A política científica e tecnológica recente indica a tendência à adoção de um modelo de desenvolvimento científico e tecnológico misto, no qual práticas acadêmicas e político institucionais tradicionais entrelaçam-se a novas. O modelo misto articula a demanda espontânea e a demanda induzida, a comunidade científica, o governo, setores empresariais e outros interessados no desenvolvimento científico e tecnológico. Esse modelo procura associar a lógica do campo científico, ou seja, as demandas da ciência às demandas econômicas e sociais, permitindo a articulação entre os campos mencionados. Percebe-se, com isso, a fluidez de fronteiras entre disciplinas sem que as diferenças deixem de existir. O artigo apresentado tem como objetivo refletir sobre a política científica e tecnológica em questão, focando mais especificamente no papel das agendas governamentais no estímulo ao desenvolvimento da produção do conhecimento multidisciplinar no Brasil. A análise do Plano Plurianual do Ministério da Ciência e Tecnologia (PPA-MCT) e das diretrizes e estratégias adotadas por algumas agências de fomento à pesquisa do Brasil, como a Capes e o CNPq, revelou estímulo desses programas à expansão e à consolidação da multidisciplinaridade. Concluímos que existem alguns mecanismos institucionais que terminam por estimular, propositadamente ou não, a multidisciplinaridade no processo de produção do conhecimento científico-tecnológico.
Multidisciplinaridade, Agendas governamentais, Modelo misto de desenvolvimento científico e tecnológico
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