Mineração na Criosfera Andina
o caso do projeto Veladero
Palavras-chave:
Epistemologias do Sul, Justiça Climática, Mineração Andina, Neoextrativismo, VeladeroResumo
Este artigo examina as implicações socioambientais e territoriais da mineração em larga escala nos Andes por meio do caso do projeto Veladero, em San Juan, Argentina. Investiga como as estratégias de desenvolvimento do Estado, os interesses geoeconômicos transnacionais e as concepções plurais da natureza interagem, dentro de um sistema socioecológico de alta montanha, composto por infraestrutura de mineração, ambientes glaciais e periglaciais, bacias hidrográficas alimentadas por geleiras, comunidades a jusante e instituições regulatórias e científicas. O artigo argumenta que Veladero revela uma tensão entre a razão de Estado, expressa em políticas que priorizam investimentos, exportações e produção mineral e a razão de sistema, entendida não como um imperativo ambiental autônomo, mas como uma orientação estratégica que incorpora as interdependências, os efeitos de retroalimentação e as vulnerabilidades de longo prazo geradas por decisões tomadas dentro de sistemas socioecológicos complexos. O arcabouço teórico combina o neoextrativismo, a distinção entre raison d’État e raison du système, as epistemologias do Sul e a justiça climática. Com base em um estudo de caso qualitativo e análise documental, as conclusões demonstram que a coalizão extrativista, formada por agências estatais e corporações transnacionais, possui maior capacidade institucional e material do que os atores fragmentados que articulam preocupações sistêmicas, incluindo instituições científicas, tribunais, comunidades afetadas, organizações ambientais e legislação de proteção de geleiras. A expansão extrativista, portanto, representa um dilema, não para a acumulação de capital em si, mas para as autoridades públicas e as sociedades, confrontadas com a tensão entre os ganhos econômicos de curto prazo e a reprodução, no longo prazo, da segurança hídrica, da resiliência ecológica e dos modos de vida territorialmente enraizados.
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