Redes, Observatórios e Programas em Cooperação Internacional

respostas aos dilemas éticos do capitalismo de dados

Autores

  • Fabiano Couto Corrêa da Silva Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCIN). Porto Alegre, RS, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-5014-8853

DOI:

https://doi.org/10.18617/

Palavras-chave:

Capitalismo de Dados, Cooperação Internacional, Redes de Pesquisa, Proteção de Dados, Ética da Informação

Resumo

O capitalismo de dados, caracterizado pela extração e mercantilização da experiência humana em larga escala, impõe dilemas éticos, sociais e políticos que transcendem fronteiras nacionais. Diante da atuação de empresas transnacionais de tecnologia, respostas isoladas mostram-se insuficientes. Este artigo investiga como redes, observatórios e programas de cooperação internacional se articulam para estudar, analisar e contestar os efeitos desse novo regime de informação. A partir de uma metodologia qualitativa, baseada em pesquisa documental e análise comparativa de múltiplos casos, mapeamos e analisamos as principais iniciativas de cooperação, distinguindo entre abordagens intergovernamentais (OCDE, Conselho da Europa, UE), redes regionais (como a Rede Ibero-Americana de Proteção de Dados - RIPD) e articulações da sociedade civil. Os resultados indicam a existência de um ecossistema complexo de governança, onde marcos regulatórios como o GDPR e a Convenção 108+ promovem a harmonização legal, enquanto redes regionais fortalecem capacidades locais e a sociedade civil impulsiona a crítica e a defesa de direitos. A análise revela, contudo, tensões entre modelos que visam regular o mercado de dados e aqueles que buscam uma contestação sistêmica da sua lógica extrativista. Concluímos que, para enfrentar a crise ético-informacional, é imperativo fortalecer modelos de cooperação híbridos, que integrem a legitimidade estatal à agilidade e ao rigor crítico da sociedade civil, promovendo uma agenda de "justiça de dados" que vá além da mera proteção da privacidade individual.

Biografia do Autor

  • Fabiano Couto Corrêa da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCIN). Porto Alegre, RS, Brasil.
    Professor Adjunto do Departamento de Ciência da Informação/FABICO da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atuando no curso de graduação de Biblioteconomia e o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCIN), ambos da mesma instituição. Atua como vice-líder do Grupo de Pesquisa em Comportamento e Competências InfoComunicacionais (InfoCom). Graduado em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002), mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Santa Catarina (2008) e doutor em Información y documentación en la Sociedad del Conocimiento pela Universitat de Barcelona (2017). Tem experiência na área de Ciência da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: Gestão de Dados Científicos, Produção Científica, Aprendizagem Colaborativa e Ciência Aberta.

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Publicado

02/03/2026

Edição

Seção

Multilateralismo e cooperação internacional para o enfrentamento dos dilemas éticos do capitalismo de dados: perspectivas e resultados.