A monumental violência do presente: reflexões críticas acerca da iconoclastia política do século XXI

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v19i2.6581

Palavras-chave:

Iconoclastia, Patrimônio cultural, Racismo estrutural, Narrativas hegemônicas, Memória coletiva

Resumo

O recente aumento da derrubada de monumentos em várias partes do mundo tem reacendido debates sobre memória, identidade e o papel dos símbolos na sociedade. Esta reflexão se debruça sobre a intersecção entre iconoclastia, patrimônio cultural e representação, explorando suas nuances e implicações através de diferentes contextos históricos, sociais e geográficos. O estudo se baseia em uma ampla gama de literaturas, desde teóricos contemporâneos como Silvio Almeida e sua exploração do racismo estrutural, até trabalhos clássicos de Walter Benjamin e seus pensamentos sobre arte e política. O foco é particularmente acentuado no Brasil, onde episódios envolvendo o monumento de Borba Gato e ações similares espelham um confronto entre narrativas estabelecidas e demandas emergentes por reconhecimento e justiça. A metodologia adotada combina uma análise interdisciplinar de fontes primárias e secundárias, bem como uma consideração das manifestações contemporâneas de iconoclastia em redes sociais e meios de comunicação. As descobertas revelam uma complexa tapeçaria de significados e motivações por trás desses atos, que vão desde rejeições de legados coloniais até desafios às narrativas hegemônicas. Em conclusão, a derrubada de monumentos não é apenas um ato de destruição, mas também de recriação e redefinição do espaço público e da memória coletiva

Biografia do Autor

  • Robson Andrade Gonçalves, Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

    Doutorando na Faculdade de Educação FEUSP na área de concentração Cultura, Filosofia e História da Educação, Mestre em Ciências da Informação (2016), bacharel em Biblioteconomia e Documentação (2011). Apresentou o programa Walk Talk Show na TV USP (2008-final de 2009), foi um dos coordenadores do 'Projeto Bibliotecas Comunitárias em Vídeo' (BCV) e do projeto audiovisual 'O Pensamento Vivo da Informação', do qual entrevista pesquisadores e estudiosos do tema Informação e Tecnologias da Informação na sociedade atual. Atua em projetos de ação cultural como festivais de música na rua e planos educativos/culturais de ONGs. Músico, professor, produtor cultural, gerencia projetos de gravações e edições de áudio e produção de vídeo. Tem experiência com televisão (TV Digital, HD, EX), arquivos digitais de vídeo, edição, captação e roteiro. Ministra palestras e cursos sobre música e trilha sonora. Co-criador e editor do Podcast de divulgação da sétima arte "Cinema do Fim do Mundo" Trabalha com serviços de mentoria acadêmica e produção de vídeo-aulas para docentes na empresa autônoma Ashtoffen Prod. e Mentoria Acadêmica. 

  • Marcos Luiz Mucheroni, Departamento de Informação e Cultura, Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

    Possui Graduação em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos (1980), mestrado em Engenharia Mecânica pela Universidade de São Paulo (1988) e doutorado em Engenharia Elétrica pela Universidade de São Paulo (1996). Tem experiência na área de Ciência da Computação, com ênfase em Arquitetura de Sistemas de Computação, atuando principalmente nos seguintes temas: Arquiteturas de computadores, Sistemas Distribuídos, Sistemas Operacionais, Linguagens de Programação, Processamento de Imagens, Web semântica, Educação a Distância, Redes Sociais, Cibercultura e Organização do Conhecimento. 

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Publicado

30/11/2023

Edição

Seção

Guerras Culturais: Informação, Política e Disputas Simbólicas

Como Citar

A monumental violência do presente: reflexões críticas acerca da iconoclastia política do século XXI. Liinc em Revista, [S. l.], v. 19, n. 2, p. e6581, 2023. DOI: 10.18617/liinc.v19i2.6581. Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/6581.. Acesso em: 18 maio. 2024.

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