ARTIGO  
Data de submissão: 24/11/2025 Data de aprovação: 16/06/2026 Data de publicação: 25/06/2026  
ENTRE O DITO E O NÃO DITO, VALE O ESCRITO  
estudo sobre a memória no contexto do futebol alagoano  
Francisca Rosaline Leite Mota1  
Universidade Federal de Alagoas  
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Resumo  
Memória e desinformação são temáticas que nos últimos anos tomaram o centro dos debates em várias áreas do  
conhecimento. A desorganização documental pode contribuir para a desordem informacional. No futebol  
alagoano, essa realidade também se evidencia. A partir de estudos desenvolvidos sobre o percurso histórico do  
Clube de Regatas Brasil (CRB), identificou-se uma lacuna documental relacionada aos primeiros campeonatos  
estaduais alagoanos. Considerando que o Sport Club Penedense foi fundado em 1909 e que já existem registros  
dos tradicionais clássicos entre CRB e CSA desde 1916, o que revelam os documentos históricos acerca das  
competições estaduais alagoanas realizadas antes de 1927? Diante desse contexto, o objetivo geral da pesquisa  
consistiu em estudar, organizar e analisar os registros documentais sob a guarda do Clube de Regatas Brasil (CRB)  
que narram a trajetória do histórico decacampeonato do mais antigo clube de futebol de Maceió, contribuindo para  
a preservação da memória documental, a valorização do patrimônio esportivo e o fortalecimento da história do  
futebol alagoano. O percurso metodológico adotou pesquisa do tipo documental com abordagem qualitativa. Para  
a análise qualitativa tomou-se como um dos textos basilares a concepção filosófica de Lima et al (2024) que  
abordam as questões habermasianas sobre a integridade da informação. Os dados coletados foram analisados a  
partir do conteúdo textual disponibilizado na correspondência de Rivadávia Corrêa Meyer (Presidente da CBD no  
período de 1943 a 1955) para o jornalista esportivo Loris Baena Cunha e no conteúdo dos livros: “A verdadeira  
história do futebol brasileiro” de Loris Baena Cunha; “A história do futebol no Brasil: 1894 a 1950” de Tomas  
Mazzoni. Também foram analisados: o documento produzido pelo Governo do Estado de Alagoas, por meio da  
Secretaria de Educação e Cultura, Fundação Teatro Deodoro (FUNTED) que trata dos Campeonatos de Futebol  
das Ligas em Alagoas e; o levantamento realizado por Saulo Roberto Alencar Guimarães intitulado “evidências  
da existência da prática do futebol em Alagoas – 1918 a 1926”. Os resultados comprovaram o decacampeonato do  
CRB e chamam a atenção para a necessidade de validação dos títulos dos campeonatos estaduais alagoanos no  
período de 1918 a 1926, bem como, para a necessidade da organização documental nos lugares de memória do  
futebol alagoano.  
Palavras-chave: futebol; desinformação; memória; CRB; decacampeonato.  
BETWEEN WHAT IS SAID AND WHAT IS NOT SAID, WHAT IS WRITTEN IS  
WHAT MATTERS  
study on memory within the context of Alagoas football  
Abstract  
Memory and misinformation have recently taken center stage in debates across various fields of knowledge. A  
lack of documentary organization can contribute to informational disorder. This reality is also evident in Alagoas  
football. Studies on the history of Clube de Regatas Brasil (CRB) revealed a documentary gap regarding the early  
Alagoas state championships. Given that Sport Club Penedense was founded in 1909 and records of the traditional  
rivalry matches between CRB and CSA date back to 1916, what do historical documents reveal about the Alagoas  
state competitions held prior to 1927? Against this backdrop, the research aimed to study, organize, and analyze  
the documentary records held by Clube de Regatas Brasil (CRB) that chronicle the historic ten-consecutive-  
championship run of Maceió’s oldest football club, thereby contributing to the preservation of documentary  
memory, the appreciation of sports heritage, and the strengthening of the history of Alagoas football. The  
methodological approach employed documentary research with a qualitative focus. For the qualitative analysis,  
the study drew upon the philosophical framework of Lima et al. (2024), specifically their discussion of  
Habermasian concepts regarding information integrity. The collected data were analyzed based on the textual  
content found in correspondence from Rivadávia Corrêa Meyer (President of the CBD from 1943 to 1955) to  
sports journalist Loris Baena Cunha, as well as in the books A verdadeira história do futebol brasileiroby Loris  
Baena Cunha and A história do futebol no Brasil: 1894 a 1950by Tomas Mazzoni. Also analyzed were a  
document produced by the Government of the State of Alagoas - through the Department of Education and Culture  
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Professora Titular da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 1-15, e-7841, jan./jun. 2026.  
 
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and the Deodoro Theater Foundation (FUNTED) - regarding league football championships in Alagoas, and a  
study by Saulo Roberto Alencar Guimarães titled "Evidence of the practice of football in Alagoas 1918 to 1926."  
The results confirmed CRB's ten consecutive championship wins and highlight the need to validate Alagoas state  
championship titles from the 19181926 period, as well as the need to organize documentation at sites of memory  
related to football in Alagoas.  
Keywords: football; disinformation; memory; CRB; tenth championship.  
ENTRE LO QUE SE DICE Y LO QUE NO SE DICE, LO QUE IMPORTA ES LO  
ESCRITO  
estudio sobre la memoria en el contexto del fútbol de Alagoas  
Resumen  
La memoria y la desinformación han cobrado protagonismo recientemente en debates en diversos campos del  
conocimiento. La falta de organización documental puede contribuir al desorden informativo. Esta realidad  
también es evidente en el fútbol de Alagoas. Estudios sobre la historia del Clube de Regatas Brasil (CRB) han  
revelado una laguna documental con respecto a los primeros campeonatos estatales en Alagoas. Considerando que  
el Sport Club Penedense se fundó en 1909 y que los registros de los clásicos tradicionales entre CRB y CSA datan  
de 1916, ¿qué revelan los documentos históricos sobre las competiciones estatales de Alagoas celebradas antes de  
1927? En este contexto, la investigación tuvo como objetivo estudiar, organizar y analizar los registros  
documentales del Clube de Regatas Brasil (CRB) que documentan la secuencia histórica de diez títulos  
consecutivos del club de fútbol más antiguo de Maceió, contribuyendo así a la preservación de la memoria  
documental, la valoración del patrimonio deportivo y el fortalecimiento de la historia del fútbol de Alagoas. El  
enfoque metodológico empleó la investigación documental con un enfoque cualitativo. Para el análisis cualitativo,  
el estudio se basó en el marco filosófico de Lima et al. (2024), específicamente en la discusión de conceptos  
habermasianos relacionados con la integridad de la información. Los datos recopilados se analizaron a partir del  
contenido textual de la correspondencia enviada por Rivadávia Corrêa Meyer (presidenta de la CBD entre 1943 y  
1955) al periodista deportivo Loris Baena Cunha, así como de las obras A verdadeira história do futebol brasileir”  
(La verdadera historia del fútbol brasileño), de Loris Baena Cunha, y A história do futebol no Brasil: 1894 a  
1950(La historia del fútbol en Brasil: 1894 a 1950), de Tomas Mazzoni. También se analizó un documento  
producido por el Gobierno del Estado de Alagoas a través de la Secretaría de Educación y Cultura y la Fundación  
del Teatro Deodoro (FUNTED)sobre los campeonatos de fútbol en Alagoas, y un estudio de Saulo Roberto  
Alencar Guimarães titulado "Evidencia de la práctica del fútbol en Alagoas 1918 a 1926". Los resultados  
confirmaron los diez títulos consecutivos del CRB y resaltan la necesidad de validar los títulos del campeonato  
estatal de Alagoas de 1918 a 1926, así como la necesidad de organizar la documentación en los lugares de memoria  
asociados al fútbol de Alagoas.  
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Palabras clave: fútbol; desinformación; memoria; CRB; décimo campeonato.  
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1 INTRODUÇÃO  
A memória documental pode ser considerada um dos principais instrumentos para a  
preservação da história, da identidade e do patrimônio cultural de uma sociedade. No contexto  
esportivo, os documentos produzidos por clubes, federações, jornais e demais instituições  
representam importantes fontes de informação para a reconstrução da trajetória do futebol,  
permitindo compreender processos históricos, sociais e culturais que marcaram diferentes  
épocas. Contudo, a ausência, dispersão ou fragilidade desses registros ainda é um desafio para  
a preservação da memória esportiva brasileira e pode propagar a desinformação.  
A desinformação é uma temática que nos últimos anos tomou o centro dos debates em  
várias áreas do conhecimento, sobretudo nas esferas econômica e política. O expressivo  
aumento no interesse da desinformação é justificado pelas repercussões cada vez mais nocivas  
e em larga escala com que o fenômeno assola a sociedade contemporânea.  
Entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a United  
Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Unesco) entendem a importância  
de um olhar cuidadoso para os estudos da desinformação e apontam para o combate da  
desordem informacional cada vez mais presente no cotidiano das pessoas e das instituições.  
Ávila Araújo (2024, p.3) afirma que “desde 2023, a ideia de “integridade da informação” vem  
sendo proposta pelo G20 (o grupo das vinte maiores economias do mundo) e pela ONU (a  
Organização das Nações Unidas), como forma de se ter uma agenda positiva de ações no  
enfrentamento à desinformação”. Combater a desinformação passa a ser uma bandeira hasteada  
por organismos internacionais, governo, imprensa e entidades dos mais diversos segmentos. No  
contexto da maior paixão nacional, o futebol, não pode ser diferente.  
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Conforme Bellos (2002), o futebol, esporte mais praticado no mundo, chegou ao Brasil  
em 1894. Inicialmente considerado como um esporte violento, logo se transformou em um  
grande sucesso.  
Within decades it was the strongest symbol of Brazilian identity. The national team,  
as we all know, has also produced Pelé, the greatest player of all time. More than that,  
Brazilians invented a flamboyant, thrilling and graceful style that has set an  
unattainable benchmark for the rest of the world. Britons call it the "beautiful game".  
Brazilians call it "futebol-arte", or art-football. Whichever term you choose, nothing  
in international sport has quite the same allure. (Bellos, 2002, p.1).  
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Em poucas décadas, tornou-se o símbolo mais forte da identidade brasileira. A seleção nacional, como todos  
sabemos, também revelou Pelé, o maior jogador de todos os tempos. Mais do que isso, os brasileiros inventaram  
um estilo vistoso, emocionante e elegante que estabeleceu um padrão inatingível para o resto do mundo. Os  
britânicos o chamam de "o jogo bonito". Os brasileiros o chamam de "futebol-arte". Seja qual for o termo  
escolhido, nada no esporte internacional possui o mesmo fascínio. (Bellos, 2002, p.1). Tradução nossa.  
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Em Alagoas, o futebol rapidamente conquistou muitos adeptos e hoje, tal qual no Brasil  
como um todo, figura como a principal prática esportiva. Dentre os seus principais clubes,  
destacam-se o Clube de Regatas Brasil (CRB) por ser o mais antigo de Maceió, o Centro  
Sportivo Alagoano (CSA) e a Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA). Em torno dos dois  
primeiros clubes mencionados, gira algumas dúvidas no que se refere ao quantitativo de títulos  
obtidos ao longo de sua trajetória.  
É possível afirmar que existem falhas significativas nos processos de coleta, registro,  
organização, custódia e preservação das informações relacionadas à memória do futebol no  
estado. Partindo do entendimento de que a falta de informação também é desinformação, é  
possível afirmar que gaps informacionais e ausência de arquivos organizados podem contribuir  
para a desinformação no contexto da história do futebol alagoano.  
Especificamente a partir de estudos desenvolvidos sobre desordem documental,  
ausência de lugares de memória consolidados sobre o futebol alagoano e sobre o percurso  
histórico do Clube de Regatas Brasil (CRB) detectou-se um gap informacional que deu origem  
ao seguinte problema de pesquisa: Já que o Penedense nasceu em 1909 e já existem relatos dos  
clássicos das multidões CRBXCSA a partir de 1916, o que dizem os registros históricos sobre  
os campeonatos estaduais alagoanos anteriores ao ano de 1927?  
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No sentido de buscar respostas para o problema elencado, determinou-se como objetivo  
geral: estudar, organizar e analisar os registros documentais sob a guarda do Clube de Regatas  
Brasil (CRB) que narram a trajetória do histórico decacampeonato do mais antigo clube de  
futebol de Maceió, contribuindo para a preservação da memória documental, a valorização do  
patrimônio esportivo e o fortalecimento da história do futebol alagoano. O percurso  
metodológico e os resultados alcançados são apresentados a seguir.  
2 PERCURSO METODOLÓGICO  
A realização de uma pesquisa enseja que se envide todos os esforços para garantir o  
rigor científico. Para tanto, é necessário que o pesquisador dê ciência aos seus pares e ao leitor  
sobre os passos dados para a obtenção e análise dos dados. Nesta seção, apresentamos o  
percurso metodológico da pesquisa que originou o presente artigo.  
2. 1 TIPO E ABORDAGEM DA PESQUISA  
A pesquisa é do tipo documental e possui abordagem qualitativa. Severino (2007, p.121)  
diz que na pesquisa documental “tem-se como fonte documentos no sentido amplo, não só de  
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documentos impressos, mas sobretudo de outros tipos de documentos, tais como jornais, fotos,  
filmes, gravações, documentos legais”. A abordagem da pesquisa utiliza o método qualitativo  
que, conforme Creswell (2010, p.206), “emprega diferentes concepções filosóficas; estratégias  
de investigação; e métodos de coleta, análise e interpretação de dados”.  
Neste sentido, tomou-se como um dos textos basilares a concepção filosófica de Lima  
et al (2024, p.3) que abordam as questões habermasianas sobre a integridade da informação e  
destacam que Habermas “desenvolve a sua teoria do Discurso, onde estabelece que a interação  
pela linguagem está orientada para o entendimento, e que os conflitos podem ser superados pela  
argumentação”. Os autores acreditam que “A construção da Informação depende de acordos  
intersubjetivos teóricos e práticos com sinceridade e honestidade. A veracidade objetiva  
depende do confronto do conteúdo dos acordos intersubjetivos com os fatos”. (Lima et al, 2024,  
p.11). Este também é o entendimento desta pesquisa.  
Para as estratégias de investigação recorreu-se como fontes documentais livros sobre a  
história do futebol em Alagoas e no Brasil, bem como, artigos publicados em jornais de  
circulação local. Tais jornais encontram-se disponíveis no acervo do Arquivo Público de  
Alagoas (APA).  
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2.2 PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS  
Durante os meses de julho a novembro de 2025, procedeu-se a coleta e a análise dos  
dados contidos nos documentos. Além dos documentos analisados, foi realizado um extenso  
levantamento bibliográfico sobre a temática da desinformação nas bases da BRAPCI e da  
BDTD/IBICT.  
Os dados coletados foram analisados a partir do conteúdo textual disponibilizado na  
correspondência de Rivadávia Corrêa Meyer para o jornalista esportivo Loris Baena Cunha e  
no conteúdo dos livros: “A verdadeira história do futebol brasileiro” do jornalista esportivo  
Loris Baena Cunha; “A história do futebol no Brasil: 1894 a 1950” de Tomas Mazzoni. A cópia  
da correspondência mencionada foi obtida junto a dois pesquisadores que atuam na Sala de  
Pesquisa do CRB. Conforme tais pesquisadores, o documento original encontra-se no Rio de  
Janeiro sob a guarda do filho do jornalista Loris Baena Cunha que faleceu no ano de 2021.  
Também foram analisados: o documento produzido pelo Governo do Estado de Alagoas, por  
meio da Secretaria de Educação e Cultura, Fundação Teatro Deodoro (FUNTED) que trata dos  
Campeonatos de Futebol das Ligas em Alagoas e; o levantamento realizado por Saulo Roberto  
Alencar Guimarães intitulado “evidências da existência da prática do futebol em Alagoas –  
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1918 a 1926. O referido levantamento contém as matérias publicadas nos jornais do estado de  
Alagoas, disponíveis no Arquivo Público de Alagoas (APA).  
3 DESINFORMAÇÃO NO CONTEXTO DO FUTEBOL  
O fenômeno da desinformação está presente em todos os segmentos sociais, desde  
tempos idos até os dias atuais. Portanto, torna-se cada vez mais necessário discutir como a  
desinformação impacta na vida das pessoas e os danos que podem acarretar para a integridade  
da informação. No contexto da maior paixão nacional, a desinformação também se faz presente  
e deve ser combatida. São essas questões tratadas nesta seção.  
3.1 REFLEXÕES INICIAIS SOBRE DESINFORMAÇÃO  
O fenômeno da desinformação ganhou notoriedade, sobretudo, a partir das eleições  
presidenciais dos Estados Unidos da América (EUA) e do Brasil. A pandemia da COVID-19  
também foi cenário para a ampliação do poderio da desinformação em escala global, que gerou,  
segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (2020, p.2), uma infodemia, definida como  
“grande aumento no volume de informações associadas a um assunto específico, que podem se  
multiplicar exponencialmente em pouco tempo, devido a um evento específico”.  
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Santana e Prado (2025) ao citarem Wardle e Derakhshan (2017) elucidam que a  
desinformação é uma das nuances da desordem informacional e ocorre “quando informações  
falsas são conscientemente compartilhadas para causar danos”. Lima et al (2024) afirmam que  
a “desinformação é um fenômeno social que se caracteriza principalmente pela disseminação  
de notícias falsas ou mentiras na esfera pública”. Os autores acrescentam que “quase sempre  
estão associadas a interesses e conflitos políticos, e muitas vezes baseadas na negação de  
conhecimentos científicos”. Schneider (2025, p. 83) diz que:  
A desinformação é aquela informação, total ou parcialmente inverídica, produzida e  
posta em circulação por motivos direta ou indiretamente venais, com claras marcas  
patrimonialistas e reproduzida com frequência pelos mesmos motivos embora  
também frequentemente por uma compreensão corrompida das coisas desprovida de  
má fé -, em benefício de poucos, gerando sofrimento e morte de muitos. (Schneider,  
2025, p.83).  
Algumas áreas do conhecimento científico, notadamente, Ciência da Informação,  
Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia, Arqueologia, Comunicação e História possuem  
grande preocupação com a integridade da informação e buscam proporcionar a disponibilização  
de informações claras, precisas e verdadeiras tomando por base, sobretudo, os registros  
documentais e históricos produzidos ao longo da trajetória humana. Neste sentido, a integridade  
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da informação é condição sine qua non para a realização do trabalho destes profissionais em  
todos os segmentos, seja político, econômico, cultural, educacional e, inclusive esportivo.  
O futebol é o esporte mais popular do mundo e, no Brasil se constitui como a maior  
paixão nacional. E não obstante a sua grande popularidade também ganha dimensões que  
perpassam por nuances que merecem cada vez mais atenção na contemporaneidade, sobretudo  
naquilo que se refere as questões informacionais e a desinformação.  
Azevedo (2025) chama atenção para o fato de que a desinformação e as fake news estão  
cada vez mais presentes no desporto e, em especial no futebol que devido às características  
inerentes a esta paixão, se torna uma área bastante suscetível a propagação de notícias falsas.  
3.2  
DESINFORMAÇÃO, FAKE NEWS E AS CATASTRÓFICAS REPERCUSSÕES NO  
FUTEBOL  
No artigo intitulado “Pós-verdade na comunicação social: fake news no desporto”,  
Guilherme Azevedo destaca que “o mundo desportivo é muito instrumentalizado por agendas  
externas, desde rivalidades, agentes desportivos ou até mesmo grupos políticos podem recorrer  
à desinformação para atingir certos objetivos, exigindo uma reflexão crítica por parte dos  
media, profissionais desportivos e até mesmo aos adeptos”. (Azevedo, 2025, p.3). O autor  
ressalta que é necessário envidar muitos esforços para combater a desinformação e as fake news.  
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As dinâmicas da desinformação apontam para processos muito mais complexos:  
muitas vezes, são informações apenas parcialmente falsas; outras vezes, as  
informações são corretas, mas são atribuídas a outra fonte ou a outro canal; em certos  
casos, divulga-se informação antiga como se fosse atual; algumas vezes, são  
sutilmente distorcidas; e há casos em que há um recorte ou seleção de um conteúdo  
que, tomado isoladamente, altera o seu significado. (Ávila Araújo, 2024, p.3).  
Azevedo (2025) cita que, na contemporaneidade, os principais exemplos de fake news  
no desporto em Portugal estão relacionadas a transferência de jogadores, escândalos e  
polêmicas fabricadas que impactam diretamente na reputação e carreira dos atletas, influencia  
no mercado e em apostas, causa interações tóxicas e divisão entre adeptos.  
Ávila Araújo (2024, p.22) é categórico ao afirmar que a desinformação é “mais do que  
informação falsa, é a ação de enganar ou confundir com um efeito específico, distorcendo para  
alguém a compreensão da realidade”. Daí a necessidade premente de se trabalhar e fortalecer o  
conceito de integridade da informação que, por sua vez, se circunscreve na necessidade de sanar  
os malefícios causados pela desinformação. Entre os conceitos de integridade da informação  
abordados por Ávila Araújo (2024) destaca-se aquele postulado pela Organização das Nações  
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Unidas (ONU) que entende que a informação deve ter confiabilidade, equilíbrio e completude,  
garantindo, desta feita, um ecossistema de informação saudável e sem poluição informacional.  
Em se tratando do futebol, podemos perceber que a desinformação se torna presente em muitos  
aspectos. Cruz Júnior (2023, p.10) alerta para o fato de que:  
A capacidade de “sedução” da desinformação nem sempre se baseia em sua coerência  
lógica ou na consistência de sua argumentação. Não precisamos estar  
inteiramente convencidos da veracidade de uma informação para acreditar nela, o que  
também não significa que ao reproduzi-la tenhamos a intenção consciente de ludibriar  
alguém. Em outras palavras, para que sejamos persuadidos, não é necessário que algo  
seja comprovadamente verdade, apenas que essa mesma informação possa ser  
facilmente acomodada em nosso sistema de crenças.  
É o que os registros históricos mostram ter ocorrido em relação aos títulos dos  
campeonatos estaduais de Alagoas. A desinformação sobre os títulos obtidos pelo CRB nos  
campeonatos estaduais de 1918 a 1926 facilmente se instaurou no sistema de crenças e senso  
comum dos alagoanos, a ponto de perpetuar uma lacuna histórica que causa danos aos  
torcedores e ao time até os dias atuais. A ideologia da desinformação, como bem aponta  
Schneider (2025) é caracterizada, entre outras coisas, pelo negacionismo histórico e  
irracionalismo. E alimentar este tipo de ideologia pode ser considerado catastrófico, não  
somente para aqueles que dedicam todas as suas energias em prol do clube, mas, para toda a  
sociedade. É o que veremos na próxima seção.  
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4 A DESINFORMAÇÃO NA HISTÓRIA DO FUTEBOL EM ALAGOAS  
Para falar da história do futebol alagoano é necessário recorrer a inúmeros registros  
documentais que trazem com precisão os acontecimentos que marcaram o percurso dos  
principais clubes do desporto. A paixão, os conflitos, a rivalidade, os clássicos que enebriam as  
torcidas e reúnem multidões marcam a história do esporte mais apreciado no estado, no Brasil  
e no mundo. É também necessário falar de silêncio e desinformação que provocaram gaps  
históricos que precisam ser sanados.  
4.1 O NASCIMENTO DE UMA PAIXÃO: OS PRIMEIROS CLUBES DE FUTEBOL  
ALAGOANOS  
Conforme Sampaio (1943), a paixão pelo futebol em Alagoas nasceu em 1908, já sendo  
praticado na Cidade de Penedo. Em 1912 foi criado Clube de Regatas Brasil (CRB). No ano  
seguinte, em 1913, foi criado do Centro Sportivo Alagoano (CSA). Em 1916 surgiam o Ipiranga  
Futebol Clube e o Brasil Futebol Clube. Em 1917, surgiram o Paulista Futebol Clube, Eneas  
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Campelo Futebol Clube e o Eleven Nacional. Em 1921, formou-se o Esporte Clube Barroso.  
Em 1923, o Tiradentes Esporte Clube. Em 1924, o Municipal Esporte Clube. Em 1926 foi  
fundado o Vasco da Gama Futebol Clube. Em 1931, o Santa Cruz Futebol Clube. Em 1932, o  
Nordeste Atlético Clube. Em 1934, o Esporte Clube Maceió. Em 1938, o Comércio Esporte  
Clube. Em 1939, o Andaraí Futebol Clube. Em 1940, o Oceano Esporte Clube. Daquele ano até  
os dias atuais, muitos destes times se desfizeram e outros foram criados, a exemplo da  
Agremiação Sportiva Arapiraquense (ASA) em 1952. O ASA junto com o CRB e CSA formam  
a chamada “sopa de letrinhas”, que se refere principalmente a esses três times e se constituem  
como os principais destaques do futebol no estado. Destaca-se que a rivalidade secular se centra  
no clássico CRB X CSA.  
A trajetória da maior instituição representativa do futebol em Alagoas, teve início em  
14 de março de 1927, tendo sido marcada pela criação da Coligação Esportiva Alagoana (CEA).  
Em 1934 passou a ser denominada Federação Alagoana de Desporto (FAD) e, em 1991 houve  
uma mudança do nome e a FAD tornou-se a Federação Alagoana de Futebol (FAF). A FAF é  
associada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que, por sua vez, está ligada à Federação  
Internacional de Futebol (FIFA). Hoje, conforme informações disponibilizadas no site da  
instituição3, a FAF conta com 24 times profissionais, 17 times amadores e 20 clubes amadores  
vinculados. Mas, no decurso de sua trajetória poucos foram os esforços de sistematização das  
informações e organização dos seus documentos.  
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A história do futebol alagoano conta com poucos registros históricos. Tal fato não  
decorre pela falta de paixão pelo esporte, mas, pela falta de zelo por tais registros. Almeida e  
Moraes (2013) ao organizarem o livro “História, sociedade e futebol em Alagoas: homenagem  
à pesquisa pioneira de Renato Sampaio” esclarecem que “é difícil contar uma história fiel e  
detalhada, porque, com o passar dos anos, tudo foi desleixado. Ficaram alguns documentos. Os  
clubes não organizaram seus arquivos. Poucos são os desportistas que possuem alguma coisa e  
a própria entidade é o que há de mais pobre nesse particular”. (Almeida e Moraes, 2013, p.13).  
O primeiro livro sobre o futebol em Alagoas foi escrito por Renato Sampaio no ano de  
1943 e intitulava-se “À margem do futebol” e foi reproduzido na integra por Almeida e Moraes  
(2013) como forma de homenagear o autor. Na obra Sampaio faz uma “Advertência” e enfatiza  
que:  
Um fato bem lamentável, também, foi o histórico da Federação Alagoana de  
Desportos. Devido ao desmoronamento do seu arquivo, não me foi possível conseguir  
dados necessários à descrição de sua vida. Por isso, quando me referi à vida da  
entidade máxima de nossos desportos, o fiz contando apenas o trabalho proveitoso  
3 https://www.futeboldealagoas.net/novo/clubes  
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dos seus melhores dirigentes e os fatos que mais expressão tiveram na vida desportiva  
de Alagoas. (Sampaio, 1943).  
No capítulo no qual Sampaio (1943) se dedica a falar da Federação Alagoana de  
Desportos (FAD), o autor novamente enfatiza a surpresa e denota certa indignação em seu texto  
ao afirmar que:  
Pode parecer estranho ao leitor o fato de uma entidade desportiva como a nossa FAD,  
cercada de amplos poderes, não possuir um arquivo organizado, e tampouco dados  
que orientem os estudiosos no assunto, no caso de se querer saber ao certo como surgiu  
a condutora oficial dos desportos de nossa terra e bem assim o decorrer de sua vida.  
Infelizmente, porém, caros leitores, a velha Federação Alagoana de Desportos não  
sabemos de quem é a culpa nada possui de organizado a respeito de sua existência.  
(Sampaio, 1943, p.140).  
No contexto da FAF, com base nos textos de Sampaio (1943) e Almeida e Moraes  
(2013), é possível observar o registro do descaso com a documentação arquivística que pode  
ser considerado um problema seríssimo que causa grande dano à integridade da informação e à  
memória institucional. Com a desordem informacional a confiabilidade, equilíbrio e  
completude não podem ser garantidos.  
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Mesmo tendo sido criada em 1927, compete ou deveria ser de competência da FAF  
dispor das informações relacionadas aos clubes existentes, títulos, campeonatos, medalhas,  
jogadores que marcaram a história. Mas, atualmente muitos desses registros informacionais são  
incompletos ou inexistentes. Este é o cenário ideal para a proliferação da desinformação. E este  
pode ter sido um dos motivos para o desconhecimento acerca dos títulos estaduais obtidos pelo  
Clube de Regatas Brasil (CRB) no decorrer de seu percurso histórico. É o que veremos na  
subseção a seguir.  
4.2 A DESINFORMAÇÃO SOBRE O CLUBE DE REGATAS BRASIL, OS  
CAMPEONATOS ESTADUAIS E O GAP HISTÓRICO  
A partir dos dados obtidos na correspondência de Rivadávia Corrêa Meyer para Loris  
Baena Cunha, datada de 20 de março de 1951, na qual foi anexada a lista dos “Campeões  
Estaduais de Futebol do Brasil de 1902 a 1950”, foi possível constatar que no estado de Alagoas,  
o CRB, possui um total de 9 títulos consecutivos entre os anos de 1918 e 1926.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 1-15, e-7841, jan./jun. 2026.  
ARTIGO  
Figura 1 Correspondência entre Rivadávia Corrêa Meyer e Loris Baena Cunha  
Fonte: Acervo pessoal de Loris Baena Cunha.  
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Loris Baena Cunha, registra na página 67 de seu livro a vitória do CRB, em 1918. Na  
página 70, o bicampeonato do CRB no ano de 1919. Na página 75, a vitória do CRB em 1920.  
Na página 78, o tetracampeonato do CRB no ano de 1921. Na página 80, tem-se o registro do  
pentacampeonato do CRB no ano de 1922. Na página 86, o hexacampeonato no ano de 1923.  
Na página 87 há o registro de que o CRB continuava o seu reinado e levantava o septa em 1924.  
Na página 89, mais uma vitória do CRB que conquista o octacampeonato em 1925. Na página  
93, é dito que o CRB continuava imbatível e conquistava no ano de 1926 o nono título  
consecutivo. E na página 95 de seu livro, Loris Baena Cunha afirma que, no ano de 1927, o  
CRB chegava ao decacampeonato.  
Tais títulos até os dias atuais não foram validados pela instituição máxima da  
representatividade do esporte no estado, a FAF. Contudo, já o foram pela antiga CBD, atual  
CBF no ano de 1951 quando da referida correspondência emitida por Rivadávia Corrêa Meyer  
para Loris Baena Cunha, tendo como signatário do anexo o 1º Secretário da CBD, Sr. Manuel  
Furtado de Oliveira, onde consta o registro de todas as vitórias do clube.  
No livro de Mazzoni (1950, p.174) tem-se que a FIFA deu filiação a CBD que em 1923  
já contava a Coligação Esportiva de Alagoas como filiada. Outro documento consultado foi  
emitido pelo Governo do Estado de Alagoas, por meio da Secretaria de Educação e Cultura,  
Fundação Teatro Deodoro (FUNTED), que reconhece que de 1918 a 1926 houve Campeonatos  
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de Futebol das Ligas em Alagoas. Nas 40 páginas que compõem o documento, existem registros  
de que o CRB foi campeão de todas as competições estaduais nos referidos anos.  
O documento emitido pelo Governo do Estado de Alagoas (1983) registra uma  
passagem importante da história da saúde pública: o surto da gripe espanhola. Conforme o  
documento citado, aquela época o CRB permaneceu comparecendo a todas as competições,  
mas, os seus adversários desistiram do campeonato, restando a vitória por WalkOver (WO) do  
CRB frente aos demais no ano de 1918. No ano de 1920 novamente o CRB foi campeão por  
WO, visto que os outros clubes desistiram de competir. O documento do Governo do Estado de  
Alagoas registra a vitória do CRB e afirma que o adversário CSA desistiu do campeonato  
devido a divergências com dirigentes da Liga Alagoana de Desportos (LDA).  
Os registros documentais analisados apontam para o fato de que além dos 9 títulos  
estaduais obtidos pelo CRB até 1926, no ano de 1927 o clube sagra-se decacampeão tendo  
também vencido o estadual. Além do CRB, conforme informações disponíveis no site Quadro  
de Medalhas (2025) e no site oficial da CBF (2025), somente dois times de futebol no Brasil  
conseguiram o feito de serem campeões por 10 vezes consecutivas, são eles, o ABC (1932-  
1941) e o América Mineiro (1916-1925). Vale ressaltar, no entanto, que dos três somente o  
CRB ainda não possui todos os seus títulos estaduais validados. Apenas os títulos obtidos a  
partir de 1927 é que o foram restando o gap de 1918 a 1926.  
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O levantamento feito por Saulo Roberto Alencar Guimarães também aponta para as  
evidências históricas que comprovam a realização dos campeonatos estaduais em Alagoas.  
Guimarães (2023) reuniu um total de 73 matérias publicadas nos principais jornais do estado  
no período de 1918 a 1926.  
Dada a conjuntura econômica e política do estado de Alagoas à época, não é de se  
estranhar que alguns registros da história do desporto tenham se perdido. Em tempos de  
acirradas disputas em que o coronelismo ditava as regras, as competições esportivas também  
eram arenas de disputa entre os donos do poder. Fato notável da história do futebol alagoano é  
marcado pela violência no dia 07 de outubro de 1919, quando os presidentes do CRB e CSA se  
confrontaram, tendo Ismael Accioly sido alvejado com diversos disparos de arma de fogo por  
Osório Gatto, conforme nos conta Almeida e Moraes (2013). A intensa rivalidade existente  
nos anos iniciais de disputa persiste até os dias atuais. Infelizmente, o movimento das torcidas  
organizadas, por vezes, alimenta a agressividade entre os torcedores em ambos os lados. O gap  
informacional, ou seja, a ausência de informações sobre parte da história do futebol alagoana,  
decorre de uma espécie de silenciamento informacional derivado da falta de um olhar cuidadoso  
para a documentação arquivística que versa sobre essa temática e que deveria estar devidamente  
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organizada, seja pelos clubes, seja pelas associações ou federação. Isto pode ter contribuído  
para a não validação dos títulos do CRB e ainda para a perpetuação de algumas polêmicas em  
torno da maior paixão estadual. É possível que o CSA esteja arvorando-se da falsa ideia de que  
é o detentor do maior número de títulos dos campeonatos estaduais, ao passo que o CRB pode  
estar amargando uma injustiça centenária do não reconhecimento.  
Se validados de fato e de direito, o CRB poderá ser declarado o primeiro decacampeão  
do norte-nordeste e um dos três únicos do Brasil a obter dez vitórias consecutivas. Vale destacar  
que, internacionalmente, este feito só foi alcançado pelo Bayern Munique (Alemanha) no  
período de 2013 a 2022. De acordo com o colunista da Uol, Rodolfo Rodrigues (2022), o time  
de Munique “se tornou o primeiro time das cinco grandes ligas nacionais da Europa (Alemanha,  
Espanha, França, Inglaterra e Itália) a ser dez vezes campeão consecutivamente.”  
5 CONCLUSÃO  
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O combate à desinformação se fortalece na medida em que as instituições buscam  
organizar os documentos que produzem e consomem. Essa organização contribui para a  
integridade da informação e promove um ecossistema informacional saudável. Deste modo,  
não obstante a existência do Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa o Dida , Alagoas  
carece da criação de um centro de documentação que congregue os registros que efetivamente  
contribuem para a integridade da informação histórica sobre o futebol no estado.  
Após, quase um século de abandono documental, a atual gestão da FAF sinalizou a  
possibilidade de, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, iniciar um processo de  
organização de seus documentos. Se a iniciativa se concretizar, será um importante passo no  
sentido de assegurar a criação de um lugar de memória que poderá ser consultado pelos  
pesquisadores e amantes do futebol alagoano.  
Por fim, resta concluir, à luz da análise dos dados coletados nos documentos históricos  
pesquisados, que: entre o dito e o não dito, vale o escrito! Os registros documentais acessados,  
consultados e analisados confirmam os títulos obtidos pelo Clube de Regatas Brasil (CRB) nos  
campeonatos estaduais alagoanos que aconteceram no período de 1918 a 1926. Caberá a FAF  
e CBF a validação dos títulos conquistados pelo CRB.  
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