O artigo busca articular as teorizações de Paolo Virno sobre a linguagem enquanto capacidade, potencialidade “natural” da espécie, e a dimensão linguística do trabalho no regime do trabalho imaterial. Assim como Negri, Lazzarato, Gorz e outros autores que podemos situar no terreno teórico e filosófico do trabalho imaterial, Virno propõe um novo tipo de trabalho na contemporaneidade, um trabalho que é, cada vez mais, biopolítico; podemos verificar, entretanto, uma bifurcação entre os postulados de Negri e Virno, em que Negri critica o discurso naturalista das capacidades e prefere adotar uma ontologia da produção mantendo como centrais as categorias do trabalho vivo, sujeito/classe da produção – a multidão – e o antagonismo. Por sua vez, a tese defendida por Virno da linguagem encarnada, a tomada da palavra que se faz carne, vista por ele como faculdade biológica, capacidade linguística que distingue os seres humanos enquanto espécie, não prescinde da dimensão política e histórica. Trata-se, com efeito, de uma faculdade que é imanente à própria vida e está permanentemente se recriando, se constituindo. Além disto, para Virno linguagem e política estão sempre juntas, são inseparáveis: o ser da linguagem é sempre ser político.
Linguagem, Virtuosismo, Dimensão linguística do trabalho
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