Sob o domínio das big techs

plataformização, colonialismo digital e a experiência literária no Bookstagram

Autores

  • Carla Anastácia Santos Fischer Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Belém, PA, Brasil. https://orcid.org/0009-0003-5333-1815
  • Manuela do Corral Vieira Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Belém, PA, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-2034-5359

DOI:

https://doi.org/10.18617/

Palavras-chave:

Colonialismo Digital, Bookstagram, Plataformização, Visibilidade Midiática, Belém(Pará)

Resumo

Este artigo investiga como o colonialismo digital atua na modulação da experiência de criadores de conteúdo literário no Bookstagram, com foco nas implicações socioculturais e econômicas da visibilidade mediada por plataformas digitais. A investigação adota uma abordagem qualitativa com base em etnografia digital para analisar práticas comunicacionais de perfis de criadores de conteúdo literário da cidade de Belém (Pará), comparando suas experiências às de influenciadores com atuação global. A pesquisa busca compreender como as lógicas algorítmicas, típicas das big techs, condicionam a produção, a circulação e o reconhecimento de conteúdos literários nas redes sociais, reconfigurando o papel dos mediadores culturais em contextos periféricos. A análise evidencia que a visibilidade midiática nas plataformas é distribuída de forma desigual, favorecendo formatos e narrativas alinhadas aos interesses comerciais e ao desempenho algorítmico. Isso gera tensões entre autenticidade, engajamento performático e estratégias de monetização. A revisão teórica reflete sobre os efeitos da plataformização, da datificação e da economia da atenção sobre as práticas culturais. Os resultados indicam que, embora os criadores de conteúdo literário desenvolvam estratégias de resistência e valorização de repertórios locais, suas atuações seguem moduladas por infraestruturas algorítmicas que limitam sua autonomia criativa e sua inserção no mercado cultural digital.

Biografia do Autor

  • Carla Anastácia Santos Fischer, Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Belém, PA, Brasil.

    Doutoranda em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Mestra em Comunicação pelo PPGCOM/UFPA. Especialista em Redação e Edição de Textos, pelo Centro Universitário Fibra. Graduanda em Comunicação Social – Jornalismo, na Faculdade Estácio FAP. Integrante do Grupo de Pesquisa Comunicação, Consumo e Identidade – Consia (CNPq/UFPA).

  • Manuela do Corral Vieira, Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Belém, PA, Brasil.

    Doutora em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e professora na Faculdade de Comunicação (FACOM) e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Líder do Grupo de Pesquisa Comunicação, Consumo e Identidade – Consia (CNPq/UFPA)

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Publicado

02/03/2026

Edição

Seção

Multilateralismo e cooperação internacional para o enfrentamento dos dilemas éticos do capitalismo de dados: perspectivas e resultados.