ARTIGO  
Data de submissão: 20/02/2026 Data de aprovação: 30/02/2026 Data de publicação: 02/07/2026  
TECHGNOSIS E A INFORMAÇÃO COMO IMAGEM DE MUNDO  
Vanessa Delazeri Mocellin1  
Universidade Federal de Santa Catarina  
Alan Delazeri Mocellim2  
Universidade Federal da Bahia  
______________________________  
Resumo  
Este artigo analisa o informacionalismo como imagem de mundo da contemporaneidade a partir da obra  
Techgnosis: myth, magic and mysticism in the age of information, de Erik Davis. Partindo do conceito de  
techgnosis, sustentamos que a informação deixou de operar apenas como recurso técnico ou linguagem  
instrumental para assumir um estatuto ontológico central, reorganizando profundamente as formas de compreender  
o mundo, o sujeito e a tecnologia. Argumentamos que o informacionalismo sucede o mecanicismo enquanto matriz  
simbólica e epistêmica dominante, sem, contudo, romper com seus pressupostos metafísicos fundamentais,  
sobretudo o dualismo entre mente e corpo. Além disso, destacamos a persistência de imaginários gnósticos e  
herméticos nos discursos tecnológicos atuais, agora reconfigurados sob a forma do mito da informação. A análise  
percorre a relação entre informação, escrita e transcendência, destacando o papel da teoria da informação na  
consolidação de uma ontologia informacional, na qual mente, corpo e matéria passam a ser concebidos como  
códigos, fluxos e redes. Por fim, discutimos a emergência da mito-informação e da netafísica como expressões  
simbólicas dessa nova imagem de mundo, evidenciando como a informação se torna o princípio organizador das  
experiências culturais, científicas e tecnológicas contemporâneas.  
Palavras-chave: techgnosis; informação; imagem de mundo; informacionalismo; gnosticismo tecnológico.  
TECHNOLOGY AND INFORMATION AS A WORLDVIEW  
Abstract  
This article analyzes informationalism as a contemporary worldview based on Erik Davis’s Techgnosis: Myth,  
Magic and Mysticism in the Age of Information. Starting from the concept of techgnosis, we argue that information  
has ceased to function merely as a technical resource or instrumental language and has instead assumed a central  
ontological status, profoundly reorganizing the ways in which the world, the subject, and technology are  
understood. We argue that informationalism supersedes mechanicism as the dominant symbolic and epistemic  
matrix, without, however, breaking with its fundamental metaphysical assumptions, particularly the dualism  
between mind and body. In addition, we highlight the persistence of gnostic and hermetic imaginaries within  
contemporary technological discourses, now reconfigured in the form of the myth of information. The analysis  
explores the relationship between information, writing, and transcendence, emphasizing the role of information  
theory in the consolidation of an informational ontology, in which mind, body, and matter come to be conceived  
as codes, flows, and networks. Finally, we discuss the emergence of myth-information and netaphysics as symbolic  
expressions of this new worldview, showing how information becomes the organizing principle of contemporary  
cultural, scientific, and technological experiences.  
Keywords: techgnosis; information; worldview, informationalism; technological gnosticism.  
1
Doutora em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atua nas áreas de filosofia  
contemporânea, filosofia da tecnologia e filosofia da educação.  
2
Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), professor adjunto do Departamento de Sociologia  
da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atua nas áreas de sociologia do conhecimento, sociologia das  
emoções e epistemologia das ciências humanas.  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
   
ARTIGO  
LA TECNOLOGÍA Y LA INFORMACIÓN COMO IMAGEN DEL MUNDO  
Resumen  
Resumen en español. Este artículo analiza el informacionalismo como cosmovisión contemporánea a partir de la  
obra de Erik Davis, Techgnosis: myth, magic and mysticism in the age of information. Partiendo del concepto de  
tecngnosis, argumentamos que la información ha dejado de operar como un mero recurso técnico o lenguaje  
instrumental, asumiendo un estatus ontológico central y reorganizando profundamente las formas de comprender  
el mundo, el sujeto y la tecnología. Argumentamos que el informacionalismo reemplaza al mecanicismo como  
matriz simbólica y epistémica dominante, sin romper, sin embargo, con sus supuestos metafísicos fundamentales,  
en especial el dualismo entre mente y cuerpo. Además, destacamos la persistencia de los imaginarios gnósticos y  
herméticos en los discursos tecnológicos actuales, ahora reconfigurados en la forma del mito de la información.  
El análisis explora la relación entre información, escritura y trascendencia, destacando el papel de la teoría de la  
información en la consolidación de una ontología informacional, en la que mente, cuerpo y materia se conciben  
como códigos, flujos y redes. Finalmente, analizamos el surgimiento de la información mítica y la netafísica como  
expresiones simbólicas de esta nueva cosmovisión, destacando cómo la información se convierte en el principio  
organizador de las experiencias culturales, científicas y tecnológicas contemporáneas.  
Palabras clave: tecnognosis; información; cosmovisión; informacionalismo; gnosticismo tecnológico.  
2
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
1 INTRODUÇÃO  
Neste artigo apresentaremos a teoria e teses do teórico da comunicação Erik Davis  
(1967-) sobre o que ele denomina informacionalismo. Em “Techgnosis: myth, magic +  
mysticism in the age of information(1998), ele argumenta que o informacionalismo, se tornou  
a nova imagem do mundo. A partir de Davis, sustentaremos que o informacionalismo tem como  
base uma ontologia implícita de fundo gnóstico, que reproduz o dualismo metafísico sob  
expressão tecnológica, ao reconfigurar a compreensão da mente, do corpo e da informação  
através do seu imaginário.  
O conceito de informacionalismo foi originalmente proposto pelo sociólogo Manuel  
Castells (1942-) em “A sociedade em rede” (1999). Nesta obra, o informacionalismo aparece  
como um conceito que abrange a criação de redes de informação e a nossa consequente  
dependência desse fluxo informacional, que é criado por ela. Informacionalismo ali se refere às  
consequências do capitalismo informacional, mas não se reduz a isso, pois se trata também do  
modo de vida de uma sociedade globalizada em redes. Nesse sentido, tentaremos mostrar que  
Davis trabalha com a ideia de que mitos e crenças estão presentes nos discursos sobre a  
tecnologia, mas que agora esses mitos e crenças foram reconfigurados sob a ótica do  
informacionalismo. Assim, Davis ao explicar a reconfiguração dos mitos, também expõem que  
a informação se tornou a nova imagem de mundo, aquela que substituiu o mecanicismo  
enquanto modelo de compreensão da realidade. O uso extensivo que se faz hoje de metáforas  
envolvendo redes ou informação para a compreensão de quase todo tipo de fenômeno humano  
seria expressão dessa nova imagem de mundo.  
3
Cabe esclarecer, no entanto, que a expressão “imagem de mundo” pode ser entendida  
através de dois termos alemães distintos: “Zeitgeist”, que significa mais precisamente “espírito  
do tempo”, de modo a expressar exatamente aquela característica da época que se sobressai e  
determina outras características da cultura; e “Weltanschauung”, que significa “visão de  
mundo” e expressa a representação do mundo, algo que não se limita à representação da  
natureza, do cosmos ou da história, mas que é fundamento do mundo, entranhado na cultura  
que constitui uma época. Este segundo termo foi utilizado por Martin Heidegger no texto “A  
época das imagens de mundo” (2022), no qual ele argumenta que a ciência e a tecnologia  
operam como imagens de mundo. É nesse sentido que aqui defendemos que o  
informacionalismo deve ser compreendido como uma imagem de mundo, ou seja, se antes o  
mecanismo era expressão e estava entranhado na cultura, agora é a informação que recebe esse  
papel.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
É a partir disso que, nesse artigo, iremos analisar o informacionalismo, tal como  
formulado por Erik Davis, como uma imagem de mundo que reconfigura mitos antigos sob uma  
linguagem tecnológica contemporânea, sustentando a tese de que a informação assume hoje um  
papel ontológico central marcado por heranças gnósticas e herméticas. Inicialmente,  
discutiremos o conceito de Techgnosis e o mito da informação, situando historicamente a  
persistência de imaginários místicos nos discursos sobre tecnologia e evidenciando a  
continuidade entre o mito da máquina e o mito da informação. Em seguida, examinaremos a  
relação entre informação, escrita e transcendência, mostrando como práticas técnicas e  
simbólicas, desde a escrita até as teorias modernas da comunicação, contribuíram para a  
separação entre mente e matéria e para a valorização do aspecto incorpóreo do conhecimento.  
Na sequência, abordaremos a teoria da informação e a constituição de uma ontologia  
informacional, destacando como a informação passa a ser concebida como elemento  
fundamental da realidade, dotado de agência cultural e social. Por fim, argumentaremos que o  
informacionalismo se consolida como imagem de mundo da contemporaneidade, articulando-  
se aos mitos da rede, da mito-informação e da netafísica, e produzindo novos modos de pensar  
a tecnologia, o corpo, a subjetividade e a transcendência. A contribuição de Davis permite  
compreender não apenas a centralidade da informação nas tecnologias atuais, mas também seu  
papel decisivo na manutenção e atualização de um imaginário metafísico dualista sob a forma  
de um gnosticismo tecnológico.  
4
2 TECHGNOSIS E O MITO DA INFORMAÇÃO  
Erik Davis (1998) afirma que o surgimento do conceito de informação tem relação direta  
de influência com o desenvolvimento daquilo que ele vai chamar de “Gnosticismo  
Tecnológico” ou “Hermetismo”. Expondo o papel da ideia de informação no desenvolvimento  
das tecnologias contemporâneas, e sobretudo no discurso sobre essas tecnologias, Davis destaca  
que há a presença de um conjunto de ideias que liga as tecnologias da informação à  
transcendência, compondo o que ele vai propor que seja interpretado como um conjunto de  
novos mitos3.  
3
Também os autores Andoni Alonso (1966-) e Iñaki Arzoz (1966-) retomam a discussão dos antigos mitos e  
crenças em sua obra “A nova cidade de Deus” de 2002, na qual tratam do informacionalismo como imagem de  
mundo contemporânea. Para eles (2002, p.43-44), a cibercultura foi desenvolvida em conjunto com as tecnologias,  
através da retomada de crenças e mitos do imaginário religioso, mítico, místico e gnóstico. Enquanto para Davis  
(1998, p. 10-12), as crenças prévias do imaginário se uniram ao conhecimento informacional para formar um novo  
conjunto de crenças híbridas que corresponde, por exemplo, ao mito da informação. Assim, se em Davis (1998, p.  
5-6 ) os mitos informacionais não tem origem na cibercultura, mas sim na forma como lidamos com a informação,  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
 
ARTIGO  
Em seu livro “Techgnosis: myth, magic and mysticism in the age of information, de  
1998, Davis apresenta que o mito da informação é parte fundamental para a produção de uma  
tecnologia com sentido gnóstico que ultrapasse a exploração da natureza e a produção de bens  
de consumo como feitas na era industrial, garantindo assim novas possibilidades para a vida  
humana. Em outras palavras, Davis (1998, p. 5-6) apresenta como o nascimento do  
informacionalismo - como concepção científica que sucedeu o mecanicismo, com a resultante  
transformação das nossas relações mediadas pelas tecnologias da informação - tem fomentado  
no ser humano ideias e crenças sobre a superação das carências advindas do aspecto finito da  
natureza e de seu corpo, criando um horizonte de possibilidade para a modificação da  
existência, abrindo caminhos para repensar as possibilidades de transcendência da condição.  
Os mitos da informação seriam, então, os mitos produzidos em decorrência, em cadeia, como  
consequências criativas do desenvolvimento das tecnologias da informação e de sua  
proliferação cotidiana.  
Entretanto, vale lembrar que a proposta inicial de Davis é contar “[...] uma história  
secreta dos impulsos místicos que continuam a acender e sustentar a obsessão do mundo  
ocidental com a tecnologia, e especialmente com suas tecnologias de comunicação” (Davis,  
1998, p. 02, tradução nossa). Seu principal objetivo é desmistificar a tecnologia, ou, pelo menos,  
contribuir para o debate sobre os mais diversos “fantasmas” que a cercam, afinal, ela  
comumente aparece como algo que “[...] incorpora uma imagem da alma, ou melhor, uma série  
de imagens: redentora, demoníaca, mágica, transcendente, hipnótica, viva” (Davis, 1998, p. 09,  
tradução nossa).  
5
Ao detalhar os percursos históricos em que tecnologia e magia se mantiveram  
estreitamente relacionadas, Davis percorre tradições como o gnosticismo4 e o hermetismo5 para  
em Alonso e Arzoz (2002, p. 42-43) tanto a cibercultura quanto as tecnologias informacionais são fruto da  
motivação gerada pela reconfiguração dos antigos mitos em mitos informacionais.  
4
O gnosticismo pode ser compreendido como uma das expressões mais remotas de uma racionalidade marcada  
pelo misticismo e pelo pensamento mítico, estando associado à ideia de um saber que ultrapassa o conhecimento  
estritamente religioso. Sob essa denominação reuniram-se diferentes correntes de caráter mágico-especulativo que  
coexistiram com o cristianismo nos primeiros séculos de sua formação histórica. Nesse sentido, o gnosticismo  
“passou a designar toda doutrina admitindo a existência de um conhecimento superior ou de uma explicação global  
das coisas” (Japiassú, 1996, p.119). Em termos gerais, tais doutrinas resultaram de uma combinação sincrética de  
elementos provenientes da mitologia grega, do judaísmo antigo, do cristianismo nascente e de variadas tradições  
pagãs e mágicas.  
5
A tradição hermética difundiu a noção de um cosmo dotado de vida, no qual a Terra se encontra vinculada de  
forma quase magnética aos astros e aos corpos dos seres vivos, configurando uma forma de panteísmo de caráter  
transcendental. O hermetismo exerceu influência significativa tanto no pensamento medieval quanto no  
renascentista, de tal maneira que, “a concepção renascentista de um universo animista, operado por magia,  
prepararam o caminho para a concepção de um universo mecânico, operado pela matemática” (Yates, 1966, p.224,  
tradução nossa). Entre as diversas artes herméticas, a alquimia destaca-se como aquela que mais diretamente  
antecipou aspectos da futura ciência moderna, sobretudo em razão de sua orientação material e de seu foco nos  
processos de produção e transformação da matéria.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
   
ARTIGO  
demonstrar que, nas origens das ciências modernas, práticas mágicas e concepções místicas  
integravam um mesmo campo de saber, sem a separação rígida que hoje costuma ser  
pressuposta. Nesse quadro, a cisão promovida pelo Positivismo, ao distinguir radicalmente  
tecnologia e magia, aparece menos como uma ruptura definitiva e mais como uma exceção  
dentro de uma história mais ampla, que desemboca, no presente, em formas tecnológicas  
capazes de produzir seus próprios mitos e de reativar imaginários e discursos de matriz  
hermética.  
Em contraposição à narrativa amplamente difundida segundo a qual a modernidade teria  
eliminado o ocultismo, o misticismo e as tradições mágicas, substituindo-os por um mundo  
desencantado regido exclusivamente pela razão científica, pelo progresso material e pelo  
desenvolvimento econômico, Davis sustenta que essas tradições metafísicas não foram extintas.  
Elas teriam, antes, sido relegadas a um plano menos visível, tornando-se ocultas ou disfarçadas,  
mas permanecendo ativas no tecido cultural, psicológico e mitológico da própria modernidade  
(Davis, 1998, p.2-3).  
Assim, Davis (1998, p. 01-04), ao descrever o percurso histórico dos impulsos místicos  
que sustentam a obsessão pela tecnologia, expõe três argumentos que servem para sustentar que  
o mito da informação funciona como propulsor dos discursos de transcendência a partir da  
tecnologia. O primeiro, sobre a dissolução de fronteiras: “As fronteiras se dissolvem, e nós  
vagamos pelas zonas de ninguém, entre vida sintética e orgânica, entre ambientes reais e  
virtuais, entre comunidades locais e fluxos globais de bens, informação, trabalho e capital”  
(Davis, 1998, p. 01, tradução nossa). Tal dissolução sugerida por Davis pode ser compreendida  
como um direcionamento e desfecho para a influência do dualismo mente-corpo pelo avanço  
tecnológico contemporâneo. Ou seja, pensar numa dissolução entre as fronteiras do  
transcendente e do material, da natureza e da cultura, é também pensar o mito da informação  
como a imagem de mundo que compreende o desejo humano de transcendência através das  
tecnologias, pois o uso da razão e a transformação da natureza em informação dão ao ser  
humano a esperança de vencer as suas limitações. Portanto, podemos afirmar que, como  
imagem de mundo, a introdução do mito da informação, ou o informacionalismo, ajudou  
principalmente a deixar indefinidas as fronteiras do dualismo anteriormente apresentado, não  
de modo a resultar em um abandono do dualismo, mas apenas permitindo o desenvolvimento  
de novas formas de gnosticismo e hermetismo, agora tecnológicos, voltados para a superação  
do corpo material e a permanência do espírito humano.  
6
O segundo argumento, apresentado por Davis (1998, p. 03), afirma a permanência da  
herança mística no ocidente, ou seja, afirma que os mais diversos anseios metafísicos e místicos,  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
e também as visões apocalípticas de origens religiosas, permaneceram presentes no imaginário  
ocidental. Citando e se opondo diretamente a tese de Noble (1997), para quem a incorporação  
de temas metafísicos e místicos no discurso sobre tecnologia significa um esvaziamento do  
sagrado religioso, com uma subsequente sacralização da tecnologia, e se opondo portanto, em  
consequência, à hipótese weberiana sobre o processo progressivo de desencantamento do  
mundo, enquanto desmagificação, esvaziamento de sentido do mundo (Pierucci, 2003) e  
redução da natureza a um mecanismo causal por meio da racionalidade científica e tecnológica  
(Sell, 2013), Davis afirma que a informação, como componente dos novos mitos, estimula um  
imaginário místico e mágico, de modo que não haveria um esvaziamento, mas uma  
multiplicação de sentidos míticos. Nas palavras do autor, os mais diversos anseios metafísicos  
e míticos não desapareceram por completo, mas “[...] em muitos casos, eles se disfarçaram e se  
esconderam, penetrando nas motivações culturais, psicológicas e mitológicas que formam as  
bases do mundo moderno”(Davis, 1998, p. 03, tradução nossa).  
Por fim, temos o terceiro argumento, no qual Davis (1998, p. 03-04) faz um paralelo  
entre o conceito de “mito da máquina” desenvolvido por Lewis Mumford (1895-1990) e o  
conceito de “mito da informação” proposto por ele mesmo. Davis afirma (1998, p. 03) que o  
conceito de “mito da máquina” de Mumford (2006) foi concebido para explicar o  
desenvolvimento industrial, e apresenta como pilares a extração e exploração de recursos  
naturais, a mecanização do trabalho na linha de montagem industrial e a burocratização do  
comando e controle de grandes instituições. Ademais, ele também destaca a importância dos  
valores intrínsecos de controle, desenvolvimento e eficiência, a autoridade das elites técnicas e  
científicas, além da propulsão que o mito da máquina obteve através dos mitos cristãos. “Como  
muitos historiadores e sociólogos reconheceram, essa imagem secular foi moldada o tempo  
todo pelos mitos cristãos: o chamado bíblico para conquistar a natureza, a ética protestante do  
trabalho e, em particular, a visão milenarista de uma Nova Jerusalém” (Davis, 1998, p. 03,  
tradução nossa).  
7
Já o “mito da informação” de Davis (1998, p. 03) foi concebido para explicar os  
discursos neognósticos sobre a tecnologia e também as próprias tecnologias de informação e  
comunicação que moldam e condicionam aspectos da experiência mística humana na  
atualidade, como é o caso “[...] de mentes elétricas e bancos de dados ilimitados, previsões de  
computador e bibliotecas de hipertexto, sonhos de mídia imersiva e uma cultura de blip  
planetária entrelaçada com redes globais de telecomunicações” (Davis, 1998, p. 03, tradução  
nossa). Para ele (1998, p. 06), apesar das tecnologias de informação serem menos mecanizadas,  
elas fazem parte do mesmo fenômeno tecnológico, pois surgiram da megamáquina industrial.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
Nas palavras de Davis: “Certamente esse mito ainda está no topo do mesmo gigante mecânico  
que saiu dos pântanos frios da Europa e conquistou o globo” (Davis, 1998, p. 03, tradução  
nossa).  
Nesse sentido, ao considerar que o mito da informação é continuação do mito da  
máquina - o informacionalismo é continuação do mecanicismo - e, ao compreender que esse  
mito da máquina era entendido como imagem de mundo na modernidade, podemos afirmar que,  
para Davis (1998, p. 98), a imagem de mundo da contemporaneidade passou a ser a informação.  
E também, por isso, Davis nos traz a tese de que os discursos sobre as tecnologias da informação  
compartilham alguns valores cristãos, gnósticos e religiosos que serviram de inspiração para as  
tecnologias industriais. Isso vale principalmente para o repúdio ao natural e a valorização da  
transcendência corporal do ser humano, tão presentes no gnosticismo antigo e no tecnológico,  
inaugurado com a modernidade.  
Vale considerar aqui que as teses de Davis se assemelham em alguns aspectos as de  
Sibilia (2002, p. 82), pois ambos fazem menção à passagem do mito da máquina para o mito da  
informação. Onde, no mito da máquina, tínhamos o homem-máquina que “[...] se apoiava no  
arsenal da tecnociência prometéica” (Sibilia, 2002, p. 82), agora, no mito da informação, temos  
um homem-informação que, apesar de parecer se apoiar num materialismo exacerbado, na  
realidade, transforma essa matéria - o corpo humano - em pura informação (DNA), superando  
a fronteira imposta pelo dualismo cartesiano. Segundo a autora, aqui nos deparamos com o  
acontecimento do século XX: a superação da matéria. É essa superação que faz com que Sibilia  
(2002, p. 85) possa apresentar a noção de informação como algo que não é matéria ou energia,  
mas algo que está se difundindo em detrimento destas, as superando.  
8
A tríade de argumentos de Davis nos mostra como o mito da informação, em conjunto  
com a esperança utópica de indefinir as fronteiras do dualismo mente-corpo e a herança mística  
presente no imaginário ocidental, colaboraram para a propagação de ideia de transcendência da  
condição humana como sentido para a tecnologia, recuperando assim crenças do antigo  
gnosticismo. E, principalmente, nos leva a questionar qual é essa relação da informação como  
tecnologia decorrente do mesmo fenômeno da máquina com o discurso sobre a possibilidade  
de transcendência humana.  
3 INFORMAÇÃO, ESCRITA E TRANSCENDÊNCIA  
Para desenvolver sua tese, Davis argumenta primeiramente que “[...] os seres humanos  
são ciborgues desde o ano zero” (Davis, 1998, p. 10, tradução nossa) e que, por isso, é o destino  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
do ser humano viver “[...] em sociedades que inventam ferramentas que moldam a sociedade e  
os indivíduos nela” (Davis, 1998, p. 10, tradução nossa). Para ele, esse é o caso da informação.  
Considerando isso, o autor esclarece que as ferramentas não dizem respeito apenas às manuais  
como, lanças, facas, machados mas, também, às culturais, que formam o arcabouço cultural  
de conceitos e definições que moldam uma cultura tais como as definições de parentesco,  
gênero, sexo, remédios, clima, linguagem. Nesse sentido, a “[...] cultura é tecnocultura” (Davis,  
1998, p. 10, tradução nossa), já que, tanto as ferramentas manuais como as culturais possuem  
motivações humanas em sua base, valendo também para as tecnologias. Nas palavras do autor:  
Embora possamos pensar na tecnologia como uma ferramenta definida apenas por  
preocupações pragmáticas e utilitárias, as motivações humanas em matéria de  
tecnologia raramente são tão diretas. [...] tecnologias são moldadas e constrangidas  
pela urdidura e trama da cultura, com seus próprios mitos, sonhos, crueldades e fome  
(Davis, 1998, p. 10 tradução nossa).  
Essa interdependência entre tecnologia e cultura é explicada por Davis (1998, p. 15-16,  
48) através da antropologia da modernidade de Bruno Latour (1947-2022), apresentada em  
“Jamais fomos modernos” (2019), que considera que o humano pré-moderno sempre esteve  
imerso numa teia coletiva que interlaçava matéria e mente, onde natureza e cultura não  
separavam de modo algum, ou seja, não era dualista. Para Latour, “[...] essa matriz é composta  
de híbridoscoisas falantesque são naturais e culturais, reais e imaginadas, sujeito e objeto”  
(Davis, 1998, p. 10-11, tradução nossa). Entretanto, Davis (1998, p. 15-16, 48, 52) salienta que  
não pensamos dessa maneira atualmente porque erguemos uma grande barreira conceitual –  
Latour a chama de “A Grande Divisão” – que separa natureza e cultura, e que tem suas bases  
no Iluminismo e no pensamento mecanicista de Descartes.  
9
De um lado da Grande Divisão está a natureza, um mundo sem voz e puramente  
objetivo “lá fora”, cujos mecanismos ocultos são desbloqueados por cavalheiros  
científicos que usam instrumentos técnicos para amplificar suas percepções. A cultura  
humana está do outro lado da cerca, “aqui”, um mundo auto-reflexivo de histórias,  
assuntos e lutas de poder que se desenvolvem livres das limitações míticas da  
natureza. A Grande Divisão desencanta assim o mundo, entronizando o homem como  
o único agente ativo do cosmos. Dentro do paradigma da Grande Divisão, a tecnologia  
é simplesmente uma ferramenta, uma extensão passiva do homem. Não tem  
autonomia própria; ela simplesmente age sobre, mas não muda o mundo da natureza  
(Davis, 1998, p. 11, tradução nossa).  
Nesse sentido, Davis concorda com Latour (2019) e argumenta que, na modernidade,  
utilizamos o truque conceitual da Grande Divisão para negar a existência “[...] dos híbridos,  
aqueles “sujeitos/objetos” que atravessam as fronteiras entre natureza e cultura, agência e  
matéria-prima” (Davis, 1998, p. 11, tradução nossa), com a finalidade de libertar o Ocidente  
dos efeitos sistêmicos que a criação e aceitação desses híbridos poderia propagar por toda a  
sociedade. Entretanto, “[...] ao negar os híbridos, a Europa moderna paradoxalmente acabou  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
por produzi-los a um ritmo espantoso: novas tecnologias, novas perspectivas científicas e  
culturais, novos arranjos sociopolíticos e econômicos” (Davis, 1998, p. 11-12, tradução nossa).  
Negando os híbridos, tentamos sem sucesso parar a mudança cultural e social que eles poderiam  
proporcionar, tentamos parar de pensar na interconexão entre eles e a sociedade humana, mas  
falhamos pois eles se multiplicaram, produzindo ambivalência e indefinição.  
Cada novo híbrido que entra em cena bebês de proveta, Prozac, o sequenciamento  
do genoma humano, estações espaciais, aquecimento global nos empurra ainda mais  
para aquela terra de ninguém entre natureza e cultura, uma zona ambígua onde a  
ciência, a linguagem, e a imaginação social se sobrepõem e se interpenetram (DAVIS,  
1998, p. 12, tradução nossa).  
Aqui, cabe acrescentar que, de acordo com Davis (1998, p. 23), a criação da escrita foi  
fundamental para a produção dos híbridos, ou, como diria Bauman (1999), é pela própria  
tentativa idiomática de ordenar e classificar toda a realidade, a definindo gramaticalmente, que  
a linguagem multiplica seu oposto, a ambivalência, enquanto aquilo que escapa a definições.  
Estando a escrita entrelaçada com esse constructo contemporâneo que é a informação, sendo  
para nós a escrita uma forma da informação e a informação também uma forma de linguagem,  
considerada sob a perspectiva da teoria de Latour, a própria escrita seria um híbrido e, inclusive,  
ela proporciona a produção de outros híbridos. O autor (Davis, 1998, p. 23) ressalta que escrever  
é uma máquina, pois a escrita necessita de um alfabeto, símbolos ou imagens criados  
artificialmente e que servem para codificar uma mensagem que poderá ser registrada e  
transmitida.  
10  
É através da percepção e visibilidade dos símbolos escritos que os dados e significados  
de uma mensagem podem ser captados através da razão, sendo assim, entendidos e transmitidos.  
“Colocados em foco por olhos devidamente educados, glifos artificiais rabiscados na superfície  
de objetos saltam espontaneamente para a mente, trazendo consigo sons, significados e dados”  
(Davis, 1998, p. 23, tradução nossa). Assim, mesmo que historicamente se considere os  
pictogramas presentes nos templos da Mesopotâmia como a primeira escrita verdadeira, para o  
autor (1998, p. 25), produzimos informação desde sempre, desde que os humanos começaram  
a gravar as fases da lua em ossos para codificar e registrar os dados desse fenômeno, afinal “[...]  
eles também representam a crescente capacidade de abstrair, simbolizar e dissecar o fluxo do  
mundo. Esses ossos lunares podem ser nossa primeira tecnologia da informação” (Davis, 1998,  
p. 25, tradução nossa).  
Dessa forma, podemos dizer que, segundo Davis (1998, p. 27), foi a partir da escrita e  
do domínio do alfabeto que os humanos puderam entender melhor o mundo e separar seus  
pensamentos da realidade material do mundo, inclusive buscando separar as relações de causa  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
e efeito. Tal fato faz com que Davis nos lembre da importância da escrita em Platão (2005),  
bem como de sua teoria das formas, a qual influenciou o racionalismo e a religião ocidentais.  
Foi o letramento de Platão que proporcionou a separação entre o plano material e mental,  
transformando posteriormente este segundo em palavras e informações.  
4 TEORIA DA INFORMAÇÃO E ONTOLOGIA INFORMACIONAL  
A fim de defender a ideia de que foi o letramento de Platão que possibilitou a separação  
do plano mental e do plano material, Davis parte do pensamento de Eric A. Havelock (1930-  
1988), estudioso de Platão, que defendeu “[...] que as formas platônicas foram concebidas como  
analogias às formas visíveis, não apenas as formas perfeitas da geometria, mas as formas  
visíveis do alfabeto” (Davis, 1998, p. 26, tradução nossa), já que o termo ideia (em grego antigo  
idea), através de sua raiz etimológica (eidos), também pode ter uma conotação visual,  
significando vídeo. Consequentemente, podemos compreender as letras da mesma forma como  
compreendemos as ideias platônicas, como formas eternas e imutáveis que mantêm seu sentido  
perfeito acima de sua corporificação. As letras, assim como as ideias transcendem às coisas do  
mundo, não estão sujeitas às mudanças como ocorrem com as coisas materiais. O mesmo se  
poderia dizer da mente, já que, para Platão, ela também é independente do corpo material para  
produzir pensamentos e, consequentemente, conhecimento sobre o mundo.  
11  
Para Platão, a introspecção letrada pode ter catalisado algo muito mais místico: a  
crença revolucionária de que um espírito incorpóreo espreita dentro do eu e que essa  
centelha imortal de inteligência é independente do corpo que fala e respira. [...] Assim  
como as letras e as palavras escritas mantêm suas verdades acima do mundo fugaz da  
carne e, até mesmo, mantêm vivas as palavras de um homem morto, os leitores podem  
suspeitar que suas próprias mentes litigiosas pertencem a um reino igualmente  
atemporal de essências transcendentais (Davis, 1998, p. 27-28, tradução nossa).  
Davis tentou demonstrar, através desse recorte explicativo de Havelock sobre a teoria  
platônica que trata da linguagem, que a informação se manteve associada ao transcendente tais  
quais as palavras e a mente. E, como também apontado e apoiado pela teoria de Latour, que a  
informação, sendo um híbrido, ocupa o lugar de objeto que possui agência ao exercer influência  
cultural e na organização das sociedades. Entretanto, a associação da informação com o aspecto  
transcendente não explica sua funcionalidade, tampouco seu caráter híbrido; apesar de falar  
sobre sua agência, não explica como ela ocorre.  
Por isso, é preciso lembrar que somente na contemporaneidade, em 1940, com o  
aprimoramento da análise teórica de mensagens e da comunicação, de autoria de Claude  
Shannon (1916-2001), é que se pode anunciar o nascimento da teoria da informação. Nela,  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
buscava-se explicar como a transmissão de uma mensagem ocorreria, bem como explicitava  
que a informação poderia estar presente em todos os lugares, fazendo com que ela se  
transformasse: “[...] o que antes era apenas uma categoria de conhecimento começou a se  
transformar em uma nova unidade da própria realidade, que tomou seu lugar ao lado da matéria  
e da energia como um dos blocos de construção fundamentais do cosmos” (Davis, 1998, p. 81,  
tradução nossa).  
Para Shannon, a informação é gerada quando uma mensagem é passada de um emissor  
para um receptor por um canal de comunicação, não importando se essa mensagem é uma  
conversa entre dois amigos ou uma replicação do código genético. Para que a mensagem  
obtenha sucesso, ela deve resistir aos “ruídos”, ou seja, “[...] às flutuações fortuitas,  
interferência e erros de transmissão que inevitavelmente degradam os sinais à medida que  
avançam por um mundo análogo e cheio de erros” (Davis, 1998, p. 82, tradução nossa). Mas,  
para resolver esse problema, Davis nos lembra do segundo teorema proposto por Shannon, no  
qual ele afirma “[...] que qualquer mensagem pode ser codificada de tal forma que pode ter a  
garantia de sobreviver à sua jornada através do vale do ruído” (Davis, 1998, p. 82, tradução  
nossa).  
12  
Para mostrar que a transmissão da mensagem é tecnicamente possível, Shannon  
apresenta duas limitações implicadas no processo e que deveriam ser pensadas. A primeira diz  
respeito ao cálculo da capacidade de transporte do canal, isto é, o tamanho da banda por onde  
a mensagem seria transportada. A segunda se refere ao sistema de correções de erros, de modo  
que o receptor pudesse ter certeza de que a mensagem que estava recebendo seria a correta, ou  
seja, através de um mecanismo de redundância ou repetição da mensagem se garante que ela  
prevaleça, mesmo sob a investida dos ruídos. As duas limitações são interdependentes, tendo  
em vista que “[...] a integridade das mensagens pode ser mantida traduzindo-as em códigos  
digitais de vários graus de complexidade, redundância e precisão que diminui a largura de  
banda” (Davis, 1998, p. 83, tradução nossa).  
Ainda cabe esclarecer que, para ser informação, a mensagem deve ter um conteúdo novo  
e que gere uma incerteza do receptor. Em termos linguísticos, essa mensagem deve ser  
previsível para o receptor, deve conter redundâncias e regras sintáticas familiares, de modo que  
a estrutura facilite a compreensão do que está sendo transmitido. “Comunicar informações não  
é simplesmente uma questão de enfiar dados em um envelope e enviá-los; a informação também  
é algo construído pelo receptor” (Davis, 1998, p. 84-85, tradução nossa). Isso significa que,  
para que a informação seja transmitida correta e completamente, ela dependerá tanto de seu  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
emissor e de seu conteúdo quanto do preparo do receptor para recebê-la e analisá-la, ou seja,  
ela dependerá da objetividade da mensagem e da subjetividade do receptor.  
Como a equação proposta por Shannon para definir a informação é igual à equação da  
entropia de Ludwig Boltzman (1844-1906), Davis (1998, p. 98) afirma que a teoria da  
informação de Shannon ficou conhecida por medir os ruídos, ou seja, por medir a  
desorganização e a aleatoriedade na transmissão da informação. No entanto, contrária à  
proposta de Shannon, foi a proposta de Norbert Wiener (1894-1964) na qual a informação é,  
na verdade, uma medida de organização que mede o padrão, a forma e a coerência que  
transformou a informação em algo confiável. Segundo Davis (1998, p. 87), Wiener acreditava  
que a informação era confiável a ponto desse poder de geração de organização ser equivalente  
ao que se poderia chamar de Deus. “Tanto na imaginação popular quanto na tecnocrática, a  
informação e suas tecnologias começaram a assumir um caráter quase redentor à medida que  
lutavam contra o ruído e o erro” (Davis, 1998, p. 86, tradução nossa).  
Assim, podemos dizer que o conceito de informação possui papel preponderante na  
estruturação social e tecnológica atual, principalmente porque a tecnologia atual não se trata  
apenas de máquinas, no sentido industrial, mas de códigos, transmissão de significados e  
organização do conhecimento humano. Nesse sentido, as tecnologias de informação são coisas  
criadas, mecanismos materiais construídos para transmissão de dados e, por isso, são também  
híbridos tecnoculturais que tem capacidade de modificar a realidade social e cultural com seus  
significados. “Mais do que qualquer outra invenção, a tecnologia da informação transcende seu  
status de coisa, simplesmente porque permite a codificação e transmissão incorpórea da mente  
e do significado” (Davis, 1998, p. 04, tradução nossa). Codificação, essa, necessária para  
transformar o orgânico em informação.  
13  
5 INFORMACIONALISMO COMO IMAGEM DE MUNDO  
Nesse contexto, o alçar da informação ao papel de imagem de mundo de nossa época  
ajudou a ressignificar o mito da máquina e os mitos herméticos, os transfigurando em mitos  
informacionais. Em outras palavras, o imperativo da informação substituiu o imperativo da  
matéria, no qual a informação seria o conceito dominante para a consumação do processo  
tecnológico, isto é, a consumação se daria através da transformação do não-informacional em  
informação. “Foi só no século XX que a informação se tornou uma coisa em si” (Davis, 1998,  
p. 81, tradução nossa). A informação entrou naquele espaço existente entre a mente e a matéria,  
transformando a matéria em algo que não pode ser transcendente, mas que guia para a mesma.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
Desse modo, a integridade ontológica da matéria já não seria mais sustentável, pois foi através  
de sua manipulação informacional que se introduziram diversas transformações no mundo  
natural, criando o artificial.  
Nos termos mais simples do dia-a-dia, “informação” sugere um pedaço prático de  
experiência reificada, uma unidade de sentido alojada na hierarquia de conhecimento  
em algum lugar entre dados e relatórios. Embora seja um elemento essencialmente  
incorpóreo e "mental", a informação, no entanto, parece derivar do mundo físico  
externo, fortemente ligada a materiais mundanos como papel de jornal ou um  
termômetro ou ondas sonoras emergindo da boca de um arauto. A informação surge  
na lacuna da centelha entre a mente e a matéria (Davis, 1998, p.81, tradução nossa).  
Assim, para Davis (1998, p. 06), a TechGnosis, como gosta de denominar, só se tornou  
possível com o desenvolvimento das tecnologias informacionais e o seu entrelaçamento com as  
redes digitais e de telecomunicações, pois, segundo ele, foram essas tecnologias que  
proporcionaram a mudança no “eu” do indivíduo e, consequentemente, da sociedade e cultura.  
A criação de tecnologias híbridas proporciona, portanto, a queda do muro existente entre o  
material e o imaterial, além de possibilitar mudanças no modo de ver o mundo e a natureza. “A  
tecnologia da informação ajusta nossas percepções, comunica nossa imagem do mundo uns aos  
outros e constrói formas notáveis e às vezes insidiosas de controle sobre as histórias culturais  
que moldam nossa percepção do mundo” (Davis, 1998, p. 04, tradução nossa). A teoria da  
informação tornou-se, dessa forma, um novo modo de se pensar e esclarecer o mundo já  
conhecido. Ela invadiu o pensamento humanista, os problemas de comunicação e  
aprendizagem, de pensamento e comportamento social. Através de sua linguagem objetiva,  
utilitária e computacional, ela se tornou a mais nova forma de dominar eficientemente a  
natureza e a subjetividade humana.  
14  
Podemos dizer, enfim, que a informação definiu os rumos tomados pela sociedade  
contemporânea e seu desenvolvimento tecnológico. Não somente isso, ela definiu o modo de  
ser e fazer humanos, pois é através dela que é possível construir o conhecimento científico e  
tecnológico que permite ao ser humano vencer os limites impostos pela natureza e pelo  
corporal, visando sua transcendência, além de possibilitar o controle cultural, político e  
econômico. Tal como a invenção de relógios e motores e a descoberta da eletricidade foram  
significativos para a concretização do mecanicismo como imagem de mundo, o  
desenvolvimento das tecnologias da informação foram decisivos para o informacionalismo se  
tornar a imagem de nossa época, moldando nossas experiências no mundo:  
A coleta de informações define a civilização tanto quanto a coleta de alimentos define  
as culturas nômades que precederam o surgimento de comunidades urbanas,  
excedentes agrícolas e hierarquias sociais estratificadas. Desde o momento em que o  
primeiro escriba pegou uma cana e rabiscou um banco de dados na argila fria da  
Suméria, o fluxo de informações tem sido um instrumento de poder e controle  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
humanos - tanto religioso quanto econômico e político (Davis, 1998, p. 81, tradução  
nossa).  
Claro que se poderia inferir que, assim como para Davis (1998, p. 81), a informação  
definiu o que é a sociedade contemporânea, outras tecnologias poderiam ter essa mesma  
finalidade a partir de outras interpretações da sociedade. Seria possível dizer isso da  
eletricidade, do motor à combustão e da nova agricultura que utiliza técnicas e maquinários  
modernos. Entretanto, Davis (1998, p. 81) entende que mesmo essas tecnologias dependem da  
formulação e sistematização da informação, havendo, assim, uma reconfiguração da imagem  
de mundo que era determinada pela máquina, mas que passou a ser determinada pela  
informação. É importante esclarecer que, para o autor, a informação sempre foi usada, mesmo  
na época em que o foco estava nas máquinas, o que resultou em uma mudança no modo como  
a informação passou a ser percebida e entendida. Houve, portanto, uma mudança de foco, do  
material para o informacional e, principalmente, uma mudança de sentido, na qual a informação  
passou a ser determinante para a produção tecnológica e científica, para as relações humanas e  
sociais, para a política e cultura.  
15  
Assim, segundo Davis, a inferência de que outras tecnologias poderiam representar a  
definição de sociedade contemporânea é errônea, já que, por meio do informacionalismo, é  
possível mapear fenômenos culturais que transfiguraram o sentido dos mitos gnósticos para  
tech-gnósticos. Em outras palavras, nossa época pensa em termos de virtualização de relações,  
nossa ciência incorpora a informação como ideia fundamental, nossos relacionamentos  
acontecem por meio de informações. Logo, nossos mitos também são informacionais. Davis  
exemplifica essa transfiguração dos mitos através de movimentos culturais6, como o  
movimento hippie da década de 70, o extropianismo, a comunidade de jogadores de RPG de  
mesa, a comunidade de jogadores de videogame e computador, o conjunto de pessoas que  
acreditavam em naves alienígenas, entre outros, entendidos por ele como fundamentos culturais  
que convergem com o informacionalismo.  
6 MITO-INFORMAÇÃO E NETAFÍSICA  
Ao examinar o surgimento da chamada era da informação, definida por Davis como  
uma era da mito-informação (Davis, 1998, p.81), o autor enfatiza que apenas nesse momento  
histórico a informação passa a adquirir estatuto ontológico, tornando-se algo efetivamente  
6 Aqui não iremos expor esses eventos e movimentos culturais para não nos estender demais, mesmo considerando  
ser interessante visualizar o entrelaçamento do imaginário coletivo e esses eventos, para evidenciar a tese da  
informação como imagem de mundo.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
 
ARTIGO  
concebido como “coisa”. Nesse contexto, ele afirma que “se a eletricidade foi a alma da era  
moderna, a informação é seu espírito” (Davis, 1998, p.81, tradução nossa). Trata-se, contudo,  
de uma entidade desmaterializada e expansiva, cuja natureza imprecisa e difusa dificulta  
qualquer tentativa rigorosa de delimitação, aproximando-a de concepções quase incorpóreas e  
de ressonância mística.  
Esse cenário inaugura um novo modo de pensar, denominado por Davis de paradigma  
da informação, que passa a atravessar e reorganizar os discursos científicos. A circulação de  
informações assume, assim, um papel explicativo central, servindo como chave interpretativa  
para uma ampla gama de fenômenos. Um exemplo paradigmático é o DNA, por meio do qual  
a vida passa a ser compreendida como código, isto é, como informação armazenada, transmitida  
e passível de leitura. Segundo Davis, o sucesso dessa abordagem nas ciências biológicas só foi  
possível porque heranças religiosas profundamente enraizadas já haviam moldado nossa  
compreensão do mundo como algo “produzido” por um criador transcendental e, portanto,  
“escrito” segundo uma linguagem divina. Nesse sentido, o DNA ocupa, no imaginário  
contemporâneo, uma função análoga àquela desempenhada pela alma no cristianismo (Davis,  
1998, p.87-88). O alcance do paradigma do mito-informação, entretanto, não se limita ao campo  
da genética, estendendo-se também às neurociências. Influenciadas pela cibernética, estas  
passaram a conceber a mente como um conjunto de fluxos informacionais, recuperando, sob  
uma roupagem secularizada, imagens gnósticas de um espírito transcendente e de um eu  
desmaterializado (Davis, 1998, p.90).  
16  
Na parte final de sua análise, Davis destaca a emergência da rede como estrutura mítica  
fundamental da contemporaneidade. O arquétipo da rede adquire uma presença quase  
onipresente, infiltrando-se tanto nas ciências quanto nas metáforas utilizadas para explicar  
fenômenos sociais, naturais e culturais. A realidade passa a ser concebida como um sistema  
integralmente conectado, no qual todos os elementos se articulam em um conjunto holista. A  
força simbólica dessa metáfora decorre do fato de ela emergir em um contexto de  
transformações profundas, marcado por níveis crescentes de interconectividade e pela  
dissolução de centros únicos e estáveis de poder (Davis, 1998, p.326).  
Nesse sentido, a tecnologia informacional sugere menos a imagem ordenada de uma  
biblioteca do que a de uma selva intrincada, na qual a navegação ocorre mais por intuição do  
que por procedimentos estritamente racionais. O percurso proposto pela lógica da rede não  
aponta para o estabelecimento de uma nova metafísica, mas para aquilo que Davis denomina  
netafísica (Davis, 1998, p.332), caracterizada pela articulação entre imaginação e lógica e por  
uma renovada forma de interação entre ciência e imaginário. Essa perspectiva, contudo, não  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
promete redenção nem acesso a um saber totalizante, em contrário, “netafísicos não podem  
esperar algo como a salvação ou o conhecimento final de sua enciclopédia ‘sobremental’,  
porque fazer isso é cometer o mesmo erro que fomos rastreando durante esse livro: tomar as  
possibilidades tecnológicas como possibilidade sociais ou espirituais” (Davis, 1998, p.333,  
tradução nossa).  
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Ao longo deste artigo, buscamos mostrar que a noção de techgnosis, tal como formulada  
por Erik Davis, permite compreender a informação não apenas como um recurso tecnológico  
ou linguagem, mas como a imagem de mundo dominante da contemporaneidade. Em nossa  
época, o informacionalismo assume um papel análogo ao que o mecanicismo desempenhou na  
modernidade, funcionando como horizonte ontológico e simbólico a partir do qual a realidade  
é pensada, organizada e experienciada. A informação passa a ocupar o lugar intermediário entre  
mente e matéria, reconfigurando antigas estruturas dualistas sob uma linguagem tecnológica e  
secularizada, ao mesmo tempo em que preserva traços centrais de tradições gnósticas e  
herméticas. A techgnosis, assim, não designa uma ruptura radical com o passado, mas a  
atualização de impulsos místicos e metafísicos que atravessam a história do pensamento  
ocidental e que, na era das tecnologias informacionais, encontram novas formas de expressão.  
Para Davis, a informação se tornou o princípio organizador de nossas concepções de sujeito,  
corpo, conhecimento e mundo, consolidando-se como a imagem de mundo que estrutura o  
imaginário cultural, científico e tecnológico de nosso tempo.  
17  
Em Foucault, a noção de episteme visa evidenciar uma condição histórica mais profunda  
que estrutura os modos de ver, pensar e dizer próprios de um período histórico (Foucault, 2008).  
Na episteme moderna, por exemplo, o conhecimento passa a se organizar segundo princípios  
de ordenação, classificação e representação que pressupõem a objetivação do mundo e a  
separação entre sujeito cognoscente e objeto conhecido, consolidando uma racionalidade que  
tende a compreender os fenômenos naturais, biológicos e sociais segundo esquemas causais e  
funcionais (Foucault, 1999), o que podemos referir de maneira direta ao que chamamos aqui de  
mecanicismo. A partir da reflexão de Davis, podemos dizer que tal episteme moderna não  
desaparece, mas é reconfigurada. Para Davis, o informacionalismo instaura uma nova episteme,  
na qual a informação ocupa o lugar que antes pertencia à matéria e ao mecanismo,  
reorganizando os regimes de verdade, os discursos científicos e as formas de subjetivação. É  
dessa forma que a lógica mecanicista é deslocada e ressignificada por uma racionalidade  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
informacional, que passa a estruturar a compreensão da realidade por meio de fluxos, códigos  
e redes, sem abandonar, contudo, os traços dualistas herdados da modernidade.  
De forma semelhante, Davis dá continuidade à reflexão de Mumford (2006), para quem  
a máquina não deve ser entendida apenas como um artefato técnico, mas como o núcleo de uma  
narrativa civilizatória que organiza valores, crenças e formas de vida na modernidade industrial.  
O mito da máquina expressava uma imagem de mundo fundada na eficiência, no controle, na  
padronização e na submissão do humano a sistemas técnicos cada vez mais complexos. Esse  
mito produziu um imaginário tecnológico (Felinto, 2005) necessário para legitimar a  
exploração da natureza e a racionalização da vida social. Davis retoma criticamente esse  
diagnóstico, mas propõe que, na contemporaneidade, o mito da máquina não foi superado, mas  
transformado. O mito da informação herda da máquina sua pretensão totalizante, mas desloca  
seu eixo simbólico da materialidade para a imaterialidade, do mecanismo para o código, do  
motor para a rede. Nesse novo mito, as promessas de futuro, antes associadas à indústria,  
passam a ser vinculadas à circulação de informações, à virtualização do corpo e à  
transcendência da matéria. Assim como o mito da máquina sustentou o imaginário tecnológico  
da modernidade industrial, o mito da informação sustenta o imaginário tecnológico da era  
digital, funcionando como nova imagem de mundo capaz de reorganizar crenças, desejos e  
expectativas em torno da tecnologia.  
18  
Por fim, destacamos que a teorização de Davis contribui para explicitar o papel da  
tecnologia e da informação para a compreensão de como percebemos,  
vivenciamos e  
construímos o mundo, bem como somos construídos por ela. E além disso, a teorização de  
Davis contribui para o entendimento de como a informação passou a ser pensada como  
elemento que constitui e é constituinte não apenas da prática tecnológica, mas também da vida  
cotidiana, como uma partícula elementar que fomenta e sustenta toda a realidade, determinando  
e mantendo através do seu aspecto mental e transcendente a dicotomia metafísica platônico-  
cartesiana, num modelo dualista segundo o qual realidade, conhecimento e sujeito são  
compreendidos a partir de uma cisão entre espírito e matéria, mente e corpo, inteligível e  
sensível, interior e exterior.  
Tanto a tecnologia quanto a informação não são apenas frutos da racionalidade eficiente  
que fundamenta o mecanismo, mas são também frutos da ideia de transcendência presente na  
antiga gnose, daquilo que possibilitou a transformação e reconfiguração do modo de pensar e  
manipular a realidade, seja ontologicamente, seja epistemologicamente. Se a antiga gnose era  
“[...] a imanentização do princípio divino, ou seja, a transposição da ideia de divindade para o  
interior do sujeito e do horizonte das experiências humanas” (Felinto, 2005, p. 37), a nova gnose  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
informacional é a transposição da ideia de informação para o interior do sujeito, para as  
experiências e humanas e para a natureza. Sustentar a realidade através da informação torna  
possível a criação e a recriação de conhecimentos e de objetos, promovendo a ideia de um corpo  
manipulável pela mente, de uma natureza reduzida a dados, recriando o imanente para levá-lo  
ao transcendente.  
19  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.  
ARTIGO  
REFERÊNCIAS  
ALONSO, Andoni. ARZOZ, Iñaki. La nueva ciudad de Dios. 1. ed. Madrid: Ediciones  
Siruela, 2002.  
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade e Ambivalência. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.  
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. 6. ed. (A era da informação: economia, sociedade  
e cultura; Vol. 1) São Paulo: Paz e Terra, 1999.  
DAVIS, Erik. Techgnosis: myth, magic and mysticism in the age of information. 2nd ed. New  
York: Harmony Books, 1998.  
FELINTO, Erick. A religião das máquinas: Ensaios sobre o Imaginário da Cibercultura. 1. ed.  
Porto Alegre: Sulina, 2005.  
FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coisas. 8. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.  
FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. 7. ed., Rio de Janeiro: Forense Universitária,  
2008.  
HEIDEGGER, Martin. A época das imagens de mundo. Tradução: DRUCKER, Cláudia.  
dezembro de 2022).  
20  
JAPIASSÚ, Hilton. A crise da razão e do saber objetivo: as ondas do irracional. 1. ed. São  
Paulo: Letras & Letras, 1996.  
LATOUR, Bruno. Jamais Fomos Modernos: Ensaio de antropologia simétrica. 4. ed. São  
Paulo: Editora 34, 2019.  
MUMFORD, Lewis. Técnica y Civilización. 3. ed. Madrid: Alianza Editorial, 2006.  
NOBLE, David F.. The Religion of Technology: The Divinity of Man and the Spirit of  
Invention. 1ª ed. New York: Alfred A. Knopf, 1997.  
PIERUCCI, Antônio Flávio. O Desencantamento do Mundo: todos os passos do conceito em  
Max Weber. 1ª ed. São Paulo: Editora 34, 2003.  
PLATÃO, A República. 9. ed. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação  
Calouste Gulbenkian, 2005.  
SELL, Carlos Eduardo. Max Weber e a racionalização da vida. 1. ed. Petrópolis: Vozes,  
2013.  
SIBILIA, Paula. O homem pós-orgânico: corpo, subjetividade e tecnologias digitais. 3. ed.  
Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2002.  
YATES, Frances A. The Art of Memory. 1st ed. Chicago: University of Chicago Press, 1966.  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-20, e-7892, jul./dez. 2026.