Colonialidade temporal e exclusão educacional
aceleração social e teoria comunicativa na análise do fechamento de escolas multisseriadas em são lourenço do sul (2018-2020)
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2025v12ne-7793Palavras-chave:
Aceleração social. Teoria comunicativa. Colonialidade temporal. Escolas multisseriadas. Exclusão educacionalResumo
Este trabalho investiga as relações entre aceleração social e processos de exclusão educacional através do diálogo entre as teorias de Hartmut Rosa e Jürgen Habermas, analisando o fechamento de escolas multisseriadas como expressão de uma colonialidade temporal. A pesquisa parte da hipótese de que a aceleração social opera como mecanismo de colonização dos tempos comunitários rurais, impondo ritmos urbanos e lógicas instrumentais que corroem tanto as condições comunicativas ideais teorizada por Habermas quanto os espaços de ressonância identificados por Rosa. Enquanto Habermas localiza as patologias sociais nas distorções comunicativas causadas pela colonização sistêmica do mundo da vida, Rosa demonstra como a aceleração social precede e condiciona essas distorções, criando uma temporalidade que impossibilita o diálogo reflexivo e o reconhecimento intersubjetivo. O fechamento das escolas multisseriadas em São Lourenço do Sul (2018-2020) exemplifica essa dinâmica, onde a imposição de critérios de eficiência e padronização — característicos da racionalidade instrumental criticada por ambos os autores — elimina instituições educacionais que operam segundo temporalidades comunitárias e práticas comunicativas locais. A análise documental de políticas públicas e registros administrativos revela como a lógica aceleratória produz uma exclusão informacional que silencia saberes e práticas educativas rurais, configurando uma forma contemporânea de colonialidade que opera através da velocidade e da padronização temporal, resultando na marginalização sistemática de comunidades que não se adequam aos novos ritmos impostos pela modernidade tardia.
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