O mundo em desalinho
radicalismo e crise sistêmica em tempos de desinformação, pós-verdade e economia das plataformas
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2025v12ne-7791Palavras-chave:
Desinformação. Crise sistêmica. RadicalismoResumo
No contexto contemporâneo, à primeira vista, a estrutura do fenômeno desinformativo pode parecer estar sendo constituída, em grande parte, em torno de um novo tipo de ordenamento político-ideológico materializado pela ascensão de blocos de extrema-direita, que se organizam em todo o mundo; eles têm utilizado a desinformação e o clima de toxicidade, ódio e acirramento para sustentarem ações e discursos disseminados, sobretudo em redes infodigitais. Desse modo, o mercado das Big Techs e o novo modelo de negócios do capitalismo de plataformas se tornaram dispositivos elementares para o sucesso desse novo ordenamento ideológico como modelo viável de sociabilidade e governança. Por outro lado, defendemos que a estrutura profunda desse fenômeno não pode ser deslocada do processo histórico de desenvolvimento corporativo das mídias e da indústria da informação. Os meios de produção do momento atual do capitalismo são essenciais para que a cosmovisão de mundo ultra-radical imponha suas determinações ideológicas como modelo possível e necessário para diferentes sociedades mundo afora. A extrema-direita tem buscado estabelecer padrões de comportamento social e governança, e, embora, tragam consigo aspectos particulares de acordo com as regionalidades específicas de cada contexto onde surgem, têm em comum, o fato de comungarem com o mesmo movimento antissistêmico e radical que as particulariza. Esse movimento, interdependente a nosso ver, encontra bases nas próprias contradições do capitalismo contemporâneo. Tendo esse contexto como pano de fundo para nossas análises trazemos aqui o conceito de jihadismo desenvolvido pelo cientista político Benjamin Barber (2003), buscando tecer um estudo crítico sobre a relação do capitalismo vigente com os diferentes radicalismos que eclodem no mundo. Outrossim, valemo-nos das considerações da antropóloga Letícia Cesarino (2022) e seu estudo crítico sobre essa nova ordem antissistêmica e suas ameaças a existência democrática no mundo. Concluímos que as imposições do capitalismo global travestido de Globalização, tem contribuído para produzir acirramentos que se constituem como verdadeiros paradoxos entre a promessa de ambiência democrática via consumo e a planificação e padronização imposta por esse imperativo socioeconômico a diferentes regiões, etnias, religiões, culturas e povos ao redor do mundo.
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Referências
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