Por meio dos conceitos de colonialidades, geopolítica e corpopolítica do conhecimento, refletimos sobre alguns desafios da publicação científica em acesso aberto na América Latina. Embora a América Latina seja pioneira em iniciativas de acesso aberto e na criação de sistemas regionais cooperativos para compartilhar o conhecimento como um bem comum, periódicos “internacionais”, endossados pelo fator de impacto, continuam a ser priorizados nos sistemas de avaliação e financiamento da ciência na maioria dos países da região. Além disso, as estratégias de mercantilização do acesso aberto estão se tornando cada vez mais disseminadas e ameaçam subverter alguns dos propósitos iniciais do Movimento de Acesso Aberto, criando lacunas ainda maiores entre o Norte e o Sul. Por trás desses aspectos, está a naturalização e a perpetuação de hierarquias e exclusões ontológicas e epistêmicas com nuances de racismo sistêmico, que autores decoloniais caracterizam como colonialidades. Uma desobediência epistêmica é necessária, como uma atitude decolonial, e um esforço conjunto em nível regional que transforme os sistemas de avaliação, preserve o caráter público e acadêmico da ciência e garanta equidade e justiça social.
Publicação Científica, América Latina, Acesso Aberto, Ciência Aberta, Decolonialidade
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