CHAMADA ABERTA: Transição Socioecológica e Justiça Climática: Encruzilhadas da COP30 na Amazônia

22/01/2026

CHAMADA PARA O DOSSIÊ TEMÁTICO

Transição Socioecológica e Justiça Climática: Encruzilhadas da COP30 na Amazônia

Prazo para submissão: 31/03/2026

Editores ad hoc


Liz-Rejane Issberner
Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação-Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia 
orcid.org/0000-0002-0570-7289 
lattes.cnpq.br/5424368847166565

Philippe Léna 
Institut de Recherche pour le Développement (IRD - França). Directeur de Recherche émérite.   
orcid.org/0000-0001-6589-5261

Felipe Milanez
Instituto de Humanidades Artes e Ciências, Programa de Pós-graduação em Economia e em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia
https://orcid.org/0000-0003-4773-6691
lattes.cnpq.br/7864564954901404

A Liinc em Revista convida autoras e autores a submeterem artigos para o dossiê temático “Transição Socioecológica e Justiça Climática: Encruzilhadas da COP30 na Amazônia”, com previsão de publicação em maio de 2026.

O dossiê será organizado por Liz Rejane Issberner, Philippe Léna e Felipe Milanez e tem como propósito refletir criticamente sobre os desdobramentos da COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025, e suas implicações para os debates contemporâneos sobre justiça climática, sustentabilidade e alternativas ao paradigma do desenvolvimento. 

A conferência, ao discutir os compromissos globais de redução das emissões de gases de efeito estufa, recoloca em evidência as fontes estruturais dessas emissões, associadas aos padrões de produção, consumo e uso da terra e às desigualdades entre países e regiões quanto à sua responsabilidade histórica e capacidade de mitigação. O dossiê busca, assim, examinar criticamente os avanços, impasses e contradições das negociações climáticas, problematizando os limites das políticas centradas no mercado de carbono e as tensões entre a urgência da transição energética e a persistência de modelos extrativistas e dependentes de combustíveis fósseis.

A proposta é reunir um amplo conjunto de reflexões que articulem as limitações dos acordos multilaterais e as dinâmicas globais de poder envolvidas na crise climática, destacando os desafios da transição energética justa, as dificuldade da governança climática global, o financiamento climático, as lutas locais e a disputa em torno de modelos de futuro.

O dossiê enfatiza a importância do protagonismo amazônico e das vozes do Sul global na construção de soluções emancipatórias, reconhecendo o papel estratégico da informação, dos dados e da comunicação, na luta contra a obstrução climática nas disputas políticas e epistêmicas em torno da crise ambiental. 

Itens possíveis de abordagem / Temas específicos

O dossiê acolhe contribuições teóricas, empíricas e interdisciplinares que dialoguem com os desafios da transição socioecológica e da justiça climática a partir de múltiplas perspectivas. 

Serão bem-vindas também entrevistas, relatos de experiência, produções artísticas, poéticas, visuais e outras formas de expressão que contribuam para ampliar o debate e a sensibilidade sobre os impactos e caminhos possíveis diante da crise climática, especialmente no contexto amazônico. São especialmente bem-vindas análises críticas, comparativas ou situadas em experiências locais, regionais e globais, que problematizem as encruzilhadas políticas, epistêmicas e civilizatórias da COP30 na Amazônia.

As submissões podem abordar, entre outros, os seguintes eixos temáticos:

1.    Transição socioecológica e energética justa
Reflexões sobre caminhos, contradições e disputas em torno da transição energética e de modelos de desenvolvimento que conciliem justiça social, sustentabilidade e soberania dos povos.

2.    Governança climática, multilateralismo e financiamento
Análises sobre os limites do sistema internacional diante da fragmentação política global, da captura corporativa dos espaços multilaterais, das assimetrias Norte-Sul e da dívida ecológica. Inclui debates sobre mecanismos de financiamento climático e acordos internacionais.

3.    Resistências e reexistências frente à crise climática
Estudos sobre dinâmicas de oposição à descarbonização, estratégias de greenwashing, discursos negacionistas e práticas comunitárias, territoriais e agroecológicas que expressam alternativas concretas de transformação.

4.    Justiça climática, direitos dos povos e epistemologias do Sul
Contribuições que valorizem vozes, saberes e cosmologias indígenas, quilombolas e tradicionais na formulação de horizontes emancipatórios e na redefinição da justiça ambiental.

5.    Amazônia, geopolítica e soberania
Debates sobre o papel estratégico da Amazônia na reconfiguração das relações de poder global, nas disputas por recursos e na transição energética mundial.

6.    Políticas públicas, regimes corporativos e falsas soluções
Críticas às políticas nacionais e internacionais de mitigação e adaptação, incluindo instrumentos de mercado, parcerias público-privadas e soluções tecnocráticas como geoengenharia e captura de carbono.

7.    Alternativas ao paradigma do desenvolvimento
Discussões sobre decrescimento, bem viver, pós-desenvolvimento e outras propostas que desafiam a racionalidade produtivista dominante.

8.    COP30 como encruzilhada histórica
Análises críticas sobre o papel da COP30 em Belém como marco político e simbólico para o Sul global, suas contradições e potencial de reconfiguração dos debates climáticos.

9.    Educação, comunicação e cultura climática
Formação crítica, comunicação pública da ciência, mídias regionais e enfrentamento à desinformação, ao negacionismo climático e outras formas de obstrução da agenda socioambiental.

10.    Informação, dados e poder na crise climática
Regimes informacionais, fluxos de dados, plataformas digitais e disputas epistêmicas que moldam a produção de sentido, a formulação de políticas e a circulação e disputa de discursos informacionais sobre a Amazônia, a transição energética e a justiça climática.