INTERVENÇÃO SOCIAL EM SAÚDE EDUCATIVA POR MEIO DE HORTA COMUNITÁRIA URBANA EM PARAGOMINAS - PARÁ

 

 

Cláudia Maria Lopes Pereira Lemos [1]

CMLPL

e-mail

 

Maria José de Sousa Barbosa [2]

MJSB

e-mail

 

Resumo

Apresenta-se, neste artigo, uma prática de intervenção social sobre a temática da educação em saúde da família, uma ação dinâmica e em diálogo com os sujeitos protagonistas. Teve-se como objetivo desenvolver uma experiência de reflexão-ação na produção de hortaliças sob orientação quanto ao cultivo, colheita, manipulação e confecção de alimentos saudáveis, por meio de uma horta comunitária urbana de base agroecológica, situada no bairro Promissão III, no município de Paragominas no estado do Pará. Buscou-se desenvolver boas práticas de alimentação saudável como condição de saúde e bem-estar. Tratou-se de uma estratégia de saúde da família.

Palavras-chave: Educação em Saúde. Trabalho Social. Qualidade de Vida. Hortas Comunitárias.

 

SOCIAL INTERVENTION IN EDUCATIONAL HEALTH THROUGH URBAN COMMUNITY GARDEN IN PARAGOMINAS – PARÁ

 

Abstract

This article presents a social intervention practice on the theme of family health education, a dynamic action in dialogue with protagonists.  The objective was to develop a reflection-action experience in the production of vegetables under guidance on the cultivation, harvesting, manipulation and preparation of healthy foods, through an agro-ecological urban community garden, located in the Promissão III neighborhood, in the municipality of Paragominas, in the state of Pará. It aimed to develop good practices of healthy eating as a condition of health and well-being.  It was a family health strategy.

Keywords: Health Education. Social work.  Quality of life.  Community gardens.

1 INTRODUÇÃO

 

A educação em saúde tem se tornado uma estratégia no setor saúde que possibilita uma intervenção social para além das fronteiras da unidade física de saúde, quando se pensa na qualidade de vida. Nesse sentido, precisa-se retomar determinadas práticas sociais que foram perdidas com as transformações econômicas, sociais e culturais decorrentes da urbanização capitalista.

Do regime de acumulação fordista dado pela Revolução Industrial ao regime de acumulação flexível impresso pela Revolução Informacional (HARVEY, 1994), observa-se um processo de segmentação entre campo e cidade, cada vez mais intenso, em que a rapidez e a condensação do tempo repercutem nos hábitos de vida, repercutindo na alimentação orientada pelo uso de produtos industrializados e de tipo fast food. No entanto, na contraface dessas mutações têm ocorrido críticas à industrialização dos alimentos em face do uso excessivo de química para a conservação dos alimentos.

Nesse movimento se retomam práticas sociais de produção, colheita e manipulação de alimentos sob a ideia de um estilo de vida saudável. Verifica-se ainda a introdução de cultivo agrícola urbana e periurbana caracterizadas pelo cultivo de plantas alimentícias (grãos, raízes, hortaliças, cogumelos e frutas) e não alimentícias (plantas aromáticas e medicinais, plantas ornamentais e produtos de árvores), associadas à criação de pequenos animais (aves, coelhos, cabras, ovelhas, gado bovino, porcos, cobaias, pescado etc.).

Essa agricultura dá-se em quintais florestais, terraços, pátios, hortas comunitárias, hortas urbanas, entre outros espaços públicos (ALVES, MOURA, SCHULTS, 2019; FAO, 2018; PIRES, 2016; MATOS, 2013). Agricultura urbana fornece alimentos frescos, gera emprego, recicla resíduos urbanos, cria cintos verdes e fortalece a resistência das cidades diante das mudanças climáticas (FAO, 2018).

Esta atividade tem se mostrado como possibilidade de amenizar graves problemas das cidades, especialmente os relacionados à alimentação, saúde, meio ambiente e geração de renda (ALVES; MOURA; SCHULTZ, 2019, p.160-178).

No presente artigo visa-se contribuir para esse debate e, ao mesmo tempo, mostrar uma experiência concreta de educação em saúde, que procurou utilizar a agricultura urbana como mecanismo de intervenção social para a produção de alimentos sob princípios agroecológicos, revitalizando uma horta urbana comunitária com o objetivo de discutir, refletir e conscientizar o público participante para a construção de um estilo de vida saudável, por meio do plantio, manuseio, colheita, manipulação, confecção e consumo de alimentos saudáveis, visando a promoção da saúde.

Trata-se de uma ação realizada no bairro periférico Promissão III, no município de Paragominas, estado do Pará. Ressalta-se que a proposta de revitalização dessa horta comunitária foi da pesquisadora – profissional de serviço social, na medida em que trabalha em uma unidade de saúde onde observava processos de adoecimento vinculado a má alimentação e que isso poderia ser evitado a partir de uma ação voltada à educação em saúde com a introdução de práticas para obtenção de alimentação saudável.

Observou-se que a produção de hortaliças de base agroecológicas por meio do plantio, cultivo, manipulação e uso de alimentos como hortaliças, legumes e frutos são importantes para uma alimentação adequada a manutenção da saúde. Por essa razão, visou-se a aplicação de conhecimentos desenvolvido por meio de um projeto piloto de educação em saúde orientado para as boas práticas de cultivo, coleta e manipulação, a fim de introduzir ou mesmo vivificar o uso de hortaliças enquanto estratégia de saúde da família.

Essas práticas foram consideradas adequadas à promoção da saúde, uma ação que envolveu equipe interdisciplinar (Serviço Social, Agronomia, Nutrição e Psicologia), na medida em que exigia diferentes habilidades técnicas para garantir o desenvolvimento desse processo educacional com temas transversais.

Utilizou-se a metodologia da pesquisa-ação, tomando como referência Thiollent (1985) e Pinto (2013), tendo em vista que esses autores orientam a construção de conhecimento e de sua aplicabilidade na relação direta com os participantes, na realização de ações concretas para a solução de problemas.

A abordagem exige o compromisso do pesquisador, enquanto animador[3], no exercício da produção de conhecimento sob abordagem interdisciplinar ao mesmo tempo em que necessita da adesão e engajamento dos sujeitos protagonistas e que estes sejam o centro da reflexão-ação, contribuindo com o próprio desenvolvimento comunitário.

A experiência desenvolvida mostrou-se relevante ao relacionar o trabalho social à educação em saúde, na medida em que proporcionou a realização de uma ação concreta na superação de problemas de atenção básica de saúde. Partiu-se da identificação, na unidade hospitalar, que muitos dos problemas decorriam da alimentação inadequada, assim, procurou-se oferecer soluções, ainda que parciais, para uma alternativa de alimentação saudável, além de produzir conhecimentos e orientações na perspectiva de conscientização dos participantes quanto à segurança alimentar, nutricional e soberania alimentar.

A alimentação saudável é um dos elementos que favorece o bem-estar do cidadão, sendo assim, a equipe interdisciplinar discutiu temas transversais, fortalecendo vínculos familiares, capazes de contribuir para a soberania alimentar e consumo consciente, como condição de melhoria da saúde do grupo familiar e comunitário.

Discutiu-se, inicialmente, o processo de urbanização a fim de mostrar como o modo de vida na cidade está estruturado no consumo de alimentos e não na sua produção e que para a sua obtenção é necessário renda, devido ao distanciamento do campo. Em seguida introduz-se a discussão e a experiência de revitalização de uma horta urbana enquanto mecanismo de produção de alimentos sob princípios agroecológicos na manutenção de alimentação saudável.

A promoção da saúde é atuar para modificar os determinantes do processo saúde-doença da população e da comunidade. O diálogo sobre as práticas alimentares deve ser pensado como estratégia de ação política pública em equipamentos de uso comuns, como escolas, restaurantes, a fim de reverter práticas e hábitos alimentares impostos pelo mercado e suas políticas de marketing comerciais.

Desta forma, implantar programas de alimentação saudável em locais de uso coletivo como em comunidades, escolas, praças, entre outros, pode ser um começo para alterar a concepção e uso de produtos alimentícios danosos à saúde, além de contribuir para que a comunidade local eleve sua qualidade alimentar e de vida.

Desenvolver a prática do cultivo de hortas com bases agroecológicas em locais comunitários visa a promoção da saúde, como um caminho possível de fortalecimento à política transversal integrada e intersetorial da saúde que fomenta o diálogo do setor saúde com outros setores de políticas públicas nos três entes federados.

 

2 CIDADE E AGRICULTURA URBANA: ASPECTOS ASSOCIADOS QUE LEVAM À CONDIÇÕES DE SAÚDE E VIDA DIGNA

 

O processo de urbanização provocou mudança nos hábitos alimentares e consequentemente, no modo de vida, pois as formas de produção e reprodução nas cidades segmentam espaço de trabalho e espaço de habitação. Uma dinâmica marcada pela industrialização e pelos serviços de apoio a essa configuração social. A vida do campo se define, em grande medida, pela produção de alimentos, como se esses dois mundos fossem especializados, pois os produtos alimentícios, advindos do mundo rural, decorrem da obtenção de renda, na medida em que esses dois mundos parecem estar separados, mas que, na realidade, se constituem como espaços complementares.

No entanto, é cada vez mais presente debates e experiências de implantação de uma agricultura urbana e periurbana em face da valorização de produtos in nauta, que exigem menor tempo de circulação e consumo em face da sua perenidade. Para Mattos et al (2015 apud ALVES; MOURA; SCHULTUZ, 2019, p.161), o cultivo de alimentos em áreas urbanas está presente em regiões metropolitanas e não metropolitanas brasileiras podendo ser encontradas em quintais domésticos, escolas, creches, centros de saúde, centros de referência em assistência social, universidades, penitenciárias, terraços e telhados.

A agricultura urbana e periurbana tem gerado economia familiar e fortalecido laços comunitários de solidariedade e cooperação ao analisar os espaços de sua prática, como mostra-se (quadro 1), abaixo.

 

Quadro 1- Espaços possíveis para a prática de agricultura urbana e periurbana.

Tipologia

Espaços característicos

Espaços Privados

Lotes vagos; terrenos baldios particulares ou com dúvidas sobre a propriedade; lajes e tetos; quintais ou pátios; áreas periurbanas; áreas verdes em conjuntos habitacionais.

Espaços Públicos

Terrenos de propriedade municipal, estadual e federal com espaços possíveis de utilização de acordo com a caracterização feita nas linhas abaixo.

Espaços Verdes

Verdes urbanos, praças e parques.

Institucionais

Escolas e creches; postos de saúde; hospitais; presídios; edifícios públicos e privados.

Não Edificáveis

 

Laterais de vias férreas; laterais de estradas e avenidas; margens de cursos d’água; áreas inundáveis; faixa sob linhas de alta tensão; ambientes aquáticos (rios e lagoas).

Unidades de Conservação

Áreas de proteção ambiental; reservas ecológicas; outras unidades desde que seja permitido o manejo e uso de potencialidades.

Áreas de Tratamento

Aterro sanitário; lagoas de oxidação

Fonte: Santandreu e Lovo (2007) adaptado por Terrile (2006 apud ALVES; MOURA; SCHULTUZ, 2019, p.19).

 

A agricultura urbana e periurbana visa contribuir na resolução de problemas de circuito curto em que instituições governamentais e não governamentais em nível local promovem “...economia nas compras alimentícias, saúde psicológica, promoção do convívio comunitário, bem como a saúde alimentar, ao aproximar as pessoas do consumo de produtos orgânicos e naturais” (GUIACHÈ; PORTO, 2015, p.45).

Neste sentido, a agricultura urbana e periurbana tem se constituído como uma alternativa na produção de alimentos a fim de atender demandas nutricionais de maneira mais próximas das populações que vivem nas cidades e nas periferias, além de contribuir como instrumento de gestão favorável à saúde, geração de renda, entre outros.

No Brasil o desenvolvimento da agricultura urbana e periurbana está ligado ao crescimento demográfico e econômico das cidades. Desta forma, a agricultura urbana e periurbana têm se apresentado como uma das possibilidades de amenizar os problemas das cidades, principalmente relacionados à alimentação, saúde, meio ambiente, geração de renda (RIBEIRO et al 2015), mas também de hábitos alimentares saudáveis, melhorando inclusive a saúde, pela ingestão de produtos nutritivos e sem agrotóxicos.

 

3 EDUCAÇÃO EM SAÚDE COMO AÇÃO DE POLÍTICA PÚBLICA

A promoção da saúde foi introduzida no sistema Único de Saúde em 2006, a partir da discussão sobre a segurança alimentar e nutricional e soberania alimentar. No entanto, o “termo educação em saúde vem sendo utilizado desde as primeiras décadas do século XX e para sua melhor compreensão faz-se necessário o entendimento da história da saúde pública no Brasil” (FALKENBERG, 2013, 848).

Assim, quando se busca articular a temática da saúde a questão dos alimentos tem-se como intensão transcender o debate do suprimento das necessidades biológicas ao agregar significados culturais, comportamentais e afetivos singulares que não podem ser desprezados.

A garantia de uma alimentação adequada e saudável pode contemplar o resgate de hábitos e práticas alimentares regionais que valorizem a produção e o consumo de alimentos locais.

Neste sentido, o debate sobre soberania alimentar é importante, pois as indústrias alimentícias tendem a depreciar os produtos orgânicos tradicionais, como aqueles existentes nos quintais florestais, muitas vezes, abandonados em seus usos.

O papel da saúde é atuar para modificar os determinantes do processo saúde-doença da população e da comunidade. O diálogo sobre as práticas alimentares precisa ser pensado como estratégia de ação de política pública em equipamentos de uso comuns, como escolas, hospitais, centros comunitários, restaurantes a fim de reverter práticas e hábitos alimentares impostos pelo mercado e suas políticas de marketing comerciais.

O setor saúde tem por responsabilidade prover serviços clínicos e de urgência, mas precisa incorporar práticas sociais que favoreçam a prevenção, para tanto, mover-se gradativamente no sentido da promoção da saúde extrapolando-se os muros das unidades de saúde. Os serviços de saúde precisam adotar uma postura abrangente que perceba, respeite e incentive as boas práticas de alimentação saudável, abrindo canais entre o de setor saúde e demais setores, sociais, políticos, econômicos e ambientais (OLIVEIRA, 2005).

Para Azevedo et al (2012), a perspectiva de uma atuação de caráter inter e intrasetorial no campo das políticas públicas de saúde tende a crescer diante do acúmulo de discussão já existente que envolve a ampla causalidade do processo saúde-doença. Assim, a abordagem intersetorial torna-se um objetivo a ser alcançado pelas políticas públicas que têm como diretriz a promoção da qualidade de vida das populações, em uma perspectiva ampliada do conceito de saúde.

Desta forma, implantar programas de alimentação saudável em locais de uso coletivo, como em comunidades, escolas, praças, entre outros, pode ser um começo para alterar a concepção e uso de produtos alimentícios danosos à saúde, além de contribuir para que a comunidade local eleve sua qualidade alimentar e de vida. Portanto, desenvolver a prática do cultivo de hortas em locais comunitários visa a promoção da saúde, como um caminho possível de fortalecimento de uma política transversal integrada e intersetorial, ao fomentar o diálogo do setor saúde com outros setores de políticas públicas.

A intersetorialidade, segundo Ribeiro et al (2015), é uma estratégia fundamental para o enfrentamento de problemas complexos, uma vez que trata da articulação entre sujeitos e instituições sob um novo modelo de gestão, que agrega recursos e pessoas, além de favorecer a multiplicidade de olhares sobre a complexidade da vida social. Neste sentido, o trabalho social na saúde, desenvolvido em conjunto com outros profissionais, atende a esse princípio na constituição de uma ação integrada, capaz de oportunizar avanços nas boas práticas de soberania e segurança alimentar. Uma orientação da oitava Conferência Global sobre Promoção de Saúde, realizada em Helsinque, Finlândia, em junho de 2013, pautou o tema “Saúde em Todas as Políticas” e, segundo o documento final, trata-se de uma abordagem a ser adotada por gestores de todo o mundo.

 Saúde em Todas as Políticas é uma abordagem que advoga em nome de políticas públicas de diferentes setores que levem em conta e contemplem as repercussões decorrentes no campo da saúde de forma sistemática na busca de sinergias e efeitos prejudiciais na saúde, a fim de melhorar a saúde da população e os níveis de equidade em saúde (COSTA, 2015).

Assim, os profissionais de saúde em articulação com os grupos sociais, público de suas ações, em diferentes espaços de convivência precisam ter consciência e combater as práticas de alimentos danosos à saúde e estabelecer ou mesmo reintroduzir produtos saudáveis na mesa das famílias. Isto significa que há a necessidade de transformar os padrões de consumo alimentícios, não só como prática do cuidado, mas para a conscientização da população sobre os agravos de saúde, além das consequências de uma má alimentação e uso de produtos inadequados ao meio ambiente.

 

4 HORTAS COMUNITÁRIAS COMO MECANISMO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE

 

O desenvolvimento da agricultura urbana está intimamente ligado ao crescimento demográfico e econômico das cidades, porém o que difere a agricultura urbana da agricultura rural é o ambiente. A agricultura urbana é realizada em espaços públicos ou privados, individuais ou coletivos, dentro do perímetro da cidade, destinada à produção de cultivos para consumo próprio ou para venda em mercadorias locais.

A implantação de hortas urbanas e periurbana contribui, de forma significante, à alimentação saudável ao oportunizar espaços que estimule a reflexão crítica e a prática saudável de enfrentamento a doenças decorrente da falta ou mesmos de alimentos inadequados. “A presença da natureza nas cidades torna-se absolutamente necessária e pensa-se concretizá-la através de corredores verdes, construídos por diferentes ocorrências: jardins públicos, hortas, relvados e prados, árvores, flores, matas e ribeiros” (TELLES, 1996, p 3).

A agricultura desenvolvida por meio de horta em ambiente urbano revela-se como potencialidade muito além da produção de alimentos, pode ser utilizada como um instrumento de desenvolvimento urbano ao trazer benefícios à saúde, social e ambiental tendo como resultado a mudança no consumo e hábitos alimentares.

Assim, associar a educação em saúde a produção de alimentos por meio de hortas comunitários mostra-se como uma ferramenta para o enfrentamento de problemas oriundos das mudanças e transformações sociais relativas aos fast foods. A ação educativa em saúde para ser eficaz, precisa ser ampliada para dar conta de introduzir ou mesmo revivificar hábitos alimentares, do consumo de produtos in nauta e sem agrotóxicos, sobretudo a reflexão crítica sobre propagandas de produtos alimentícios pouco nutritivos.

 

5 METODOLOGIA

 

A pesquisa-ação educação em saúde foi aplicada à revitalização de uma horta comunitária no bairro periférico Promissão III, em Paragominas, estado do Pará, tomando como referência Thiollent (1985) e Pinto (2013), tendo em vista que esses autores tratam da importância desse tipo de metodologia para a construção de conhecimento. Ela possibilita a relação efetiva entre pesquisador e participantes na revitalização da horta urbana comunitária, a fim de envolvê-los em todas as fases do processo: plantio, cultivo, colheita, manuseio e preparo dos alimentos.

A horta comunitária surgiu por manifestação do casal (Eduardo Vieira Passos e Luzia de Oliveira Passos) moradores do bairro Promissão III. Eles observaram que em frente ao seu domicílio havia espaço ocioso compreendendo uma área de 100 m2, pertencente à gestão municipal. Diante disso a “... gente queria fazer alguma coisa que viesse trazer benefícios a esta comunidade e então pensamos na horta porque, sobre esse assunto, temos algum conhecimento[4]” (PARTICIPANTE A, 2018).

Com a anuência dos moradores realizou-se um planejamento participativo para organizar a programação necessária a revitalização da horta comunitária enquanto estratégia de saúde da família, sob a aplicação dos conceitos sistematizados como abordagem da educação em saúde, a partir do manuseio no plantio, colheita e pós-colheita visando o consumo consciente dos produtos alimentícios e do aproveitamento máximo dos nutrientes, muitas vezes, não aproveitados.

Na revitalização observou-se que a horta comunitária contava com os cuidados direto do senhor José e do casal Eduardo e Luzia; as espécies plantadas eram: coentro, cebolinha, alface, couve, tomate e vinagreira. Então foi elaborado uma escala de atividades a serem executadas de acordo com a disponibilidade de cada integrante, observando que crianças e adolescentes também fizeram parte da escala sempre acompanhados de seus responsáveis.

A pesquisa-ação buscou garantir o engajamento, com a participação e discussão dos sujeitos/usuários na implementação/construção das ações de educação em saúde no município de Paragominas, cujo objetivo geral foi proporcionar educação em saúde por meio de cultivo em horta urbana apoiadas em práticas agroecológicas.

A pesquisa-ação foi dividida em três etapas: a primeira caracterizou-se pela fase exploratória, direcionada à obtenção de informações dos sujeitos envolvidos, em paralelo com o levantamento bibliográfico apoiar a análise dos dados primários e secundários.

A segunda fase foi proporcionada pela experiência prática de revitalização da horta comunitária, momento em que se envolveu outros profissionais, como agrônomo – especializado em horticultura de base agroecológica, nutricionista e psicólogo. Nesta fase realizou-se oficinas oficina sobre o plantio, manejo, cultivo, colheita e manuseio de hortaliças; oficina nutricional para o melhor aproveitamento dos produtos obtidos com a horta e palestras socioeducativas para favorecer os laços interpessoais.

A terceira fase, consistiu em demonstrar os resultados e discussões diante dos resultados obtidos no processo de pesquisa-ação. Para a realização da pesquisa-ação estabeleceu-se um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), a fim de que houvesse garantia de respeito mútuo e ético no uso e partilha dos resultados obtidos no contexto da pesquisa-ação, que teve a duração de seis meses, com ações sistemáticas e regulares, sempre em horário combinado com o público, dado ao rigor metodológico, quando houve acompanhamento técnico e registro de todo o processo em caderno de campo, da adesão às formações teórico-práticas.

A pesquisa-ação teve como eixo a intersetorialidade na medida em que envolveu profissionais de outras secretarias do município de Paragominas (Secretaria Municipal de Saúde, Secretaria Municipal de Agricultura e Secretaria Municipal de Assistência Social), que ministraram oficinas voltadas à compreensão das problemáticas relacionadas à saúde e à horta com bases agroecológicas.

Essa estratégia foi utilizada para a revitalização de atividades como reuniões, palestras, oficinas e discussões sobre saúde, agricultura familiar, segurança e soberania alimentar. Portanto, introduzindo à discussão da agricultura urbana e periurbana.

Observou-se que a participação da população na manutenção e cuidados com a horta comunitária estava fragilizada, o que gerou a necessidade de iniciar um processo de sensibilização e mobilização dos moradores para que eles se comprometessem com a revitalização da horta.

Com a mobilização e sensibilização eles retomaram as atividades obteve-se um a adesão de 15 famílias para a execução das atividades, agora sob a abordagem da educação em saúde, trabalhou-se com atividades formativas para que estes tomassem consciência da atividade que haviam construído em âmbito de vizinhança e comunitária. Todo o trabalho de revitalização realizado em equipamentos públicos localizados no entorno da horta comunitária. Desta forma, garantiu-se o engajamento destes nas reflexões e exercício prático de revitalização da horta comunitária de base agroecológica, enquanto estratégia de melhoria da alimentação.

A metodologia da pesquisa-ação, como qualquer prática não se constituiu como uma receita infalível, na medida que se partiu de uma ação prática já desenvolvida, mas que se encontrava fragilizada devido a desmotivação dos moradores. O quadro 2 mostra, de forma sintética, as ações desenvolvidas no âmbito do projeto de educação em saúde e os instrumentos metodológico. Os dados coletados em campo foram armazenados e analisados em banco de dados no programa Excel.

 

Quadro 2: Síntese dos instrumentos e técnicas utilizadas

Técnicas/Instrumentos utilizados na Pesquisa-ação

Descrição Sucinta do processo de construção da experiência de educação em saúde

Levantamento bibliográfico (livros, artigos, dissertações, teses) outros estudos

A construção de uma unidade teórica para a articulação entre a questão das hortas com base agroecológicas à política de saúde. Assim, a seleção de artigos e outros documentos favoreceram o processo de reflexão, fichamentos e resenhas que contribuíram para a análise teórica, trabalhada no primeiro artigo desta dissertação, e que deram sustentação ao exercício prática.

Diário de campo

Instrumento necessário ao registro das atividades da pesquisa-ação, como reuniões com a população local, onde se anotou posições, informações, decisões, mas também atividade de campo, como os dados das reuniões, oficinas e observações sobre a interação e outras informações relacionada ao projeto.

Questionário

Auxiliou no conhecimento empírico, pois os dados primários eram uma exigência para o conhecimento da realidade sobre o histórico da implantação da horta e, como base nesse conhecimento, desenvolver as ações técnicas com a ajuda de profissionais da área de agronomia e nutrição; este instrumental favoreceu a obtenção de informações relativas a percepções, satisfação, expectativas e opiniões dos indivíduos quanto a seus hábitos alimentares, tipo de alimentos etc., associados a questão da saúde.

Entrevista

Essa técnica visava aprofundar informações obtidas no questionário às famílias participantes.

Minicursos; oficinas e palestras

Formações para a revitalização da horta comunitária e ampliação de objeto ao articular a temática de educação em saúde com boas práticas de cultivo manipulação e aproveitamentos de nutrientes.

Visitas técnicas para Assessoramento e orientação

Tinham como objetivo orientar nas práticas de plantio, colheita e tratamento pós-colheita visando as boas práticas de manipulação de alimentos.

Reuniões para avaliação

Momentos importantes para a retomadas de questões, avaliação, monitoramento e readequação ou mesmo mudança de atividades.

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Pinto (2013).

Nesse sentido, a pesquisa-ação possibilitou o engajamento dos sujeitos na realização de boas práticas de plantio, manejo, colheita, cuidados na pós-colheita e confecção de alimentos utilizados no cotidiano, a fim de proporcionar o consumo consciente, com o máximo de aproveitamento dos nutrientes, por meio do uso do que, muitas vezes, era desperdiçado.

 

6 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A pesquisa-ação proporcionou a construção de um conhecimento novo aos sujeitos protagonistas da horta comunitária, como o conceito de agroecologia que agrega conhecimentos técnicos-científicos de Sociologia e Ecologia. Com a introdução das técnicas de cultivos agroecológicas pode-se garantir boas práticas de produção e consumo de alimentos saudáveis. Essa temática é importante porque o município de Paragominas desenvolve a monocultura da soja em grande escala o que impossibilita o cultivo de horta orgânica.

A Agroecologia visa atender necessidades de relacionadas a produção de alimentos observando questões associados a um modo de vida saudável sob uma unidade entre diferentes esferas da sociedade (econômico, político, cultural, ambiental e desenvolvimento urbano, por exemplo). Para Gliessman (2000) trata-se de aplicar conceitos e princípios da ecologia na gestão dos sistemas produtivos. Enquanto Altieri (1987) a entende como uma ciência que estuda os agroecossistemas integrando a dimensões agronômicas, ecológicas, econômicas e sociológicas, tornando um campo de resistência em face dos efeitos do monocultivo da agricultura empresarial, particularmente, no que se refere ao uso de técnicas de cultivo associada à preservação ambiental, pois utiliza-se o manejo de modo a não contaminar o solo, a água e os próprios alimentos.

Nesse sentido, há uma prevalência de agricultores familiares e camponeses, mas quando produzida na dinâmica urbana e periurbana, os habitantes citadinos que incorporam a agricultura urbana sob princípio agroecológico têm se apropriado de meios e técnicas que melhoram a dieta alimentar, além de poder gerar um renda monetária e não monetária, principalmente porque se trata de um cultivo de curta duração e renovação, podendo se obter alimento durante todo o ano.

Na agricultura urbana pode ser engajado diferentes extratos da sociedade, na medida m que, muitas vezes, revela uma consciência quanto a agroecologia na produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos ou mesmo insumos externos, com o máximo aproveitamento do solo onde é implantada. Na tabela 1 mostra-se a diversidade do público engajado na escala de cuidados com a horta comunitária urbana em Paragominas.

 

Tabela 1: Escala para os cuidados com a horta

Participante

Sexo

Faixa
etária

Ocupação
principal

Tempo disponível
para a horta

1

Feminino

Adulto

Do lar

Terças e quintas-feiras/Manhã

2

Feminino

Adulto

Téc. Enfermagem

Domingos

3

Feminino

Adulto

Agente Comunitária de Saúde

Segundas e quartas-feiras/Tarde

4

Masculino

Adulto

Servidor Público

Segundas e quartas-feiras/Tarde

5

Feminino

Adulto

Auxiliar de Serviços Gerais

Sextas feiras/Manhã

6

Feminino

Adulto

Do lar

Quintas e sextas-feiras/Manhã

7

Feminino

Adulto

Cuidadora

Quintas e sextas-feiras/Manhã

8

Feminino

Adulto

Cuidadora

Quintas e sextas-feiras/Manhã

9

Masculino

Adulto

Zootecnista

Terças e quintas-feiras/Tarde

10

Masculino

Criança

Estudante

Terças e quintas-feiras/Tarde

11

Feminino

Adulto

Do lar

Terças e quintas-feiras/Tarde

12

Masculino

Adulto

Autônomo

Domingos

13

Feminino

Adolescente

Estudante

Sábados

14

Masculino

Adolescente

Estudante

Sábados

15

Feminino

Adulto

Do lar

Sábados

Fonte: Elaborado pelos autores (2018).

No período de acompanhamento foram realizadas 13 oficinas de revitalização de hortas, trabalho coordenado por uma professora-doutora especialista em horticultura. Realizou-se 02 oficinas de apoio nutricional sob supervisão de uma especialista em nutrição. Esta segunda realizou orientação quanto ao uso dos alimentos, além do exercício prática de elaboração de receitas com hortaliças cultivadas na horta comunitária urbana revitalizada. A fim de possibilitar a manutenção desta horta realizou-se trabalho de educação em saúde, por psicóloga especialista em gestão de saúde pública, a fim de fortalecer o grupo.

Na horta comunitária urbana observou-se a presença, em maior número, do público feminino, desempenhando todas as atividades referentes à revitalização da horta. Essa realidade levou-nos à reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, responsável historicamente pelo espaço privado, privilegiadamente representado pela família (BRAGA; AMAZONAS, 2005), como a função de domesticação, cultivo da terra e cuidado dos filhos, enquanto ao homem dedicava-se ao espaço público, mas também a função de caçar e de outras atividades que exigiam força e velocidade.

No entanto, destaca-se que o público da horta comunitária urbana é constituído por homens, mulheres e crianças (estas últimas na condição de aprendizagem, sem implicar em trabalho exaustivo ou mesmo divergentes dos preceitos inscritos no Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069/90. O critério inicial para a revitalização da horta era ser morador do bairro da Promissão III.

A horta comunitária envolveu a participação de todas as faixas etárias, desde crianças até a fase adulta, sendo a faixa etária adulta em maior número. Nesta atividade não foi identificado a presença do público idoso. Segundo Brand e Muñoz (2007), a horta comunitária é um local propício para desenvolver a inclusão social, sendo a agricultura urbana uma atividade que se torne prática de interesse dos governos locais. Este fato acontece na medida em que as iniciativas das pessoas e os saberes locais passam a ser valorizados e considerados elementos formadores de identidade cultural. 

Esses projetos de iniciativa comunitária podem ajudar nas ações de saúde e fortalecer as práticas produtivas voltadas para a segurança alimentar e nutricional por meio da agricultura urbana, consequentemente proporcionar uma vida mais saudável a este grupo.  De modo que a sociedade, em parceria com as ações governamentais possam desenvolver políticas públicas estabelecendo estratégia de transformação social (COUTINHO; COSTA, 2011).

Nesse processo de revitalização da horta comunitária o trabalho social permitiu que os moradores do entorno da horta comunitária se integrassem, estreitando laços a medida em que se organizava as tarefas do cotidiano da horta de modo coletivo, gerando satisfação no sentimento de pertencer ao grupo, além criar novas habilidades e técnicas, muitas vezes esquecidas dos cuidados com os outros e com a natureza.

Ressalta-se que a horta comunitária nunca deixou de ser produtiva, desde a sua implantação em 2016. No entanto, a participação dos iniciadores tenha arrefecido, pois se constituía por um grupo heterogêneo em termos de renda (baixa, média e alta), faixa etária variada e níveis de escolaridade distintas.

Identificou-se que entre os participantes, o maior número dispõe da renda de um salário mínimo mensal para o sustento de sua família e que todos desenvolvem atividades laborais, formal ou informal. Com a revitalização, a horta funciona como um espaço coletivo para o cultivo na busca por uma alimentação saudável.

Ao participar da experiência de revitalização da horta com ênfase na educação em saúde eram acolhidos aqueles que, por livre adesão, quisessem participar, sem exigência de perfil socioeconômico (renda ou ocupação) e escolaridade (qualquer nível de instrução ou sem qualquer instrução). O único critério era a disponibilidade de tempo para os cuidados e manutenção da horta comunitária.

Na pesquisa realizada foi observado no que diz respeito à escolaridade, que não havia analfabeto e que o maior número de participantes detinha o nível médio completo. Observou-se que não ocorreu discriminação ou preconceito em relação aos níveis de escolaridade, haja vista que o envolvimento e o sentimento de pertencimento à terra eram superiores às questões desta natureza.

O maior público que desenvolve a atividade na horta é de nível médio, no qual fica perceptível que este está envolvido por motivo de maior sensibilização para as questões ambientais, além da relação dos benefícios da horta e o bem-estar. A satisfação e colheita dos próprios alimentos foi observado nesta categoria.

Entre os paticipantes da pesquisa, o maior número informou dar preferência ao consumo de alimentos orgânicos, dado a importância que este tipo de produto tem para a saúde. As caracterísiticas nutricionais colocadas como fator importante na perspectiva tecnológica, agora é questionada também numa realidade social, cotidiana da população que muitas vezes não tem acesso à alimentos nutricionais. Investir na produção de alimentos orgânicos ou agroecológicos que fazem parte da dieta populacional local pode ser uma alternativa para o consumo de alimentos saudáveis dado o acesso.

Então, o setor saúde trabalhar por meio do estímulo para o desenvolvimento de hortas agroecológicas em uma sociedade enraizada no uso intensico de agrotóxicos na agricultura emoresarial é um desafio, porém cada vez mais necessário se faz refletir sobre a impotância de se poduzir sem agrotóxico levando em consideração a saúde do ser humano e do meio ambiente.

O desenvolvimento/implementação e revitalização da horta comunitária com base agroecológica deu suporte à validação da pesquisa-ação, como se vê no depoimento seguinte. “As pessoas deveriam trabalhar mais no sistema da agricultura familiar, pois esse tipo de sistema ajuda todo mundo” (PARTICIPANTE B, 2018).

O processo de planejamento e organização da ampliação da perspectiva da horta comunitária em relação ao plantio, cultivo, coleta e pós-coleta, na elaboração de alimentos saudáveis, tanto em termos do conhecimento quanto da aprendizagem, a fim de promover a alimentação saudável, tendo como finalidade a difusão de boas práticas de saúde e bem-estar. “Este tipo de trabalho é bem completo, ele ensina a gente a plantar, cozinhar e a viver em comunidade, pois, sempre precisamos uns dos outros. Eu estou muito feliz em fazer parte desse projeto, aqui encontrei pessoas na qual pude me apoiar” (PARTICIPANTE C, 2019)

Esses depoimentos apontam para a relevância desse tipo de trabalho para a melhoria do perfil epidemiológico, a medida em que promove ações práticas de conscientização sobre os alimentos associada aos cuidados com o meio ambiente, além de fortalecer vínculos comunitários.

 


 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa-ação proporcionou a construção de um conhecimento novo aos sujeitos protagonistas da horta comunitária, como a apreensão do conceito e da prática em bases da agroecologia, agregando conhecimentos técnicos-científicos de Sociologia e Ecologia, também aprenderam novas técnicas de cultivo sob o rigor metodológico das boas práticas de produção e consumo de alimentos saudáveis.

As hortas comunitárias urbanas de bases agroecológicas podem se constituir como estratégias de ação social e inovar a política pública no município de Paragominas, tornando-se uma ação de cunho educativo, com foco não só na prática da alimentação saudável, mas também de reflexão quanto às questões que envolvem a questão da soberania e segurança alimentar e nutricional com a perspectiva alcançar pessoas que se encontram em vulnerabilidade alimentar.

O trabalho social junto as hortas comunitárias potencializa mecanismos de fortalecimento de laços sociais, para além das ações efetivas de políticas públicas, mostrando que é possível engajar os sujeitos em atividades vinculadas a projetos de saúde da família, a partir da integração de cidadãos, visando dar sentido não somente para si, mas para o conjunto da comunidade.

Esta pesquisa-ação têm um caráter novo e inovador na medida que a intervenção é desenvolvida pela prática e envolve o trabalho interdisciplinar, sendo esta uma ferramenta para melhorar o desempenho na questão da educação em saúde, pelo olhar e compreensão da realidade, além do conhecimento científico ser produzido na própria ação dos próprios moradores. Nesta pesquisa foram abordados temas como: novas práticas agrícolas, meio ambiente, segurança alimentar e nutricional, saúde, sociabilidade, sustentabilidade, despertando o olhar crítico à cerca dos alimentos, a conclusão obtida é que a agricultura urbana é um mecanismo promotor de saúde e pode contribuir para o protagonismo individual e comunitário, empoderamento e para a criação de ambientes favoráveis à saúde entre outros.

Identificou-se no decorrer da pesquisa-ação, a força dos participantes em superar os desafios inerentes à esta atividade, também foram observadas algumas ameaças como a falta de incentivo da revitalização da horta comunitária urbana.

Espera-se os resultados da pesquisa-ação possa contribuir com a educação em saúde como forma diferenciada em atuar na prevenção de doenças buscando oferecer e introduzir hábitos alimentares saudáveis por meio de práticas comunitárias com a utilização de hortas pelos benefícios que trazem à saúde.

 

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[1] Mestre em Desenvolvimento Rural e sistemas Agroalimentares pelo Instituto Federal do Pará

[2] Doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro

[3] Agrônomos, nutricionistas, psicóloga, assistente social e monitores do curso de agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia.

[4] Essas informações foram destacadas para compreender as atividades no âmbito da pesquisa-ação nesse bairro periférico de Paragominas, onde há problemas, mas possui saneamento e ruas asfaltadas.