Este artigo analisa a experiência de um grupo de cientistas e especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que buscou consolidar e legitimar, ao longo de duas décadas, um modo próprio de produção de conhecimento científico e tecnológico. Mudanças de paradigma da Política de C&T, nos anos 1990, retiraram o apoio governamental de seus desenvolvimentos, obrigando-os a mudar suas ações estratégicas para que permitisse manter e preservar o modelo endógeno e autônomo de produção do conhecimento. O artigo trabalha com a perspectiva de Pierre Bourdieu (2001), aplicada ao campo científico, e a noção de “translação” de Bruno Latour (2000). A abordagem sociológica contempla e naturaliza os jogos de interesses e disputas no interior do campo científico, bem como destaca o processo de legitimação científica e social do conhecimento. O artigo tem como objetivo principal oferecer uma contribuição aos processos de discussão do modelo das políticas de CTI, principalmente na definição dos conhecimentos a serem produzidos e absorvidos pelo processo de desenvolvimento econômico e social do país. O artigo destaca a necessidade de se ampliar e aprofundar mecanismos democráticos, adotando maior inclusão e transparência nas disputas do campo científico e das políticas de C&T, condições básicas para alcançar um consenso geral que permita emergir um desenvolvimento desejado e planejado por boa parte da sociedade.
Sociologia do Conhecimento, Produção de conhecimento, Legitimação, Democracia, Desenvolvimento
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