ARTIGO  
Data de submissão: 13/02/2026 Data de aprovação: 05/06/2026 Data de publicação: 05/06/2026  
A HISTÓRIA PROFUNDA DA INFORMAÇÃO, OU, POR UMA PRÉ-  
HISTÓRIA DA INFORMAÇÃO  
da ação recíproca dos constituintes físicos do mundo à invenção da escrita  
Carlos Robson Souza da Silva1  
Instituto Federal do Ceará  
Willian Felipe de Souza2  
Instituto Federal do Ceará  
Rian de Mendonça Oliveira3  
Instituto Federal do Ceará  
Miguel Morais Silva4  
Instituto Federal do Ceará  
______________________________  
Resumo  
Trata-se de um estudo bibliográfico que se debruça sobre a questão do surgimento da informação na pré-história  
da Humanidade, partindo da seguinte pergunta: como se deu o surgimento dos processos informativos e da  
informação como tal na história profunda da Humanidade? Tem como objetivo geral: traçar uma linha histórica  
acerca da origem e do desenvolvimento da informação na história da Humanidade no período anterior ao  
surgimento da escrita. Utiliza como metodologia da pesquisa o estudo bibliográfico com base em autores de áreas  
do conhecimento como Cibernética (Álvaro Vieira Pinto), Materialismo Histórico-Dialético (Adriano Lopes,  
Gyögy Luckács), Arqueologia Pré-histórica (Walter Neves) e Linguística (Steve Roger Fischer). Discute a origem  
da informação, o surgimento do significado, a relação do trabalho no desenvolvimento do ser social a partir do  
materialismo histórico-dialético e sua implicação na formação da Humanidade como tal, a formação do complexo  
social da linguagem e culmina com a aparição da escrita. Conclui que a história profunda da informação revela o  
fato de que a informação deve ser entendida como resultante de uma complexa série de fatores biológicas e sociais  
que fizeram com que a partir das mudanças genéticas e das necessidades de sobrevivência os seres humanos  
passassem a desenvolver a capacidade de informar e ser informado de maneira consciente e efetiva. Destaca-se  
que se deve dar continuidade aos estudos sobre as relações entre informação e pré-história como parte do próprio  
desenvolvimento da Ciência da Informação e de seus paradigmas.  
Palavras-chave: informação; pré-história; humanidade.  
1
Bibliotecário-documentalista no Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus Cedro, e Doutor em Ciência da  
Informação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).  
2
Estudante do curso de Tecnologia em Mecatrônica Industrial pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus  
Cedro, e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Científico  
do IFCE (PIBITI/IFCE).  
3
Estudante do curso de Bacharelado de Sistemas de Informação do Instituto Federal do Ceará (IFCE), campus  
Cedro, e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica do IFCE (PIBIC/IFCE).  
4
Estudante do curso Técnico em Eletrotécnica integrado ao Ensino Médio pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE),  
campus Cedro, e bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica Junior na modalidade Ações  
Afirmativas do IFCE (PIBIC Jr AF IFCE).  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 1-15, e-7879, jan./jun. 2026.  
       
ARTIGO  
DEEP HISTORY OF INFORMATION, OR, FOR AN INFORMATION PRE-  
HISTORY  
from reciprocal action of the physical constituents of the world to the invention of writing  
Abstract  
This is a bibliographic study that focuses on the emergence of information in the prehistory of humanity, starting  
from the following question: how did the emergence of informational processes and information as such occur in  
the deep history of humanity? Its general objective is to trace a historical line regarding the origin and development  
of information in human history in the period prior to the emergence of writing.. The research methodology uses  
bibliographic study based on authors from areas of knowledge such as Cybernetics (Álvaro Vieira Pinto),  
Historical-Dialectical Materialism (Adriano Lopes, György Lukács), Prehistoric Archaeology (Walter Neves), and  
Linguistics (Steve Roger Fischer). It discusses the origin of information, the emergence of meaning, the  
relationship of labor in the development of the social being from the perspective of historical-dialectical  
materialism and its implication in the formation of humanity as such, the formation of the social complex of  
language, and culminates with the appearance of writing. It concludes that the deep history of information reveals  
the fact that information must be understood as resulting from a complex series of biological and social factors  
that, starting from genetic changes and survival needs, led human beings to develop the capacity to inform and be  
informed in a conscious and effective way. It is highlighted that studies on the relationships between information  
and prehistory should continue as part of the development of Information Science and its paradigms.  
Keywords: information; prehistory; humanity.  
LA HISTORIA PROFUNDA DE LA INFORMACIÓN, OR, POR UNA PRE-  
HISTORIA DE LA INFORMACIÓN  
de la acción recíproca de los constituyentes físicos del mundo a la invención de la escritura  
Resúmen  
Este es un estudio bibliográfico que se centra en el surgimiento de la información en la prehistoria de la humanidad,  
a partir de la siguiente pregunta: ¿cómo ocurrió el surgimiento de los procesos informativos y la información como  
tal en la historia profunda de la humanidad? Su objetivo general es trazar una línea histórica sobre el origen y  
desarrollo de la información en la historia humana en el período anterior al surgimiento de la escritura.. La  
metodología de investigación utiliza el estudio bibliográfico basado en autores de áreas de conocimiento como la  
cibernética (Álvaro Vieira Pinto), el materialismo histórico-dialéctico (Adriano Lopes, György Lukács), la  
arqueología prehistórica (Walter Neves) y la lingüística (Steve Roger Fischer). Discute el origen de la información,  
el surgimiento del significado, la relación del trabajo en el desarrollo del ser social desde la perspectiva del  
materialismo histórico-dialéctico y su implicación en la formación de la humanidad como tal, la formación del  
complejo social del lenguaje, y culmina con la aparición de la escritura. Se concluye que la historia profunda de la  
información revela que esta debe entenderse como resultado de una compleja serie de factores biológicos y sociales  
que, a partir de cambios genéticos y necesidades de supervivencia, llevaron a los seres humanos a desarrollar la  
capacidad de informar y estar informados de forma consciente y eficaz. Se destaca la necesidad de continuar los  
estudios sobre las relaciones entre la información y la prehistoria como parte del desarrollo de las Ciencias de la  
Información y sus paradigmas.  
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Palabras clave: información; prehistoria; humanidade.  
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1 INTRODUÇÃO  
A informação é inerente ao ser humano e está presente em todas as fases de sua história.  
A Ciência da Informação, por outro lado, é uma ciência recente, ainda jovem, que vem se  
dedicando a compreender a informação, suas características, os processos a ela relacionados e  
os fenômenos que a circundam desde pelo menos metade do século passado. De acordo com  
Borko (1968) são as propriedades, o comportamento, as forças, os fluxos, os significados, o  
acesso e o uso da informação que se constituem como os principais interesses de pesquisa da  
área.  
Dessa forma, apesar de tão antiga quanto a Humanidade a informação só assume lugar  
central nos estudos de uma ciência específica com a chamada “explosão informacional”  
experienciada após a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, mas principalmente  
com os avanços em informática, microeletrônica e telemática vivenciados na década de 1970  
que deram origem a novas formas de lidar com a informação nos anos seguintes, com os  
aparelhos eletrônicos e digitais e, mais especificamente, a Internet (Freire; Freire, 2015).  
Tendo esse panorama como pano de fundo, os estudos informacionais passaram a se  
revelar essenciais para a Humanidade, sendo possível até mesmo historicizá-los utilizando-se  
de paradigmas. Silva (2009), por exemplo, divide a história dos estudos informacionais em dois:  
um custodial e patrimonialista, baseada no chamado lócus profissional (Arquivos, Bibliotecas,  
Centros de Documentação, Museus), “[...] com suas tarefas e exigências práticas que se  
sobrepunham a eventuais preocupações teóricas e reflexivas” (Silva, 2009, p. 78); e um pós-  
custodial, informacional e científico, que supera a prática e a instrumentalidade do fazer  
informacional rumo a busca pela “[...] compreensão e a explicação do fenômeno info-  
comunicacional” (Silva, 2009, p. 80).  
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Desse último paradigma, inclusive, é possível identificar pelo menos três pontos de vista  
sobre a informação e os processos informativos: o físico, o cognitivo e o social. O paradigma  
físico, segundo Capurro (2003), teria se iniciado com a teoria da recuperação da informação e  
está associado à possibilidade de um objeto físico (a informação) ser algo que um emissor  
transmite a um receptor. Já o paradigma cognitivo transfere o fenômeno informacional para os  
“espaços cognitivos ou mentais”, buscando entender como “[...] os processos informativos  
transformam ou não o usuário [da informação] [...]” (Capurro, 2003, sem paginação). E, por  
fim, o paradigma social se preocupa com a construção social dos processos informativos,  
observando os fenômenos informacionais tendo como panorama as comunidades que os  
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produzem e as redes de relações e significados pelas quais eles são dotados de sentido e  
relevância.  
O que se observa nesses paradigmas é a transição de uma perspectiva estritamente  
organizacional e prática do lidar com a informação para um conjunto de perspectivas reflexivas  
e científicas, pautadas na necessidade de se entender como o fenômeno informacional se  
estabelece na realidade, como dele se apropriar e como produzir novas tecnologias, processos  
e produtos a partir dele. No primeiro caso, portanto, o foco está na história das unidades de  
informação e no seu trabalho histórico de organização do conhecimento, já no segundo, o  
objetivo é compreender a informação em si, sua origem, armazenamento, processamento,  
transmissão e impactos sociais.  
Entretanto se o paradigma custodial dos estudos informacionais se apega à históricas  
práticas das unidades de informação que remontam à Idade Antiga e os desenvolvimentos  
posteriores a ela, e o paradigma pós-custodial dos estudos informacionais tem como ponto de  
partida o fim da Segunda Guerra Mundial e o surgimento das novas tecnologias da informação  
e da comunicação na contemporaneidade, é necessário que haja um lugar nesse estudos que  
ampliem o campo de visão e possam, a partir da integração com os diferentes campos do saber,  
poder compreender como se deu o surgimento da informação na história da Humanidade, em  
um período anterior à escrita, no que se convenciona chamar Pré-história ou História Profunda.  
É diante dessa assertiva, que o presente artigo desenvolve o seguinte questionamento:  
como se deu o surgimento dos processos informativos e da informação como tal na história  
profunda da Humanidade? Para poder atender a esse questionamento desenvolveu-se um estudo  
bibliográfico com base em autores arraigados a áreas do conhecimento como Cibernética  
(Álvaro Vieira Pinto), Materialismo Histórico-Dialético (Adriano Lopes, Gyogy Luckács),  
Arqueologia Pré-histórica (Walter Neves) e Linguística (Steve Roger Fischer), de maneira que  
a escolha dessas áreas e seus autores representantes pudessem colaborar para alcançar o  
seguinte objetivo: traçar uma linha histórica acerca da origem e do desenvolvimento da  
informação na história da Humanidade no período anterior ao surgimento da escrita.  
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2 A ORIGEM DA INFORMAÇÃO  
Como dito acima, a informação se trata de um elemento indispensável à história da  
formação da Humanidade enquanto tal, uma vez que é a partir dela que o ser humano  
compartilha sentidos e significados sobre tudo o que há ao seu redor. É por meio da troca de  
informações que os indivíduos estabelecem as interações sociais, estruturam seus pensamentos  
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e apreendem os fenômenos naturais, de maneira que nas relações humanas tudo pode ser  
transmitido, recebido e interpretado como informação.  
Todavia, de acordo com Pinto (2007, p. 185), é possível estabelecer a partir da própria  
evolução natural pelo menos três graus de desenvolvimento da informação: “[...] na matéria  
inerte; na matéria organizada em escala pré-consciente; e na matéria organizada no estado de  
sistema que possui a modalidade distintiva de movimento representada pela função da  
consciência”.  
Na matéria inerte, Pinto (2007) vai dizer que o processo informativo ocorre de forma  
esboçada na ação recíproca dos constituintes físicos do mundo, como acontece, por exemplo,  
na interação de objetos com campos gravitacionais, em que esses campos representam uma  
região do espaço deformada que possibilita interações entre corpos, gerando troca de  
informação capaz de estruturar as órbitas dos planetas e até mesmo a formação do universo  
como tal. Na matéria organizada em escala pré-consciente, a informação é compartilhada entre  
os seres vivos não-racionais, como um felino ao sentir fome, seu organismo emite uma  
informação (sinal) de que necessita de nutrientes e o felino vai atrás de uma presa para suprir  
essa necessidade.  
Já na matéria organizada consciente, ou seja, no ser humano, diferentemente do  
movimento da matéria inerte e do felino que caça ao sentir fome, os processos informativos  
passam a ser dotados de significação, de maneira a ampliar a visão dos sujeitos pensantes sobre  
a realidade e atribuir ao movimento da matéria inerte e viva o protótipo do significado de  
informação. O significado é, portanto, o salto qualitativo que passa a dotar a informação de  
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[...] aspectos inteligíveis até então inexistentes no desenrolar anterior: a saber, o  
estabelecimento de mensagens informativas destinadas a possibilitar e a desenvolver  
um novo sistema de relações entre os seres que as emitem, recebem e interpretam [no]  
sistema de relações sociais.  
Com a atribuição do significado, o ser humano passa não somente a receber e agir a  
partir de sinais e da ação recíproca da natureza, mas passa a compreender os fenômenos naturais  
e sociais e se torna apto a dar explicações racionalizadas sobre suas causas e consequências,  
adaptando assim a natureza às suas necessidades  
Esse processo não se deu, porém, a nível individual, mas é resultante “[..] do trabalho  
coletivo na solução das contradições de início biológicas e logo a seguir culturais, que opõem  
os indivíduos conscientes, em conjunto, ao mundo dos objetos inertes e dos seres irracionais  
(Pinto, 2007, p. 190). Isso significa que, a necessidade de solucionar problemas, seja em relação  
ao ambiente a sua volta, seja referente às interações sociais, levaram o ser humano a produzir,  
registrar e compartilhar informações.  
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Significa também que esse processo não é apenas individual, mas coletivo, no qual a  
transmissão de conteúdo está intimamente atrelada à produção da existência comum entre os  
sujeitos, primeiramente em relação “[...] aos bens mais elementares e urgentes da sustentação  
da vida e logo depois da troca de conhecimentos, que se converteram em instrumentos coletivos,  
enquanto bens sociais, de ação do grupo humano sobre a natureza e de uns indivíduos sobre  
outros” (Pinto, 2007, p. 190).  
Dessa forma, com a informação, a interação com o mundo passa, portanto, a não se  
limitar apenas aos acontecimentos físicos e evolui para o plano da cultura. Tal processo se dá  
efetivamente na etapa da hominização em que o ser humano passa a ser produtor de sua própria  
existência. Nesse sentido, Pinto (2007, p . 191) vai ressaltar que esse fato é fruto da ação social  
coletiva e implica na difusão de informação, difusão essa que se origina da racionalidade  
individual e passa a ter “[...] por sede a racionalidade coletiva, estado que se costuma denominar  
cultura”.  
Diante dessa perspectiva, a informação surge da necessidade coletiva dos indivíduos de  
transmitirem seus conhecimentos e suas vivências, colaborando para a transformação da  
realidade por meio do trabalho e da interação social no plano da cultura. A peça chave para o  
surgimento da informação foi o surgimento do significado, pois ele permite a abstração dos  
sinais físicos para algo muito mais complexo, coisa que somente os seres racionais têm a  
capacidade de realizar.  
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3 O SURGIMENTO DO SIGNIFICADO  
Partindo do fato de que Pinto (2005) destaca que o surgimento da informação pode ser  
identificado em todo o processo de evolução do universo, nos movimentos recíprocos da  
matéria, mas apenas se efetiva nos sujeitos conscientes, na Humanidade que pode atrelar a tais  
movimentos o processo informativo, que consegue dotar de significado a realidade, o  
surgimento da informação está, portanto, intimamente relacionado ao surgimento do  
significado.  
Significado é aquilo que uma palavra, frase, símbolo ou ideia representa, ou seja, é o  
resultado da capacidade de atribuir “[...] valores simbólicos e subjetivos a tudo que formulamos  
e/ou interagimos” (Neves, 2006, p. 273). É, portanto, a forma como o ser humano apreende e  
molda a realidade à sua volta, de maneira que a partir do significado torne-se possível à  
Humanidade, de forma coletiva, olhar para a realidade ao seu redor e transformá-la ao seu jeito.  
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O surgimento do significado se deu no que Neves (2006) chama de Revolução Criativa  
do Paleolítico Superior. Anteriormente à essa revolução, Neves (2006) destaca que o ser  
humano como é conhecido nos dias de hoje havia alcançado a evolução apenas  
anatomicamente. Seria apenas por volta de 45 mil anos atrás que viria a surgir o chamado  
humano comportamentalmente moderno. Agora dotado de uma mente reflexiva, tais humanos  
deixaram de desenvolver suas ações e práticas, inclusive as já existentes como a produção de  
ferramentas e adornos, de modo meramente funcional, passando a realizá-las com criatividade  
e dotá-las de sentido e significado.  
Isso se deu porque com base na teoria da Revolução Criativa do Paleolítico Superior,  
fixa-se no cérebro humano o que Neves (2006) chama de módulo mental da significação. Esse  
módulo mental deu à Humanidade a capacidade de dar significado ao mundo e assim  
transformar a realidade à sua perspectiva, distinguindo-se dos demais animais e,  
consequentemente, tornando-se seres existenciais, cheios de conflitos emocionais, assim como  
capazes de desenvolver o pensamento abstrato e matemático, de possuir uma criatividade  
ilimitada, e de construir meios de comunicação complexos por meio de sons específicos.  
Além disso, Neves (2006) destaca que “[..] foi provavelmente uma comunicação social  
precisa que deve ter sido o diferencial adaptativo sobre o qual a força seletiva incidiu, fixando  
o módulo mental da significação” (Neves, 2006, p. 273). Dessa forma, a significação não  
somente tornou-se possível e possibilitou a comunicação, como deu origem à informação e aos  
próprios processos informativos.  
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A partir do significado, o ser humano passou a dar às coisas reais ou abstratas uma  
dimensão informacional, ou seja, com o módulo mental da significação, as reflexões pessoais,  
as interações sociais e os fenômenos naturais puderam ser dotados de significado, mas também  
socializados por meio da comunicação em forma de informação. Com a socialização desses  
significados em forma de informação, os seres humanos passaram a poder trocar mensagens  
inteligíveis, reconhecer e emitir informação e acrescentar às informações compartilhadas  
conteúdos originais (Pinto, 2007).  
Cabe destacar, porém, que esse processo não se realizou apenas à nível biológico, mas  
é também fruto direto do trabalho humano coletivo. A necessidade de transformação da  
realidade possibilitou ultrapassar as barreiras tanto biológicas quanto culturais, estando o  
processo de produção do significado e, consequentemente, da socialização da informação  
intimamente relacionado ao salto ontológico pela qual a Humanidade passou e que é resultante  
do próprio surgimento do trabalho.  
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4 O TRABALHO NO DESENVOLVIMENTO DO SER SOCIAL  
A partir de Neves (2006), é possível identificar que o surgimento da informação está  
intimamente atrelado ao surgimento da Humanidade como tal, como produtora de significados  
e sentidos sobre a realidade, sobre as dimensões materiais e abstratas da vida. Esse processo de  
produção demonstra o fato de que a informação não é apenas um exercício do pensamento, mas  
também da prática cotidiana de transformação da realidade e, portanto, do trabalho e, mais  
especificamente, do trabalho coletivo, como diria Pinto (2007).  
Uma possibilidade de aproximação da informação não somente ao significado, mas  
também ao trabalho e, portanto, à origem da Humanidade pode ser percebida por meio da  
relação entre os conceitos de especialização e não-especialização, diretamente ligados à teoria  
da evolução de Charles Darwin.  
Segundo Lopes (2020) a evolução dos seres vivos pode seguir dois caminhos: o da  
especialização e o da não-especialização. O caminho da especialização é a visão mais clássica  
da teoria da evolução de Charles Darwin por meio da qual evolução se dá quando o ser vai se  
adaptando ao meio em que vive. Por outro lado, a não-especialização, “[...] foi a via seguida  
pelas espécies de primatas hominíneos que passaram a, progressivamente, diminuir a sua  
adaptação anátomo-fisiológica ao meio ao passo que faziam a natureza se adaptar a elas”  
(Lopes, 2020, p. 84).  
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Ou seja, segundo Lopes (2020) esse foi o caminho seguido pelas espécies primatas  
hominíneos, dentre os quais os seres humanos foram os que mais se não-especializaram,  
tornando-se capazes da criação de ferramentas de forma complexa, de modificação do meio  
ambiente para benefício próprio e de produção de significados sobre o real. Cabe destacar,  
porém, que mesmo se encaminhando para se tornar seres não-especializados, os seres humanos  
ainda possuem certo grau de especialização, uma vez que todo ser vivo deve ser minimamente  
especializado.  
O que esse debate traz à tona é a possibilidade de se entender que a partir da visão da  
especialização e não-especialização, torna-se possível ter uma noção da diferença qualitativa  
do humano em relação aos outros animais, pois segundo Lopes (2020, p. 87),  
A passagem do psiquismo animal para a consciência pode ser realçada na transição  
de um mundo de adaptação passiva no qual não há sujeito e objeto, mas apenas  
coisas ontologicamente (seres, entes), relacionando-se entre si, regidos por leis  
naturais para um mundo em que existe transformação intencional da natureza.  
Dessa forma, com o passar do tempo, o ser humano começa a modificar a natureza  
intencionalmente de maneira a beneficiar sua adaptação ao meio. Agora, ele a modifica de  
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forma pensada e controlada, e não mais aleatoriamente. Com isso a passagem de uma  
modificação da natureza regida puramente por instintos para uma modificação proposital regida  
pela racionalidade pode evidenciar a passagem do psiquismo animal para a consciência, ou salto  
ontológico. Lopes (2020) destaca que esse salto ontológico se dá por intermédio do trabalho.  
O trabalho pode ser entendido aqui como a atividade intencional de modificação da  
realidade. Enfatizá-lo como momento crucial que permitiu à Humanidade dar um salto  
ontológico em relação à natureza, ou melhor, como  
[...] o responsável fundamental para a efetividade da transição dos primatas  
(adaptação ao ambiente/transformação intencional da natureza; mundo biológico-  
causal/mundo histórico-social; puras causalidades dadas/teleologia-causalidade)  
significa reconhecê-lo como a matriz fundante do ser social, isto é, aquilo que faz o  
homem ser genuinamente humano, o qual põe em movimento todos os componentes  
da esfera social linguagem, cultura, razão etc, bem como é refletido histórico e  
ontologicamente nos sistemas orgânicos (Lopes, 2020, p. 85).  
Dessa forma, o salto ontológico do ser natural para o ser social proporcionado pelo  
trabalho, foi capaz de evidenciar a diferença qualitativa da Humanidade em relação às outras  
espécies e à natureza como um todo. Surgido como o momento na jornada da evolução em que  
se tornou essencial a modificação intencional da natureza, derivando e possibilitando o  
surgimento concomitante da consciência, da racionalidade, da linguagem e da comunicação.  
O trabalho, portanto, modificou drasticamente os seres humanos, transformando-os não  
apenas anatomicamente, mas com maior evidência em termos comportamentais, dando origem  
assim ao humano moderno (Neves, 2006). Esse ser humano, para além de lascar pedras, tornou-  
se a partir de então capaz de idealizar a fabricação e o uso de ferramentas para atender às  
necessidades pessoais e coletivas. Com conexões neurais mais desenvolvidas, tornou-se hábil  
para a prática de atividades que exigem maior complexidade, aumentou a sua capacidade de  
abstração, influenciou na formação coletiva do ser social e na necessidade de viver em grupos  
maiores, assim como conquistar novos horizontes.  
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Cabe destacar também que foi a partir do trabalho que o ser humano conseguiu alcançar  
novos níveis de significação e abstração do real, desembocando assim na necessidade de  
compartilhar conhecimentos entre si e, consequentemente, transmitir e receber informações.  
Diante dessa realidade, as primeiras formas de comunicação como gestos e sons ininteligíveis,  
passaram a se tornar insuficientes para as crescentes demandas de compartilhamento e uso de  
informação, sendo necessário o desenvolvimento de linguagens mais complexas, de maneira a  
atender às necessidades sociais de comunicação resultantes dos próprios processos de trabalho  
(Pinto, 2007).  
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5 O COMPLEXO SOCIAL DA LINGUAGEM  
Para ser socializada, a informação criada a partir do trabalho empreendido por seres  
humanos dotados de consciência e de capacidade de significação é necessário que se  
desenvolvam meios materiais de comunicação. Tais meios se efetivaram com o  
desenvolvimento concomitante da linguagem, que, em termos informacionais, se estabelece  
como instrumento indispensável para a inteligibilidade e coletivização da informação.  
A linguagem tem papel fundamental na reprodução das relações sociais, sendo  
caracterizada como peça central do ser social e das relações de produção, principalmente porque  
ela permite que ideias, pensamentos e sentimentos sejam transmitidos de forma clara e eficaz.  
Ela é a base para a comunicação, uma vez que facilita a compreensão mútua entre as pessoas e  
o compartilhamento de significados.  
Lukács (2013) defende, porém, que mesmo sendo imprescindível para o  
compartilhamento da informação, é ainda assim necessário superar explicações mistificadoras  
e causais do surgimento da linguagem e evidenciar que ela é fruto das relações estabelecidas  
entre sujeito-objeto por meio do trabalho, uma vez que  
É no processo de trabalho e da construção de respostas para exigências colocadas pelo  
tempo histórico que podemos encontrar o desencadeamento da linguagem enquanto  
uma práxis social. Ressaltamos que a linguagem aqui não se restringe a oralidade, mas  
também abarca outras formas de linguagem e comunicação humana (Lage, 2023, p.  
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Essa multiplicidade de formas de linguagem e comunicação, reflete a multiplicidade de  
formas de lidar com o mundo real e transformá-lo por meio do trabalho. Inicialmente, os  
hominíneos, ao precisarem de algo, gesticulavam e emitiam sons uns aos outros informando  
suas necessidades e conclamando para a ação, mas com a complexificação das relações do ser  
humano com a natureza e entre si e o surgimento do trabalho como atividade intencional de  
transformação da realidade passaram a sofrer alterações genéticas e orgânicas que  
possibilitaram a linguagem, sem inatismo ou predisposição, de maneira espontânea, pela via  
das operações teleológicas (da atividade intencional), a partir das determinações concretas (da  
realidade como tal) e da generalização (do fazer-se humano) (Lage, 2023, p. 7).  
Ou seja, o surgimento da linguagem ocorre de forma espontânea, de maneira não  
planejada, mas motivada pelos impulsos da vida cotidiana. Dessa forma, o ser humano imerso  
nas mais diversas atividades do seu dia a dia passou a desencadear a necessidade estrutural,  
orgânica e genética de desenvolver algo que os possibilitasse relacionarem entre si de forma  
complexa, surgindo daí, a linguagem.  
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Ela é o veículo que transporta a informação, permitindo que as pessoas a recebam,  
reflitam e respondam. A informação, por sua vez, é o conteúdo que é transmitido através da  
linguagem, dando significado e propósito à comunicação. Juntas, elas formam a base da  
comunicação eficaz. A informação e a linguagem estão intimamente relacionadas, pois a  
linguagem é o meio pelo qual a informação é transmitida e compartilhada.  
Desse compartilhamento, surgiu também a necessidade registrar as informações em  
suportes externos à memória humana, dando origem assim à escrita, a representação gráfica da  
fala, capaz de fazer com que as informações fossem armazenadas, guardadas e compartilhadas  
a longo prazo, sem a necessidade de que os interlocutores estivessem exatamente diante um do  
outro no processo de comunicação.  
6 A INVENÇÃO DA ESCRITA  
A escrita é sem sombra de dúvidas um dos maiores marcos históricos da Humanidade.  
É a partir dela que os historiadores separam a Pré-história da Idade Antiga. Isso ocorre devido  
ao fato de que com a escrita tornou-se possível à Humanidade registrar de forma inteligível as  
informações acumuladas ao longo de seu processo evolutivo e, portanto, documentar com certa  
fidedignidade a história humana.  
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Os primórdios da escrita estão atrelados à necessidade dos seres humanos de  
desenvolver instrumentos capazes “[...] de armazenar informação para comunicar, a si mesmo  
ou a outros, distantes no tempo e no espaço” (Fischer, 2009, p. 13). Dessa forma, a escrita teria  
papel crucial no registro do conhecimento, na expressão de sentimentos, na contação de  
histórias, na circulação de informação e na organização de dados, como é o caso dos usos  
iniciais relacionados à contabilidade.  
Porém, para chegar aos primeiros modelos completos de escrita, a Humanidade  
percorreu um longo processo de criação e adaptação de métodos de transmissão e registro de  
informação em suportes duráveis. Para se efetivarem, esses primeiros métodos precisaram  
recorrer a pinturas, marcas e talhos como formas de registrar informação e conhecimento. Nas  
pinturas rupestres, por exemplo, os seres humanos utilizavam-se do suporte de pedra (cavernas  
ou rochas) para imprimir nelas figuras usando pigmentos naturais. Geralmente tais pinturas  
expressavam a vida cotidiana, como a relação com os animais e com outros seres humanos, ou  
seja, aquilo que os primeiros humanos observavam à sua volta.  
Outros métodos que devem ser destacados são: os registros com nós, os entalhes e a  
pictografia. Os nós eram utilizados para a contabilidade, já os entalhes podiam ser encontrados,  
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por exemplo, em ossos antigos marcados por cortes em intervalos regulares, servindo para  
expressar ideias ou informações que não poderiam ser ditas oralmente no dado momento. De  
acordo com Fischer (2009, p. 19), ambos instrumentos informacionais não poderiam ser  
considerados escritos completos, uma vez que apesar de poderem invocar categorias, números  
e lembretes nenhum deles tinha a capacidade de transmitir "[...] particularidades como  
qualidades ou características”. (Fischer, 2009, p.19).  
Fischer (2009) afirma que só imagens poderiam fazê-lo, sendo a pictografia essencial  
para superar a incapacidade dos métodos anteriores de transmitir mensagens mais complexas.  
A pictografia é um tipo de método que usa figuras e símbolos para representar ações, indivíduos  
e expressar sentimentos. Além das pinturas rupestres, exemplos mais complexos de uso da  
pictografia para comunicar algo a alguém podem ser encontrados em símbolos gráficos, nas  
chamadas pré-escritas (como as da cultura vincâ e da cultura iangshao) e em fichas de argila,  
que podem ter sido o pontapé inicial para o surgimento da escrita cuneiforme. Essas fichas de  
argila inicialmente representavam unidades e seus formatos indicavam a operação a ser  
realizada, tendo nascido da necessidade de registrar itens do dia a dia e mediar a troca de  
mercadorias no Oriente Médio (Fischer, 2009, p.25).  
Cabe destacar que todos esses métodos não surgiram por meio de um processo  
evolucionário, mas já faziam parte do que Pinto (2007) chamara de plano da cultura, em que o  
homem comportamentalmente moderno (Neves, 2006), diante das necessidades sociais de  
registrar os conhecimentos apreendidos em sua relação com o mundo, desenvolveram métodos  
para registrá-los (Fischer, 2009). A escrita completa, porém, só se desenvolveria milhares de  
anos depois da Revolução Criativa do Paleolítico Superior, quando nasceria a primeira forma  
escrita considerada completa.  
12  
No Oriente Médio, no atual Iraque, entre o povo sumeriano, nasceria a escrita  
cuneiforme, entendida como a primeira escrita completa reconhecida. Ela seria marcada pelas  
seguintes características fundamentais:  
[...] ter como objetivo a comunicação.  
[...] consistir de marcações gráficas artificiais feitas numa superfície durável [...].  
[...] usar marcas que se relacionem convencionalmente para articular a fala (o arranjo  
sistemático de sons vocais significativos) [...], de uma maneira que a comunicação  
seja alcançada (Fischer, 2009, p. 14)  
A partir dela, o ser humano entra no que se convenciona chamar História, assumindo a  
escrita papel fundamental no desenvolvimento do ser social, possibilitando o registro de  
informações e significados, a socialização de tais informações e significados para o avanço  
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social, econômico e político das diferentes civilizações e a preservação da memória e da história  
da própria Humanidade através dos séculos.  
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
O presente artigo enfocou-se em fazer uma análise de como se deu a evolução do  
fenômeno da informação no decorrer da história da Humanidade, buscando evidenciar, por  
meio de momentos importantes da evolução do ser humano como ser social pensante, rotas que  
pudessem responder à questão inicial sobre qual a origem da informação como tal na história  
da Humanidade. Para isso, demonstrou que os estudos informacionais preocupados com os  
fenômenos informacionais clássicos (que perpassam desde a Antiguidade à Era Moderna) e  
com fenômenos informacionais contemporâneos (que remetem ao fim da Segunda Guerra  
Mundial e se estendem até aos dias de hoje) acabam por deixar uma lacuna sobre os processos  
informacionais na Pré-história, lacuna essa que se destaca como interesse dessa pesquisa.  
Para buscar atender de forma inicial a essa lacuna, partiu-se de Álvaro Vieira Pinto  
(2007) para quem a informação se revela na evolução natural em pelo menos três graus  
diferentes (na matéria inerte, na matéria organizada em escala pré-consciente e na matéria  
organizada no estado de sistema que possui a função distintiva da consciência). Após isso, com  
Walter Neves (2006), pôde-se vislumbrar a relação entre a informação e o surgimento da  
capacidade de se dar significado às coisas, sendo esse momento o ponto da virada na história  
da Humanidade expresso na explosão criativa da chamada Revolução Criativa do Paleolítico  
Superior.  
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Além disso, a informação pode também estar atrelada à atividade intencional coletiva  
da Humanidade de modificação da realidade, ou seja, o trabalho. Como afirmaria Adriano  
Lopes (2020) e Pinto (2007), é a partir do trabalho que ocorre o salto ontológico da Humanidade  
do ser natural para o social, o ser que molda o mundo a si mesmo, que a ele dá significado e  
que compartilha esse significado a partir da informação.  
Esse compartilhamento se torna possível devido ao surgimento do complexo social da  
linguagem (Luckács, 2013; Lage, 2023) que propiciou ao ser humano a capacidade de expressar  
e compartilhar conhecimento de forma inteligível, sendo instrumento indispensável para a  
coletivização da informação. O último estágio antes da entrada da Humanidade na chamada  
Idade Antiga se daria então com a busca por fazer com que a informação que existe no mundo  
real por efeito da linguagem pudesse ser armazenada e transmitida de forma eficiente sem a  
necessidade de que o emissor e o receptor estivessem no mesmo lugar e ao mesmo tempo.  
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Como efetivação do humano como ser social que supera a realidade natural, a escrita se  
estabelece como ponto de inflexão para a vida humana, demarcando o antes e o depois da  
história da Humanidade.  
A partir do debate realizado no presente artigo, portanto, tornou-se possível traçar uma  
linha histórica da informação, suas aplicações e importância na jornada da evolução da  
Humanidade, desde o movimento de ação recíproca dos constituintes físicos do mundo à  
invenção da escrita, demonstrando que também se pode a partir da integração da Ciência da  
Informação com áreas do conhecimento diversas tornar-se capaz de oferecer um vislumbre de  
como foi o surgimento dos processos informativos e da informação na história da Humanidade.  
O debate, entretanto, não deve se encerrar aqui, estando aberto o convite para que pesquisadores  
deem continuidade aos estudos sobre a questão da informação na pré-história e possam também  
relacionar tais estudos com os próprios desenvolvimentos da Ciência da Informação e com  
outras temáticas correlatas como é o caso do surgimento do plano da cultura e/ou da  
consciência.  
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