A produção biopolítica é constitutiva ao capitalismo cognitivo | Biopolitical production is constitutive of cognitive capitalism

Cesar Sanson

Resumo


Resumo Os últimos anos do século XX imprimiram uma nova configuração à sociedade do trabalho. Assiste-se a mudanças profundas que alteram significativamente o modo produtivo e desorganizam o mundo do trabalho que se conhece. No epicentro do deslocamento, encontra-se a emergência da economia do imaterial e do trabalho imaterial. Essas características estão modificando o modo produtivo e, mais do que isso, a relação do trabalhador com o seu trabalho. Estamos transitando da sociedade industrial para a sociedade pós-industrial, da sociedade do trabalho da reprodução à sociedade do trabalho da bioprodução. Uma passagem da reprodução da vida à produção da vida. Da sociedade do biopoder à biopolítica. Uma transição que envolve uma ressignificação do conceito força de trabalho. A sociedade industrial, taylorista/fordista, mobilizou massas enormes de trabalhadores e os empurrou para uma divisão técnica do trabalho que lhes reservava tarefas simples e repetitivas. A sociedade industrial cindiu o operário e reduziu-o a uma máquina produtiva. Assiste-se, agora, a uma transformação significativa do sujeito do trabalho na sua relação com a produção. O capitalismo cognitivo, em sua versão pós-industrial, sob a hegemonia qualitativa do trabalho imaterial, tendo em sua base o conhecimento, a comunicação e a cooperação, faz emergir uma outra subjetividade que, ao mesmo tempo em que é requerida pelo capital, preserva a sua autonomia e é portadora de emancipação.


Palavras chave trabalho; sujeito do trabalho; trabalho imaterial; capitalismo cognitivo; biopolítica



Abstract The last years of the 20th century have given a new design to the working society. Profound transformations happened which changed deeply the mode of production and disorganized the working world we used to know. Right in the core of this displacement it emerges the immaterial economy and the non-material work. These traits are modifying the mode of production and, even more, the relationship between the worker and his work. We are moving from the industrial society to the pos-industrial society, from the society of reproduction work to one of bio-production work. A transition from reproductive life to the production of life; from the society of bio-power to one of bio-politics. This transition implies a new signification for the concept of labour force. The industrial society, on the inspiration of Taylor and Ford, hired a massive amount of workers and pushed them into a technical division of labor, giving them simple and recurring tasks. The industrial society split the manual worker and  reduced him into a productive engine. Now it can be seen the significant transformation of the subject person of work in relashionship with production. Cognitive capitalism, in its post-industrial version, under the qualitative preeminence of the immaterial work, having its roots grounded in knowledge, communication and cooperation, gave birth to another subjectivity required by capital but which, at the same time, preserves the worker´s  autonomy and, hence, makes possible his emancipation.


Keywords work; subject of work; non-material work; capitalism cognitive; biopolitics

Palavras-chave


trabalho; sujeito do trabalho; trabalho imaterial; capitalismo cognitivo; biopolítica | work; subject of work; non-material work; capitalism cognitive; biopolitics

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DOI: https://doi.org/10.18617/liinc.v5i2.308

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