ARTIGO  
Data de submissão: 24/04/2026 Data de aprovação: 26/06/2026 Data de publicação: 07/07/2026  
A ORGANIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA  
conceitos da Biblioteconomia e Ciência da Informação brasileira  
Diogo Roberto da Silva Andrade1  
Universidade Federal de Minas Gerais  
Ana Paula Meneses Alves2  
Universidade Federal de Minas Gerais  
______________________________  
Resumo  
As oportunidades de ampliar conceitos em uma área de conhecimento são um exercício de aproximações da  
contemporaneidade científica com a evolução dos sujeitos sociais. Na Biblioteconomia e Ciência da Informação  
existem alguns conceitos que foram perdendo vigor e sendo confundidos, este é o caso da “organização  
bibliográfica”. Um conceito caro para a Bibliografia seja ela enquanto documento, prática e estudo. A fim de  
tensionar as áreas e observar a evolução do conceito ao longo dos anos esta pesquisa se propõe a registrar os  
conceitos, em nível nacional, sobre organização bibliográfica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa brasileira  
realizada em bases de dados nacionais e buscando o conhecimento dos autores nacionais sobre o conceito de  
“organização bibliográfica”. Os registros recuperados datam de 1977, 1982, 1983, 2002 e 2018 em que foram  
localizados quatro conceitos que deram a base para a construção de um novo conceito sobre “organização  
bibliográfica”.  
Palavras-chave: organização bibliográfica; biblioteconomia; ciência da informação; conceitos; paradigmas.  
THE BIBLIOGRAPHIC ORGANIZATION  
scientific concept of Brazilian Library and Information Science  
Abstract  
The opportunity to expand concepts in a field of knowledge are an exercise in bringing contemporary scientific  
thought closer to the evolution of social subjects. In Library and Information Science, some concepts have lost  
strength or become confused; this is the case with "bibliographic organization." A concept dear to Bibliography,  
whether as a document, practice, or study. To explore the different areas and observe the evolution of the concept  
over the years, this research aims to record concepts, at the national level, regarding bibliographic organization.  
This is a Brazilian qualitative research study conducted in national databases, seeking the knowledge of national  
authors on the concept of "bibliographic organization." The retrieved records date from 1977, 1982, 1983, 2002,  
and 2018, in which four concepts were located that formed the basis for the construction of a new concept of  
"bibliographic organization".  
Keywords: bibliographic organization; librarianship; information science; concepts; paradigms.  
1
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Escola de Ciência da  
Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Gestão da Informação pelo  
Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação (PPGInfo) no Centro de Ciências Humanas e da Educação  
(FAED) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Bibliotecário pela ECI-UFMG.  
2
Doutora em Ciência da Informação pela Faculdade de Filosofia e Ciências, Unesp (Campus Marília) em regime  
de cotutela com a Universidade de Granada - Espanha, na qual recebeu o título de Doutora em Ciências Sociais.  
Mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade pela Universidade Federal de São Carlos. Bacharel em  
Biblioteconomia pela Faculdade de Filosofia e Ciências, Unesp (Campus Marília). Atualmente é Professora  
Adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  
Esta obra está licenciada sob uma licença  
LOGEION: Filosofia da informação, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 1-15, e-7945, jul./dez. 2026.  
   
ARTIGO  
ORGANIZACIÓN BIBLIOGRÁFICA  
conceptos de Biblioteconomía y Ciencias de la Información en Brasil  
Resumen  
Las oportunidades para ampliar conceptos dentro de un campo del conocimiento constituyen un ejercicio para  
conectar la comprensión científica contemporánea con la evolución de los sujetos sociales. En Biblioteconomía y  
Ciencias de la Información, algunos conceptos han perdido fuerza y se han vuelto confusos; este es el caso de la  
"organización bibliográfica". Este concepto es crucial para la bibliografía, ya sea como documento, práctica o  
estudio. Con el fin de explorar las diferentes áreas y observar la evolución del concepto a lo largo de los años, esta  
investigación tiene como objetivo registrar conceptos de organización bibliográfica a nivel nacional. Se trata de  
un estudio cualitativo brasileño realizado utilizando bases de datos nacionales y buscando el conocimiento de  
autores nacionales sobre el concepto de "organización bibliográfica". Los registros recuperados datan de 1977,  
1982, 1983, 2002 y 2018, donde se identificaron cuatro conceptos que conformaron la base para la construcción  
de un nuevo concepto de "organización bibliográfica".  
Palabras clave: organización bibliográfica; biblioteconomía; ciencias de la información; conceptos; paradigmas.  
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1 INTRODUÇÃO  
Ao longo dos séculos observa-se que a ciência permite que a humanidade conheça novos  
fundamentos por meio de experimentos ou por meio das filosofias do conhecimento. Recorrer  
aos diversos conjuntos de métodos, a partir de movimentos empíricos e epistemológicos, são  
exercícios científicos necessários para construir novos fundamentos úteis por meio da  
formulação de teses e antíteses. Ainda, os conceitos e os paradigmas instituídos pelas ciências  
nos diversos campos do saber podem dar suporte para a realização de práticas laborais.  
Observar dicotomias em uma área do conhecimento também são exercícios necessários para os  
avanços científicos e informacionais.  
Partindo dos propósitos da Biblioteconomia a biblioteca as suas funções profissionais  
e sociais (Dias, 2000) e da Ciência da Informação os fluxos da informação (Borko, 1968) –  
ambas as áreas do conhecimento têm como tônica a informação independente da forma de  
registro e suporte. Os movimentos das teorias do conhecimento constituem bases para que se  
formulem novos conhecimentos científicos sobre o que já está dado. Neste sentido, é caro para  
a Biblioteconomia e a Ciência da Informação estudos sobre “a informação e o conhecimento  
que são, fundamentalmente, interdisciplinares […]” (Fujita; Cervantes, 2005, p. 31).  
As ferramentas informacionais são variadas e as possibilidades dos sujeitos fazerem uso  
dessas ferramentas para a produção de conhecimento é ainda maior e profunda. Quando se trata  
do registro, salvaguarda, uso e disseminação da informação que existe no mundo, as soluções  
tecnológicas do lápis ao tablet perpassam diversos campos do conhecimento. Os registros  
do conhecimento, a comunicação (oral, gráfica e imagética), os contextos sociais e  
institucionais, de mesmo modo, o uso e as necessidades de informação devem caminhar e  
avançar junto da sociedade por meio dos estudos filosóficos e empíricos (Pinheiro, 2005).  
Neste sentido, pode-se compreender que, a Ciência da Informação consiste num campo  
de desenvolvimento de sistemas de fluxos informacionais. Os fluxos são parte das  
comunicações dinâmicas entre comunicador e receptor, como dito, independentemente do  
suporte em que essa informação a ser comunicada está registrada (Pinheiro, 2005). Assim, o  
contexto informacional está inserido nas práticas socioculturais, pois eleva o estágio de  
conhecimento de um sujeito e de sua comunidade (Pinheiro, 2005).  
3
Para a construção desse trabalho, toma-se como exemplo os movimentos científicos das  
Bibliografias (documento, prática ou área de estudos). As bibliografias podem ser conceituadas  
enquanto produto utilizado nos recursos e serviços da informação em unidades de informação  
, ou como atividade ligada a descrição intrínseca (os conteúdos, daquilo que está inserido) e  
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extrínseca (os continentes, a sua finalidade) dos documentos (Lara, 2018; Placer, 1955). As  
Bibliografias também podem ser compreendidas como campo de pesquisa que busca o  
aperfeiçoamento do repertório conceitual ao longo dos séculos (Lara, 2018; Placer, 1955).  
Desse modo, compreende-se que as ramificações da Bibliografia, enquanto ciência, técnica e  
prática também são conceituadas de acordo com os aprimoramentos empíricos e  
epistemológicos por meio de práticas e pesquisas.  
Para este campo o controle bibliográfico e a organização bibliográfica são dois  
conceitos-chave para que se possa compreender as dimensões políticas, éticas e técnicas sobre  
o registro e dos metadados que descrevem sistematicamente toda sorte de documento no mundo  
(Placer, 1955). As bibliografias enquanto instrumentos (documentos informacionais) por serem  
reconhecidas pela organização sistemática de registros da informação dos documentos estão  
diretamente atreladas a proposta de domínio dos registros da produção intelectual humana  
mundial (controle bibliográfico) e o domínio dos registros e estudo de meios de acesso dessa  
produção (organização bibliográfica) (IBICT, 1987; Figueiredo, 1939; Placer, 1955; Souza;  
Campello, 2016).  
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Esta pesquisa adota como conceito norteador o verbete organização bibliográfica”  
(Cunha; Cavalcanti, 2008, p. 270) do Dicionário de biblioteconomia e arquivologia, que pela  
ótica da área de Biblioteconomia propõe:  
Padrão de arranjo efetivo, que é o resultado de listagem sistemática dos registros da  
comunicação humana. Esse padrão indica a necessidade da existência de canais de  
comunicação; a lista sistemática indica a necessidade da existência de agências  
encarregadas da tarefa; o arranjo efetivo indica a necessidade da existência de  
mecanismos que levem aos documentos, bem como a seu conteúdo temático. As  
bibliotecas, os catálogos coletivos, os empréstimos e os equipamentos fotocopiadores  
são alguns dos mecanismos  
Do entrelaçamento sistemático de ações que o verbete propõe e na finalidade de testar  
as evoluções históricas científicas, como campo de estudo teórico elege-se, para este trabalho a  
“organização bibliográfica” como objeto de estudo. A partir dessa tomada de decisão,  
questiona-se: como se conceitua nacionalmente a organização bibliográfica? Isso posto, parte-  
se da perspectiva de que, a formação conceitual faz com que os conhecimentos adquiridos  
levem a outros novos conhecimentos, objetiva-se: registrar os conceitos, em nível nacional,  
sobre organização bibliográfica.  
Para que se alcance esse objetivo traçam-se outros mais, que têm por finalidade: a)  
localizar conceitos sobre organização bibliográfica em documentos publicados no Brasil, nas  
áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação; b) registrar os conceitos encontrados para  
fins de apreciação dos resultados.  
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Como conjunto de métodos científicos, esta pesquisa é de natureza básica, pois tem  
como intuito gerar novos conhecimentos teóricos (Silva; Menezes, 2005). Quanto à abordagem,  
trata-se de uma problemática qualitativa, pois a qualidade é “a arte da comunidade se autogerir,  
a criatividade cultural que demonstra em sua história e espera para o futuro, a capacidade de  
inventar seu espaço próprio […]” (Demo, 1996, p. 22). Os objetivos são exploratórios, e  
envolvem levantamento bibliográfico.  
Nesse tocante, o levantamento bibliográfico se deu por consulta e busca online em bases  
de dados digitais, a saber: na base de dados Base PERI, na Base de Dados em Ciência da  
Informação (BRAPCI), na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), no  
Portal Brasileiro de Publicações e Dados Científicos em Acesso Aberto (Oasisbr), no portal de  
periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)3 e na  
biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library Online (SciELO). Pois, nestas fontes de  
informação digital se concentra o capital intelectual brasileiro.  
Para as buscas mencionadas, utilizou-se o termo "organização bibliográfica". O  
operador booleano aspas foram aplicadas para que as buscas se concentrassem no termo  
especificamente, eliminando recuperação de registros fragmentados das palavras “organização”  
e/ou “bibliográfica”. Não foram aplicados recortes de tempo, a fim de realizar uma busca  
exaustiva. As buscas foram realizadas entre 6 de fevereiro de 2023 e 22 de fevereiro de 2023.  
Para a seleção dos documentos aplicaram-se critérios de exclusão, onde a lógica binária  
(sim e não) foi aplicada. Dessa forma, as publicações selecionadas para análise atenderam aos  
critérios a seguir:  
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a) são documentos publicados no Brasil;  
b) são documentos publicados nas áreas de Biblioteconomia e Ciência da  
Informação;  
c) os documentos são de acesso gratuito;  
d) são documentos que atendem à pesquisa quanto ao termo “organização  
bibliográfica”.  
De posse dos documentos coletados, a análise se deu pela leitura dos artigos no intuito  
de localizar os conceitos referentes à "organização bibliográfica". As análises foram feitas  
considerando a Análise de Conteúdo de Bardin (2016):  
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Para a consulta nos Periódicos CAPES foi feito o login por meio da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe)  
utilizando o usuário do discente, por meio de sua instituição.  
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Primeira etapa fase 1: leitura do título (pré-análise);  
Primeira etapa fase 2: leitura do resumo (pré-análise);  
Primeira etapa fase 3: leitura das palavras-chave (pré-análise);  
Primeira etapa fase 4: Organização dos documentos relevantes;  
Segunda etapa: exploração do material.  
Avançadas essas etapas, os documentos recuperados foram lidos integralmente.  
Posteriormente, os registros das coletas foram transcritos em planilhas do Excel (composto  
pelas colunas: título da base de dados; título do documento; autoria; resumo; palavras-chave;  
link documento para a recuperação) para a realização da quarta etapa (síntese) dos conteúdos  
e das informações obtidas nos documentos.  
A pesquisa se justifica à luz da exploração do estado da arte de uma área permite que as  
pessoas pesquisadoras, sejam elas discentes, docentes ou técnicas, aprimorem as percepções  
críticas sobre determinados temas. Além disso, a ciência se move a partir de interesses de  
investigação, portanto a dúvida e os movimentos dialéticos fazem com que sejam conhecidos  
fatos sobre um determinado conceito-chave.  
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Desse modo, esta pesquisa se concentra no território brasileiro porque a avaliação  
qualitativa tem como critério a participação da pessoa pesquisadora, dessa forma o cenário  
cultural em que o sujeito está imerso culturalmente possibilita o autodiagnóstico da comunidade  
na qual está inserido (Demo, 1996).  
2 DESENVOLVIMENTO  
Tanto para os diversos campos do conhecimento, os paradigmas são bases primordiais  
para que se desenvolvam estudos e pesquisas, que comuniquem informações aos diversos  
leitores, em variados suportes (Giddens; Turner, 1999). Estes fundamentos essenciais para  
delinear os campos de pesquisa quando conflitados ou pareados impulsionam a reflexão e a  
criticidade das pessoas pesquisadoras. Assim, rever os modelos de compreensão da realidade é  
um sinal de maturidade em um campo científico, pois permite observar os conceitos que  
alimentam as pesquisas e propor questionamentos e aprofundamento sobre um tema ou julgá-  
los obsoletos.  
Segundo Pinheiro (2005) a Ciência da Informação tem como características o uso de  
dados para informar algo a alguém, com isso a formulação de conceitos, neste campo,  
oportuniza o desenvolvimento conceitual, interdisciplinar e transdisciplinar. Neste estudo  
optou-se por verificar a evolução do conceito dentro do campo da Biblioteconomia e da Ciência  
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da Informação, este gesto de reflexão do conhecimento científico permite o refinamento e  
desenvolvimento de um campo de estudo e seus fundamentos.  
A partir da pesquisa realizada conforme proposto sobre “organização bibliográfica”  
foram recuperados artigos científicos (n= 13), publicações em anais de eventos (n= 2),  
dissertações de mestrado (n= 4), totalizando 19 documentos este resultado foi obtido com a  
exclusão de documentos duplicados.  
Ao se aplicar os critérios de exclusão (“a”, “b” “c” e “d”) foram recuperados artigos  
científicos (n= 4) e publicação em anais (n= 1).  
artigo – “Mecanismos e normas para a Organização Bibliográfica Nacional:  
novos programas para velhos problemas”, de Hagar Espanha Gomes;  
artigo – “Informação ontem”, de Hagar Espanha Gomes;  
artigo – “Subsídios para a determinação de bibliógrafos brasileiros”, de Paulo  
da Terra Caldeira;  
publicação em anais de evento – “Gerenciamento de bibliografias em meio  
eletrônico e normalização no padrão ABNT”, de BRITO, A. A. S.4;  
OLIVEIRA, R. C.;  
7
artigo – “Genealogia da biblioteconomia e da biblioteca “social”: Gabriel  
Naudé e o discurso libertino”, de Giulia Crippa5.  
Dessa forma, a partir destes critérios foram excluídos os documentos:  
da BDTD – pois não tratam do tema, ainda que o termo “organização  
bibliográfica” tenha sido recuperado no texto de uma dissertação e; não são  
publicações da Biblioteconomia e Ciência da Informação;  
da Oasisbr exceto pelo artigo em duplicidade, os demais documentos não são  
publicações da Biblioteconomia e Ciência da Informação;  
da CAPES exceto pelo artigo em duplicidade, os demais documentos não são  
publicações da Biblioteconomia e Ciência da Informação;  
da SciELO embora o artigo tenha sido publicado em uma revista nacional da  
área de Biblioteconomia e Ciência da Informação o texto se encontra na língua  
espanhola e seus autores não são brasileiros.  
4
5
Por meio dos metadados fornecidos pela Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB) foi  
possível realizar busca e pesquisa na internet para recuperar a identidade de Antonio Augusto Souza Brito  
(Currículo…, 2014). Não se obteve o mesmo êxito para com a identidade da segunda pessoa autora.  
Embora de nacionalidade italiana a Professora pesquisa e publica na língua portuguesa brasileira, é “[…] Doutora  
em História Social - Universidade de São Paulo (1999), Livre Docente em Ciências da Informação –  
Universidade de São Paulo (2012)” (Currículo…, 2021).  
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O artigo recuperado pela busca realizada na SciELO atende aos critérios de seleção,  
contudo este documento também foi eliminado para atender aos propósitos de pesquisa  
qualitativa, em que a identidade comunitária a qual a pesquisa se propõe seria comprometida  
(Demo, 1996). Por identidade comunitária enquanto dimensão específica da avaliação  
qualitativa compreende-se como “expressões de cultura própria, de criatividade comunitária;  
[…] memória histórica” (Demo, 1996, p. 26).  
Avançando, um primeiro estágio de pensamento científico ao acessar uma informação  
é a avaliação dessa informação a partir do pensamento crítico. No que toca as ferramentas  
informacionais, a leitura é também a tecnologia altamente utilizada pelos humanos para  
produzir conhecimento por meio de informações registradas por meio de signos linguísticos.  
Assim, propõe-se como questões basilares de um leitor questionar-se sobre: Quem escreveu?  
Quando foi escrito? Qual o intuito do texto? Para quem o texto foi escrito? Dessa forma o  
Quadro 1 apresenta essas questões de leitura preliminar sobre os documentos encontrados pela  
pesquisa.  
Quadro 1 Dados fundamentais das coletas  
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Autoria  
Data de publicação  
Objetivo  
Área de conhecimento  
Problemas da  
organização bibliográfica  
Hagar Espanha Gomes  
1977  
Biblioteconomia  
História da organização  
bibliográfica  
Hagar Espanha Gomes  
Paulo da Terra Caldeira  
1982  
1983  
2002  
2018  
Biblioteconomia  
Biblioteconomia  
Importância da  
organização bibliográfica  
A. A. S. Brito; R. C.  
Oliveira  
Tecnologia da  
informação  
Biblioteconomia  
Gênese das bibliotecas e  
da Biblioteconomia  
Giulia Crippa  
Ciência da Informação  
Fonte: dados da pesquisa (2023).  
Historicamente, a partir da coleta de dados, Hagar Espanha publica em 1977 os  
problemas da organização bibliográfica, entre os seus apontamentos estava a lentidão na  
organização da bibliografia nacional brasileira. Posteriormente, a autora faz um histórico desse  
tema, no documento de 1982: iniciando no século XV com o início da atividade bibliográfica  
até a década de 1960 com a possibilidade de introduzir computadores nos serviços de  
informação, não deixando de apontar um frenesi pela tecnologia cibernética e como o  
conhecimento brasileiro e de outros países subdesenvolvidos foi ignorado na criação do  
programa de comutação bibliográfica.  
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Já em 1983 Paulo da Terra traz em seu artigo a importância de técnicas nos registros da  
bibliografia nacional, aponta que o capital intelectual brasileiro precisa de estabelecer critérios  
indispensáveis na indexação e nos resumos.  
Há uma lacuna de quase 20 anos até que Brito e Oliveira, em 2002, publicaram sobre  
um recurso tecnológico para o gerenciamento de referências digitais, atendendo às Normas  
Brasileiras (NBR) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O estudo foi  
publicado no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU) de 2002.  
Após outra lacuna temporal, em 2018 Giulia Crippa retoma o assunto de organização  
bibliográfica, fazendo uma leitura, a partir dos atos de liberdade universais de Gabriel Naudé,  
e demonstrando como as bibliográficas são partes fundamentais para as mudanças nas  
bibliotecas e práticas bibliotecárias.  
Desses documentos se extraíram quatro definições de “organização bibliográfica” que  
serão organizadas no Quadro 2.  
Quadro 2 Concepções de organização bibliográfica  
Autor  
Conceito  
9
“[…] a organização bibliográfica interna é indispensável a um país –  
industrializado ou não, para que, através dos diversos serviços e  
produtos, seja possível obter dados sobre a produção bibliográfica  
produzida no país. Esses indicadores, ao lado de outros, possibilitam a  
elaboração de planos diversos. Além disso, dependendo do estágio de  
desenvolvimento do país, a literatura nacional é representativa do  
conhecimento mundial e, nesse caso, é mais do que óbvia a importância  
da organização bibliográfica, já aqui do ponto de vista da comunicação  
científica”.  
Hagar Espanha Gomes (1977, p.  
178, grifo nosso)  
“A necessidade de organização bibliográfica está presente no Brasil  
desde 1895, quando o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro cria  
uma Comissão Central de Bibliografia Brasileira a fim de atender a um  
convite do Governo Suíço formulado logo após a reunião, em 1891,  
num Congresso Internacional de Ciência Geográficas [sic]. Tal  
Comissão seria responsável pela coleta, divulgação e remessa para a  
Suíça dos trabalhos geográficos produzidos no País. O órgão central e  
normalizador seria a Comissão Central da Bibliografia Suíça,  
Hagar Espanha Gomes (1982, p.  
34, grifo nosso)  
responsável pela organização de um Repertório bibliográfico. […]”  
“[…] Entende-se por organização bibliográfica não só a compilação de  
bibliografias, mas também a organização de outras fontes de  
informação, como guias de obras de referência, catálogos coletivos,  
diretórios de pessoas e instituições, etc. […]”  
Paulo da Terra Caldeira (1983, p.  
89, grifo nosso)  
“[…] A biblioteca de Naudé revela com clareza o reconhecimento de  
que à organização bibliográfica deve corresponder uma organização  
física capaz de levar a biblioteca a desempenhar suas funções.  
Giulia Crippa (2018, p. 41, grifo  
nosso)  
Fonte: dados da pesquisa (2023).  
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No artigo de Brito e Oliveira (2002) não há uma concepção clara do termo, é informado  
que o uso de software para a organização bibliográfica atende aos critérios da norma técnica  
brasileira, tanto para a ordenação numérica quanto para a ordenação alfabética. Porém, não  
representa o que é, para estes autores, a organização bibliográfica.  
A pesquisa realizada aponta que para os autores nacionais recuperados a “organização  
bibliográfica” se dispõe para a listagem dos registros da produção intelectual, utilizando um  
suporte impresso ou digital para arrolar as obras, este suporte permite a comunicação científica  
de uma área. As técnicas de descrição intrínseca dos documentos também são levadas em  
consideração. Nota-se que um agente idealizador (seja este um sujeito pesquisador ou uma  
agência institucional) também é importante para a organização bibliográfica, é este ator/sujeito  
quem cria as políticas a serem seguidas nas práticas.  
Portanto, das análises conceituais presentes, pode se definir como organização  
bibliográfica: princípios e normas para arrolar de forma permanente todos os documentos  
(gráficos e não-gráficos) existentes independentemente da sua localização geográfica e de seu  
suporte informacional. Tem como intuito a preservação do registro do documento, bem como  
possibilitar o acesso a esses documentos dando suporte à memória informacional e ao  
coeficiente literário do mundo (Andrade, 2024, p. 39).6  
10  
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A Ciência da Informação se preocupa com a informação e comunicação científica, bem  
como sua gestão, as tecnologias e como a literatura de uma área impacta no desenvolvimento  
cultural e social. No campo de Organização do Conhecimento, a Ciência da Informação é  
percebida com ações interdisciplinares e transdisciplinares, logo, por natureza é uma área que  
estuda empírica e epistemologicamente todas as áreas do conhecimento. Estas dialogias,  
dicotomias e fluxos permitem observar que a informação é para o sujeito social uma forma de  
ampliar os seus conhecimentos de mundo, o gesto informacional depende do conhecimento  
prévio do leitor e de suas capacidades cognitivas para interpretar a informação subjetiva e  
conceitual e transformá-la em conhecimento.  
Utilizou-se uma aresta do campo da Bibliografia nacional brasileira para compreender  
como um conceito pode ser formulado e transformado ao longo dos tempos. Para atender aos  
objetivos de registro histórico de um conceito foram realizados levantamentos bibliográficos  
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Este conceito foi também apresentado na dissertação de mestrado intitulada A bibliografia da Biblioteca  
Universal Guei.  
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em bases de dados brasileiras com intuito de registrar o que se compreende como organização  
bibliográfica em território nacional. Os conceitos de organização bibliográfica foram então  
localizados e registrados, para que se pudesse fazer análises das informações contidas nos  
registros destes documentos. Os registros recuperados datam de 1977, 1982, 1983, 2002 e 2018.  
Todos atendem às áreas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação.  
Por fim, foi demonstrado que, um conceito pode ser uma abstração técnica ou uma  
concepção teórica. Para avançar no estado da arte é necessário observar as nuances de  
aplicabilidade de uma teoria, assim pode-se compreender que a informação está inserida em um  
recorte histórico com contextos socioculturais. Outros estudos podem ser capazes de  
diferenciar, por exemplo, a organização bibliográfica de controle bibliográfico. Além disso,  
análises qualitativas do coeficiente intelectual de outros países também são propostas para  
ampliar conhecimentos. Pois, acredita-se que os fundamentos de um campo do conhecimento  
estão estritamente ligados com avaliações qualitativas (científicas e humanistas).  
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REFERÊNCIAS  
ANDRADE, Diogo Roberto da Silva. A bibliografia da Biblioteca Universal Guei: um  
mapeamento nos catálogos virtuais de bibliotecas públicas estaduais brasileiras à luz da  
justiça social e justiça de gênero. 2026. Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Gestão  
da Informação) - Udesc, Florianópolis, 2024. Disponível em:  
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.  
BORKO, Harold. Information science: what is it? American Documentation, [s. l.], v. 19, n.  
1, p. 3-5, 1968. Disponível em:  
BRITO, A. A. S.; OLIVEIRA, R. C. Gerenciamento de Bibliografias em Meio Eletrônico e  
Normalização no Padrão ABNT. In.: SEMINARIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS  
UNIVERSITARIAS, 12., 2002, Recife. Anais… Recife: UFPE, 2002. Disponível em:  
CALDEIRA, Paulo da Terra. Subsídios para a determinação de bibliógrafos brasileiros.  
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 12, n. 1, p. 88-96,  
Acesso em: 9 fev. 2023.  
12  
CRIPPA, Giulia. Genealogia da biblioteconomia e da biblioteca “social”: Gabriel Naudé e o  
discurso libertino. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, São Paulo, v.  
14, n. 3, p. 41-59, 2018. Disponível em: https://rbbd.febab.org.br/rbbd/article/view/1177.  
Acesso em: 25 jun. 2026.  
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ARTIGO  
AGRADECIMENTOS  
Ao [GRUPO DE PESQUISA] da [UNIVERSIDADE] pelo avanço nos debates e reflexões  
acadêmicas e profissionais. Agradecemos também à Coordenação de Aperfeiçoamento de  
Pessoal de Nível Superior (CAPES) pela bolsa em nível de doutoramento concedida.  
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