ARTIGO  
Data de submissão: 12/01/2026 Data de aprovação: 05/06/2026 Data de publicação: 05/06/2026  
SENCIÊNCIA EPISTEMOLÓGICA  
um estudo semiótico no campo científico sobre as estruturas, alcances e reflexos  
das imagens simbólicas e estéticas  
Ségio Rodrigues de Santana1  
Faculdade Sucesso  
Eliane Epifane Martins2  
Universidade Federal do Pará  
Annebelle Pena Lima Magalhães Cruz3  
Universidade do Estado do Amapá  
Lília Mara Menezes4  
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte  
Solano Pinto Cordeiro5  
Portal da Universidade Federal do Amazonas.  
______________________________  
Resumo  
É imperativo descortinar em certa medida as imagens simbólicas e estéticas da representação do conhecimento  
científico. Isso implica debruçar sobre a vida mental no campo poliepistemológico, especialmente, focando a  
inteligência através da senciência epistemológica, pois a ciência é um advento dela. A senciência epistemológica  
é o lugar onde se situam a consciência e a autoconsciência frente à capacidade de interseccionar  
sensação/percepção, visão, simbolização/representação, análises, conclusão e a construção dos fatos no campo da  
satisfação e da frustração no tempo e espaço, o que inclui o contexto científico. Assim, como a senciência  
epistemológica pode operar na representação do conhecimento científico quanto às imagens simbólicas, estéticas  
1
Psicólogo, Doutor e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Graduado  
em Psicologia (UFPB), Biblioteconomia e Arquivologia pela Uniasselvi. Docente do curso de Graduação em  
Psicologia da Faculdade Sucesso no polo São Bento/PB.  
2
Doutoranda e Mestra em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Graduada em  
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Atuou como docente no Curso Técnico em  
Biblioteconomia do Instituto de Educação Estadual do Pará (IEEP) e bibliotecária na Companhia de  
Desenvolvimento da Área Metropolitana de Belém/PA (CODEM).  
3
Docente da Universidade do Estado do Amapá (UEAP), Doutora em Educação (ULBRA/RS, 2024). Mestre em  
Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (Centro Universitário UNA/BH/2013). Graduada em  
Psicologia (UNINCOR/MG/2009), Pedagogia (FBN/AM/2023) e Ciências Sociais (ÚNICA, 2024).  
4
Mestra em Letras (PROFLETRAS) pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, é pós-graduada em  
Literatura e Ensino, pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (2011) e graduada em Letras e Artes pela  
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2005). Professora na educação básica e tutora do curso Letras-  
Língua Portuguesa na UERN/UAB.  
5
Técnico em Música pelo Instituto de Ciências das Artes (ICA) da UFPA (2013). Bacharel em Psicologia pelo  
Centro Universitário do Norte (2019). Pós-graduado em Psicologia Educacional e Escolar. Pós-graduado em  
Saúde Coletiva (FAVENI, 2022). E em Psicopedagogia Clínica E Acolhimento Institucional, pela Faculdade  
Boas novas (AM, 2024), Tutoria de Educação a Distância EAD (FBN-2024). Mestrando em Psicologia (UFAM,  
2025).  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 1-21, e-7854, jan./jun. 2026.  
         
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e epistêmicas? Objetivou-se refletir sobre o uso das imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas no campo  
representação do conhecimento. Adotou-se a abordagem qualitativa, que parte da premissa de que as construções  
mentais, no que diz respeito aos significados, precisam ser desveladas e o método semiótico permite alargar as  
capacidades interpretativas à medida que entendem o intérprete, o observador, o sujeito com autonomia. As  
imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas são analogias, metáforas e também palavras esponjas que estão  
inseridas no campo da sensação, percepção e da representação, porém urge a necessidade de localizá-las no campo  
da senciência e da pragmática que promovem a consciência experiente. Esse fluxo fenomenológico trata da  
vigilância poliepistemológica na representação do conhecimento científico de qualquer campo científico quanto  
às estruturas e alcances das imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas.  
Palavras-chave: epistemologia; imagens simbólicas e estéticas; senciência epistemológica; semiótica.  
EPISTEMOLOGICAL SENTIENCE  
a semiotic study in the scientific field on the structures, scope and reflections of symbolic and  
aesthetic images  
Abstract  
It is imperative to reveal to some extent the symbolic and aesthetic images of the representation of scientific  
knowledge. This implies looking at mental life in the poly-epistemological field, especially focusing on  
intelligence through epistemological sentience, since science is an advent of it. Epistemological sentience is the  
place where consciousness and self-consciousness are situated in the face of the capacity to intersect  
sensation/perception, vision, symbolization/representation, analysis, conclusion and construction of facts in the  
field of satisfaction and frustration in time and space, which includes the scientific context. Thus, how can  
epistemological sentience operate in the representation of scientific knowledge in terms of symbolic, aesthetic and  
epistemic images? The aim of this study was to reflect on the use of symbolic, aesthetic and epistemic images in  
the field of knowledge representation. The qualitative approach was adopted, which is based on the premise that  
mental constructions, with regard to meanings, need to be unveiled, and the semiotic method that allows the  
broadening of interpretative capacities as they understand the interpreter, the observer, the subject with autonomy.  
Symbolic, aesthetic and epistemic images are analogies, metaphors and also sponge words that are inserted in the  
field of sensation, perception and representation, but there is an urgent need to locate them in the field of sentience  
and pragmatics that promote experienced consciousness. This phenomenological flow deals with poly-  
epistemological surveillance in the representation of scientific knowledge in any scientific field regarding the  
structures and scope of symbolic, aesthetic and epistemic images.  
2
Keywords: epistemology; symbolic and aesthetic images; epistemological sentience; semiotics.  
SENTENCIA EPISTEMOLÓGICA: un estudio semiótico en el campo científico sobre las  
estructuras, alcances y reflejos de las imágenes simbólicas y estéticas  
Resumen  
Es imperativo desvelar, en cierta medida, las imágenes simbólicas y estéticas de la representación del conocimiento  
científico. Esto implica examinar la vida mental dentro del campo poliepistemológico, centrándose especialmente  
en la inteligencia a través de la sensibilidad epistemológica, ya que la ciencia es un advenimiento de ella. La  
sensibilidad epistemológica es el lugar donde se sitúan la conciencia y la autoconciencia en relación con la  
capacidad de intersectar sensación/percepción, visión, simbolización/representación, análisis, conclusión y  
construcción de hechos en el ámbito de la satisfacción y la frustración en el tiempo y el espacio, que incluye el  
contexto científico. Así pues, ¿cómo puede la sensibilidad epistemológica operar en la representación del  
conocimiento científico respecto a imágenes simbólicas, estéticas y epistémicas? El objetivo fue reflexionar sobre  
el uso de imágenes simbólicas, estéticas y epistémicas en el campo de la representación del conocimiento. Se  
adoptó un enfoque cualitativo, basado en la premisa de que los constructos mentales, en relación con los  
significados, necesitan ser desvelados, y el método semiótico permite la expansión de las capacidades  
interpretativas al comprender al intérprete, al observador y al sujeto con autonomía. Las imágenes simbólicas,  
estéticas y epistémicas son analogías, metáforas y también palabras esponjosas que se insertan en el campo de la  
sensación, la percepción y la representación; sin embargo, existe una necesidad urgente de ubicarlas en el campo  
de la sintiencia y la pragmática que promueven la conciencia experiencial. Esta corriente fenomenológica aborda  
la vigilancia poliepistemológica en la representación del conocimiento científico en cualquier campo científico, en  
relación con las estructuras y el alcance de las imágenes simbólicas, estéticas y epistémicas.  
Palabras clave: epistemología; imágenes simbólicas y estéticas; representación; sensibilidad epistemológica;  
semiótica.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, p. 1-21, e-7854, jan./jun. 2026.  
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1 INTRODUÇÃO  
É fundamental que os pesquisadores descortinem, em alguma forma, as imagens  
mentais, uma vez que elas emergem como representações. Isso pode acontecer por meio da  
postura senciente dos epistemólogos, que observam o que orbita a consciência6 e a  
autoconsciência7 em relação às abstrações e aos pensamentos, os quais, em certo nível, podem  
se constituir em imagens arcaicas e simplistas (Aumont, 1995; Bachelard, 1996).  
Isso implica aprofundar-se na vida mental, ou seja, nas imagens mentais, explorando a  
dimensão mais profunda da cognição e observando como os corpos se entregaram fatalmente  
às experiências vividas no mundo da vida, incluindo o contexto acadêmico. As imagens  
mentais se caracterizam como representações imagéticas, ou seja, uma imagem mental é um  
significante (representante) diferenciado dos significados, como os objetos, experiências, e  
conceito (Gonçalves, 2021).  
Ao explorar o conceito de imagem, Aumont (1995) argumenta que as imagens  
simbólicas, estéticas e epistêmicas, cada uma a seu modo, configuram “um artefato que  
intercede à relação do homem consigo próprio e com o mundo a sua volta, como modo de  
produção de sentido” (Azevedo Netto; Freire; Pereira, 2004, p. 19).  
3
Assim, para Aumont (2012), as imagens simbólicas são ideologicamente sacras e  
atravessam o tempo se tornando imagens estéticas, essas que não produzem dor da reflexão e  
do pensamento, apenas as sensações de felicidade e aceitação. Enquanto as epistêmicas  
expressam conhecimentos e mensagens construídas a partir de um olhar mais apurado  
proveniente da dor da reflexão e do pensamento.  
Naturalmente, essas experiências refletem as cognições e mentalidades no contexto da  
inteligência e, como consequência, influenciam a prática científica nas dimensões  
epistemológica e poliepistemológica. Para Gómez (2000, p. 337), a dimensão  
poliepistemológica se refere ao fazer científico-epistemológico para a compreensão da própria  
ciência, sendo desafiador para qualquer área, e, na Ciência da Informação (CI), o domínio  
poliepistemológico “[...] é desenvolver programas e estratégias de pesquisa articulando os  
modos de conhecimento específicos de cada estrato.”  
Focar a inteligência humana é imperativo, pois, para Bachelard (1996), a ciência se  
configura um advento dela, ou seja, ela é genuinamente humana, e neste sentido atentar e  
6
A capacidade que possibilita o sujeito de estar ‘ciente de si’, de sua psique, de seu corpo e do mundo.  
7
A capacidade do sujeito de reconhecer e entender os próprios sentimentos, pensamentos e os modos de se  
comportar.  
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investigar a vida cognitiva do pesquisador é também um movimento poliepistemológico,  
especialmente, quando versa sobre a produção das imagens obscuras sobre os construtos  
científicos.  
Essa vigilância sobre a inteligência humana implica atentar para os excedentes da mente,  
produzidos no fluxo da sensação e percepção, com vistas à representação, seja ela simbólica,  
estética ou epistêmica, que podem estar negativamente ancorados nos interesses, intenções e  
comodidades dos cientistas. Portanto, o que são imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas e  
como a senciência epistemológica opera sobre elas no campo da representação? O objetivo da  
pesquisa versou sobre a reflexão quanto ao uso das imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas  
no campo representação do conhecimento, e para isso focou no campo científico como locus  
de pesquisa.  
A justificada deste trabalho trata do descortinamento através dimensão cognitiva do  
campo poliepistemológico da CI, como tal, o atravessamento da Psicologia na CI como  
interface epistêmica como contributo para a formação da área (Borko, 1968).  
2 SENCIÊNCIA NA TEORIA DA REPRESENTAÇÃO  
4
Para o descortinamento é preciso mais do que consciência e autoconsciência, deve  
agregar a senciência como um mecanismo epistêmico possível, considerando sua derivação  
para o campo científico, especialmente, na representação do conhecimento científico, pois a  
senciência trata também da visualização do espaço do corpo, e o corpo no espaço (Almada,  
2019).  
Para Ataíde Júnior e Silva (2020), a senciência é a capacidade de sentir e envolve não  
apenas perceber o que se sente, mas também experimentar satisfação e frustração. Os sujeitos  
sencientes possuem consciência e autoconsciência de suas emoções, do ambiente em que estão,  
das pessoas com quem interagem e de como são tratados. Há destaque para a satisfação e  
frustração, pois a senciência envolve prazer, e especialmente a dor, a partir de muitos fatores  
como fome, frio, medo, estresse.  
E, no fluxo dessas experiências, os sujeitos reconhecem seu ambiente, os fenômenos e  
o potencial de ocorrência deles no presente e futuro, pois têm consciência e autoconsciência de  
suas relações, são capazes de distinguir e escolher e elaboram estratégias concretas para lidar  
com isso. Neste sentido, o sujeito tem o potencial de avaliar as ações dos outros em relação a si  
mesmo e a terceiros, de lembrar suas próprias ações e suas consequências, de avaliar riscos e  
de experimentar sentimentos e consciência (Silva; Ataíde Júnior, 2020).  
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No campo científico, a ampliação do conceito de senciência aborda os excedentes em  
processo, destacando a relação entre o que sentimos, percebemos e fazemos para alcançar  
resultados, mas também considerando os resultados imprevistos que surgem. Por exemplo,  
quando o sujeito construiu o avião, por consequência se construiu o acidente aéreo, assim, esse  
último é o excedente.  
A senciência epistemológica é o lugar onde se situam a consciência e a autoconsciência  
frente à capacidade de interseccionar sensação/percepção, visão, simbolização/representação,  
análises, conclusão e a construção dos fatos no campo da satisfação e da frustração no tempo e  
espaço, o que inclui o contexto científico (Santana, et al., 2024).  
Da mesma forma, a senciência deve ser considerada na representação, que se configura  
como um dos pilares da construção cognitiva do conhecimento, pois é precedida pela sensação  
e percepção. A sensação refere-se apenas aos dados captados pelos sentidos, enquanto a  
percepção, como categoria fundamental da semiótica peirceana, envolve a interpretação  
simbólica desses dados (Santaella, 1993; Araújo, 2014).  
O interesse sobre a representação é amplo, e isso inclui vários campos e abordagens,  
assim, não é um construto exclusivo da Ciência da Informação, uma vez que ela é derivada para  
a dimensão da representação temática e representação descritiva. A representação é uma  
unidade mental, resultante do processo de substituição de uma compreensão longa, complexa e  
densa de um fenômeno por uma versão abreviada e simplificada, assim, é uma estratégia  
empregada para integrar na estrutura cognitiva do sujeito unidades analógicas e imagéticas dos  
fenômenos físicos e metafísicos (Novellino, 1996; Thá, 2004).  
5
Como estratégia cognitiva, existem duas maneiras de representar: de forma  
epistemológica, que especifica o fenômeno e suas relações, e de forma ontológica, que limita  
as possibilidades de interpretação do fenômeno dentro de um contexto específico. Assim,  
representar é uma função básica humana, tanto de forma positiva quanto negativa (Alvarenga,  
2003; Job, 2008). Na Representação há dois processos centrais, a ancoragem e objetivação, dois  
fenômenos que os epistemólogos devem pôr em prática através da senciência, pois são as  
dimensões mais profundas da condição humana.  
A ancoragem trata de atribuir nome a algum fenômeno percebido e sentido, pois é o  
processo que atribui sentido ao fenômeno que se apresenta à nossa compreensão, sendo a  
maneira pela qual o conhecimento se enraíza no social e, em seguida, retorna a ele; integrando  
a grade de leitura do mundo do sujeito, o novo objeto é instrumentalizado. Dessa forma, para  
ancorar o novo que era desconhecido, o sujeito recorre ao familiar (Medeiros, 2007).  
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Para Moscovici (2003) fenômenos que não são classificados e que não possuem nomes  
são percebidos como estranhos, inexistentes e, ao mesmo tempo, ameaçadores. Neste sentido,  
a objetivação consiste em descobrir a natureza icônica de uma ideia, ou em ser impreciso; é  
reproduzir essa ideia em uma imagem.  
O processo de objetivação implica em três passos: a informação é descontextualizada,  
posteriormente recortada e recontextualizada conforme o conhecimento prévio do sujeito,  
baseado em suas experiências e valores, formando um conceito que tende a adquirir um aspecto  
imagético, e por fim integra-se ao fluxo de um processo de naturalização. Do mesmo modo, as  
representações podem emergir como imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas, ao mesmo  
tempo em que essas são representações, são fenômenos intimamente ligados, e é preciso ter  
senciência para ver as limitações (Moscovici, 2003; Medeiros, 2007).  
3 IMAGENS SIMBÓLICAS, ESTÉTICAS E EPISTÊMICAS  
Investigar a vida mental do pesquisador é também um movimento epistemológico,  
especialmente, quando trata da produção dos construtos científicos (Santana, 2023) da própria  
área. Essa vigilância acerca de inteligência humana significa atentar para os excedentes da  
mente humana produzidos no fluxo da sensação, percepção e, sobretudo, da representação de  
imagens visuais mentais.  
6
No campo das representações visuais, incluem-se as gravuras, pinturas, desenhos,  
infográficos, fotografias, imagens televisivas, cinematográficas e holográficas. Enquanto o  
campo das representações mentais, esse versa sobre a capacidade de elaboração de imagens na  
mente através de visões, modelos, sonhos, fantasias e imaginações (Dolzan, 2021). Entre as  
representações visuais transitam as imagens e, para Aumont (2012), a imagem não existe  
desolada na estrutura cognitiva, pois ela é a conexão com o real que está estruturada ao valor  
de signo, e nessa relação há três níveis: as imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas, e que  
estruturam e delineiam os processos de reconhecimento e rememoração responsáveis pela  
função do raciocínio e da memória (Carvalho, 1993).  
As imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas pertencem a um mesmo campo  
cognitivo, interseccionando-se em diversos pontos, apesar de apresentarem estruturas distintas.  
(Aumont, 2012; Santana, 2023). Porém, nas imagens simbólicas e estéticas a lógica de Confúcio  
opera, de que uma simples imagem que vale mais que mil palavras, expressão popular e usual  
no ramo do marketing, e na Sociedade do espéculo elas muito mais dimensionadas.  
Para serem consideradas epistêmicas, as imagens devem ser impenetráveis ou, ao  
menos, minimizadas dos valores essenciais e das leis que possam distorcê-las, pois nenhuma  
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teoria científica se resume a uma imagem, ela pode até torná-la simples. Quando visualizamos  
a imagem da teoria da evolução, ela nos permite compreender a teoria em frações de segundo.  
No entanto, essa compreensão instantânea está longe de refletir a complexidade do tempo e  
espaço e condições de pressão que integram a teoria para abarcar o real. No contexto acadêmico  
as imagens sintetizam as características dos fenômenos e tecnofenômenos que as compõem, ou  
seja, elas refletem os aspectos culturais acadêmicos, os contrastes e as continuidades sobre esse  
contexto a partir dos pré-sensores dos cientistas (Descola, 2010).  
Na constituição de um espectador pela imagem e vice-versa, Aumont (2012) delineia  
um conjunto de estruturas que inclui o imaginário, as emoções, a base sociocultural, o real, o  
saber, o tempo, o espaço, dentre outros que podem se relacionar pela abordagem cognitiva,  
psicanalítica, psicofisiológica, Gestalt.  
A abordagem cognitiva se destaca por trabalhar a relação a partir da internalização da  
imagem, por meio da percepção e da significação, enfocando o acúmulo de informações  
adquiridas através das aprendizagens, vivências e experiências, especialmente no contexto  
acadêmico.  
Na imagem simbólica, o valor de símbolo é representado por coisas abstratas  
historicamente, especialmente, de suas primeiras definições, e, mais do que isso, o valor  
simbólico é definido pragmaticamente pela aceitabilidade social dos símbolos representados.  
7
Inicialmente as imagens serviram de símbolos; para ser mais exato, de símbolos  
religiosos, vistos como capazes de dar acesso à esfera do sagrado pela manifestação  
mais ou menos direta de uma presença divina. Sem remontar à pré-história, as  
primeiras esculturas gregas arcaicas eram ídolos, produzidas e veneradas como  
manifestações sensíveis da divindade (mesmo que essa manifestação permaneça  
parcial e incomensurável para a própria divindade). Na verdade são inúmeros os  
exemplos em que a iconografia religiosa, figurativa ou não, é vasta e ainda atual:  
certas imagens representam divindades (Zeus, Buda ou Cristo) e outras têm valor  
quase puramente simbólico (a cruz cristã, a suástica hindu). Os simbolismos não são  
apenas religiosos, e a função simbólica das imagens sobreviveu muito à laicização das  
sociedades ocidentais, quando mais não seja para veicular os novos valores (a  
Democracia, o Progresso, a Liberdade etc) associados às novas formas políticas. Além  
disso, há muitos outros simbolismos que não têm uma área de validade tão importante.  
(Aumont, 2012, p. 80).  
Para Aumont (2012), as imagens simbólicas são carregadas de ideologias sacras, de tal  
modo, no nível personificação, que consiste na atribuição a objetos inanimados ou seres  
irracionais de sentimentos ou ações humanas. Por sua vez, a imagem estética tem o objetivo de  
proporcionar sensações de felicidade, pois:  
O modo estético. A imagem é destinada a agradar seu espectador, a oferecer-lhe  
sensações (aisthésis) específicas. Esse desígnio é sem dúvida também antigo, embora  
seja quase impossível pronunciar-se sobre o que pode ter sido o sentimento estético  
em épocas muito distantes da nossa [...]. Seja como for, essa função da imagem é hoje  
indissociável, ou quase, da noção de arte, a ponto de se confundirem as duas, e a ponto  
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de uma imagem que visa obter um efeito estético poder se fazer passar por imagem  
artística (vide a publicidade, em que essa confusão atinge o auge). (Aumont, 2012, p.  
80).  
A imagem epistêmica expressa conhecimentos e mensagens através do simbólico e do  
estético. As imagens epistêmicas, e sobretudo o descortinamento fenomenológico dos  
cientistas, de tal modo são construtos feitos a partir a vigilância científica, construídas da  
senciência da tríade sentimentos, afetos e emoções do pesquisador quanto ao simbólico e ao  
estético nas construções da pesquisa, o que ele traz com ele que reflete totalmente sobre o objeto  
científico, ou seja, não há minimização.  
O modo epistêmico. A imagem traz informações (visuais) sobre o mundo, que pode  
assim ser conhecido, inclusive em alguns de seus aspectos não-visuais. A natureza  
dessa informação varia (um mapa rodoviário, um cartão postal ilustrado, uma carta de  
baralho, um cartão de banco são imagens cujo valor informativo não é o mesmo), mas  
essa função geral de conhecimento foi também muito cedo atribuída às imagens. Por  
exemplo, ela é encontrada na imensa maioria dos manuscritos iluminados da Idade  
Média, quer ilustrem a Eneida ou o Evangelho, quer sejam coletâneas de pranchas  
botânicas ou de portulanos. Essa função foi consideravelmente desenvolvida e  
ampliada desde o início da era moderna, com o aparecimento de géneros  
“documentários” como a paisagem e o retrato. (Aumont, 2012, p. 80).  
As imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas estão presentes na vida mental dos  
sujeitos, mas para o cientista é preciso ter cuidado, pois, para Bachelard (1996), o realista se  
apropria do fenômeno com entusiasmo, descrevendo-o ou mensurando-o, enquanto o cientista  
se aproxima cautelosamente de um fenômeno inicialmente mal definido, preparando-se para  
medi-lo de acordo com as condições de seu estudo, sua sensibilidade e o alcance das tecnologias  
e técnicas de seu método, desde que sejam coerentes, pois elas estruturam outras. Por fim, o  
cientista descreve o fenômeno (Bachelard, 1996).  
8
Nesse sentido, realistas e cientistas se apropriam e conservam as imagens a partir de  
suas vivências e experiências. Em algum mediada na ciência as imagens simbólicas e estéticas  
podem se definir como são abstrações nebulosas quando elas são estruturadas conforme os  
interesses, intenções e comodidades pessoais dos pesquisadores. As imagens epistêmicas são  
fenômenos mais claros e efetivos para a representação e construção do conhecimento científico  
(Bachelard, 1996; Aumont, 2012; Santana, 2023).  
Assim, para descortinar as imagens estética e simbólica através da senciência  
epistemológica, é preciso fazer um retorno às bases epistêmicas de uma determinada teoria,  
pela autocrítica à psique do pesquisador, pois, tratando-se de um retorno, significa o encontro  
de si mesmo. Retorno à distinção das abstrações nebulosas simbólicas e estéticas para focar as  
abstrações epistemológicas na construção do conhecimento científico (Bachelard, 1996;  
Aumont, 2012).  
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4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS  
Adotou-se a abordagem qualitativa, que parte da premissa de que as construções  
mentais, no que diz respeito aos significados, precisam ser desveladas (Minayo, 2009), pois as  
pesquisas qualitativas também se debruçam sobre os hábitos, a cultura e as relações complexas  
dos contextos científicos e dos cientistas.  
Adotou-se o método semiótico Charles S. Peirce (1977), que está alicerçado à  
fenomenologia, o que permite alargar as capacidades interpretativas à medida que entendem o  
intérprete, o observador, o sujeito com autonomia. O foco da Semiótica é o signo linguístico ou  
não, esse que se caracteriza como uma unidade fundamental e simples, que a priori é sentida e  
percebida de forma imediata. O método de análise semiótica de Peirce (1977) objetiva entender  
os modos de significação, denotação e informação dos sistemas de signos, e como os mesmos  
podem ser utilizados e que efeitos eles podem provocar nos sujeitos receptores.  
O método semiótico pode ser aplicado a um corpus de filmes, propagandas, embalagens,  
anúncios, marcas, música, imagens, arquitetura, literatura, publicidade, vídeos, hipermídia,  
textos literários, obras de arte e sonhos, pelo que se infere que se aplica a outros corpus  
constituídos por imagens mentais, como fantasias, imaginações e devaneios, essas que  
transitam nas estruturas cognitivas dos sujeitos (Barthes, 1964; Santaella, 1993; Araújo, 2014;  
Machado; Lahm, 2015).  
9
Para Aumont (2012), a semiótica, com “[...] sua distinção entre diferentes níveis de  
codificação da imagem, fornece uma primeira resposta a essa questão: em nossa relação com a  
imagem, diversos códigos são mobilizados, alguns quase universais [...]”. Para Santaella  
(2015), não há receitas prontas para aplicar o método semiótico, assim, a criatividade científica  
do pesquisador pode operar através da ética, dos objetivos e objeto como vetores para aplicá-la  
(Reis; Almeida; Ferneda, 2020). Porém, para aplicar a semiótica como método, é necessário  
compreender as tricotomias que definem a natureza do signo, a fim de, posteriormente,  
direcionar o foco do objeto de pesquisa com a adoção desse método.  
Figura 1 Tricotomia de Santaella  
Fonte: Adaptado de Santaella (2015).  
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Como está evidenciado na Figura 1, na concepção de Peirce (1977), há três dimensões  
tricotômicas, classificações que visualizam o signo em relação a si mesmo, que é são: a 1ª  
tricotomia (Figura 1- amarelo); a classificação que configura o signo em relação ao objeto, na  
2ª tricotomia (Figura 1 - vermelho); e o signo situado na relação ao interpretante, que ocorre na  
3ª tricotomia (Figura 1 - azul) (Santaella, 1993, 2012, 2002; Reis; Almeida; Ferneda, 2020).  
No primeiro caso, o signo em relação a si mesmo, ele pode ser uma qualidade, e nessa  
dimensão o sujeito tem a sensação e consciência da existência dos signos, mas não há nenhuma  
referência dele a outras coisas, assim ele se encerra em si mesmo. Por exemplo, a cor amarela  
pode configurar qualquer fenômeno.  
Ainda na 1ª tricotomia, o signo pode emergir como existente. Isso ocorre quando o signo  
apresenta forma particular e individual em sua essência, de tal modo que os processos de  
sensação e percepção operam, um fato externo ou outra coisa, por exemplo, um carro amarelo.  
No terceiro fenômeno que contempla ainda a 1ª tricotomia, o signo pode emergir como  
uma lei. Nessa dimensão o signo é constituído de regras, padrões e abstração, logo, de  
pensamento e aprendizado. Ocorrem a sensação, a percepção e a representação, por exemplo,  
uma placa de trânsito amarela que indica uma “Passagem de nível com barreira” diz algo mais,  
um fenômeno segundo que produz um terceiro elemento (Santaella, 1993; 2012; 2002).  
Quanto à 2ª tricotomia (Figura 1 - vermelho), o signo em relação ao objeto, o signo  
passa a se configurar como um construto em que a definição pode variar, ele pode ser um ícone,  
índice e símbolo. Como ícone ele passa a representar alguma coisa de alguma maneira, por  
exemplo, um ícone do computador; o signo como índice faz uma ligação ao objeto, por  
exemplo, “nuvens escuras” indica a chuva; e o signo como símbolo se relaciona com o objeto  
por uma convenção: a pomba, um pássaro que simboliza a paz (Barthes, 1964; Machado; Lahm,  
2015).  
10  
Na 3ª tricotomia (Figura 1 - azul), que versa sobre o signo em relação ao interpretante,  
destaca-se sobre o rema, discente e o argumento. No rema o signo, para seu interpretante,  
funciona como signo de possibilidades, que pode ou não se provar, por exemplo, “este, isso,  
aquilo”. No discente, por sua vez, representa o objeto em relação à sua existência real, por  
exemplo, “nenhuma bola é quadrada”. O argumento se refere às leis em processamento dos  
signos, e um sistema de signos em que cada um opera através de suas regras, promovendo o  
todo, por exemplo, uma faixa musical, onde a música é um conjunto de signos operando no  
tempo e no espaço.  
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O processo de análise semiótica proposto por Santaella (2015) se divide em três etapas,  
a primeira denominada de Análise do Fundamento do signo (Significante), que consiste na  
senciência das dimensões tricotômicas primeiridade, secundidade e terceiridade.  
A capacidade contemplativa (primeiridade) é capacidade desenvolvida através da  
experiência; a 2) capacidade distintiva (secundidade) se configura na habilidade do pesquisador  
de discriminar e compreender diferenças do fenômeno que está sendo contemplado e atentar  
para determinados aspectos dele; e 3) capacidade de generalização (terceiridade), que versa  
sobre a capacidade de apreender as observações feitas no signo e generalizá-las em categorias  
globais (Reis; Almeida; Ferneda, 2020; Santaella, 1993; 2012; 2002).  
A segunda etapa, intitulada Análise da Referencialidade do Signo, aborda a segunda  
dimensão tricotômica: qualissigno, sinsigno e legissigno.  
Assim, a) diz acerca do Aspecto Qualitativo-Icônico, trata do efeito sugestivo relação  
qualissigno e ícone: análise das qualidades concretas, como as cores, textura, tamanho, etc.,  
como também abstratas, as sofisticações, modernidade, força, robustez, elegância, entre outras.  
Destaca b) o aspecto singular-indicativo na relação sinsigno e índice, em que, nesta  
etapa, o signo passa a ser analisado em função do seu contexto. Algumas informações  
importantes precisam ser identificadas, isso inclui as origens, o ambiente de uso, as funções que  
desempenha e finalidades.  
11  
E, por último, c) o aspecto convencional-simbólico, o efeito representativo na relação  
legissigno e símbolo, e neste devem-se observar a coerência entre as expressividades do signo  
e as expectativas que envolvem o valor cultural e grupal (Reis; Almeida; Ferneda, 2020, p. 20-  
21).  
A terceira e última etapa do método de análise semiótica se intitula Processo  
Interpretativo em Todos os seus Níveis (Interpretante), e diz acerca de compreensão da relação  
com o interpretante em que o signo completa sua ação como signo. Neste processo a senciência  
deve operar de forma mais efetiva. Nesta etapa, a análise dos interpretantes deve ser feita com  
base na leitura cuidadosa tanto dos fundamentos acerca do construto signo, envolvendo os três  
níveis do interpretante: o imediato, o dinâmico e o final.  
O interpretante imediato fica apenas no nível das possibilidades, o dinâmico refere-se  
ao efeito que realmente o signo produz em um intérprete e se subdivide em três níveis:  
emocional, funcional e lógico. Já o interpretante final é aquele que estará sempre no futuro,  
como uma meta a ser alcançada (Reis; Almeida; Ferneda, 2020; Santaella, 1993; Santaella,  
2012; 2002).  
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5 REFLEXÕES A PARTIR DA SENCIÊNCIA EPISTEMOLÓGICA  
As imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas, como mecanismos que intervêm na  
produção de sentidos, emergem no ambiente científico como imagens mentais analógicas,  
metafóricas e flexíveis, interseccionando-se em certa medida.  
Figura 2 Imagens mentais analógicas e metafóricas e esponjosas  
12  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
Para Duit (1991), tanto as analogias (Figura 2, esfera verde) quanto as metáforas (Figura  
2, esfera verde claro) expressam comparações e destacam semelhanças, mas elas fazem isso de  
maneiras diferentes. Bourdieu (1989) e Scatolin (2015) defendem que o campo epistemológico  
reconhece a analogia (Figura 2, verde) como estratégica didática, pois o uso dela versa sobre a  
transposição de sentido, compara explicitamente as estruturas de dois fenômenos; indica  
identidade de partes de estruturas. Como ilustrações de analogias, temos a espiral de  
Ranganathan na Biblioteconomia, a espiral de Nonaka e Takeuchi na Administração, o iceberg  
de Freud na Psicanálise, as três idades da arquivologia, o eclipse no conceito de “conformação  
eclipsada” na Biologia.  
Assim, as analogias são formas de criação do conhecimento, especialmente, para tornar  
o conhecimento tácito em explícito, ou seja, de alguma forma visualizado e compreendido  
(Scatolin, 2015). Isso ocorre porque o conhecimento acadêmico é complexo, o uso da analogia  
e metáfora apropriadas ajuda os cientistas a articularem o conhecimento tácito que é oculto, que  
é difícil de comunicar (Nonaka, Takeuchi, 2008).  
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A metáfora (Figura 2, esfera verde claro) compara implicitamente, assim, destacando  
características ou qualidades relacionais que não coincidem em dois domínios parecidos ou  
distintos, segundo Duit (1991), como a imagem de resiliência, que a Psicologia pediu  
emprestado da Física para dizer que alguns fenômenos mentais e compartimentais se moldam  
como os metais. Porém, ao contrário da metáfora, na analogia é necessário que encontremos  
pontos de semelhança entre as ideias comparadas.  
Tomadas literalmente, as metáforas são claramente falsas, e pode-se dizer que uma  
metáfora aponta algumas diferenças importantes para incitar a mente a procurar semelhanças.  
Analogias e metáforas podem, portanto, ser vistas como polaridades, que em princípio podem  
ser transformadas uma na outra; isto é, as analogias podem ser vistas como metáforas, e as  
metáforas, como analogias (Duit, 1991).  
A palavra esponja (Figura 2, marrom) trata da ideia de quando essa única palavra se  
constitui toda a explicação, pois a função dela é fornecer uma evidência clara e distinta, a tal  
ponto que não se sente a necessidade de explicá-la (Bachelard, 1996). Deste modo, apenas uma  
palavra pode dispensar mil palavras, que podem constituir um argumento e uma justificava.  
Muitas pesquisas usam nos títulos científicos a palavra “A importância de...”, esse é um esforço  
mental reduzido e comum entre os graduandos e/ou de discentes de iniciação científica para  
validar sua pesquisa para si mesmo (no âmbito cognitivo) e científico. Um esforço  
desnecessário, pois os argumentos e a justificava são suficientes, eliminado a possibilidade de  
a palavra “importância” aparecer no título do trabalho.  
13  
No ambiente científico as imagens mentais analógicas, metafóricas e esponjosas têm  
sido empregadas como um processo cognitivo mesmo antes da ciência moderna. Mas, depois  
da primeira metade do século XX, os epistemólogos como Popper, Kuhn e Perelman as  
acolheram, argumentando que o conhecimento científico não poderia apenas ser justificado de  
uma forma empírica, e assim outras estratégias de avaliação poderiam ser empregadas  
(Contenças, 1999). E, desde então, o reconhecimento de que o conhecimento científico não  
podia ser desassociado (Contenças, 1999; Rigolon; Obara, 2010).  
Porém, para os lógicos‐positivistas, em especial, as imagens mentais analógicas e  
metafóricas tinham a função de cumprir somente uma estratégica heurística na construção das  
teorias, na prática comunicativa das novas correntes científicas. As analogias e metáforas  
podem ser partes do discurso científico e da descoberta científica, na função de estratégia  
heurística da elaboração de hipóteses e dos procedimentos de investigação (Contenças, 1999;  
Rigolon; Obara, 2010).  
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Quanto às palavras esponjas, elas também têm a função de cumprir somente uma  
estratégia heurística na construção do conhecimento, mas ela promove o obstáculo verbal  
bachelardiano que se localiza em hábitos da comunicação, assim, este obstáculo leva a  
explicações gerais do fenômeno que podem, de certa maneira, impedir a racionalização  
(Bachelard, 1996).  
Nesse sentido, problematiza-se sobre o uso das imagens simbólicas, estéticas e  
epistêmicas como analogias que são imagens mentais analógicas, metafóricas e esponjosas na  
representação. Não se trata de descredenciar essas estratégias, mas da reavaliação dos seus  
valores, leis e existência, pois, para Contenças (1999), estas são elementos constitutivos das  
teorias científicas que ampliam os conceitos e o vocabulário das teorias e não apenas formas de  
comunicação dos pesquisadores (Contenças, 1999; Rigolon; Obara, 2010).  
Contudo, na segunda metade do século XX, o epistemólogo Bachelard (1996) faz  
grandes provocações e promoção da senciência quanto à forma errada e até mesmo insana do  
seu uso no texto “A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do  
conhecimento”. Para o epistemólogo, “[...] uma ciência que aceita imagens, é mais que qualquer  
outra, vítima das metáforas. Por isso, o espírito científico deve lutar sempre contra as imagens,  
contra as analogias, contra as metáforas [...]” (Bachelard, 1996, p. 48).  
14  
Bachelard (1996) ainda afirma que não se pode confinar com facilidade as metáforas no  
reino da expressão, especialmente, quando elas são simbólicas e estéticas, pois elas têm o  
potencial de seduzir a razão. De tal modo, ele suspende, mas também desqualifica em alguma  
medida o uso delas, rompendo com o uso figurativo de analogias e metáforas quando o objetivo  
delas é atuarem como cópias fiéis dessa realidade. Ele até as configura como imagem esponja,  
o fenômeno que desenha o obstáculo verbal, um dos obstáculos epistemológicos do contexto  
científico, seja ela qual for:  
Aqui, vamos tomar a simples palavra esponja e veremos que ela permite expressar os  
fenômenos mais variados. Os fenômenos são expressados: já parece que foram  
explicados. São reconhecidos: já parece que são conhecidos. Nos fenômenos  
designados pela palavra esponja, o espírito não está sendo iludido por uma potência  
substancial. A função da esponja é de uma evidência clara e distinta, a tal ponto que  
não se sente a necessidade de explicá-la. Ao explicar fenômenos por meio da palavra  
esponja, não se terá a impressão de cair num substancialismo obscuro; também não se  
terá a impressão de fazer teorias, já que se trata de uma função toda experimental. À  
esponja, corresponde portanto um denkmittel do empirismo ingênuo. (Bachelard,  
1996, p. 91).  
Entretanto, apesar da forte objeção ao emprego de analogias na ciência, Andrade,  
Zylbersztajn e Ferraz (2002) argumentam que Bachelard (1996) não se opõe a qualquer uso de  
analogias e metáforas, mas sim àquelas que podem reforçar concepções baseadas na observação  
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empírica, do senso comum, ou quando elas se tornam cópias fiéis da realidade, anteparando a  
apreensão do que se almeja ensinar, assim, reforçando os obstáculos epistemológicos e  
pedagógicos (Andrade; Zylbersztajn; Ferraz, 2002).  
Portanto, a utilização científica da analogia precisa ser passageira, pois, sem a  
transitoriedade, corre‐se o risco de elas serem transformadas em andaimes (analogias) pelo  
vigamento (conceitos científicos). Desta forma, as analogias podem ser tornar um obstáculo  
epistemológico, pois elas impedem os cientistas de avançarem em uma nova teoria e conceitos,  
pois induziriam ao looping8, quando se obtêm as mesmas respostas, pois há sempre retorno a  
uma mesma ideia (Bachelard, 1996; Rigolon; Obara, 2010).  
É na senciência epistemológica que estas três dimensões devem operar na representação  
do conhecimento científico através do alinhamento entre a sensação (Figura 3, laranja),  
percepção (Figura 3, azul) e da representação (Figura 3, amarelo), envolvendo minimização e  
rompimento dos usos, e nessa lógica a senciência é o mecanismo mais adequado para esse  
processo, pois ela sustenta a vigilância poliepistemológica.  
Figura 3 Sintaxe, semântica e pragmática  
15  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
As imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas, logo, como as imagens mentais, devem  
estrategicamente serem configuradas como um signo, como evidencia a Figura 3. Pois, a partir  
da tríade sintaxe (as relações entre os signos), semântica (o que designa ou representa um  
determinado signo), especialmente, da pragmática, como se pode ver na Figura 3, elas versam  
sobre a relação entre os signos e seus intérpretes ou utilizadores ligados aos usos práticos dos  
signos.  
8
repetição infinita  
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Assim, a analogia, como também a metáfora e a palavra esponja como uma unidade  
sentida de forma imediata, percebida de forma mediada, e posteriormente transformada em  
representação, fixa no campo da representação, da pragmática e da senciência, por  
consequência, promovida a “consciência experiente”. Esse fluxo fenomenológico aborda a  
vigilância poliepistemológica na representação do conhecimento científico quanto às estruturas  
e alcances das imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas.  
Nesta pesquisa, a pragmática emerge como estratégia, pois, quando são apresentadas as  
analogias, metáforas e as palavras esponjas, elas já estão estruturadas pela sintaxe e a semântica,  
como demostra a Figura 3. Além, disso já há uma aceitação da comunidade científica específica,  
que faz a manutenção de seu uso sem questionamentos, e a pragmática suspende esses  
fenômenos de aceitação.  
Para Campregher (2019) a pragmática se configura como o estudo da linguagem  
visualizando o uso do contexto e os princípios comunicativos. Para Campregher (2019), essa  
definição é considerada tradicional, porém pode ser alargada epistemologicamente, assim, pode  
acrescentar aos estudos novos elementos. A abordagem do signo por Peirce (1977) se configura  
também pragmatista, pois ele considera a noção de contexto, surgimento e os sentidos das  
analogias destes, como também explica as condições de efeitos práticos, se inserido de lógica  
metodológica sobre a primeiridade, secundidade e terceiridade.  
16  
Assim, a pragmática suspende as imagens mentais analógicas, metafóricas e esponjosas  
através de senciência considerando os fundamentos delas como signos, promovendo a  
capacidade de o pesquisador contemplar, discriminar e compreender as diferenças das imagens  
mentais, como também as generalizações delas.  
Na pragmática as análises da referencialidade das imagens mentais, nos valores, leis e  
existencialidades que as compõem, ocorrem através da senciência e consciência, e no processo  
interpretativo, em todos os seus níveis, versa sobre o interpretante que as imagens mentais  
completam na sua ação como signo. Neste processo, a senciência deve operar de forma mais  
efetiva.  
Assim, é de extrema acuidade que os docentes de pós-graduação incluam nas disciplinas  
a senciência das imagens mentais, fazendo como que os pesquisadores em formação construam  
um olhar vigilante, por duas vertentes, os argumentos e organização das disciplinas “estudos  
teóricos” e “estudos epistemológicos”, que, apesar da relação íntima, são dois núcleos distintos,  
uma é essencialmente descritiva e compreensiva, e a segunda, compreensiva e interpretativa.  
Essa estratégia promove condições de visualizar as imagens mentais analógicas, metafóricas e  
esponjosas como signos pela consciência experiente.  
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Uma vez que não se pode operar sobre a ligação entre senciência e consciência, já que  
a senciência nem sempre é consciente, e a consciência, por sua vez, sempre se associa à  
senciência, o que a torna uma “consciência experiente”.  
Figura 4 Imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas  
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).  
17  
Assim, respondendo uma das problemáticas desta pesquisa, são imagens simbólicas,  
estéticas e epistêmicas, as analogias, metáforas e também palavras esponjas (Figura 4), e elas  
estão inseridas no campo da sensação, percepção e da representação. Como se visualiza na  
Figura 4, há uma relação íntima entre as imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas, pois, em  
um dado momento, há uma imagem simbólica e também estética que já se configurou uma  
imagem epistêmica, e vice-versa.  
Mas, para Bachelard (1996), o espírito científico deve lutar sempre contra as imagens  
mentais, e urge dizer que tais imagens analógicas, metafóricas e esponjosas não ajudam a  
pesquisa científica, assim, deve-se investigar essa transição, pois, quando uma imagem  
epistêmica se conforma como uma imagem simbólica e estética, esse fenômeno produz  
excedentes, e entre eles os obstáculos epistemológicos.  
No campo científico, o alargamento do conceito de senciência versa sobre os  
excedentes em curso, destacando a ideia do que sentimos, percebemos e fazemos para obtermos  
resultados, assim a consciência é experiente para outros resultados que não se cogitam e que de  
maneira inevitável emergem.  
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Suspender neste paper as analogias, metáforas e palavras esponjas como categorias de  
imagens simbólicas, estéticas e epistêmicas é a primeira estratégia para entender esses  
fenômenos, em que a senciência epistemológica emerge como alternativa de avaliação.  
É válido lembrar que suspender essas imagens mentais não trata da intenção de  
desumanizar os cientistas da capacidade imaginativa ou da criatividade científica, pois, antes  
do status de cientista, há a configuração sujeitos/pessoa, e esses construtos contornam também  
a humanidade, é um ato cognitivo inerente à espécie. Suspender é visualizar outro fenômeno,  
que, por sua vez, pode promover a consciência e autoconsciência em vista da vigilância  
poliepistemológica. Assim, esse fluxo mantém a ciência atualizada e revitalizada do seu fazer,  
seja esse fazer tecnológico, seja ele mental.  
É preciso entender que analogias, metáforas e palavras esponjas têm nas suas bases as  
leis que as regem e que foram constituídas em consenso em grupo e no determinado tempo e  
espaço; elas têm os valores, leis de uso, inclusive de uso indiscriminado, como também leis que  
justificam os usos que ainda dão conta de que foram inicialmente pensadas e propostas como  
estratégia epistêmica.  
18  
Elas também têm existencialidades que podem ser somados os aspectos de leis e de  
valores, em que este é o campo que se pode ser aplicado as análises, a reconfiguração e/ou  
rupturas delas imagens matais como mecanismos para representar o conhecimento científico.  
Nesse sentido, suspender, analisar, reconfigurar, significa verificar se as analogias,  
metáforas e palavras esponjas produzem excedentes que impedem os avanços científicos em  
termos do seu campo poliepistemológico. E, no caso de inferência de excedentes  
contraproducentes, a ruptura dessas imagens mentais como mecanismos é um exercício  
epistêmico, que ajuda no progresso científico e na formação contínua do espírito científico.  
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