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A liminaridade da cultura maker e o hardware de fonte (na ciência)

em vez de fazer algo ser grande de novo, continue experimentando!

  • A cultura maker, definida como um conjunto de experiências que agrupam ferramentas de hardware de código aberto (Weiss 2008; Mellis & Buechley 2011; Ames et al. 2014), de práticas faça-você-mesmo (Ratto & Boler 2014; Ames et al. 2014; Lindtner et al. 2016), promesas da fabricação digital, automática e distribuída (Gershenfeld et al. 2004; Ratto & Ree 2012), e equipamentos para a democratização da ciência (Pearce 2014; Pearce 2012), persiste como um objeto ambiguo de nossas recentes fantasias do design e da política. De um lado, há o surgimento de políticas e interesses governamentais nos EUA, China, Cingapura, Taiwam e Europa, sobre o tal “movimento maker”, levando diretamente ao atual chamado nacionalista do tipo “Faça (o país XYZ) Grande Novamente”. De outro lado, os projetos e atividades maker (experimentações com Arduino, construção de impressoras 3D, montagem de infraestruturas de laboratórios de biologia faça-voçê-mesmo), continuam restritos a um nicho exploratório e privado, mesmo quando são parte de redes informais e transnacionais (Vertesi et al. 2011; Kaiying & Lindtner 2016) que eu denomino “diplomacia geek” (Kera 2015). Sem afirmar claramente qualquer agenda local ou transnacional, os makers faça-você-mesmo negociam de maneira produtiva e criativa várias dicotomias entre o individualismo e o coletivismo, entre os interesses locais e globais, nacionalismo e cosmopolitismo. Eles conectam politica e design através da liminaridade, em experiencias individuais e exploratórias de prototipagem e tinkering, que diferem muito das formas de aquisição de conhecimentos, habilidades e prototipagem típicas dos contextos industriais e acadêmicos. Para explicar a liminaridade na cultura maker, eu expando o trabalho pioneiro de Gabriela Coleman sobre os paradoxos do movimento hacker (e do movimento de software aberto). As redes descentralizadas e transnacionais de makers e hackers são exemplos (tecnológicos) de comunidades e liminaridades (Turner, 1969), que negociam vários objetivos e agendas conflitantes por trás da fabricação, tecnologia e globalização. A cultura maker pode servir a agendas isolacionistas ou cosmopolitas ao mesmo tempo, e ainda abraçar a retórica do código aberto enquanto segue parcialmente patenteada, pirateada e híbrida. Ela mobiliza as esperanças do Sul Global de tecnologias de baixo custo, enquanto performatiza clichés do Vale do Silício e se utiliza do trabalho escravo e migrante na China, ou ainda de algum conflito africano sobre recursos minerais. Ao invés de empoderar alguma noção idealizada de sujeito, comunidade ou mesmo nação, ela demarca os limites e as condições do nosso entendimento sobre governança e sua relação com a produção, a fabricação e o design.

     

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