“Somos o que comemos!”: Uma reflexão da política de cuidado ecofeminista plasmada na prática da agroecologia

Autores

  • Luísa de Pinho Valle Programa Democracia no Século XXI, Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal https://orcid.org/0000-0002-0570-2920

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5884

Palavras-chave:

Comida, Política de cuidado, Ecofeminismos, Agroecologia

Resumo

Objetivo compartilhar uma reflexão sobre a política de cuidado ecofeminista presente na produção alimentar agroecológica. Esta análise é desenvolvida a partir de uma hermenêutica ecofeminista. Parto da revisão de literatura, interdisciplinar e pluriepistemológica, que enfrenta os valores andro-antropocêntricos que constituem a base do capitalismo-financeiro global. Este sistema econômico, que perpetua lógicas de poder, sociopolítico e econômico, originadas no sistema patriarcal e na ideologia colonial, está a levar-nos à destruição irreversível na escala planetária. Conhecimentos e práticas ecofeministas abrem possibilidades para a sociedade humana reconectar sua natureza terrestre e, consequentemente, romper com a economia de morte presente no mundo em nossos dias. Escolho direcionar minha leitura para uma política de cuidado relacional com a comida. Isto porque verifico as interconexões existentes e as transformações possíveis que o alimento proporciona à realização de uma economia da vida, contrariando a fatalidade que ameaça a comunidade Terra.

Referências

ALMEIDA, Carlos Cândido de; MANUEL, Rosa San Segundo, 2021. Epistemologias feministas e Ciência da Informação: estudos e implicações. Informação & Informação, vol. 26, n. 4, 76-108.

AMIN, Samir, 2004. Globalism or Apartheid on a Global Scale? Em: Immanuel Wallerstein (Ed.). The modern world-system in the longue durée. Colorado-EUA: Paradigm Publishers, pp. 5-30.

ANDREUCCI, Diego; MCDONOUGH, Terrence, 2018. Capitalismo. Em: Giacomo D’Alisa, Federico Demaria; Georgos Kallis (Eds.). Sofía Ávila-Calero; Mario Pérez-Rincón (Coords. Ed. México). Decrecimiento: Un Vocabulario para uma nueva era. Barcelona-España / México-DF: Icaria / Fundación Heinrich Boell, pp. 112-117.

CABNAL, Lorena, 2010. Acercamiento a la construcción de la propuesta de pensamiento epistémico de las mujeres indígenas feministas comunitarias de Abya Yala. Em: Feminismos diversos: el feminismo comunitario. Madrid: ACSUR-Las Segovias, pp. 10-25.

CAVALCANTI, Maria; SILVA, Maria Lucivanda Rodrigues da e KREFTA, Noemi Margarida, 2020. Alimentação saudável: somos o que comemos! Em: Adriana Maria Mezadri et al (Orgs.). Feminismo Camponês Popular. Reflexões a partir de experiências no Movimento de Mulheres Camponesas. São Paulo: Expressão Popular, pp. 111-122.

CHANCEL, Lucas, PIKETTY, Thomas., SAEZ, Emmanuel, ZUCMAN, Gabriel et al, 2021. World Inequality Report 2022. World Inequality Lab. [Acesso em 20 novembro 2021] Disponível em: https://wir2022.wid.world/www-site/uploads/2021/12/Summary_WorldInequalityReport2022_English.pdf

CRUTZEN, Paul J. e STOEMER, Eugene F., 2000. The “Anthropocene”. IGBP Newsletter, 41, 17-18.

CUNHA, Teresa, 2015. Women InPower Women. Outras economias criadas e lideradas por mulheres no Sul não-imperial. Buenos Aires: CLACSO.

CUNHA, Teresa; VALLE, Luísa de Pinho e VILLAR-TORIBIO, Cristina del, 2019. Cuidado. Dicionário Alice. [Acesso em 28 janeiro 2022] Disponível em: https://alice.ces.uc.pt/dictionary/?id=23838&pag=23918&id_lingua=1&entry=25288 .

CUNHA, Teresa e VALLE, Luísa de Pinho, 2022. Uma reflexão feminista sobre a economia política da pandemia pelo novo coronavírus. Em: Ana Maria Veiga, Vânia Nara Pereira Vasconcelos e Andréa Bandeira da Silva Farias (Orgs.). Das margens: lugares de rebeldias, saberes e afetos. Salvador: EDUFBA. No prelo.

DEL MORAL, Lucía, 2012. En transición. La epistemología y filosofía feminista de la ciencia ante los retos de un contexto de crisis multidimensional. e-cadernos CES [Online], 18. [Acesso em 02 março 2019]. Disponível em: http://journals.openedition.org/eces/1521

FAO, 2014. II. Women's contributions to agricultural production and food security: Current status and perspectives. [Acesso em 30 maio 2021] Disponível em: http://www.fao.org/3/x0198e/x0198e02.htm .

FEDERICI, Silvia, 2014. Calibán y La bruja. Mujeres, cuerpo y acumulación originaria. Trad. Verónica Hendel y Leopoldo Sebastián Touza. Madrid: Traficantes de Sueños.

FEDERICI, Silvia, 2018. Revolución en punto cero: Trabajo doméstico, reproducción y luchas feministas. Trad. Carlos Fernández Guervós y Paula Martín Ponz. Madrid: Traficantes de Sueños, 2018.

FEDERICI, Silva, 2020. Reencantar el mundo. El feminismo y la política de los comunes. Trad. María Aranzazu Catalán Altuna, Carlos Fernández Guervós y Paula Martín Ponz. Madrid: Traficantes de Sueños.

GABANYI, Ilana, 2015. Identificação de uma comunicação bidirecional entre neurônios e macrófagos intestinais via receptores β2 adrenérgicos. Tese (Doutorado em patologia experimental e comparada). São Paulo, SP: Universidade de São Paulo. [Acesso em 24 agosto 2021]. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10133/tde-05112015-114108/publico/ILANA_GABANYI_Original.pdf

GARGALLO CELENTANI, Francesca, 2015. Feminismo desde Abya Yala. Ideas y proposiciones de las mujeres de 607 pueblos en nuestra América. Ciudad de México: UACM.

GIULIANI, Gaia, 2021. Monsters, Catastrophes and the Anthropocene: A Postcolonial Critique. London and New York: Routledge.

GUHUR, Dominique e SILVA, Nívia Regina da, 2021. Agroecologia. Em: Dicionário de Agroecologia e Educação. Alexandre Pessoa Dias et al (Orgs.) 1ª ed. São Paulo: Expressão Popular. Rio de Janeiro: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, pp. 59-73.

HARAWAY, Donna, 1988. Situated knowledges: The science question in feminism and the privilege of partial perspective. Feminist studies, v. 14, n. 3, 575-599.

HARAWAY, Donna, 2015. Anthropocene, Capitalocene, Plantationocene, Chthulucene: Making Kin. Environmental Humanities, vol. 6, 159-165.

HARAWAY, Donna, 2019. Seguir con el problema. Generar parentesco en el Chthuluceno. Trad. Helen Torres. Bilbao-País Vasco: Consonni.

HERRERO, Yayo, 2020a. A vida em situação de guerra: coronavírus e a crise ecológica e social. Em: Economia feminista e ecológica: resistências e retomadas de corpos e territórios. Trad. Luiza Mançano. São Paulo: SOF – Sempreviva Organização Feminista, pp. 11-15.

HERRERO, Yayo, 2020b. Economia ecológica e economia feminista: um diálogo necessário”. Em: Economia feminista e ecológica: resistências e retomadas de corpos e territórios. Trad. Luiza Mançano. São Paulo: SOF – Sempreviva Organização Feminista, pp. 16-31.

HO, Mao-Wan, 2013. Circular Thermodynamics of Organisms and Sustainable Systems. Systems, 1, 30-49. [Acesso em 20 agosto 2021]. Disponível em: https://www.mdpi.com/2079-8954/1/3/30 .

JAHN, Elisiane de Fátima, SANTOS, Geneci Ribeiro dos e RODRIGUES, Sandra Marli da Rocha, 2020. Economia feminista e as mulheres camponesas. Em: Adriana Maria Mezadri et al (Orgs.). Feminismo Camponês Popular. Reflexões a partir de experiências no Movimento de Mulheres Camponesas. São Paulo: Expressão Popular, pp. 133-144.

LADANTA LASCANTA, 2017. El Faloceno: Redefinir el Antropoceno desde uma mirada ecofeminista. Revista Ecología Política, 53, 26-33.

MALM, Andreas e HORNBORG, Alf, 2014. The geology of mankind? A critique of the Anthropocene narrative. The Anthropocene Review, 1(1), 62-69.

MEZADRI, Adriana Maria et al (Orgs.), 2020. Feminismo Camponês Popular. Reflexões a partir de experiências no Movimento de Mulheres Camponesas. São Paulo: Expressão Popular.

MIES, Maria, 2014. Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour. First published in 1986. London: Zed Books.

MOORE, Jason, 2017. The Capitalocene, Part I: on the nature and origins of our ecological crisis. The Journal of Peasants Studies, 1-37.

PATEL, Raj e MOORE, Jason, 2018. A história do mundo em sete coisas baratas: um guia sobre o capitalismo, a natureza e o futuro do planeta. Trad. Alberto Gomes. Barcarena, Portugal: Presença.

PÉREZ OROZCO, Amaia, 2017. Subversión feminista de la economía. Aportes para un debate sobre el conflicto capital-vida. Madrid: Traficante de Sueños.

PLUMWOOD, Val, 1990. Women of the mysterious forest : women, nature and philosophy : an exploration of self and gender in relation to traditional dualisms in western culture. Open Access Thesis: Australian National University. [Acesso em 11 março 2019]. Disponível em: https://openresearch-repository.anu.edu.au/handle/1885/123810 Acesso em 08Set2016.

PRECARIAS A LA DERIVA, 2004. a la deriva: por los circuitos de la precariedad feminina. Madrid: Traficantes de Sueños-Útiles.

PULEO, Alicia H., 2012. Anjos do ecossistema? Em: Nalu Faria e Renata Moreno (Orgs.). Análises feministas: outro olhar sobre a economia e a ecologia. Cadernos Sempreviva. São Paulo: SOF, pp. 29-50.

QUIJANO, Aníbal e WALLERSTEIN, Immanuel, 1992. La americanidad como concepto, o América en el moderno sistema mundial. Revista Internacional de Ciencias Sociales, Vol. XLIV, no. 4, 583-591.

SANTOS, Milton, 2005. O retorno do território. Em: Reforma agraria y lucha por la tierra em América Latina, territórios y movimentos sociales. OSAL, vol. VI, n. 16, 255-261.

SHIVA, Vandana, 2001. El mundo en el limite. Em: Will Hutton e Anthony Giddens (coords.). El mundo en el límite: la vida en el capitalismo global. Barcelona: Tusquets, pp. 163-186.

SHIVA, Vandana, 2013. Making Peace with the Earth. London: Pluto Press.

SHIVA, Vandana, 2017. ¿Quién alimenta realmente al mundo? El fracaso de la agricultura industrial y la promesa de la agroecología. Trad. Amélia Pérez de Villar. Madrid: Capitán Swing.

SHIVA, Vandana, 2019. Development: For The 1 Per Cent. Em: Ashish Kothari et al (Eds.). Pluriverse: A Post-Development Dictionary. New Delhi: Tulika Books, pp. 6-8.

SHIVA; Vandana, 2020. Vandana Shiva sobre el coronavirus: de los bosques a nuestras granjas, a nuestro microbioma intestinal. Lavaca. [Acesso em 03 abril 2020]. Disponível em: https://www.lavaca.org/notas/vandana-shiva-sobre-el-coronavirus-de-los-bosques-a-nuestras-granjas-a-nuestro-microbiomaintestinal/

SHIVA, Vandana; SHIVA, Kartikey, 2020. Oneness vs 1%: Shattering Illusions, Seeding Freedom. Vermont, USA: Chelsea Green Publishing.

SHIVA, Vandana, 2021. The Poison Cartel is Poisoning the World, Driving Species to Extinction, and Contributing to Hunger. Navdanya International. [Acesso em 03 agosto 2021]. Disponível em: https://navdanyainternational.org/pachamama-feeds-us/ .

SEVILLA GUZMÁN, Eduardo; SOLER MONTIEL, Marta, 2009. Del desarrollo rural a la agroecología. Hacia un cambio de paradigma. Documentación Social. Revista de Estudios Sociales y de Sociología Aplicada, 155, 23-39.

STEEL, Carolyn, 2020. Ciudades hambrientas. Madrid: Capitán Swing.

SVAMPA, Maristella, 2019. As fronteiras do neoextrativismo na América Latina. Conflitos socioambientais, giro ecoterritorial e novas dependências. Trad. Lígia Azevedo. São Paulo: Elefante.

TERREBLANCHE, Christelle, 2019. Ecofeminism. Em: Ashish Kothari et al (Eds.). Pluriverse: A Post-Development Dictionary. New Delhi: Tulika Books, pp. 163-166.

UNICEF-BRASIL, 2021. Relatório da ONU: ano pandêmico marcado por aumento da fome no mundo. A África registrou o aumento mais significativo. É um momento crítico para o mundo, que precisa de ações urgentes para uma reversão até 2030. [Acesso em 27 julho 2021]. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/relatorio-da-onu-ano-pandemico-marcado-por-aumento-da-fome-no-mundo .

VALLE, Luísa de Pinho, 2017. El ecofeminismo como propulsor de la expansión de la racionalidad ambiental. Revista Ecología Política, 54, 28-36.

VALLE, Luísa de Pinho, 2019. Ecofeminismo. Dicionário Alice. [Acesso em 08 abril 2020]. Disponível em: https://alice.ces.uc.pt/dictionary/?id=23838&pag=23918&id_lingua=1&entry=24270 .

VALLE, Luísa de Pinho, 2021a. Ecofeminismo e buen vivir: dois movimentos propulsores da expansão da racionalidade ambiental. Em: Isabel Caldeira, Maria José Canelo e Gonçalo Cholant (Coords.). Reinventar o social: movimentos e narrativas de resistência nas Américas. Coimbra, Portugal: Imprensa da Universidade de Coimbra, pp. 137-172.

VALLE, Luísa de Pinho, 2021b. Ecofeminismos, agroecologia e uma política de relacionalidade e cuidado. Revista Espaço Acadêmico, 21, 101-112.

VERNADSKY, Vladimir Ivanovich, 2007. La Biosfera y la Noosfera: Cinco Ensayos. Trad. Francesca Zunino. Caracas: Ediciones IVIC.

WALLERSTEIN, Immanuel, 2004. Introduction: Scholarship and Reality. Em: Immanuel Wallerstein (Ed.). The modern world-system in the longue durée. Colorado-EUA: Paradigm Publishers, pp. 1-2.

WALLERSTEIN, Immanuel, 1974. O sistema mundo moderno. Vol. I: a agricultura capitalista e as origens da economia-mundo europeia no século XVI. Porto, Portugal: Edições Afrontamento.

Downloads

Publicado

04/04/2022

Como citar

Valle, L. de P. (2022). “Somos o que comemos!”: Uma reflexão da política de cuidado ecofeminista plasmada na prática da agroecologia. Liinc Em Revista, 18(1), e5884. https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5884

Edição

Seção

Desafios das Ciências sociais no Antropoceno