O conceito de douta ignorância e o fazer biblioteconômico

perspectiva para uma abertura à decolonialidade

Autores

  • Gerson Moreira Ramos Junior Universidade Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.21728/logeion.2024v11e-7384

Palavras-chave:

Douta Ignorância; Prática biblioteconômica; Decoloniedade.

Resumo

Este artigo intenta explorar a interseção entre o conceito de "douta ignorância", proposto pelo filósofo e cardeal Nicolau de Cusa, e a prática biblioteconômica contemporânea. Partimos da premissa de que a douta ignorância pode oferecer uma perspectiva epistemológica profícua para o pensamento decolonial, na medida em que reconhece as limitações do conhecimento, promovendo uma abertura para o diálogo intercultural e para a superação das hierarquias epistêmicas. Ao mesmo tempo, conectamos essa ideia com o agir comunicativo habermasiano, que propõe o diálogo como base para a construção de consensos racionais e democráticos. O artigo argumenta que a articulação dessas três perspectivas oferece uma compreensão mais profunda das possibilidades de emancipação social e epistemológica em contextos pós-coloniais via fazer e saber biblioteconômico. A pesquisa sugere que a prática biblioteconômica que não apenas organiza e dissemina informações mas lida com a incerteza e as lacunas do conhecimento, evocando a perspectiva teorizada por Cusa e desdobrando-a no tempo presente das novas possibilidades epistemologicas abertas pelos estudos decoloniais, pode encontar caminho para lidar com seu passado colonial. Conclui-se que, ao incorporar a douta ignorância, os profissionais da biblioteconomia podem adotar uma postura reflexiva e crítica diante da complexidade e das limitações da historicidade do conhecimento humano produzido.

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Publicado

25/11/2024

Como Citar

RAMOS JUNIOR , Gerson Moreira. O conceito de douta ignorância e o fazer biblioteconômico: perspectiva para uma abertura à decolonialidade. Logeion: Filosofia da Informação, Rio de Janeiro, RJ, v. 11, p. e-7384, 2024. DOI: 10.21728/logeion.2024v11e-7384. Disponível em: https://revista.ibict.br/fiinf/article/view/7384. Acesso em: 3 abr. 2025.