O amour de soi traduzido como vontade das minorias
a segregação democrática no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.21728/logeion.2024v11e-7378Palavras-chave:
Amour de soi. Autointeresse. Desacoplamento. Vontade da minoriaResumo
e debates acadêmicos, persiste um descrédito, pois os resultados evidenciam que apenas uma minoria consegue garantir seu bem-estar. Então, se não há mudanças econômicas e sociais, para que serve a democracia a não ser manter os privilégios de uma minoria? A adesão à teoria do agir comunicativo seria, pois, uma possibilidade para enfrentar o ceticismo dos niilistas, fundamentalistas e neoconservadores. O foco de análise remete ao desacoplamento entre sistema e mundo da vida. A disjunção separa e divide os diferentes subsistemas para, deste modo, justificar a hegemonia dos aspectos econômico-financeiros. O resultado desse processo desagrega, não apenas estratos sociais, mas também culturas e estilos de vida. Ao salientar um único modelo, os demais são classificados como inferiores. Do ponto de vista filosófico, a tese da vontade da maioria serviu de alento para consolidar a vontade da minoria. No caso, a designação roussouniana do amour de soi serve, atualmente, como inspiração para justificar o solipsismo individualista. O autointeresse coaduna o realismo político com as necessidades de sobrevivência e de alimentar-se. Com isso, as motivações das escolhas racionais se vêm enfrentadas ao dilema de buscar a autorrealização em detrimento aos compromissos sociais e coletivos. Como alternativa, menciona-se a necessidade de uma espiritualidade capaz de garantir a polifonia das vozes capaz de religar as intersubjetividades dos distintos grupos e subsistemas.
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