O objetivo deste artigo é apresentar um recorte do debate em torno de três traduções de information literacy no campo da Biblioteconomia e da Ciência da Informação no Brasil, quais sejam, competência em informação, competência informacional e letramento informacional, na primeira década dos anos 2000. Nossa intenção é compreender quais elementos sustentam esse debate e como as noções de Pierre Bourdieu (1976) sobre o campo científico e as noções sobre vieses epistêmicos de Gustavo Caponi (2023) podem ser materializadas nos argumentos apresentados pelas autoras para justificar a escolha dos termos. Esta pesquisa possui natureza exploratório-descritiva; quanto aos fins e quanto aos meios, caracteriza-se por ser uma pesquisa de cunho bibliográfico e documental. Como procedimento de coleta, realizamos um levantamento sistemático sobre os três termos em questão nas seguintes bases de dados: Portal de Periódicos Capes; coleção BENANCIB; BRAPCI; BDTD; CTDC. Identificamos que a existência de diferentes posicionamentos epistêmicos em torno da proposição desses termos evidencia o fato de estes não serem vocábulos neutros, mas, sim, representarem determinado arranjo discursivo e metodológico cunhado por suas autorias. Essas autoras, por sua vez, situam-se histórica e culturalmente em condições determinadas, o que possibilita que elas tracem caminhos discursivos específicos de modo a imprimir em suas escolhas os fundamentos originados de suas experiências acadêmicas e profissionais. Concluímos que estudos dessa natureza são relevantes para a área, pois as apropriações terminológico-conceituais feitas com base nas autoras apresentadas não podem desconsiderar fatores como o habitus, as estratégias, o capital científico e os vieses epistêmicos envolvidos nas abordagens de cada autora
Information literacy, Conceito, Terminologia, Campo científico, Viés epistêmico
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