O capitalismo de dados, caracterizado pela extração e mercantilização da experiência humana em larga escala, impõe dilemas éticos, sociais e políticos que transcendem fronteiras nacionais. Diante da atuação de empresas transnacionais de tecnologia, respostas isoladas mostram-se insuficientes. Este artigo investiga como redes, observatórios e programas de cooperação internacional se articulam para estudar, analisar e contestar os efeitos desse novo regime de informação. A partir de uma metodologia qualitativa, baseada em pesquisa documental e análise comparativa de múltiplos casos, mapeamos e analisamos as principais iniciativas de cooperação, distinguindo entre abordagens intergovernamentais (OCDE, Conselho da Europa, UE), redes regionais (como a Rede Ibero-Americana de Proteção de Dados - RIPD) e articulações da sociedade civil. Os resultados indicam a existência de um ecossistema complexo de governança, onde marcos regulatórios como o GDPR e a Convenção 108+ promovem a harmonização legal, enquanto redes regionais fortalecem capacidades locais e a sociedade civil impulsiona a crítica e a defesa de direitos. A análise revela, contudo, tensões entre modelos que visam regular o mercado de dados e aqueles que buscam uma contestação sistêmica da sua lógica extrativista. Concluímos que, para enfrentar a crise ético-informacional, é imperativo fortalecer modelos de cooperação híbridos, que integrem a legitimidade estatal à agilidade e ao rigor crítico da sociedade civil, promovendo uma agenda de "justiça de dados" que vá além da mera proteção da privacidade individual.
Capitalismo de Dados, Cooperação Internacional, Redes de Pesquisa, Proteção de Dados, Ética da Informação
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