A contribuição de robert owen ao pensamento econômico de paul singer

conexões do socialismo utópico com a economia solidária

Flávio Lisboa[1]

Serviço Federal de Processamento de Dados

flavio.lisboa@fgsl.eti.br

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Resumo

Neste artigo buscamos contribuir com uma revisão abrangente da crítica ao arcabouço teórico da Economia Solidária e particularmente das concepções de Singer sobre o tema, de modo a obter uma síntese de seu pensamento isenta de tendências favoráveis ao movimento. A partir de uma revisão da literatura, investigamos a presença efetiva do pensamento de Robert Owen na obra de Paul Singer e tentamos identificar exatamente quais são contribuições de Owen que Singer observa no movimento da Economia Solidária. Procuramos publicações indexadas no Oasisbr de autoria de Singer e que continham os termos “Paul Singer” e “Robert Owen”, sem limitar a data de publicação. Encontramos quinze trabalhos de autoria de Singer e quinze trabalhos sobre Singer. Incluímos no corpus de análise cinco livros de Singer, que não são obras de acesso aberto. Após verificar quais trabalhos traziam referências sobre Owen, recuperamos as análises sobre as relações entre Singer e Owen feitas por ele mesmo e pelos autores encontrados na pesquisa bibliográfica. Confrontamos as afirmações com a própria obra de Owen, compilada por Gregory Claeys em Selected Works of Robert Owen. Verificamos que Singer baseia sua concepção de Economia Solidária em quatro pontos principais do pensamento de Owen. Além disso, pudemos constatar que Singer idealiza Owen como o principal contribuidor da Economia Solidária, a qual para Singer é uma continuidade do movimento cooperativista do século XIX.

Palavras-chave: Economia solidária. Paul Singer. Robert Owen. Socialismo Utópico. Pensamento econômico.

THE CONTRIBUTION OF ROBERT OWEN TO ECONOMIC THINKING OF PAUL SINGER

Connections of Utopian Socialism with Solidarity Economy

 

Abstract

In this article we seek to contribute with a comprehensive review of the critique of the theoretical framework of the Solidarity Economy and particularly of Singer's conceptions on the subject, in order to obtain a synthesis of his thought free of tendencies favorable to the movement. Based on a literature review, we investigate the effective presence of Robert Owen's thought in Paul Singer's work and try to identify exactly which are Owen's contributions that Singer observes in the Solidarity Economy movement. We searched for publications indexed in Oasisbr by Singer and that contained the terms “Paul Singer” and “Robert Owen”, without limiting the date of publication. We found fifteen works by Singer and fifteen works about Singer. We included in the analysis corpus five books by Singer, which are not open access works. After verifying which works brought references about Owen, we recovered the analyzes about the relations between Singer and Owen made by himself and by the authors found in the bibliographical research. We compare the statements with Owen's own work, compiled by Gregory Claeys in Selected Works of Robert Owen. We found that Singer bases his conception of Solidarity Economy on four main points of Owen's thought. In addition, we could see that Singer idealizes Owen as the main contributor to the Solidarity Economy, which for Singer is a continuation of the cooperative movement of the 19th century.

Keywords: Economic thinking. Paul Singer. Robert Owen. Solidarity economy. Utopian socialism.

1  INTRODUÇÃO

Singer (2002, p. 24) situa o nascimento da Economia Solidária pouco depois do surgimento do capitalismo industrial. O primeiro nome que Singer menciona ao falar das origens históricas da Economia Solidária é o do galês Robert Owen, um empresário esclarecido que investiu no bem-estar dos trabalhadores quando a regra era explorá-los até o limite de sua resistência. Para Singer (2003, p. 13), Owen fez contribuições decisivas para o desenvolvimento da Economia Solidária. Segundo Cole (1944, p.13, nossa tradução), “Owen, ele próprio um grande fabricante, tornou-se durante algum tempo o profeta e líder de grande parte da classe trabalhadora britânica”. Singer (2002, p. 26) afirma que Owen mostrou um raciocínio econômico impecável em sua proposta de construção de Aldeias Cooperativas, feita em 1817 para o governo britânico (mas que foi rejeitada). Para Singer, o movimento cooperativista, do qual Owen é reconhecidamente um grande contribuidor, constitui-se como origem da Economia Solidária. Segundo Cole (1963, p.98), Owen foi uma “personalidade incrível a quem muitos dos movimentos do século XIX devem sua origem”. Engels (2016, p. 374) reconheceu que “Todos os movimentos sociais, todos os progressos reais que foram feitos na Inglaterra visando ao interesse dos trabalhadores estão vinculados ao nome de Owen”. Engels, entretanto, ao lado de Marx, fez críticas a Owen e a outros militantes socialistas do século XIX, afirmando que eles não viam “nenhuma atividade histórica autônoma da parte do proletariado, nenhum movimento político que lhe seja próprio” (MARX; ENGELS, 2014, p. 78). Engels e Marx classificaram Owen como um socialista utópico, categoria que eles criaram para designar um grupo de pensadores socialistas que não se propunham “emancipar primeiramente uma classe determinada, mas, de chofre, toda a humanidade” (ENGELS, 1984, p. 32).

Tanto a concepção de Economia Solidária de Singer quanto o fundamento histórico que ele atribui ao movimento são alvos de críticas. Com relação à associação entre as experiências cooperativistas dos socialistas utópicos e a Economia Solidária, Wellen (2012, p. 117) duvida que os empreendimentos de Economia Solidária, perpassados pelas determinações do capitalismo, sejam referendados por “ferramentas organizativas que foram gestadas para um contexto econômico e social de quase dois séculos atrás e que findaram em grande insucesso”. O insucesso mencionado por Wellen refere-se, neste caso, tanto a ideias que nunca foram implementadas como as experiências que não tiveram continuidade. Observamos assim, na crítica de Wellen, um questionamento da contribuição efetiva do pensamento de Owen na concepção de Economia Solidária de Singer.

Germer (2006, p. 206), por sua vez, afirma que Singer tem uma deficiência grave em sua abordagem, que envolve o tratamento genérico do cooperativismo e a renúncia “a qualquer tratamento teórico do fenômeno cooperativista colocando em pé de igualdade cooperativas de diferentes tipos”. Germer (2006, p. 196) afirma que Singer apresenta uma “concepção fantasiosa da história das lutas dos trabalhadores pelo socialismo como uma história do desenvolvimento da economia solidária”. A palavra ‘fantasiosa’ também é usada, repetidas vezes, por Wellen, em sua crítica da Economia Solidária, que inclui vários questionamentos aos textos de Singer.

Seria desejável realizar uma revisão abrangente da crítica ao arcabouço teórico da Economia Solidária e particularmente das concepções de Singer sobre o tema, de modo a obter uma síntese despojada de paixões. Neste artigo, queremos contribuir com uma parte dessa revisão, ao investigar a presença efetiva do pensamento de Robert Owen na obra de Paul Singer e tentar identificar exatamente quais são contribuições de Owen que Singer observa no movimento da Economia Solidária.

 

2  metodologia

Para identificar as contribuições de Owen no pensamento de Paul Singer, fizemos uma revisão da produção acadêmica de Singer. Também fizemos uma revisão da literatura sobre o próprio Paul Singer, para verificar se outros autores também tentaram rastrear o pensamento de Owen na obra de Singer. Como ponto de partida, ou corpus estático, já tínhamos os livros Economia Socialista (2000) e Introdução à Economia Solidária (2002), sendo o primeiro em coautoria com João Machado. Chegamos a esses dois livros a partir da bibliografia utilizada na disciplina “Tecnologia Social e Economia Solidária” do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Utilizamos como base de dados o Portal Brasileiro de Publicações e Dados Científicos em Acesso Aberto (Oasisbr). Entendemos que a produção de Singer sobre Economia Solidária é uma produção sobre o Brasil para o Brasil, por isso limitamos a busca a uma base que agrega a produção científica de autores vinculados a universidades e institutos de pesquisa brasileiros, o que foi o caso de Paul Singer, que foi professor na Universidade de São Paulo (USP), na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP).

Fizemos três buscas no Oasisbr. A primeira busca utilizou a expressão ‘Paul Singer’ como chave de busca para o campo autor. Essa busca retornou quinze obras de autoria de Singer, publicadas entre 1985 e 2017, sendo doze artigos, dois relatórios e uma resenha. As obras estão listadas no Quadro 1- Obras de Paul Singer indexadas pelo Oasisbr – palavra-chave Paul Singer.

Quadro 1 – Obras de Paul Singer indexadas pelo Oasisbr – palavra-chave Paul Singer

Título

Tipo

Ano

O que pode mudar na economia

Artigo

1985

Pacto social: um processo permanente de negociação

Artigo

1985

GM: a guerra de classes

Artigo

1985

Inflação e mercado como sistemas alternativos de regulação

Artigo

1988

De dependência em dependência: consentida, tolerada e desejada

Artigo

1988

Budgeting and democracy

Artigo

1996

O Brasil no limiar do terceiro milênio

Artigo

2000

Economia solidária versus economia capitalista

Artigo

2001

A universidade no olho do furacão

Artigo

2001

Desenvolvimento capitalista e desenvolvimento solidário

Artigo

2004

Depoimento: Sylvia Leser de Mello e a economia solidária

Relatório

2006

Economia Solidária

Artigo

2007

A América Latina na crise mundial

Relatório

2009

O capital e a armadilha da dívida

Resenha

2012

O uso do solo urbano na economia capitalista

Artigo

2017

Fonte: Autoria própria, 2023.

Na segunda busca utilizamos as expressões ‘Paul Singer’ e ‘Robert Owen’ como chaves e procuramos a ocorrência simultânea das duas expressões em todos os campos. Nesta busca, queríamos encontrar trabalhos produzidos por ou sobre Singer que também mencionassem Robert Owen. Não obtivemos nenhum resultado.

A terceira busca utilizou a expressão ‘Paul Singer’ como chave de busca para o campo título. Nesta busca, queríamos encontrar trabalhos sobre a obra de Singer, na expectativa de que outros autores houvessem identificado as contribuições de Owen para o pensamento de Singer. Essa busca, descrita no Quadro 2 - Obras sobre Paul Singer indexadas pelo Oasisbr – título Paul Singer, retornou dezessete obras sobre Singer, publicadas entre 2004 e 2019, sendo dez artigos, quatro dissertações, uma resenha e duas entrevistas.

Quadro 2 – Obras sobre Paul Singer indexadas pelo Oasisbr – título Paul Singer

Título

Tipo

Ano

Uma outra economia é possível. Paul Singer e a economia solidária

Resenha

2004

A concepção de economia solidária em Paul Singer: descompassos, contradições e perspectivas

Dissertação

2006

As forças produtivas e a transição ao socialismo: contrastando as concepções de Paul Singer e István Mészáros

Artigo

2007

Economia solidária [Entrevista]: Entrevista com Paul Singer

Entrevista

2008

A economia solidaria de Paul Singer : a construção de um projeto politico

Dissertação

2009

O socialismo de Paul Singer e os limites de seu projeto político de economia solidária

Artigo

2010

Socialismo, cooperativismo e economia solidária no pensamento de Paul Singer

Dissertação

2010

Paul Singer - um militante por uma utopia

Artigo

2012

Por uma história do pensamento econômico-solidário: notas sobre as contribuições teóricas de Paul Singer para a economia solidária

Artigo

2014

Economia solidária X lutas de classes: a superação do capitalismo segundo Paul Singer

Dissertação

2016

Paul Singer: uma vida de luta e de trabalho pelo socialismo e pela participação democrática

Entrevista

2018

Paul Singer: a experiência do Plano Diretor de São Paulo

Artigo

2018

Autogestão, cooperativismo e economia solidária no NuMI-EcoSol/UFSCar: a influência de Paul Singer

Artigo

2018

Paul Singer: Memórias de uma experiência aprendente

Artigo

2018

Paul Singer (1932-2018), um breve depoimento de despedida

Artigo

2018

Professor Paul Singer e a economia solidária

Artigo

2018

Paul Singer e a pedagogia da autogestão na economia solidária

Artigo

2019

Fonte: Autoria própria, 2023

Uma observação: na busca de obras de autoria de Singer, os livros sobre economia que ele publicou não apareceram, porque não são obras de acesso aberto. Mas, a partir das obras que tínhamos, por meio de referências a outras obras, encontramos os seguintes livros de Singer: Curso de introdução à economia política, de 1975; Aprender economia, de 1983; O que é economia, de 1989; Uma utopia militante: repensando o socialismo, de 1998; e Para entender o mundo financeiro, de 2000. Estes não são todos os livros publicados por Singer, mas foram os conseguimos ter acesso no período da coleta de dados. Há uma lista de livros de Paul Singer disponível no site https://paulsinger.com.br/secao/livros.

Uma vez coletados os trabalhos de autoria de Singer e os trabalhos sobre Singer, buscamos no conteúdo de cada texto o termo ‘Owen’ para, em seguida, descobrir o contexto em que o termo aparecia no texto.

 

3  resultados

Nenhum dos artigos de autoria de Singer publicados entre 1985 e 2017 – incluindo o relatório e a resenha – menciona Owen. Robert Owen sequer aparece nas referências bibliográficas. Nos livros de autoria de Singer que lemos, só encontramos referências sobre Owen em três: Uma Utopia Militante (1998), Economia Socialista (2000) e Introdução à Economia Solidária (2002). O primeiro livro é praticamente uma história resumida de Owen e do owenismo. No segundo livro, Owen é mencionado na página 40 como um dos concebedores da autogestão e pioneiro das cooperativas. No terceiro livro, já citado na introdução deste artigo, Owen é praticamente o protagonista do capítulo II (História) e reaparece diversas vezes ao longo do capítulo III (Panorâmica). Adiciona-se que somente o terceiro livro tem uma obra de Owen nas referências bibliográficas, Book of the New Moral World, mas esta não foi lida diretamente. Singer captura uma referência do livro de Owen a partir de uma obra de John Stuart Mill sobre o socialismo. O economista inglês Mill era quase contemporâneo de Owen, havia nascido trinta e cinco anos depois deste e faleceu quinze anos após o pioneiro do cooperativismo. Observamos também que, do ponto de vista de Singer, Owen não contribuiu para a economia de uma forma geral, pois entre as obras do economista brasileiro que não mencionam o socialista utópico inglês está O que é economia de 1989, da Série Primeiros Passos.

Com relação aos trabalhos sobre Paul Singer, encontramos nove que fazem referências a Robert Owen, detalhado no Quadro 3 Obras sobre Paul Singer indexadas pelo Oasisbr que mencionam Robert Owen, sendo quatro dissertações e cinco artigos.

Quadro 3 – Obras sobre Paul Singer indexadas pelo Oasisbr que mencionam Robert Owen

Autor

Título

Tipo

Ano

CORNELIAN, A.R.

A concepção de economia solidária em Paul Singer: descompassos, contradições e perspectivas

Dissertação

2006

DAGNINO, R. NOVAES, H.

As forças produtivas e a transição ao socialismo: contrastando as concepções de Paul Singer e István Mészáros

Artigo

2007

CASTRO, B. G.

A economia solidaria de Paul Singer : a construção de um projeto político

Dissertação

2009

PANDELÓ, F. R.

Socialismo, cooperativismo e economia solidária no pensamento de Paul Singer

Dissertação

2010

NEMIROVSKY, G. G. BENINI, E. G.

Por uma história do pensamento econômico-solidário: notas sobre as contribuições teóricas de Paul Singer para a economia solidária

Artigo

2014

OLIVEIRA, M. A.

Economia solidária X lutas de classes: a superação do capitalismo segundo Paul Singer

Dissertação

2016

ANDRADA, C. ESTEVES, E.

Paul Singer: uma vida de luta e de trabalho pelo socialismo e pela participação democrática

Entrevista

2018

SCHIOCHET, V.

Paul Singer: Memórias de uma experiência aprendente

Artigo

2018

NASCIMENTO, C. SANTOS, A. M.

Paul Singer e a pedagogia da autogestão na economia solidária

Artigo

2019

Fonte: Autoria própria, 2023

Os três autores que mais mencionam Owen em suas obras, respectivamente da maior a menor frequência, são Bárbara Geraldo de Castro, Maisa Areco de Oliveira e Fernando Rodrigues Pandeló – justamente as três primeiras dissertações em ordem cronológica de publicação. Entretanto, nenhum dos trabalhos listados no Quadro 3 tem uma obra de Robert Owen em suas referências bibliográficas. Há referências sobre Owen, mas não do próprio Owen.

            Com relação à conexão entre as obras sobre Singer que mencionam Owen, de acordo com a sequência cronológica, observamos que: Dagnino e Novaes (2007) não citam Cornelian (2006); Castro (2009) não cita Cornelian (2006) nem Dagnino e Novaes (2007); Pandeló (2010) cita Castro (2009), mas não cita Cornelian (2006) nem Dagnino e Novaes (2007); Nemirovsky e Benini (2014), Oliveira (2016), Schiochet (2018) e Nascimento e Santos (2019) não citam nenhum dos autores publicados anteriormente. Ou seja, apenas Pandeló (2010) fez referência a um dos outros trabalhos. Nemirovsky e Benini (2014) são os únicos que não discutem qualquer relação entre Singer e Owen, apenas citam um trecho de Singer no qual este menciona Owen.

4  discussão

Vamos discutir os resultados obtidos pela ordem cronológica de publicação. Cornelian (2006, p. 37) afirma que “não há registros de que qualquer pensador do século XIX propôs ou tratou de alguma prática ou fenômeno denominado ‘Economia Solidária”’. Ele acrescenta que, embora haja vínculos entre o cooperativismo e o movimento da Economia Solidária, este não é apenas um sinônimo de cooperativismo, “nem mesmo é apenas e tão somente uma reinvenção do cooperativismo operário owenista do século XIX” (CORNELIAN, 2006, p. 37). Cornelian (2006, p. 46) acredita que a “idéia singeriana de ‘Rede Solidária’” nasceu do conceito de ‘aldeia cooperativa’ e que esta seria a principal referência teórica de Robert Owen para a Economia Solidária. Entretanto, esse termo ‘aldeia cooperativa’ não aparece nas obras de Owen. O que aparece são os termos ‘aldeia de unidade e cooperação mútua’ (village of unity and mutual co-operation), na carta On Measures for the Immediate Relief of the Poor (Sobre medidas para alívio imediato da pobreza), de 1817 (CLAEYS, 2016, p. 371) e ‘aldeias de união e cooperação mútua’ (villages of union and mutual co-operation), na carta New State of Society, do mesmo ano. Na verdade, o termo ‘aldeia cooperativa’ é mencionado por Singer (2002, p. 45) quando este se refere à cooperativa de Rochdale, a qual não foi um empreendimento de Owen, embora houvesse owenistas entre os cooperados.

Dagnino e Novaes (2007, p. 5) afirmam que Singer enfatiza “sua simpatia por Owen e pela visão apropriacionista das forças produtivas”. A dupla de autores afirma que o “sindicalismo passou a ser fortemente influenciado pelas ideias de Owen” (DAGNINO; NOVAES, 2007, p. 6) e, uma vez que Singer foi metalúrgico e teve formação política sindical, conforme relatam Santos e Nascimento (2018, p. 29-34), tal fato deve ter estabelecido uma identificação de Singer com Owen.

Castro (2009, p. 73) afirma que, embora Singer mencione outros socialistas utópicos, somente as ideias fornecem o “alicerce necessário para a politização do conceito de autogestão”. Castro (2009, p. 74) identifica a educação cooperativa como contribuição direta de Owen para a Economia Solidária. Realmente, Singer (2002, p. 42) afirma que o “princípio do empenho na educação cooperativa [na Economia Solidária] é também uma herança owenista. Ela deriva da ideia de que os homens são o que a educação (ou sua falta) faz deles”. Singer (2002, p. 42) acrescenta que “Desde o início da economia solidária, a publicação de periódicos e livros e a organização de cursos sempre mereceram toda prioridade”. Para Castro (2009, p. 75), Singer tenta estabelecer o “entendimento de que a economia solidária é uma continuidade da luta do movimento cooperativista do século XIX, influenciado por Owen”. De certa forma, Singer apresenta aos trabalhadores uma ideia de um legado, de um sentimento de pertencimento a algo maior. Castro (2009) apresenta a seguinte tese:

a partir do momento em que Singer incorpora o socialismo utópico em suas discussões e trata a autogestão de maneira aprofundada em seus textos, é que a economia solidária ganha um caráter de projeto de superação do modo de produção vigente e deixa de ser apenas uma alternativa aos altos índices de desemprego. (CASTRO, 2009, p. 75)

 

Castro (2009, p. 94) destaca que “Owen escreveu sobre a teoria do valor trabalho em um de seus livros, o – Report to the County of Lanark, de 1821”. Na verdade, nesse livro, Owen apresenta tão somente a ideia do ‘trabalho humano como padrão natural de valor’. Esse conceito é referido e criticado por Marx em uma nota do terceiro capítulo de O Capital Volume 1 (para Marx, a medida imanente de valor das mercadorias é o tempo de trabalho). Nos livros Curso de Introdução à Economia Política e Aprender Economia, Singer apresenta a teoria do valor-trabalho. Não há, entretanto, qualquer referência a Owen nesses livros.

Castro (2009, p. 96) observa que uma diferença básica entre o pensamento do francês Charles Fourier e do galês Robert Owen é que o primeiro acreditava que comunidades canalizavam o que havia de bom nas pessoas, enquanto o segundo acreditava que as comunidades eram o ambiente que tornava as pessoas boas. Owen não acreditava que as pessoas eram boas por natureza, por isso insistia tanto em uma boa educação.

Para Castro (2009, p. 98), a primeira aproximação entre os socialistas utópicos (mais precisamente Owen) e Paul Singer era “o afastamento da revolução política e a defesa da razão como motor da transformação”. A crença (ou esperança) de que é possível mudar o capitalismo a partir de dentro é um pensamento de Owen compartilhado por Singer. Essa crença é um dos pontos criticados por Germer (2006, p. 213), para o qual “a necessidade da conquista do poder de Estado” é um requisito incondicional. É interessante observar que críticas provenientes de pensadores comunistas em relação ao socialismo utópico convivem com as afirmações utópicas de comunistas convictos, como Germer, para quem regimes como o da União Soviética são casos de sucesso porque “demonstram a viabilidade histórica da conquista do poder de Estado pelos trabalhadores” (GERMER, 2006, p. 213), ignorando deliberadamente o fracasso de sua manutenção econômica. Singer, por sua vez, critica os fundamentos marxistas da experiência soviética quando afirma que a visão científica de Marx sobre o socialismo “deixa muito a desejar, sobretudo no delineamento de sua organização econômica e de seu ordenamento social e político” (SINGER; MACHADO, 2000, p. 11).

Segundo Castro, a intervenção do Estado para Owen se limitava a responder às suas petições, feitas sob o ordenamento social e político vigente. Singer, por sua vez, de acordo com a autora, “coloca [o Estado] em discussão apenas como governo, ao apontar para o financiamento e auxílio que o Estado deve dar aos projetos de economia solidária” (CASTRO, 2009, p. 98).

De acordo com Castro, alguns autores ingleses afirmam que Owen desenvolveu uma nova teoria econômica a partir de sua experiência prática com a fábrica de New Lanark. A partir dessa experiência, Owen “demonstrou que os lucros podiam ser obtidos sem que houvesse a necessidade de submissão dos trabalhadores a uma exploração insuportável” (CASTRO, 2009, p. 145). Sobre essa experiência, Singer (2002) afirma que:

Visitantes do mundo inteiro vinham a New Lanark tentar decifrar o mistério de como o dinheiro gasto com o bem estar dos trabalhadores era recuperado sob a forma de lucro, ao fim de cada exercício. (SINGER, 2002, p. 25)

Não havia mistério, segundo Singer, apenas um diagnóstico correto de Owen de que “era necessário reinserir os trabalhadores ociosos na produção, permitindo-lhes ganhar e gastar no consumo, o que ampliaria o mercado para outros produtores” (SINGER, 2002, p. 25). Essa é uma contribuição reconhecida por Singer do pensamento econômico de Owen. Castro (2009) observa, entretanto, que Owen, assim como Saint-Simon e Fourier, não desenvolveu “uma teoria que desse conta de entender o jogo de forças posto em cena na sociedade capitalista” (CASTRO, 2009, p. 197).

Pandeló (2010, p. 21) observa que Singer distingue

duas concepções opostas de socialismo. A primeira, associada à experiência da União Soviética, cujo viés autoritário é explicado pela adoção do planejamento geral e da centralização política como princípios do socialismo. A segunda concepção atrelada aos princípios do socialismo autogestionário herdeiro do socialismo utópico de Robert Owen.

Segundo Pandeló (2010, p. 53), a Economia Solidária de Singer é “uma idéia reciclada do século XIX – inspirada nas aldeias cooperativas de Owen”. Pandeló (2010, p. 56) afirma constatar “a influência de Robert Owen no pensamento de Paul Singer, presença constante em seus textos para justificar a relevância e o acerto da concepção socialista dos socialistas utópicos”. Pandeló (2010, p. 63) afirma que o “plano de combate ao desemprego de Singer […] lembra a proposta de Robert Owen ao governo britânico em 1817”, observando que, embora as propostas não sejam idênticas, elas “reservam certas semelhanças quanto à solução para o problema da exclusão econômica”: que é a criação de um setor produtivo sob proteção do Estado. Para Pandeló (2010, p. 64), a “idéia concebida por Owen das Aldeias Cooperativas parece ter provocado forte influência sobre pensamento de Singer e despertado seu interesse pelo cooperativismo”.

Segundo Pandeló (2010, p. 92), Singer “procura se afastar do pensamento de Marx, ao mesmo tempo em que se aproxima dos pensadores do socialismo utópico”. Pandeló (2010, p. 93) observa, entretanto que “se as experiências históricas do chamado socialismo real comprovaram seu fracasso, o mesmo poderíamos dizer a respeito das experiências de Owen das aldeias cooperativas, ou do restante do movimento cooperativista dos séculos XIX e XX”. O fato inegável, segundo Pandeló (2010, p. 138) é que Singer defende uma concepção socialista autogestionária e pacífica, rejeitando a luta de classes e o caráter revolucionário do pensamento de Marx.

Oliveira (2016, p. 29) afirma que Singer faz uma “leitura polanyiana de Owen”. Oliveira não esclarece o que ele entende por “leitura polanyiana”, mas o fato é que Polanyi menciona Owen em sua obra A Grande Transformação de 2000. Segundo Polanyi (2000, p. 108), “O fato de as possibilidades humanas serem limitadas, não pelas leis do mercado porém da própria sociedade, foi um reconhecimento reservado a Owen, e somente ele discerniu a realidade emergente por trás do véu da economia de mercado: a sociedade”. Singer (2002, p. 115) credita a Polanyi uma boa análise da “lógica da ‘usina satânica’”. ‘Usina’ ou ‘moinho satânico’ é o termo que Polanyi usa para se referir ao sistema social vigente entre os séculos XVIII e XIX no qual “um progresso miraculoso nos instrumentos de produção [...] se fez acompanhar de uma catastrófica desarticulação nas vidas das pessoas comuns” (POLANYI, 2000, p. 51). Singer cita Polanyi para fundamentar sua ‘hipótese’ de que a Economia Solidária “foi concebida pelos ‘utópicos’ [leia-se Owen] como uma nova sociedade que unisse a forma industrial de produção com a organização comunitária da vida social” (SINGER, 2002, p. 115).

Oliveira (2016) observa que, embora Singer apresente inicialmente a Economia Solidária como uma continuação do movimento cooperativista, ela retoma, na América Latina, “não exatamente o cooperativismo paternalista de Owen, mas as experiências dos Sovietes na URSS no século XX ou a Comuna de Paris em 1871, entre outros momentos de transição quando a autogestão foi fundamental sob uma perspectiva socialista e marxista”. (OLIVEIRA, 2016, p. 40). Singer não concorda com a convivência pacífica desse quadro de referências abrangente para a Economia Solidária, pois aponta “como formas opostas de gestão da propriedade a ‘centralização planejada’ dos soviéticos e a ‘autogestão’ proposta por Robert Owen” (OLIVEIRA, 2016, p. 54).

Oliveira (2016, p. 147) observa que embora não seja “possível transplantar para o momento atual do capitalismo no Brasil, e sem mediação alguma, as análises sobre o desenvolvimento do capitalismo na Europa no século XIX”, Singer apresenta “um vínculo entre cooperativas e associações que emergiram no Brasil na década de 1990 com o cooperativismo owenista do século XIX” (OLIVEIRA, 2016, p. 206), para tentar provar que ela não é um fenômeno contemporâneo, mas parte da continuidade das lutas dos trabalhadores. Oliveira (2016, p. 206), entretanto, observa que “o cooperativismo foi uma luta marginal, não esteve no centro da luta de classes da mesma forma que os sindicatos e partidos políticos” e que Singer não pode esconder isso. Oliveira (2016, p. 207) afirma que Singer relacionou arbitrariamente “o cooperativismo owenista com toda a história das lutas operárias pelo socialismo”. Além disso, “ele omitiu explicitamente [...] o que Marx e Engels realmente pensavam sobre o socialismo utópico de Robert Owen” (OLIVEIRA, 2016, p. 208).

Oliveira (2016, p. 221) também observa que Singer,

não procurou se aprofundar na questão dos elementos que contribuem para uma ‘educação errada’ (termos que usa ao explicar o princípio owenista do empenho na educação); tampouco refletiu sobre o que é a ‘educação certa’ (OLIVEIRA, 2016, p. 221).

A educação é o ponto central do livro A New View of Society de Owen (1813), onde ele apresenta a experiência de New Lanark e tenta, a partir dela, propor uma ampla reforma educacional baseada no princípio de que “qualquer caráter geral, do melhor ao pior, do mais ignorante ao mais esclarecido, pode ser dado a qualquer comunidade, mesmo ao mundo em geral, pela aplicação de meios adequados” (OWEN, 2021, p. 15).

Em entrevista a Andrada e Esteves (2018, p. 377), Singer afirma que “Owen é o inventor da palavra socialismo”. Singer não menciona de onde vem essa informação. Na coletânea Selected Works of Robert Owen, organizada por Gregory Claeys – que reúne obras como A New View of Society, de 1813, Report to the County of Lanark, de 1821 e The Book of the New Moral World de 1842 – não encontramos declaração alguma de Owen sobre a criação da palavra socialismo (socialism, em inglês). Nos dicionários Oxford e Merriam-Webster e na enciclopédia de filosofia Stanford não há referência a Owen na origem da palavra em inglês. Segundo Harper (2023), Pierre Leroux afirma ser o criador da palavra, mas Harper apresenta a hipótese dela ter sido criada em referência aos experimentos comunais de Robert Owen.

Na mesma entrevista, Singer afirma que “o papel de Owen e o papel de Marx são muito semelhantes” (ANDRADA e ESTEVES 2018, p. 378) com relação a serem intelectuais que se irmanaram ao movimento dos trabalhadores. Com relação a Marx, em nota do livro O que é economia de 1989, Singer afirma que há dois tipos de marxistas, “os que assim se consideram e […] outros cuja concepção de mundo é inspirada em Marx”. Singer declara estar incluído entre os segundos. Segundo Cole (1963, p. xx nossa tradução):

os ‘socialistas’ [utópicos] quase todos apelaram principalmente para a fraternidade dos homens e não para o espírito de solidariedade de classe. Na visão de Marx [por outro lado], nem todos os homens eram irmãos: eles eram inimigos por causa de sua classe, cada um lutando pelo poder.

A luta pelo poder claramente não é a parte de Marx com a qual Singer concordava, conforme podemos verificar em sua obra. Singer (2002, p. 116) acreditava na:

concepção de que é possível criar um novo ser humano a partir de um meio social em que cooperação e solidariedade não apenas serão possíveis entre todos os seus membros mas serão formas racionais de comportamento.

Essa concepção, compartilhada pelos socialistas utópicos, “foi ofuscada pela perspectiva da ‘tomada do poder’” (SINGER, 2002, p. 116), presente no pensamento comunista de Marx.

Schiochet (2018, p. 56) afirma ter percebido que Singer “representava uma tradição de pensamento e de movimento político” e acrescenta Robert Owen sempre era citado nas falas de Singer sobre as referências históricas da Economia Solidária.

Nascimento e Santos (2019) relatam que Singer visitou um Kibutz em Israel por 15 dias em 1985 e que, em sua juventude, pensou em migrar para Israel antes de se decidir pelo Brasil. Segundo a dupla de autores, Singer comparou o Kibutz com as “‘aldeias comunistas’ do socialista utópico Robert Owen” (NASCIMENTO e SANTOS, 2019, p. 161), destacando a liberdade das pessoas – o que nunca existiu na experiência do socialismo real soviético inspirado nas ideias de Marx. Nascimento e Santos (2019, p. 161) citam um trecho de artigo de Singer no qual ele defende a chegada ao socialismo por convicção e não por coação. O direito à liberdade individual é um dos princípios básicos da Economia Solidária para Singer (2002, p. 10).

 

5  conclusão

Conforme dissemos na introdução, nosso objetivo era contribuir com uma parte da revisão abrangente da crítica ao arcabouço teórico da Economia Solidária e particularmente das concepções de Singer sobre o tema. Assim, investigamos a presença efetiva do pensamento de Robert Owen na obra de Paul Singer e tentamos identificar exatamente quais são contribuições de Owen que Singer observa no movimento da Economia Solidária.

Percebemos na obra de Paul Singer uma grande admiração por Robert Owen e essa percepção é corroborada pelos autores que estudaram a obra de Singer. Conforme afirma Castro (2009, p. 59), Singer apresenta a “ideia de que a economia solidária é descendente direta dos utópicos”, em particular do socialista utópico Robert Owen, que era o menos utópico entre seus pares, por ter realizado empreendimentos que produziram resultados durante algum tempo.

Singer acena com uma esperança de mudança da sociedade a partir de mudanças pacíficas na economia, sem uma violenta mudança da organização do Estado. Conforme afirma Castro (2009, p. 72), Singer usa alguns exemplos pontuais de cooperativismo para afirmar, de modo genérico, que “é possível tornar as relações de trabalho mais igualitárias em outras partes do mundo”. Essa é uma visão otimista, talvez até ingênua, sobre a realidade, mas é uma visão que permite aos trabalhadores ter esperança sobre o futuro. Nossa hipótese é que Singer não acreditava realmente que seria tão simples promover a igualdade nas relações trabalhistas em tantos lugares diferentes apenas com base no cooperativismo. Entretanto, suas leituras e sua experiência sindical, podem tê-lo feito perceber a importância da expectativa para um movimento social. É importante que as pessoas tenham esperança. A inserção da Economia Solidária dentro de um quadro de lutas na qual são enfatizadas as conquistas dos trabalhadores e exemplos pontuais de sucesso torna-se um elemento de motivação para ingressar ou permanecer no movimento.

Owen apresenta-se para Singer tanto como uma inspiração como elemento inspirador. Ao contrário dos demais socialistas utópicos, Owen tem um legado de experiências reais. Singer pode falar de Owen e dizer “[...] se Owen conseguiu, nós podemos conseguir também”.  Conforme afirma Castro (2009, p. 75), Singer apresenta Owen como influenciador “das lutas dos trabalhadores do século XIX”. Castro (2009, p. 148) observa que a generalidade do pensamento de Owen “permitia que ele fosse adaptado às diferentes vertentes de pensamento político que se formavam na classe trabalhadora”. Essa generalidade também permitiu a Singer adaptar o pensamento de Owen para forjar uma história para a Economia Solidária.

Além de prover uma história, um ponto de origem, a partir das leituras que realizamos, podemos dizer que as contribuições mais significativas de Robert Owen para o pensamento de Paul Singer sobre a Economia Solidária são as seguintes:

·         A centralidade da educação para a mudança social;

·         O trabalho em comunidade como ambiente favorável para mudanças individuais;

·         A negação da luta de classes e da tomada de poder do Estado como elemento necessário de mudança social;

·         A expansão da criação de riqueza (ou redução da pobreza) pela criação de oportunidade de trabalho para geração de renda.

REFERÊNCIAS

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[1] Doutor em Tecnologia e Sociedade (Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade