FILOSOFIA DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

uma proposta de conceituação

Marcílio Bezerra Cruz[1]

Universidade Federal de Pernambuco.

marcilio.cruz@ufpe.br

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Resumo

A Filosofia desempenha um papel central no desenvolvimento do pensamento científico, como atividade intelectual voltada à problematização, ao aprimoramento e à renovação contínua dos fundamentos e desdobramentos da ciência. No contexto da Ciência da Informação, a abordagem filosófica pode contribuir para a análise crítica de seus fundamentos epistemológicos e metodológicos, promovendo a interdisciplinaridade e o avanço teórico da área. Este artigo tem como objetivo oferecer uma proposta de conceituação da Filosofia da Ciência da Informação como um campo emergente e distinto da Filosofia da Informação, destacando suas possíveis contribuições para uma reflexão crítica, rigorosa e contextualizada sobre a Ciência da Informação. Para isso, busca-se diferenciar a investigação filosófica do fenômeno informacional da análise filosófica dos pressupostos teóricos, metodológicos e epistemológicos da Ciência da Informação. Para desenvolver essa proposta, o artigo está organizado em três seções, correspondentes às áreas analisadas. A primeira seção trata da Ciência da Informação, examinando seu percurso histórico, suas articulações interdisciplinares, as principais teorias sobre o fenômeno informacional e os debates em torno de seus paradigmas. A segunda seção é dedicada à Filosofia da Informação, com ênfase nas contribuições de Luciano Floridi e Rafael Capurro, mas também na crítica à tendência de subsumir toda a reflexão filosófica sobre a informação a esse modelo, apontando a necessidade de distinção conceitual entre as áreas. Por fim, a terceira seção propõe uma delimitação conceitual da Filosofia da Ciência da Informação, compreendida como um campo voltado à análise filosófica da estrutura, dos métodos e dos pressupostos teóricos da Ciência da Informação, em articulação com os referenciais clássicos da Filosofia da Ciência – como Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn e Paul Feyerabend. Essa interface permite a formulação de uma série de questões que podem subsidiar futuras investigações acerca da prática científica na área, ligadas a quatro eixos metodológicos: análise conceitual, crítica epistemológica, genealogia histórica e hermenêutica dos discursos científico. Esta pesquisa, de natureza teórica, exploratória e bibliográfica, conclui que a distinção entre os campos é fundamental para o avanço teórico e metodológico da Ciência da Informação, ao evitar confusões conceituais e promover a delimitação de objetos e abordagens específicas. O estudo busca contribuir para a consolidação da Filosofia da Ciência da Informação como área autônoma de investigação, apta a desenvolver reflexões críticas, rigorosas e contextualizadas sobre os fundamentos, métodos e implicações da Ciência da Informação.

Palavras-chave: filosofia da ciência da informação; filosofia da informação; filosofia da ciência; Luciano Floridi; Rafael Capurro.

PHILOSOPHY OF INFORMATION SCIENCE

A conceptualization proposal

Abstract

Philosophy plays a central role in the development of scientific thought, as an intellectual activity focused on problematizing, improving, and continually renewing the foundations and developments of science. In the context of Information Science, a philosophical approach can contribute to the critical analysis of its epistemological and methodological foundations, promoting interdisciplinarity and theoretical advancement in the field. This article aims to propose a conceptualization of the Philosophy of Information Science as an emerging field distinct from the Philosophy of Information, highlighting its potential contributions to a critical, rigorous, and contextualized reflection on Information Science. To this end, we seek to differentiate the philosophical investigation of the information phenomenon from the philosophical analysis of the theoretical, methodological, and epistemological assumptions of Information Science. To develop this proposal, the article is organized into three sections, corresponding to the areas analyzed. The first section addresses Information Science, examining its historical trajectory, its interdisciplinary articulations, the main theories on the information phenomenon, and the debates surrounding its paradigms. The second section is devoted to the Philosophy of Information, emphasizing the contributions of Luciano Floridi and Rafael Capurro, but also criticizing the tendency to subsume all philosophical reflection on information under this model, highlighting the need for conceptual distinctions between these fields. Finally, the third section proposes a conceptual delimitation of the Philosophy of Information Science, understood as a field focused on the philosophical analysis of the structure, methods, and theoretical assumptions of Information Science, in conjunction with classical frameworks of the Philosophy of Science – such as Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn, and Paul Feyerabend. This interface allows for the formulation of a series of questions that can inform future investigations into scientific practice in the field, linked to four methodological axes: conceptual analysis, epistemological critique, historical genealogy, and hermeneutics of scientific discourse. This theoretical, exploratory, and bibliographical research concludes that distinguishing between fields is fundamental to the theoretical and methodological advancement of Information Science, as it avoids conceptual confusion and promotes the delimitation of specific objects and approaches. The study seeks to contribute to the consolidation of the Philosophy of Information Science as an autonomous field of research, capable of developing critical, rigorous, and contextualized reflections on the foundations, methods, and implications of Information Science.

Keywords: philosophy of information science; philosophy of information; philosophy of science; Luciano Floridi; Rafael Capurro.

FILOSOFÍA DE LA CIENCIA DE LA INFORMACIÓN

Una propuesta de conceptualización

Resumen

La filosofía desempeña un papel central en el desarrollo del pensamiento científico, como actividad intelectual centrada en problematizar, mejorar y renovar continuamente los fundamentos y desarrollos científicos. En el contexto de las Ciencias de la Información, un enfoque filosófico puede contribuir al análisis crítico de sus fundamentos epistemológicos y metodológicos, promoviendo la interdisciplinariedad y el avance teórico en el campo. Este artículo busca proponer una conceptualización de la Filosofía de las Ciencias de la Información como un campo emergente, distinto de la Filosofía de la Información, destacando sus potenciales contribuciones a una reflexión crítica, rigurosa y contextualizada sobre las Ciencias de la Información. Para ello, buscamos diferenciar la investigación filosófica del fenómeno de la información del análisis filosófico de los presupuestos teóricos, metodológicos y epistemológicos de las Ciencias de la Información. Para desarrollar esta propuesta, el artículo se organiza en tres secciones, correspondientes a las áreas analizadas. La primera sección aborda las Ciencias de la Información, examinando su trayectoria histórica, sus articulaciones interdisciplinarias, las principales teorías sobre el fenómeno de la información y los debates en torno a sus paradigmas. La segunda sección está dedicada a la Filosofía de la Información, destacando las contribuciones de Luciano Floridi y Rafael Capurro, pero también criticando la tendencia a subsumir toda la reflexión filosófica sobre la información bajo este modelo, destacando la necesidad de distinciones conceptuales entre estos campos. Finalmente, la tercera sección propone una delimitación conceptual de la Filosofía de la Ciencia de la Información, entendida como un campo centrado en el análisis filosófico de la estructura, los métodos y los supuestos teóricos de la Ciencia de la Información, en conjunción con marcos clásicos de la Filosofía de la Ciencia, como Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn y Paul Feyerabend. Esta interfaz permite la formulación de una serie de preguntas que pueden informar futuras investigaciones sobre la práctica científica en el campo, vinculadas a cuatro ejes metodológicos: análisis conceptual, crítica epistemológica, genealogía histórica y hermenéutica del discurso científico. Esta investigación teórica, exploratoria y bibliográfica concluye que la distinción entre campos es fundamental para el avance teórico y metodológico de las Ciencias de la Información, ya que evita la confusión conceptual y promueve la delimitación de objetos y enfoques específicos. El estudio busca contribuir a la consolidación de la Filosofía de las Ciencias de la Información como un campo de investigación autónomo, capaz de desarrollar reflexiones críticas, rigurosas y contextualizadas sobre los fundamentos, métodos e implicaciones de las Ciencias de la Información.

Palabras clave: filosofía de la ciencia de la información; filosofía de la información; filosofía de la ciencia; Luciano Floridi; Rafael Capurro.

1 INTRODUÇÃO

Desde suas origens, a Filosofia exerce um papel fundamental na constituição do pensamento científico – não apenas como uma etapa preliminar de natureza histórica, mas como uma atividade intelectual que questiona e fortalece os fundamentos da prática científica. Em vez de aceitar respostas estabelecidas, adota-se, por meio da Filosofia, uma postura investigativa que ultrapassa os limites do conhecimento consolidado, possibilitando a formulação de novas interpretações dos fenômenos, sejam eles naturais, humanos ou sociais. Essa atitude questionadora constitui a base para o surgimento de novas hipóteses, configurando um ambiente favorável à renovação do saber e à expansão dos horizontes científicos.

Além de investigar os fenômenos, a Filosofia também dirige sua atenção à própria práxis científica, examinando criticamente os métodos empregados, os pressupostos teóricos e os contextos históricos que configuram os diversos campos do conhecimento. Essa “meta-reflexão”, como destaca Karl Popper (2018), revela-se fundamental para evitar a redução da ciência a uma atividade meramente tecnicista. Ao interrogar os objetivos e os impactos do saber científico, a Filosofia não se coloca como adversária da ciência, mas como uma aliada exigente – aquela que propõe as perguntas fundamentais. Essa postura crítica contribui para a manutenção do espírito científico vivo e em constante transformação.

Assim, diante das possíveis contribuições que a Filosofia pode oferecer ao conhecimento científico, torna-se importante distinguir entre a investigação filosófica dos fenômenos e a análise crítica dos campos e áreas do conhecimento – ainda que, na prática, essas abordagens acabem por se complementar. Enquanto a primeira refere-se a uma reflexão direta sobre um determinado fenômeno da realidade, destacando suas implicações ontológicas, epistemológicas, éticas e políticas, a segunda concentra-se na estrutura, nos métodos e pressupostos teóricos das disciplinas científicas que estudam tais fenômenos.

Isso significa que desenvolver uma reflexão filosófica sobre os “entes matemáticos”, por exemplo, é problematizar a natureza, a existência e o caráter abstrato dos números. Já elaborar uma investigação filosófica da Matemática envolve examinar a lógica interna dessa disciplina, suas práticas demonstrativas, os modelos de formalização que adota e as transformações que sofreu ao longo da história (Mancosu, 2008). Do mesmo modo, refletir filosoficamente sobre o fenômeno do “tempo” – questionando suas múltiplas dimensões, sua natureza, sua relação com a experiência subjetiva e com os processos naturais – não se confunde com a análise filosófica dos fundamentos teóricos da Física, que busca medi-lo ou modelá-lo, descrevendo sua relação com outros fenômenos e investigando seu papel em teorias como a relatividade ou a mecânica quântica (Klein, 2009).

No caso das investigações filosóficas voltadas diretamente aos fenômenos, a reflexão articula-se com as teorias produzidas pelos campos científicos que os estudam, estabelecendo um diálogo com as bases epistemológicas dessas disciplinas (Costa, 1985). Essa interlocução possibilita uma compreensão mais verticalizada dos fenômenos, enriquecendo a análise com base nos avanços e limitações do conhecimento especializado. Ao considerar os referenciais teóricos das ciências envolvidas, a investigação filosófica qualifica-se como uma instância de problematização capaz de transpor fronteiras disciplinares e de iluminar aspectos que ainda não foram plenamente tematizados, contribuindo, assim, para uma compreensão mais rigorosa dos fenômenos.

Por outro lado, quando a reflexão filosófica se concentra na própria ciência ou em um campo específico de investigação, torna-se mais pertinente explorar a estrutura, os métodos e os critérios dessa prática investigativa, mobilizando as discussões acerca da natureza e do desenvolvimento do conhecimento científico (Chalmers, 1993). Embora tais reflexões tenham raízes que remontam à Antiguidade, é somente a partir de Immanuel Kant e, em especial, com o Círculo de Viena, que a Filosofia da Ciência se consolida como campo específico de análise, dotado de aparato teórico próprio e voltado a explicar, com maior rigor, as condições de possibilidade, as rupturas paradigmáticas e os valores epistemológicos que orientam a atividade científica (Terra; Terra, 2003).

Tal confusão, portanto, pode levar a interpretações superficiais, simplificações indevidas ou até a impasses teóricos que comprometem o desenvolvimento dos conhecimentos filosófico e científico. Essas dificuldades tornam-se particularmente evidentes nas ciências pós-modernas, constituídas a partir da interface entre múltiplos campos do conhecimento e empenhadas em compreender seu lugar nas dinâmicas complexas da contemporaneidade (Santos, 2006). A ausência dessa distinção pode comprometer a capacidade dessas ciências de estabelecer fundamentos sólidos, ao mesmo tempo em que fragiliza a reflexão filosófica necessária para situá-las criticamente no contexto sociocultural da atualidade.

Assim, no que diz respeito ao fenômeno informacional, torna-se particularmente importante distinguir entre as pesquisas dedicadas à Filosofia da Informação (FI) – entendida como uma reflexão sobre a natureza, os limites, a origem e as implicações ontológicas, epistemológicas, éticas e políticas da informação – e aquelas voltadas à Filosofia da Ciência da Informação (FCI), que se concentram na análise crítica dos fundamentos, métodos e pressupostos teóricos da Ciência da Informação (CI).

Apesar de alguns autores, como Luciano Floridi (2004) e Rafael Capurro (1986; 2003), terem iniciado importantes discussões filosóficas tanto sobre o fenômeno informacional quanto sobre a CI, a distinção entre essas duas abordagens ainda é pouco explorada e, em muitos casos, sequer reconhecida. Essa lacuna evidencia a necessidade de esforços teóricos mais sistemáticos, voltados à conceituação de cada uma dessas perspectivas, com o objetivo de delimitar seus respectivos objetos, métodos e contribuições. Sem essa diferenciação, corre-se o risco de confundir os papéis e os limites epistemológicos da FI e da FCI, comprometendo tanto a profundidade das análises filosóficas quanto a eficácia de suas aplicações no campo informacional.

Desse modo, com base nessa falta de distinção, o presente artigo tem como objetivo oferecer uma proposta de conceituação da FCI, destacando-a como um subcampo emergente da CI e distinto da FI. Ao estabelecer fronteiras conceituais entre esses domínios, torna-se possível reconhecer as contribuições específicas da FCI na análise dos fundamentos epistemológicos e metodológicos da CI, bem como na reflexão crítica sobre suas práticas, objetivos e implicações sociais. Além disso, essa conceituação busca promover um diálogo mais consistente e produtivo entre filósofos, cientistas e outros atores envolvidos na construção do conhecimento informacional, contribuindo para o avanço teórico e prático do campo diante dos desafios contemporâneos.

Para isso, o artigo está organizado em três seções, correspondentes às três áreas analisadas. A primeira seção aborda a CI, examinando seu percurso histórico, suas articulação interdisciplinares, as principais teorias sobre o fenômeno informacional e os debates em torno de seus paradigmas. A segunda seção é dedicada à FI, com ênfase nas contribuições de Luciano Floridi e Rafael Capurro, mas também na crítica à tendência de subsumir toda a reflexão filosófica sobre a informação a essa disciplina, apontando a necessidade de distingui-la da FCI. Por fim, a terceira seção propõe uma delimitação conceitual da FCI, compreendida como um campo voltado à análise filosófica dos fundamentos, métodos e pressupostos da CI, em diálogo com os referenciais clássicos da Filosofia da Ciência, tais como Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn e Paul Feyerabend.

A pesquisa caracteriza-se por sua natureza teórica, uma vez que consiste no estudo aprofundado dos principais autores e ideias que fundamentam tanto a Filosofia da Ciência quanto as bases epistemológicas da CI. Quanto aos fins, configura-se como uma pesquisa exploratória, visando aprofundar as discussões relacionadas à práxis da CI. Quanto aos meios, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, baseada no levantamento e revisão crítica dos textos fundamentais pertinentes às temáticas em análise.

Os textos utilizados na revisão bibliográfica acompanharam as três áreas analisadas, de modo que buscou-se identificar e destacar os autores mais representativos que fundamentam cada uma delas. A leitura e interpretação desses textos seguiram o método hermenêutico, que, dentre outras características, pressupõe uma análise imanente dos elementos discursivos das obras, buscando compreender, a partir dos principais termos e conceitos, o desenvolvimento das ideias dos autores (Gadamer, 2008; Schleiermacher, 2015).

O artigo conclui que a distinção clara entre os campos da FI e da FCI é fundamental para o avanço teórico e metodológico de ambas as áreas, evitando confusões conceituais e promovendo a especificidade de seus objetos e abordagens. Espera-se que este texto possa servir como um ponto de partida para a consolidação da FCI enquanto área autônoma de investigação, capaz de desenvolver reflexões críticas, rigorosas e contextualizadas acerca dos fundamentos, métodos e implicações da CI.

2 CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Na busca de conceituar uma área do conhecimento, é fundamental delimitar suas fronteiras, reconhecendo tanto suas proximidades quanto seus distanciamentos em relação a outros campos que compartilham, total ou parcialmente, seu objeto de estudo, suas correntes teóricas e seus métodos. Essa delimitação é essencial para compreender com maior clareza as especificidades que caracterizam o campo em questão, distinguindo-o de áreas afins, bem como destacando as possíveis fronteiras que separam seus subcampos e disciplinas. Esse processo de definição não apenas reforça a identidade epistemológica do campo, como também orienta práticas e pesquisas que respeitam suas particularidades.

Nesse sentido, a CI pode ser entendida como um campo científico que surgiu em resposta às novas demandas informacionais características da Pós-Modernidade. Sua principal atividade reside na formulação de teorias e práticas voltadas à organização, preservação e disseminação da informação, buscando garantir o acesso eficiente ao conhecimento (Araújo, 2018). Para cumprir esse papel, a CI estabelece um diálogo interdisciplinar com áreas correlatas que historicamente abordam essas questões de forma segmentada – como a Biblioteconomia, a Documentação, a Ciência da Computação e a Comunicação –, configurando-se como um campo profundamente dinâmico e articulador (Saracevic, 1996).

Embora as raízes da CI remontem aos desafios bibliográficos surgidos desde a invenção da imprensa – marco que ampliou a produção e circulação de documentos, e evidenciou a necessidade de organizar e recuperar informações de forma sistêmica (Serrai, 2001) –, foi apenas no século XX que o campo conquistou maior visibilidade e consolidação como disciplina autônoma. Esse reconhecimento foi impulsionado por transformações políticas e tecnológicas significativas, como a Guerra Fria, que intensificou o valor estratégico da informação nos embates geopolíticos; e o surgimento da internet, que redefiniu os modos de produzir, armazenar, acessar e disseminar a informação (Linares-Columbié, 2005).

O fenômeno informacional, antes vinculado apenas a suportes físicos, expandiu-se, assumindo uma dimensão ontológica que o tornou um princípio fundamental na dinâmica da realidade. Esse avanço conferiu à informação um papel central não apenas para cientistas e acadêmicos, mas para toda a sociedade, evidenciando a premência de um campo científico dedicado ao seu estudo. A partir da década de 1920, essa necessidade começou a ser formalmente reconhecida, quando pesquisadores de diversas áreas passaram a desenvolver e a oferecer “serviços informacionais” (science services) voltados a organização, recuperação e disseminação do conhecimento científico e tecnológico (Araújo, 2018).

Durante esse processo, Vannevar Bush projetou um futuro no qual o estudo da informação transcenderia seus usos estritamente bélicos, voltando-se para a ampla disseminação do conhecimento humano, especialmente no contexto posterior à Segunda Guerra Mundial (Cruz, 2011). Em seus escritos, Bush (1945) destacou o potencial dos avanços tecnológicos como instrumentos para aprimorar a conservação, o acesso e o gerenciamento da informação. Além disso, reconheceu que diferentes áreas científicas reagiram de formas distintas ao impacto da guerra, evidenciando incertezas quanto ao papel do conhecimento produzido e à sua aplicação prática, particularmente em disciplinas fortemente afetadas, como a Física.

Por sua vez, Harold Borko enfatizou a necessidade de compreender o fenômeno informacional para além de seus suportes físicos, concentrando-se em seus aspectos fundamentais. Em 1968, publicou um artigo no qual buscava definir a CI como um campo interdisciplinar dedicado ao estudo das propriedades, do comportamento e dos fluxos desse fenômeno, bem como dos métodos de sua organização, armazenamento e recuperação (Borko, 1968). Com base em definições anteriores, destacou que essa ciência não deveria se restringir ao estudo do fenômeno informacional em si, mas abranger também seus fluxos e comportamentos, a fim de enfrentar os crescentes desafios quantitativos e qualitativos relacionados à informação no contexto da Pós-Modernidade:

Ciência da Informação é a disciplina que investiga as propriedades e o comporta-mento informacional, as forças que governam os fluxos de informação, e os signifi-cados do processamento da informação, visando à acessibilidade e a usabilidade ótima. A Ciência da Informação está preocupada com o corpo de conhecimentos re-lacionados à origem, coleção, organização, armazenamento, recuperação, interpre-tação, transmissão, transformação, e utilização da informação (Borko, 1968, p. 1).

Em acréscimo, Gernot Wersig e Ulrich Neveling (1975) ressaltaram a importância das dimensões éticas e sociais no tratamento do fenômeno informacional. As problemáticas associadas à informação provocam transformações significativas na estrutura social, influenciando práticas culturais e reconfigurando as relações interpessoais e intergrupais. Nesse sentido, a CI deve assumir a responsabilidade social como princípio norteador de sua práxis, considerando os impactos de sua omissão sobre a sociedade. Conforme argumentam os autores, diferentemente das Ciências Naturais, “a Ciência da Informação é baseada em uma necessidade social específica e o seu objeto – independentemente de como seja definido – tem de incluir questões sociais” (Wersig; Neveling, 1975, p. 29, tradução nossa).

Desse modo, com base nas contribuições pioneiras desses e de outros estudiosos, a CI consolidou-se como uma área proeminente, posicionando-se na vanguarda dos esforços voltados à mitigação dos impactos científicos e sociais decorrentes dos problemas informacionais. Contudo, a informação, enquanto objeto de estudo científico, passou a demandar aprofundamentos conceituais que possibilitassem a ampliação de sua compreensão, bem como a formulação de novos critérios teóricos, metodológicos e analíticos adequados à complexidade de sua abordagem. Ao longo dos últimos 50 anos, desenvolveu-se uma diversidade de teorias e correntes epistemológicas que, partindo de diferentes perspectivas filosóficas, buscaram compreender de forma mais aprofundada o fenômeno informacional.

A Teoria Matemática da Informação (TMI) e a Teoria Fenomenológica da Informação (TFI), por exemplo, representam dois polos conceituais distintos sobre a informação. A primeira, desenvolvida por Claude Shannon e Warren Weaver (1964), assume um caráter técnico e quantitativo, tratando a informação como uma medida estatística associada à redução da incerteza na transmissão de sinais entre emissor e receptor. Já a segunda, em oposição, parte de uma perspectiva humanista e subjetivista, valorizando as experiências vividas pelos sujeitos. Inspirada na matriz fenomenológica de Edmund Husserl, entende que a informação só existe quando o conteúdo sensorial se manifesta na consciência e adquire sentido a partir da intencionalidade e interpretação de cada sujeito (Azevedo, 1971).

Por outro lado, a Teoria Sistêmica da Informação (TSI) e a Teoria Crítica da Informação (TCI) ampliam o escopo da compreensão ao situar a informação dentro de contextos sociais, institucionais e históricos. A TSI, entende a informação como parte integrante de sistemas interdependentes, nos quais ocorrem processos de entrada, processamento, saída e retroalimentação (Barbosa; Vieira, 2020). Essa teoria contribui para uma visão funcionalista da informação, destacando seu papel no equilibro social e no funcionamento das instituições. Já a TCI, derivada da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, recusa tanto o tecnicismo da TMI quanto o funcionalismo da TSI. Ela denuncia os vínculos entre informação e poder, chamando atenção para os regimes de exclusão, dominação e desigualdade presentes na sociedade da informação:

O foco em problemas instrumentais e em questões epistemológicas relacionadas ao estabelecimento e ao policiamento de fronteiras entre disciplinas desvia a atenção de questões como: de que forma o poder é exercido nas relações sociais mediadas pela informação; como a dominância sobre a informação é alcançada e mantida por grupos específicos; e como determinadas formas de dominação – especialmente as de raça, classe, sexo e gênero – estão implicadas no exercício do poder sobre a informação (Frohmann, 1995, p. 5, tradução nossa).

Em conjunto, essas quatro teorias evidenciam a complexidade do fenômeno informacional: desde sua dimensão técnica e objetiva (TMI), passando pela subjetividade do sentido (TFI), até a organicidade dos sistemas sociais (TSI) e as relações de poder que permeiam o acesso e o uso da informação (TCI). Cada uma oferece uma lente específica que, quando combinada às demais, possibilita uma compreensão mais ampla, crítica e interdisciplinar da informação na Pós-Modernidade. Considerando os antecedentes históricos e conceituais da CI, bem como as diferentes teorias elaboradas para compreendê-lo, alguns autores propuseram uma leitura paradigmática da área, voltada tanto para o seu desenvolvimento epistemológico quanto para as diversas abordagens teóricas e metodológicas.

A título de exemplo, Rafael Capurro (2003) ilustra o desenvolvimento epistemológico da CI por meio de três paradigmas – “físico”, “cognitivo” e “social” –, os quais refletem distintas maneiras de compreender o fenômeno informacional ao decorrer das últimas décadas. O primeiro está ligado a dimensão técnico-objetiva da informação, focada no tratamento e na transmissão dos dados; o segundo valoriza o papel do sujeito cognoscente na construção do sentido na apreensão e disseminação da informação; e o terceiro introduz uma visão crítica, preocupada com as implicações éticas, sociais e políticas da informação na sociedade.

De outro modo, Armando Malheiro e Fernanda Ribeiro (2011) propõem os paradigmas “custodial” e “pós-custodial” como marcos teóricos capazes de explicar as transformações históricas e sociais que moldaram as práticas informacionais ao decorrer da história. O paradigma custodial representa uma lógica moderna, técnica e patrimonialista, voltada à conservação da memória e do documento, enquanto o pós-custodial surge como resposta às exigências contemporâneas, centrado no sujeito, no acesso e na informação como fenômeno social. Essa mudança de concepção implica também uma reestruturação epistemológica da CI, defendendo sua natureza transdisciplinar e propondo a superação das divisões rígidas entre Biblioteconomia, Arquivística e Documentação, em favor de uma abordagem integrada e sistêmica.

A aproximação entre os paradigmas de Rafael Capurro e os de Armando Malheiro e Fernanda Ribeiro revela pontos de convergência importantes, sobretudo a respeito da crítica ao tecnicismo e à valorização do sujeito e do contexto social na compreensão do fenômeno informacional. Ambos os modelos evidenciam que a informação não deve ser reduzida a fluxos de dados ou processos mecânicos, mas deve ser compreendida como um processo cultural, simbólico e político. Ao integrarmos essas abordagens paradigmáticas com as teorias informacionais que apresentamos acima, percebemos que a CI possui uma base epistemológica crítica e interdisciplinar, permeada por discussões filosóficas relevantes, tanto sobre o seu objeto de estudo quanto sobre a sua própria práxis científica.

A presença recorrente dessas discussões, bem como a aplicação constante de ideias oriundas de distintos campos da Filosofia, possibilitaram, nas últimas décadas, a compreensão de que é necessário o estabelecimento de uma nova disciplina voltada especificamente à investigação dos fundamentos ontológicos, epistemológicos, éticos e políticos da informação. A FI, nesse sentido, surge como um campo teórico fundamental para o aprofundamento dessas reflexões, ao buscar compreender a informação em sua essência conceitual, para além das abordagens técnico-instrumentais ou meramente metodológicas.

3 FILOSOFIA DA INFORMAÇÃO

O surgimento da FI expressa a necessidade de entender as profundas transformações que foram provocadas pelas revoluções tecnológica e informacional nas estruturas sociais, culturais e cognitivas do último século. À medida que a informação assume um papel central na organização da vida contemporânea, emergem novos desafios que ultrapassam as abordagens técnicas tradicionais, demandando uma reflexão crítica acerca do significado, da veracidade e do impacto da informação na construção do conhecimento e das dinâmicas sociais. Assim, essa disciplina busca estabelecer fundamentos teóricos capazes de analisar a complexidade do fenômeno informacional em suas múltiplas dimensões.

De maneira abrangente, a FI se insere como uma área emergente dentro do amplo campo da Filosofia Contemporânea, refletindo a preocupação de certos autores em compreender as transformações epistemológicas e culturais advindas do desenvolvimento tecnológico. Pensadores como Donna Haraway (1995), que explora as relações entre tecnologia, ciência e identidades sociais; Bruno Latour (1995), cujas análises sobre a construção social da ciência e da tecnologia influenciam a compreensão das redes informacionais; e Nilklas Luhmann (2006), que propôs a teoria dos sistemas sociais, fornecendo bases para entender as complexas interações na sociedade atual, contribuem significativamente para esse campo interdisciplinar e crítico.

Em conjunto, esses autores defendem que a informação não pode ser reduzida a dados técnicos ou meramente funcionais, devendo ser compreendida como um processo cultural, social e político, imerso em contextos de interpretação, poder e organização sistêmica. Tal perspectiva insere-se na vanguarda dos desafios epistemológicos que emergem na Sociedade da Informação e exige uma reflexão filosófica tão profunda quanto aquela dedicada, em épocas anteriores, a questões fundamentais – como o Ser, na Antiguidade, Deus, no Medievo, e a episteme, na Modernidade. Afinal, o modo como concebemos a informação molda, hoje, tanto a compreensão que temos do mundo externo quanto a imagem que construímos de nós mesmos, sustentada, sobretudo, pelas nossas relações interpessoais (Ilharco, 2003).

Uma vez compreendido a complexidade do fenômeno informacional, pode-se dizer que a FI se dedica a examinar uma ampla variedade de temas que se ligam em meio as problemáticas contemporâneas emergentes. Seu foco não está nas ferramentas ou processos que sustentam os fluxos informativos, mas nas experiências intersubjetivas que lhes dão fundamentam e os tornam possíveis:

A Filosofia da Informação busca analisar os mais variados assuntos que estejam relacionados à informação. A Filosofia da Informação se preocupa menos em discutir as ferramentas e as operações que dão suporte à informação do que as relações entre o ser humano e a informação. O ambiente de estudo da Filosofia da Informação é o próprio ambiente do ser humano. Nesse ambiente encontra-se a informação. A realidade humana é que possibilita a constituição da informação e sua veiculação. É nessa realidade que serão analisadas e pensadas as formas de trânsito da informação (Francelin; Pellegatti, 2004, p. 127).

Todavia, apesar de sua importância, a consolidação da FI como campo autônomo de investigação deve-se apenas a um número restrito de estudiosos, que, nas últimas décadas, buscaram estabelecer suas bases conceituais. Entre eles, destaca-se Luciano Floridi, professor de Lógica e Epistemologia da Universidade de Bari e membro do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Oxford. Nessa instituição, o filósofo coordena um grupo de pesquisa dedicado à ética da informação, com o objetivo de ampliar a interface entre Filosofia e Ciência da Computação, articulando-a aos estudos sobre a Sociedade da Informação. Desde o final da década de 1990, seu trabalho tem se dedicado a investigar o impacto das Tecnologias da Informação e do Conhecimento sobre a sociedade, explorando como essas transformações têm remodelado as bases epistemológicas e culturais contemporâneas (Francelin; Pellegatti, 2004).

Luciano Floridi (2011) entende a FI como um campo filosófico emergente, resultado de uma evolução conceitual que ultrapassa os paradigmas iniciais da Filosofia da Inteligência Artificial – área que, embora considerada prematura, abriu caminho para essa nova disciplina. Definida como uma investigação crítica e conceitual dos princípios fundamentais da informação, a FI deve responder à seguinte questão: qual é a natureza da informação? Para o filósofo, portanto, esse campo não deve se limitar às tecnologias, mas incluir a dinâmica, a utilização e o estudo científico da informação em seus aspectos mais basilares, utilizando teorias e métodos computacionais para tratar problemas filosóficos, ao mesmo tempo em que legitima a redução dos problemas complexos a questões puramente informacionais.

Além disso, a FI também deve ser entendida como uma área de pesquisa que investiga as consequências éticas da informação, analisando criticamente como ela é produzida, processada, disseminada e utilizada em diferentes contextos sociais (Floridi, 2004). Essa perspectiva inclui a identificação de dilemas morais no ambiente digital – como a privacidade, a segurança, a transparência e a responsabilidade no uso de dados –, além de buscar projetar soluções teóricas e práticas para tais questões. Nesse sentido, a FI não se limita a um exame teórico, mas se coloca a serviço da formulação de princípios normativos que orientam o desenvolvimento e a aplicação das tecnologias informacionais, consolidando-se como um campo que procura oferecer respostas aos desafios éticos da Sociedade da Informação.

Assim, a partir das questões ontológicas, epistemológicas, éticas e políticas que permeiam o fenômeno informacional, Luciano Floridi (2011) identifica ao menos dezoito problemas centrais possíveis de serem investigados pela FI, os quais, conforme apontam Leonardo Ripoll e José Matos (2021), podem ser classificados em cinco grandes áreas:

a) Análise do conceito de informação, contemplando questões como: O que é informação? Quais são as dinâmicas da informação? É possível uma teoria unificada da informação?

b) Semântica, com questionamentos como: Como os dados adquirem significado? Como um dado com conteúdo adquire o valor de verdadeiro? A informação pode explicar a verdade?

c) Estudos da inteligência, com destaque para perguntas como: As formas de inteligência natural podem ser totalmente implementadas artificialmente de forma satisfatória? A epistemologia pode ser baseada em uma teoria da informação? A ciência é redutível a um modelo informacional?

d) Relações entre a informação e a natureza, sintetizada em indagações como: Qual é o estatuto ontológico da informação? A informação pode ser naturalizada? A natureza pode ser “informacionalizada”?

e) Investigação de valores morais, com o objetivo de responder às seguintes perguntas: A ética referente às Tecnologias da Informação e do Conhecimento tem uma base filosófica? Que dilemas éticos permeiam o fenômeno informacional?

Esse conjunto de problemas destacado por Luciano Floridi evidencia a amplitude e a profundidade da FI como campo filosófico emergente. As investigações sobre o conceito e a dinâmica da informação, por exemplo, não se limitam a definir o objeto principal da disciplina, mas também buscam elucidar como a informação se organiza, circula e adquire sentido. Já a abordagem semântica amplia essa reflexão ao deslocar o foco da informação enquanto dado para a informação como portadora de significado e verdade, trazendo implicações epistemológicas profundas. Por sua vez, no estudo da inteligência, a FI questiona os limites entre o natural e o artificial, bem como a possibilidade de fundamentar a ciência e a epistemologia em termos informacionais.

Além dessas dimensões conceituais e cognitivas, a relação entre informação e natureza amplia o horizonte da reflexão ontológica, sugerindo que a realidade pode ser interpretada sob uma perspectiva informacional. Já a investigação de valores morais evidencia que a ética das Tecnologias da Informação e do Conhecimento deve ser examinada cuidadosamente à luz de princípios e correntes filosóficas, reforçando o caráter normativo e crítico da FI frente aos dilemas éticos da contemporaneidade. Juntas, portanto, essas cinco áreas delineiam uma abordagem integrada, capaz de articular teoria e prática, e de orientar o estudo e a gestão dos fenômenos informacionais, sob uma perspectiva essencialmente filosófica:

Tais indagações definem grande parte do corpus da Filosofia da Informação e sua metodologia de trabalho. Para Floridi, a Filosofia da Informação, entendida como a mais recente philosophia prima, é a nova etapa do processo de semantização do Ser – sua forma mais atualizada e completa de entender o mundo e a sociedade. A origem da Filosofia da Informação, então, engloba os variados contextos presentes no atual paradigma informacional (Ripoll; Matos, 2019, p. 216).

Diante disso, a CI, com sua trajetória histórica, diversidade teórica e múltiplos paradigmas, oferece o campo no qual a FI se insere como disciplina afiliada, possibilitando uma reflexão mais profunda e sistemática sobre os fundamentos conceituais, epistemológicos e éticos da informação. Luciano Floridi (2010) acredita que essa interface permite avanços significativos para a área, pois as investigações filosóficas sobre o fenômeno informacional oferecem uma base conceitual mais sólida e consistente, especialmente no âmbito do paradigma social – que, segundo o autor, encontra ampla aceitação na comunidade acadêmica.

Esa correlação também promoveu, no interior das pesquisas da CI, um alargamento das problemáticas tratadas pela FI, que passou a incluir, em seu escopo investigativo, não apenas o exame do fenômeno informacional, mas também uma reflexão crítica sobre a própria ciência. A FI passou a questionar e analisar os fundamentos conceituais, metodológicos e epistemológicos da área, investigando suas bases conceituais, seus paradigmas e seus modos de produção e circulação do conhecimento. Tal deslocamento amplia o papel da FI, transformando-a em um campo não apenas voltado para a compreensão da natureza e das implicações da informação, mas também para a avaliação das práticas, objetivos e limites da CI enquanto disciplina científica.

Seguindo nessa perspectiva, Rafael Capurro (1986; 2003) propõe que a Filosofia forneça uma fundamentação teórica para a CI, destacando a importância da hermenêutica na compreensão dos fenômenos informacionais. Para o filósofo uruguaio, o método hermenêutico permite analisar a informação não apenas como objeto material, mas considerando seus significados, contextos e impactos sociais, bem como as diferentes interpretações de sujeitos com interesses distintos. Ademais, ele evidencia um trilema que destaca a impossibilidade de se chegar a uma definição única de informação, sugerindo a necessidade de escolhas conceituais claras em pesquisas interdisciplinares:

O Trilema de Capurro, bem como consequentes dificuldades oriundas da busca de uma definição universalmente aceita do termo informação, pode ser assim sintetizado: ao mesmo tempo em que não é possível estabelecer um conceito único para informação em todas as áreas do conhecimento, as diferentes disciplinas científicas buscam conceitos compatíveis a fim de permitir a interdisciplinaridade e o diálogo, o que pode levar à perda de qualidade, a analogias inadequadas e a equívocos (Matheus, 2005, p. 154).

Assim, à semelhança de Luciano Floridi, Rafael Capurro insere nos estudos da FI a investigação sobre a própria prática da CI, examinando seus fundamentos conceituais, metodológicos e epistemológicos, e, com isso, reforça a articulação entre a reflexão filosófica e a disciplina científica. Ambos evidenciam a relevância de submeter a práxis científica a um escrutínio filosófico, demonstrando que, para além do fenômeno informacional, tal reflexão contribui para o aperfeiçoamento de seus conceitos, métodos e teorias. Nesse sentido, retomam uma intuição já presente desde Immanuel Kant (2013; 2014): a ciência não se sustenta apenas na experiência empírica, mas exige a elucidação crítica de suas condições de possibilidade, de seus pressupostos e de seus limites, tarefa que confere solidez e autonomia ao conhecimento científico.

Todavia, ao tratar os debates sobre o fenômeno informacional sob a égide da FI, muitas vezes se acaba misturando – de maneira problemática – a reflexão sobre o próprio fenômeno com a análise da prática científica que o investiga. Essa fusão tende a obscurecer os diferentes níveis de problematização: enquanto a informação demanda uma abordagem que interroga sua natureza, seus sentidos ontológicos, epistemológicos e éticos, a prática da CI exige uma meta-reflexão atenta aos métodos, paradigmas, contextos e pressupostos que a orientam.

Essa mistura também tende a ofuscar as matrizes teóricas que poderiam, de fato, sustentar cada uma das investigações de maneira adequada: enquanto a análise filosófica do fenômeno informacional exige um diálogo interdisciplinar com filósofos e cientistas de diferentes áreas, capazes de explorar suas diferentes dimensões, a reflexão sobre a práxis científica da CI demanda interlocução com os filósofos da ciência que, de forma sistemática, se dedicaram a investigar as condições de possibilidade do conhecimento, suas mediações históricas e os condicionamentos sociais que orientam a produção científica.

Nesse sentido, é imprescindível o estabelecimento da FCI como campo autônomo e distinto da FI, capaz de articular uma investigação crítica sobre a própria prática científica da CI.

4 FILOSOFIA DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

A FCI pode ser definida como um campo de estudos emergente dedicado à análise filosófica da estrutura, dos métodos e dos pressupostos teóricos da CI. Como vimos, diferentemente da FI, que concentra seu objeto na natureza do fenômeno informacional, a FCI volta-se para a reflexão sobre a práxis científica que produz e organiza esse conhecimento. Seu propósito é examinar as teorias, paradigmas, metodologias e condicionamentos históricos e sociais que orientam a CI, estabelecendo um diálogo fundamentado com a tradição da Filosofia da Ciência, que investiga as condições de possibilidade e os valores subjacentes à produção do saber científico.

As interfaces entre a Filosofia da Ciência e a CI podem exercer um papel importante na construção de uma base epistemológica consistente para este campo do conhecimento. De acordo com Marcílio Cruz et al. (2025), pensadores como Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn e Paul Feyerabend fornecem instrumentos conceituais que permitem à CI refletir sobre a sua própria natureza, seus métodos e fundamentos. Tais contribuições filosóficas favorecem a superação dos possíveis impasses epistemológicos, incentivando uma prática científica mais reflexiva, fundamentada e rigorosa.

No caso de Immanuel Kant (2013; 2014), por exemplo, a investigação científica não deve ser compreendida como a busca por uma verdade universal e transcendental, desvinculada da experiência humana. Ao contrário, constitui uma atividade intrinsecamente humana, cujo objetivo é apreender a realidade por meio das categorias e conceitos que a razão emprega para ordenar e interpretar os dados sensoriais provenientes dos fenômenos observáveis. Isso significa que, ao transpor tais ideias para a CI, deve-se “abandonar a pretensão de compreender a essência da informação para lidar com os seus fenômenos, isto é, as múltiplas maneiras como ela se apresentam ao processo de cognição humana” (Cruz et al., 2025, p. 17).

Do mesmo modo, filósofos da ciência, como Karl Popper (1972) e Thomas Kuhn (2011), ao destacarem a importância dos impasses e das anomalias para o avanço do conhecimento, oferecem contribuições significativas para a CI. Karl Popper enfatiza a necessidade de formular hipóteses suscetíveis de refutação, o que reforça uma postura crítica e aberta à revisão constante das teorias informacionais. Thomas Kuhn, por sua vez, demonstra que mudanças paradigmáticas emergem a partir de crises nos modelos vigentes, indicando que a evolução do conhecimento na área também pode depender da identificação de limites, inconsistências ou desafios metodológicos, estimulando a renovação de abordagens e a reflexão sobre pressupostos teóricos fundamentais:

As ideias de Karl Popper e Thomas Kuhn ainda são fundamentais para entender a importância de se esforçar para auxiliar no combate ao ego e a incapacidade de certos pesquisadores em se livrar dos seus ídolos. Isso é fundamental para garantir que a área esteja sempre aberta a novas ideias e perspectivas, e que os conhecimentos produzidos sejam relevantes e úteis para a sociedade. A Ciência da Informação deve se basear em uma abordagem que valorize a humildade e a disposição para aprender e se adaptar, e que rejeite a ideia de que certos indivíduos ou grupos possuem uma verdade absoluta ou uma visão única e correta, considerando-se, e até mesmo se autointitulando, a ‘elite da área’ (Cruz et al., 2025, p. 18-19).

Já o pluralismo epistemológico de Paul Feyerabend (2011), ao questionar a rigidez de métodos únicos e valorizar a diversidade de abordagens na produção do conhecimento, oferece à CI “uma postura científica que evidencie as diferenças entre as teorias e promova uma compreensão horizontal do fenômeno informacional, considerando a informação como objeto cultural, dinâmico e polifônico” (Cruz et al, 2025, p. 19). Essa perspectiva reforça a necessidade de reconhecer múltiplas formas de interpretação e análise, permitindo que a CI se desenvolva de modo mais flexível e sensível às variadas manifestações e contextos da informação.

Esses exemplos mostram como a FCI, ao integrar conceitos e reflexões da Filosofia da Ciência, contribui para uma análise crítica das teorias, paradigmas, metodologias e condicionamentos históricos e sociais que estruturam a CI. Demonstram, ainda, que a investigação sobre a prática científica não exclui a reflexão acerca do fenômeno, mas antes ressalta sua relação de complementaridade. Com efeito, a FI possui um escopo mais amplo, uma vez que o fenômeno informacional precede qualquer práxis científica realizada por um campo de estudo específico; assim, é possível desenvolver pesquisas na FI sem necessariamente recorrer às discussões oriundas da FCI, ao passo que o inverso se mostra consideravelmente mais complexo.

A metodologia da FCI, portanto, deve articular instrumentos de investigação filosófica capazes de iluminar criticamente os fundamentos da CI. Entre esses instrumentos, destacam-se a análise conceitual, voltada a precisão, consistência e alcance dos conceitos fundamentais; a crítica epistemológica, que examina a validade, os limites e a consistência dos métodos empregados; a genealogia histórica, que reconstrói os processos de constituição da CI como campo científico; e a hermenêutica dos discursos científicos, que interpreta os enunciados e narrativas produzidos pela comunidade acadêmica, identificando tensões e pressupostos implícitos.

Essa abordagem metodológica abre espaço para a formulação de um programa de pesquisa filosófica próprio dentro da CI, voltado à consolidação de sua identidade científica, à promoção da autocrítica e ao fomento de diálogos com a tradição da Filosofia da Ciência e com os desafios contemporâneos da Sociedade da Informação. Ademais, possibilita a formulação de uma série de questões filosóficas que podem subsidiar futuras investigações sobre a prática científica na área, tais como:

a) Questões de análise conceitual: Quais noções de “informação” e “conhecimento” estruturam as teorias da CI? Como se distinguem conceitos próximos, como “dado”, “informação” e “conhecimento”, e de que forma essas distinções influenciam os modelos teóricos? Em que medida a definição de “informação” adotada orienta as práticas científicas e tecnológicas da área?

b) Questões de crítica epistemológica: Quais critérios de cientificidade fundamentam a pesquisa em CI? Até que ponto os métodos da CI consideram a intencionalidade, a interpretação e a subjetividade dos sujeitos envolvidos? Em que medida a área equilibra orientações experimentais, empíricas e interpretativas em suas metodologias?

c) Questões de genealogia histórica: Quais mudanças paradigmáticas marcaram a trajetória da CI e como foram justificadas? Em que medida a coexistência de múltiplos paradigmas contribui para o avanço do conhecimento ou gera conflitos conceituais? Quais fatores sociais, econômicos e tecnológicos influenciaram a emergência da CI como disciplina autônoma? Como a área respondeu, historicamente, às demandas por democratização do conhecimento e redução das desigualdades informacionais?

d) Questões de hermenêutica dos discursos científicos: Em que medida as teorias da CI refletem uma visão instrumental-positivista ou crítico-historicista da práxis científica? Como essas teorias lidam com a complexidade, a incerteza e os limites da observação empírica? De que forma incorporam ou negligenciam dimensões éticas, sociais e políticas da informação? É possível propor uma teoria unificada da informação que abarque suas dimensões técnica, cognitiva, social e crítica?

As questões de análise conceitual, crítica epistemológica, genealogia histórica e hermenêutica dos discursos científicos demonstram a amplitude e a profundidade do papel da FCI na reflexão sobre a CI. Ao problematizar conceitos centrais como “dado”, “informação” e “conhecimento”, a análise conceitual permite identificar como essas noções estruturam as teorias da área e orientam suas práticas científicas. A crítica epistemológica, por sua vez, oferece ferramentas para avaliar a validade, a confiabilidade e a adequação dos métodos de investigação, considerando não apenas critérios técnicos, mas também a intencionalidade, a interpretação e a subjetividade envolvidas.

Do mesmo modo, a genealogia histórica possibilita compreender a evolução paradigmática da CI, os fatores sociais, econômicos e tecnológicos que moldaram sua emergência como disciplina autônoma, bem como os desafios e tensões decorrentes da coexistência de múltiplos paradigmas. Por fim, a hermenêutica dos discursos científicos promove uma leitura crítica das teorias produzidas, permitindo identificar visões predominantes, limitações, incorporação ou omissão de dimensões éticas e sociais, bem como a possibilidade de integração entre diferentes perspectivas científicas.

Assim, essas questões fortalecem a capacidade da FCI de oferecer uma reflexão crítica, sistemática e fundamentada sobre a CI, consolidando seu papel como campo filosófico essencial para a compreensão e desenvolvimento da área.

 

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A reflexão desenvolvida ao longo deste artigo buscou distinguir conceitualmente a FI e a FCI, a fim de evitar sobreposições que comprometam a clareza e a precisão das análises. Enquanto a primeira se volta para as dimensões ontológicas, epistemológicas, éticas e políticas do fenômeno informacional, a segunda direciona-se ao exame crítico da práxis científica da CI, considerando sua estrutura, métodos e pressupostos teóricos. Essa diferenciação revela-se fundamental para consolidar um arcabouço epistemológico e assegurar a autonomia de cada campo.

Ao mapear o percurso histórico e epistemológico da CI, constatou-se que a área busca se consolidar como um campo interdisciplinar, atento às transformações sociais, políticas e tecnológicas da Pós-Modernidade. Nesse processo, o diálogo com a Filosofia mostra-se imprescindível, pois permite problematizar tanto os conceitos, teorias e paradigmas sobre a informação quanto as práticas científicas que estruturam a área. Dessa forma, a FI e a FCI configuram-se como disciplinas distintas, porém complementares, capazes de ampliar o horizonte crítico da CI, fortalecendo sua identidade epistemológica e a consistência de sua produção teórica.

No âmbito da FI, destaca-se a contribuição de Luciano Floridi, que identificou problemas fundamentais e estruturou um programa filosófico consistente voltado à análise conceitual e ética da informação. Em perspectiva complementar, as críticas de Rafael Capurro ressaltam a importância de incorporar abordagens hermenêuticas, reconhecendo a historicidade e a multiplicidade de interpretações do fenômeno informacional. Conjuntamente, essas contribuições evidenciam que a FI é essencial para o desenvolvimento de uma compreensão crítica e abrangente da informação, sobretudo diante das transformações impulsionadas pelas tecnologias digitais e pela sociedade em rede.

No que se refere à FCI, a interlocução com filósofos da ciência como Immanuel Kant, Karl Popper, Thomas Kuhn e Paul Feyerabend mostra-se valiosa para fundamentar uma análise rigorosa da CI enquanto disciplina. Ao reconhecer a historicidade dos paradigmas, a relevância da refutabilidade e a diversidade epistemológica, evidencia-se que a área deve permanecer aberta à crítica e à inovação, evitando dogmatismos e preservando o espírito científico. Dessa forma, a FCI revela-se como um campo estratégico para avaliar sistematicamente as práticas, métodos e pressupostos que orientam a produção do conhecimento em informação.

Os resultados desta investigação indicam, portanto, que a distinção entre FI e FCI contribui para delimitar com maior clareza os objetos e métodos de cada campo, fortalecendo a consolidação da CI. Além disso, ao reconhecer a complementaridade entre essas esferas, abre-se caminho para reflexões filosóficas mais robustas, capazes de abarcar tanto a natureza e os sentidos do fenômeno informacional quanto as condições de validade e legitimidade da ciência que o investiga.

A FCI contribui para a formulação de questões fundamentais que orientam a investigação científica da CI, organizadas segundo quatro eixos metodológicos: análise conceitual, crítica epistemológica, genealogia histórica e hermenêutica dos discursos científicos. Ao promover uma reflexão sobre essas questões, a FCI permite elucidar mais profundamente a práxis científica, identificando limitações, tensões e oportunidades de aprimoramento. Isso fortalece tanto a autonomia e a coerência epistemológica da área quanto seu potencial de oferecer respostas críticas aos desafios da Sociedade da Informação.

Por fim, espera-se que pesquisas futuras aprofundem a sistematização da FCI enquanto campo autônomo, consolidando sua interface com a FI e com outras disciplinas filosóficas e científicas. Entre as linhas de investigação possíveis, destacam-se a análise das implicações sociais e políticas dos paradigmas da CI, o exame crítico de suas metodologias em contextos informacionais diversos e a avaliação da capacidade do campo de incorporar dimensões éticas e reflexivas no desenvolvimento de suas teorias.

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[1] Graduado em Licenciatura em Filosofia e Bacharelado em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Pernambuco. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará. Doutorando em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Pernambuco.