Almost against information ethics, with lessons from Caputo’s obligation and Foucault’s ethics of freedom | Quase contra ética da informação: lições a partir do conceito de obrigação em Caputo e da noção de liberdade em Foucault

Bernd Frohmann

Resumo


RESUMO Em nossa visão, este é o momento de repesarmos a ética informacional. John Caputo é contra a “ética” e a favor do que chama de “obrigação”. Caputo reconhece as questões ditas éticas como um grande problema moral instalado, pertencente à nossa relação objetiva com os dilemas propriamente ditos. O pensamento de Caputo provoca o domínio confortável dos estudos da ética informacional que encara as catástrofes contemporâneas – a “obrigação” é um modo de estar vinculado a um desastre, não no âmbito da razão pura prática, mas no âmbito factual. Esta é, pois, a hora de retirar o lugar seguro da ética informacional. Nossa visão questiona a força da “obrigação” em uma sociedade mediada tecnologicamente, sociedade essa constituída por distração, negligências, concentração fragmentada, anedonia (ou incapacidade de sentir prazer em situações corriqueiras de interação social e/ou cultural, como escutar uma música e ter relações sexuais). Em diálogo com a crítica de Caputo, argumentamos que a ética elaborada por Michel Foucault, baseada na liberdade, permite a identificação de possibilidades de fuga dos efeitos entorpecentes do mundo mediado tecnologicamente. Neste sentido, defendemos aqui uma ética informacional menor (small-e information ethics), ou ética baseada em preceitos não universais, interessada nos fenômenos cotidianos materialmente constituídos. A ética que propomos é apofática, sendo elaborada a partir da negação de pressupostos de uma ética informacional constituída. Não se trata nem de uma teoria filosófica dos fundamentos de princípios morais, nem de uma ética da conduta, mas, sim, de um modo não prescritivo de encarar diretamente a possibilidade de ação, mais especificamente, a liberdade de ação. Recuperando conceitos pré-modernos de informação, como formação da mente ou do caráter, doação de forma a algo, dar vida, animar, propomos uma ética informacional sem regras, códigos ou preceitos de uma racionalidade moral, uma ética constantemente perturbada pela obrigação e pela consciência de liberdade de ação. Em outras palavras, tratamos aqui de uma quase contra ética da informação, que busca os modos de nos tornarmos diferentes daquilo que somos.

Palavras-chave: Ética Informacional; John Caputo; Obrigação; Michel Foucault; Mediação tecnológica. 

ABSTRACT

It is time to rethink information ethics. John Caputo is against ethics. His deconstruction of ethics replaces it with obligation. This paper is guided by his work because Caputo locates obligation in the midst of the disasters of our time. In so doing, his work challenges the comfortable field of information ethics to face obligation by confronting disasters, dilemmas, and catastrophes. It is time to disturb information ethics, to discover a new strain of information ethics. This paper is intended to provoke such a pursuit. It questions the force of Caputo’s obligation in a contemporary mediascape that generates technologically mediated distraction, numbness, inattention, fragmented concentration, anhedonia, and disturbed affect. It argues that Foucault’s ethics of freedom can point to the work of discovering possibilities of escape from the numbing effects of our technologically mediated situation. It also encourages a “small-e information ethics” that draws from pre-modern concepts of information that convey the ongoing processes of becoming in-formed, that is, trying out and taking on a new form. It is an information ethics hospitable to Caputo’s lessons about obligation and Foucault’s lessons on explorations of ways of becoming other than what we are.

Keywords:Information Ethics; John Caputo; Obligation; Michel Foucault; Technology Mediation.

         


Palavras-chave


Ética Informacional; John Caputo; Obrigação; Michel Foucault; Mediação tecnológica.

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DOI: https://doi.org/10.18617/liinc.v11i2.847

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