamente delimitadas em detrimento de outras de menor evidência.
A pesquisa pode contribuir para ressaltar como é importante para o futuro bibliotecário e para os já atuantes na área, o desenvolvimento de um senso crítico sobre o conhecimento cultural, histórico e social que perdura na sociedade. Segundo Cysne, (1993 apud Moraes; Lucas 2012) “[...] a responsabilidade social do bibliotecário resulta em que o acesso à informação não deve ser obstaculizado nem pela sociedade, nem pela religião, muito menos pelo Estado.” Para tanto, busca-se o direcionamento de profissionais que tenham uma responsabilidade social em seu espaço de trabalho seja ele: uma biblioteca, um museu, em órgãos públicos e demais ambientes que tenham como principal objetivo transmitir a informação e levar conhecimento a quem interessar.
2 METODOLOGIA
A pesquisa é descritiva, bibliográfica e de natureza qualitativa. Estabeleceu-se pelo desenvolvimento de revisão de literatura nos temas “classificação” e “censura”. Empregou-se a técnica de revisão narrativa, segundo a qual se desenvolve a análise crítica pessoal do pesquisador, que interpreta as fontes obtidas, sejam elas livros ou mesmo artigos impressos ou eletrônicos (Rother, 2007).
A opção pela revisão narrativa levou em consideração o fato de viabilizar a constituição de artigo amplo, original e com descrição e discussões em torno de um assunto (Rother, 2007). Ao mesmo tempo, o critério para inclusão dos materiais que integram tal revisão podem não estar explícitos (Silva, 2019), favorecendo o levantamento e estabelecimento pelo pesquisador, devotado ao princípio problematizador da pesquisa, na função de discuti-lo e apoiar sua compreensão. Como explicam Cordeiro et al. (2007, p. 429-430):
A revisão da literatura narrativa ou tradicional, quando comparada à revisão sistemática, apresenta uma temática mais aberta; dificilmente parte de uma questão específica bem definida, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção; a busca das fontes não é pré-determinada e específica, sendo frequentemente menos abrangente. A seleção dos artigos é arbitrária, provendo o autor de informações sujeitas a viés de seleção, com grande interferência da percepção subjetiva.
Nesse sentido, a coleta de dados envolveu, em um primeiro momento, a busca por assunto na Base de Dados em Ciência da Informação. Durante a busca, empregaram-se os termos “classificação” e “censura”, tendo sido obtidos artigos de periódicos e trabalhos apresentados em evento, fundamentais para aporte da discussão proposta na pesquisa, uma vez que versavam sobre o processo de classificação na perspectiva da Biblioteconomia, os sistemas de classificação e a censura em bibliotecas. Buscou-se trazer para a pesquisa materiais substanciais para delimitar os dois temas.
Todavia, a busca e o desenvolvimento subsequente da revisão narrativa não ficaram restritos às fontes obtidas na referida base. Desse modo, integraram-se à revisão narrativa desta pesquisa: a) livros clássicos de Biblioteconomia, fundamentais para as discussões acerca da classificação bibliográfica; b) dissertações e teses atreladas às temáticas desta revisão; c) artigos oriundos da revista Knowledge Organization, publicada pela International Society for Knowledge Organization (ISKO), que encampa problematizações relevantes sobre os sistemas de classificação, os aspectos éticos da classificação e as práticas relativas aos processos da organização do conhecimento (OC).
Para além dos recursos bibliográficos, a realização da pesquisa buscou problematizar a respeito do sistema da Classificação Decimal Dewey (CDD), um dos mais utilizados para classificar acervos mundo afora, evidenciando-se em sua estrutura, elementos que não mais aderem às necessidades atuais em relação ao tratamento temático da informação. Então, quando se analisa sistemas em uso na contemporaneidade, atualizados com relativa periodicidade, há que se levar em consideração a cobertura adequada da representação dos assuntos em determinada situação e local.
3 O TRATAMENTO TEMÁTICO DA INFORMAÇÃO E A CLASSIFICAÇÃO
Tratamento temático da informação é um processo dedicado ao estabelecimento do assunto ou teor documental. Engloba em seu cerne a classificação bibliográfica, assim como a indexação e o resumo, todos aqui compreendidos como processos documentários. Como ressaltam Oliveira, Grácio e Martínez-Ávila (2020), a partir de um rol de processos o TTI se empenha na geração de produtos documentários, um dos quais a notação classificatória, com suporte de instrumentos como os sistemas de classificação. Estes servem ao propósito do processo de classificar.
Como ponto inicial da revisão narrativa cabe destacar o aspecto conceitual do ato de classificar. A classificação reflete agrupamento e divisão do conhecimento por semelhanças, permitindo a organização pragmática para disponibilização posterior (Albuquerque, 2015), comum no caso dos acervos de bibliotecas.
A indexação se insere nas tarefas destinadas à análise e identificação do assunto sobre determinado documento com procedimento de seleção e tradução dos termos correspondentes para representação do conteúdo em um cabeçalho de assunto (Piedade, 1977). Já para Cunha e Cavalcanti (2008, p. 193) a indexação consiste na “representação do conteúdo temático de um documento por meio dos elementos de uma linguagem documentária ou de termos extraídos do próprio documento (palavras-chave, frases chave)”. O resumo ou condensação constitui o processo de representação do assunto mediante estruturação de texto condensado sobre um original. É com o resumo que se faz uma narrativa sucinta, pela qual fique evidenciada a característica do item, dando uma noção sobre o conteúdo que contém (Alves, 2018).
Portanto, esses conjuntos de processos constituem a intervenção bibliotecária sobre os acervos, mediante constituição de diferentes produtos documentários, a saber: a notação de classificação, o termo de indexação e o resumo documentário. Isso porque, pelo TTI, além do estabelecimento de processos de representação de assunto são gerados produtos e constituídos instrumentos em apoio ao trato do teor documental. Entre os instrumentos, devotados em específico ao ato classificatório, estão, como supramencionado, os sistemas de classificação.
Antecedendo o construto dos sistemas classificatórios, esboços teóricos deram lugar à conjuntura de arranjo das áreas ou ciências. A classificação se estabeleceu, portanto, a partir de teorias filosóficas (Albuquerque; Moraes, 2010). Mediante modelos e estruturações das áreas do saber, as classificações filosóficas ou das ciências constituíram amparo substancial para o estabelecimento dos sistemas de classificação bibliográfica, empregados para arranjo de livros nas bibliotecas. Grosso modo:
Ao mesmo tempo que a classificação é um processo é um ato de ordenar e diferenciar elementos em um universo, ela também espelha a filosofia, tendo sua própria terminologia. Sabe-se que as classificações bibliográficas sofreram influências das classificações filosóficas [...] (Lima; Maculan, 2024, p. 10).
A classificação é matricial, além de ser motivo de estudos desde a Antiguidade (Nunes; Tálamo, 2009). Classificar é, pois, ação humana cotidianamente estabelecida. Mais do que isso, é práxis bibliotecária que passa pela análise e síntese do teor documental, com sua consoante representação em classes de números decimais oriundos dos sistemas de classificação. Em que pese essa questão, concorrendo para o olhar acerca do processo de classificar, há que se ter em mente a dinâmica que envolve e o desafio em seu estabelecimento.
Há de se pensar que o bibliotecário tem o desafio de tratar a temática da obra de forma ampla e respeitosa (Pinho; Melo; Oliveira, 2019). O tratamento temático da informação é uma tarefa minuciosa, ao mesmo tempo em que engloba as características sociais, também, há um recorte específico sobre o assunto abordado para que, quando no acervo o objeto livro esteja em seu devido lugar e expressando, sem nenhuma invisibilidade, seu tema. Diante disso, a importância de se escolher um sistema de classificação eficiente é imprescindível na etapa classificatória no qual, abrange um diálogo entre técnica e temática (Cesarino, 1985 apud Pinho; Melo; Oliveira, 2019).
Diante disso, a importância de se escolher um sistema de classificação eficiente é imprescindível na etapa classificatória, abrangendo um diálogo entre técnica e temática (Cesarino, 1985 apud Pinho; Melo; Oliveira, 2019). Para além da escolha do sistema, cabe discutir cenários pelos quais o classificador pode vir a incorrer, entre os quais a censura.
4 DISCUTINDO A CENSURA NA CLASSIFICAÇÃO
A questão da censura em materiais bibliográficos vem desde o desenvolvimento das primeiras bibliotecas, os mosteiros. Nesse período, a Igreja Católica praticava a censura em relação ao domínio dos livros que não eram religiosos, bem como: aqueles que contavam com assuntos políticos, de outros idiomas, modo de vida e história distintos, para que os indivíduos não adquirissem conhecimento, se não aquele ao qual a Igreja pudesse dominar.
Para além do circunstanciado histórico de proteção e guarda do conhecimento, há que se ressaltar a ação bibliotecária nesse cerne. Isto é, até que ponto os bibliotecários, ainda hoje, em uma questão histórica e epistemológica, podem combater a censura ao objeto livro e procurar não cometê-la ao classificar as obras por assunto? No que concerne às noções sobre a censura propriamente dita, não há no Brasil um órgão administrativo que avalie o conteúdo das obras, por exemplo, sendo que a própria concentração econômica de renda tolhe o plurarismo de ideias (Lopes, 2023). Por isso, ações de censuradores ou estruturas de censura podem ser maqueadas e passar despercebidas.
Martins e Barradas (2023) comentam acerca do segmento de um princípio filosófico e ético-político basilar à profissão bibliotecário. Além disso, mencionam que “nenhuma informação é imune às ideologias”, ou seja, há variadas formas de como o profissional pode corromper uma obra enquanto faz sua classificação. Isso passa, então, por questões como: a) pouco conhecimento do assunto que o livro trata; b) estereótipos; c) predominância de uma visão eurocêntrica (Paulo; Rabello, 2025). Essas são questões que podem trazer uma visibilidade temática parcial e não total, tanto quanto censurada para a obra, ou acabar ocultando características culturais, sociais e históricas a ela pertinentes.
Como dito no início desta seção, a censura ao livro existe desde a sua integração restrita aos mosteiros, quando a Igreja Católica escondia os livros para que ninguém tivesse acesso ao conhecimento. Ao longo dos anos percebe-se que, embora se manifestando de outros modos, o mesmo comportamento se faz presente em meio à sociedade. Seja por práticas pontuais ou mesmo por intrincadas manifestações linguísticas, terminológicas mesmo temáticas, em objetos sociais e culturais manipulados e utilizados para um dado fim.
Determinados assuntos, se abordados em livros, ainda são vistos com uma visão negativa, como por exemplo: o marxismo, a cultura de matriz africana, a historicidade do fascismo, dentre outros, que têm sua importância no intuito de ampliar o entendimento social e político da sociedade. Essas temáticas foram alvo na época dos regimes autoritários e totalitários (Rocha; Costa, 2023), pelos mesmos motivos que a Igreja censurava no passado. Então, percebe-se que a censura também se molda a fatores ideológicos de cada pessoa e quem tem mais poder impõe e restringe o que vai ser visibilizado.
Vergueiro (1987) já destacava que o bibliotecário tradicionalmente não luta contra a censura. O autor acrescenta que uma ação de censura pode ocorrer em termos políticos, da mesma forma que religiosos ou morais. Especificamente no que concerne aos livros e, voltando à historicidade mencionada no início desta seção, tem-se o triste fato do Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos pela Igreja Católica. Trazendo a conjuntura de censura para a realidade bibliotecária, Vergueiro (1987) nos incita a pensar sobre a prática do bibliotecário frente às distintas atividades que desempenha. Aqui, entende-se necessário inserir a discussão sobre o trato documental por assunto e, especificamente, a prática classificatória de acervos.
Descrição e análise de assunto são temas que integram a ação de nomear e rotular coleções bibliográficas (Tissera; Michel, 2025). Nessa nomeação estabelecem-se termos e também notações classificatórias, estas oriundas de esquemas de classes dos sistemas de classificação.
Ao criar notações de classificação o bibliotecário pode incorrer na invisibilidade da obra, caso não estabelecido o recorte temático que permita sua individualização fiel e consistente. Por conseguinte, a classificação se faz extremamente importante para que o material classificado se torne visível. Entretanto, isso precisa ocorrer respeitada a temática da obra analisada, sem que se estabeleça sobre ela uma restrição na identificação do seu teor.
Lima e Maculan (2024) ressaltam o quão necessário é o estabelecimento de mecanismos de padronização e a representação do conhecimento registrado, com vistas ao seu compartilhamento posterior, no que a dita organização do conhecimento pode agregar substancialmente. Esta, de longa data estabelecida, conforme destaque das autoras, remonta ao movimento de classificação das ciências e categorização do saber. Apesar disso, também pela padronização e pelo respaldo histórico-metodológico à OC pode-se incorrer em atos de censura. A adoção de sistemas universais para arranjo e ordenação dos acervos, é um ponto fundamental nessa discussão. Isto é, até que ponto não se torna uma camisa de força, regulando e uniformizando classes de assunto cheias de preconceitos e inconsistências?
Destaque seja feito ao fato de que a quantidade exacerbada de informações produzidas representa, por si só, um enorme desafio à sua organização. Nunes e Tálamo (2009, p. 35) problematizam sobre isso, ao afirmarem que “os atuais sistemas não mais resolvem os problemas impostos por tal ordem e que há necessidade de mais discussões na área com a colaboração do conhecimento advindo de outras áreas”. E aqui vai mais um destaque fundamental:
Determinar a classe exata à qual o livro pertence, colocá-lo onde possa ser encontrado novamente quando solicitado, disponibilizar todas as fontes da biblioteca sobre um assunto específico para o estudante que busca por informações – esses são deveres constantes do bibliotecário, que requer um bom sistema de classificação. (Harris, 2022, p. 1-2, traduzido por Sales; Barros, 2022)
Percebe-se, ainda, que na etapa de classificação do material o bibliotecário aplica sua ideologia, crenças e cultura acerca dos temas tratados, podendo vir a ocultar assuntos, o que pode impactar negativamente no modo como o livro será destinado para o acervo. Ocorre que a forma como foi classificado pode não condizer com o âmbito histórico e social que envolve o conhecimento registrado socialmente pelos usuários (Guimarães; Pinho, 2007). Dessa forma, essa atitude, sendo consciente ou não, ocasiona na censura, pautada no encobrimento da obra, na sua representação parcial ou incompleta.
Por este plano, a censura na classificação pode se tornar real pelo ato em si, da classificação pelo bibliotecário, a partir de seus modelos de mundo, com o risco do “não-classificar”; ao mesmo tempo, pelo uso dos sistemas de classificação e a replicação do arranjo de áreas e subáreas temáticas pré-estabelecidas e instituídas para uso do classificador em tais estruturas. De modo que o tratamento temático da informação pode não cumprir com seu devido papel, pelas vias da classificação bibliográfica.
De acordo com Guimarães e Pinho (2007) a censura ocorre, ainda, quando o usuário não é informado sobre materiais que não vão para o acervo, ou seja, fomenta escolhas de assuntos que favorecem uma visão de mundo particular, ou seja, uma visão que exclui grande parte da população. A essa perspectiva tem-se, por assim dizer, uma censura prévia no que diz respeito à formação e desenvolvimento das coleções, que acaba por continuar quando da classificação de tais obras.
Nesse contexto, cabe buscar algumas reflexões acerca da responsabilidade social do bibliotecário mediante a sua atuação, especialmente na classificação. O bibliotecário é o mediador entre o livro e o leitor, torna-se responsável por tratar das áreas do conhecimento de forma que esse saber adentre a todas as camadas sociais. Bezerra (2008) menciona a falta de representação temática voltada aos parâmetros da classificação, devido estar baseada ainda em sistemas rígidos e seculares, ou seja, a forma de classificar livros quando se utiliza das ferramentas tradicionais, a exemplo da Classificação Decimal de Dewey (CDD).
A CDD foi um sistema feito em meados do século XIX no qual se replicou o pensamento que perpetuava na sociedade naquela ocasião, uma visão homogênea e eurocêntrica com cerne no que seu criador pautou como razoável. Portanto, a utilização da CDD incorre em algumas problemáticas, deixando de desdobrar áreas importantes que foram desenvolvidas ao longo dos anos. A exemplo dessa situação tem-se o assunto “linguagem sexual”, que no sistema Dewey não é desenvolvido detalhadamente para o usuário encontrar. Então, se o bibliotecário utiliza deste sistema em seu acervo, sem projetar, avaliar, dar a devida manutenção neste sistema de representação (Guimarães; Pinto, 2007), o material a ser classificado ficará à margem de certa censura temática. Desse modo:
O que se percebe é a utilização de linguagens rígidas, muitas vezes constituindo entraves ou ruídos de comunicação, não atingindo o usuário em sua plenitude, muitas vezes dificultando o acesso à informação. Esta realidade acena para uma nova postura de modelo de conduta por parte dos indexadores, profissionais responsáveis pela atividade de representar e traduzir o conhecimento, a fim de tornar a linguagem mais acessível e de fácil entendimento (Bezerra, 2008, p. 2).
Percebe-se que os fatores que podem levar ao bibliotecário, enquanto ao processo técnico de tornar visível o conhecimento, passam pelo emprego de sua ideologia, mas, também, no modo que utiliza as ferramentas que têm à sua disposição. Frente a isso, discorre-se mais amplamente, na sequência, sobre a CDD.
Há de se pensar que o bibliotecário tem o desafio de tratar a temática da obra de forma ampla e respeitosa (Pinho; Melo; Oliveira, 2019). O tratamento temático da informação é uma tarefa minuciosa, ao mesmo tempo em que deve englobar as características sociais, também, há um recorte específico sobre o assunto abordado para que, quando no acervo o objeto livro esteja em seu devido lugar e expressando, sem nenhuma invisibilidade, seu tema. Diante disso, a importância de se escolher um sistema de classificação eficiente é imprescindível na etapa classificatória no qual, abrange um diálogo entre técnica e temática (Cesarino, 1985 apud Pinho; Melo; Oliveira, 2019).
Diante disso, a importância da escolha do sistema de classificação é imprescindível na etapa classificatória, abrangendo um diálogo entre técnica e temática (Cesarino, 1985 apud Pinho; Melo; Oliveira, 2019). Para além da escolha do sistema, cabe discutir cenários pelos quais o classificador pode vir a incorrer para dirimir, entre outras questões, a censura classificatória.
4.1 CDD: ASPECTOS DE CENSURA E ALTERNATIVAS
A Classificação Decimal de Dewey foi desenvolvida pelo assistente de biblioteca Melvil Dewey (1881-1931), devido à necessidade de organizar, guardar, buscar e recuperar livros de maneira mais rápida e eficiente (Piedade, 1983). Seu sistema de classificação tende a ser geral seguindo uma ordenação do conhecimento humano. Diante disso, a CDD é dividida em dez classes principais que abordam, em conjunto, a totalidade do mundo dos saberes.
Entretanto, há que se ressaltar que este sistema traz algumas lacunas ao quesito de totalidade do conhecimento. Dewey criou seu sistema no século XIX e sua abordagem reflete as presunções ontológicas e epistemológicas da filosofia ocidental do século em que este autor viveu, apresentando os valores da cultura europeia e norte-americana (Olson, 2001). Nessa lógica, sua “classificação geral do conhecimento é estabelecida sob um regime de verdade de uma época que respeita limites espaços-temporais específicos, tendo, portanto, um caráter provisório (Ferreira; Sales, 2019, p. 3)”.
Discutir sobre a CDD, assim como outros sistemas de classificação de base organizativa universal, é importante, para lançar mão de ideias a respeito de suas estruturas e formas de aprimoramento. Como destacam Jia e Zhao (2015), nos sistemas de organização do conhecimento tem-se o mapeamento de esquemas de classificação como uma relevante etapa, que pode melhorar a interação entre eles, inclusive. Essa perspectiva incita, pois, a tratativa teorizante que, mais do que apontar aspectos complexos, levem grosso modo a pensar em soluções.
A seguir apresenta-se o Quadro ilustrando melhor como Dewey dividiu os conhecimentos humanos em seu sistema:
Quadro 1 – Classes da CDD e assuntos.
|
CLASSE |
ASSUNTO |
|
000 |
Ciência da Computação, Informação e Obras Gerais |
|
100 |
Filosofia e psicologia |
|
200 |
Religião |
|
300 |
Ciências Sociais |
|
400 |
Linguagem |
|
500 |
Ciência |
|
600 |
Tecnologia |
|
700 |
Arte e Recreação |
|
800 |
Literatura |
|
900 |
História e Geografia |
Fonte: elaboração própria (2025).
As dez classes expostas no Quadro 1, descritas no sistema CDD, intentam representar o conhecimento, exclusivo às áreas do saber ali reconhecidas. O que está presente ao longo das dez classes se faz passível de uso pelo classificador, enquanto aquilo que não é nomeado não proporciona as condições para classificar. Importante ressaltar que quando apresentou seu sistema, Dewey o considerou preciso, econômico e conveniente (Martínez-Ávila; Kipp; Olson, 2012). De fato, atendeu a propósito importante, considerando perspectiva pregressa de arranjo das obras em um acervo diante da localização fixa.
Em que pese essa questão, com base na incursão mais específica ao sistema de Dewey em relação a condições para a classificação do conhecimento, torna-se possível destacar, principalmente, aspectos relativos às classes 200 (Religião) e 700 (Arte e Recreação). No que se refere à classe 200 que “é majoritariamente dominada por religiões cristãs (Silva, 2018)” há probabilidade maior de impulsionar a censura sobre religiões de matriz africana, quando o bibliotecário tenha em mãos livros e outros materiais dessa ordem temática. De acordo com Silva (2018), na CDD as religiões de matriz africana carecem de visibilidade, ao comparar com outros credos e manifestações. Entre as subclasses 210 e 290 deixam de ser feitas menções das expressões de fé de influência africana. Apenas a partir da classe 299.6 veem-se notações específicas, no entanto, sobretudo, observa-se que a posição hierárquica indica que essas expressões de fé estão em condição de inferioridade se comparadas às outras.
Ao pensar neste modo de classificar, sem trato igualitário a dimensão da diversidade religiosa na prática classificatória viabilizada por sistemas como o de Dewey, torna-se complexo o intento de dar evidência temática e adequada descrição para o assunto contido na obra. Por isso, seria interessante que profissionais que utilizam de sistemas de classificação para organizar e representar o conhecimento pudessem trabalhar de forma mais aproximada com os grupos e comunidades que serão representados. Tal alternativa poderia permitir que esses grupos contribuíssem com os termos especificamente usados para identificá-los e as ligações entre esses termos já que, mesmo no quesito atualizações a CDD dificilmente teria tal nível de abrangência, haja vista sua posição de sistema universal, não de propósito de atendimento das realidades locais ou regionais ou, ainda, de manifestações religiosas fora do espectro hegemônico.
De forma ampla, o resultado da classificação com CDD agregada de terminologias de comunidades locais e regionais, tanto quanto de especificidades dos indivíduos, seria uma via até mesmo para refletir melhor a realidade temática inerente a comunidades quilombolas e outros grupos afrodescendentes, por exemplo, questões relativas à sua cultura, vivências, visões de mundo e etc. Essa seria uma condição para inferir um uso da CDD em que sua utilização se respaldasse na máxima atenção ao lidar com o contexto de produção do conhecimento em contextos complexos sem ocultar nenhum aspecto cultural, social ou histórico.
Já no parâmetro da classe 700 o sistema de Dewey repete o mesmo viés eurocêntrico observado na classe anterior, ocidentalista, branco, cristão e nacionalista que direcionou Dewey na elaboração de seu sistema, ou seja, também teve reflexos na classe Artes. De acordo com Ferreira (2019) as classes principais 710 a 780, destinadas às formas únicas das artes – arquitetura, escultura, desenho, pintura, gravura, fotografia e música –, não se sustentam devidamente na forma ramificada posta. A possibilidade de tudo poder ser arte, uma vez que seja legitimada como tal, indica que estas artes não são mais as únicas possíveis e, portanto, seu posicionamento hierárquico destacado não se justifica para a sociedade vigente. Além disso, a autora destaca sobre a criação rígida de Dewey: “inerente rigidez, que não permite a inserção de novos assuntos sob o mesmo posicionamento hierárquico, por exemplo, provoca, na contemporaneidade, uma representação temática deficiente”.
Neste caso, a evidência classificatória sob os auspícios de manifestações artísticas e artistas não hegemônicos, em condições de representar e dar visibilidade a artesãos e seus artesanatos, musicalidades que encontram eco em pequenos modelos de produção e, até mesmo, recortes de gêneros com pouca visibilidade, ajudaria a contradizer a censura na classe das artes. Mais do que isso, há uma transversalidade inerente ao fazer artístico por si só, pelo qual filmografia, desenho, gravura, poema e afins, podem, todos, estarem apresentados em uma obra, necessitando de uma classificação que possa contemplar a essa conjuntura sem, necessariamente, ter que reduzir a uma nuance classificatória em apenas um desses pilares, por exemplo.
Portanto, salienta-se que, mesmo sendo um sistema tão utilizado pelos bibliotecários mundo afora, o que acaba por fortalecê-lo, existe um pensar sobre a estrutura e abordagem do conhecimento na CDD, para a classificação de assuntos. Como uma via para minimizar a censura classificatória, necessita-se de um posicionamento cultural e social, capaz de integrar saberes e terminologias representativas destes.
Até mesmo Vital, Pinho e Slomp (2025, p. 3), ao mencionarem a organização do conhecimento, consideram quão necessário se faz “discutir teorias e metodologias que viabilizem a análise, compreensão, representação e organização de áreas específicas do conhecimento humano”. Portanto, é preciso pensar o quão específico tem sido possível ser, ao classificar.
5 CONCLUSÃO
A pesquisa objetivou discutir teoricamente sobre a censura quanto ao tratamento temático dos livros, na forma do processo de classificação bibliográfica. Demonstrou-se, com a revisão narrativa, que as barreiras de censura quanto a classificação de um material podem ocorrer por déficit do bibliotecário na apropriação analítica sobre os assuntos de uma obra a ser classificada, o que pode até mesmo ter relação com a lacuna de entendimento acerca de seu usuário e dos temas contemplados no acervo. Por essa razão, suscita-se o pensamento de que a perspectiva de tratamento temático da informação integra-se, de fato, aos outros elos do ciclo da informação, não se restringindo ao processamento da informação, mas sim, em estreito vínculo com os estudos-diagnóstico dos usuários, a formação do acervo e a disseminação da informação.
Outra questão é a necessidade de enxergar que a sociedade muda, incitando a mudança também nos instrumentos bibliotecários, como os sistemas de classificação. Apregoam-se nuances relevantes pelas vias temáticas apresentadas na estrutura da CDD. A estas podem-se estabelecer agregações notacionais ou terminológicas pelas quais especificidades de comunidades e grupos possam ter voz.
Dewey contribuiu muito para o modo como podemos dividir o conhecimento. De acordo com Ferreira (2019) o sistema de Dewey foi criado em uma nova perspectiva de estudos da informação, devendo-se entender as perspectivas dos sujeitos que se transformam e são disseminadas à medida que suas tabelas classificatórias são aplicadas. Ainda assim, aspectos relativos a censura classificatória precisam ser considerados em condições de buscar soluções, seja para expansão das classes pré-estabelecidas de um sistema como tal, seja para uso combinado de estruturas terminológicas representativas complementares ao construto universal estabelecido.
Estudos futuros podem problematizar acerca de outras perspectivas atreladas à classificação e à censura. Entende-se como relevante a revisão narrativa que permita trazer pontos que agreguem comparações com a Classificação Decimal Universal e outras estruturas universais de arranjo do saber.
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[1] Discente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás
[2] Docente do curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás (UFG). Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG).