"Até que todas sejamos livres": o ativismo 'sentipensado' das feministas agroecológicas brasileiras contra as violências agrocapitalistas

Autores

  • Héloïse Prévost Centre d’études en sciences sociales sur les mondes africains, américains et asiatiques, Université de Paris 8 https://orcid.org/0000-0002-2343-0295

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5969

Palavras-chave:

Sentipensar, Feminismo, Natureza, Violência, Necropolítica agrocapitalista

Resumo

A autora analisa as mobilizações agroecológicas feministas no Brasil a partir das conceitualizações do "sentipensar" e do corazonar. O vínculo com a Terra e a fusão entre emoções e análise política são analisadas através do estudo de materiais ativistas (mística, canções, poemas, slogans) e entrevistas com ativistas rurais. A compreensão deste sentipensamento lança luz sobre as diferentes dimensões da violência. É proposta uma análise da violência de gênero, entendida como uma estratégia do agrocapital. Violência conjugal e "feminicídios agrocapitalistas" fazem parte do que a autora chama de "necropolítica agrocapitalista". As estratégias coletivas de superação usadas pelas ativistas favorecem uma afirmação de força e uma continuidade da luta e da vida

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Publicado

12/04/2022

Como citar

Prévost, H. (2022). "Até que todas sejamos livres": o ativismo ’sentipensado’ das feministas agroecológicas brasileiras contra as violências agrocapitalistas. Liinc Em Revista, 18(1), e5969. https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5969