Do Cogito ao Cogitamus
humanidades científicas e digitais em Bruno Latour
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2025v12n1e-7682Palavras-chave:
Humanidades Científicas, Humanidades Digitais, Teoria Ator-Rede, EpistemologiaResumo
A presente pesquisa teórica analisa o papel das Humanidades Científicas (HC) e sua possível articulação com as Humanidades Digitais (HD) a partir da obra ‘Cogitamus’, de Bruno Latour, abordando a crítica à “Grande Demarcação” moderna entre Ciência e Política, bem como à separação ontológica entre natureza e cultura, sujeito e objeto. O objetivo é compreender como as HC constituem um paradigma metodológico alternativo à epistemologia moderna, permitindo descrever de forma mais precisa a produção do conhecimento científico como prática sociotécnica e coletiva. A metodologia baseia-se na Teoria Ator-Rede (TAR), utilizando os conceitos de rede, controvérsia, provação e tradução. A análise é conduzida sob o enfoque de uma ontologia plana, que confere agência tanto a humanos quanto a não humanos, rompendo com a tradição dualista da Modernidade. Os resultados parciais indicam que as HC operam como uma epistemologia política que visa descrever o processo material e político de composição dos fatos científicos. Além disso, o estudo sugere que, para alcançar tal descrição em sua plenitude, as HC devem integrar as potencialidades das HD, ampliando a cognição distribuída por meio de ferramentas digitais.Conclui-se preliminarmente que a proposta de Latour convida à superação do paradigma moderno, promovendo um campo ampliado, as Humanidades Científicas e Digitais (HCD), como base metodológica para compreender e construir coletivamente o conhecimento em contextos sociotécnicos complexos.
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