Razão pública na era digital
quando algoritmos corroem a ação comunicativa
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2025v12ne-7824Keywords:
Razão pública. Ação comunicativa e era digital.Abstract
Este trabalho investiga se a ação comunicativa habermasiana ainda pode sustentar a razão pública (öffentliche Vernunft) no contexto do capitalismo de vigilância contemporâneo. O problema central examina como plataformas digitais corroem os fundamentos discursivos da deliberação democrática, questionando o futuro da razão pública kantiana frente aos algoritmos de manipulação comportamental. A partir da teoria da ação comunicativa de Habermas e do conceito de razão pública de Kant, analisa-se como a extração de dados e a personalização algorítmica fragmentam o espaço comunicativo comum necessário para a formação de consensos democráticos. O capitalismo de vigilância de Zuboff é examinado como sistema que transforma a experiência humana em dados comportamentais, impedindo o encontro genuíno entre perspectivas divergentes que caracteriza a racionalidade comunicativa. Incorporando as contribuições de Han sobre a dissolução do espaço público pelo enxame digital, Arendt sobre a distinção entre verdade factual e opinião, e Castells sobre poder informacional, demonstra-se como algoritmos criam bolhas informacionais que impossibilitam o uso público da razão. A metodologia articula teoria crítica com análise do contexto brasileiro, onde polarizações extremas e desinformação amplificam a crise da deliberação democrática. Como resultado, propõe-se que o capitalismo de vigilância representa um obstáculo estrutural para a razão pública, exigindo repensar as condições de possibilidade da ação comunicativa na era digital e suas implicações para a autonomia democrática.
Palavras-chave: Razão pública. Ação comunicativa e era digital.
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