Entre o Ressentimento e o Algoritmo: A Máquina de Ódio Contra Mulheres na Política

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18617/

Palavras-chave:

Desinformação de gênero, Afetos negativos, Governamentabilidade Algorítimica, Ciência da informação, política

Resumo

Este artigo analisa os efeitos da desinformação de gênero sobre a participação política de mulheres no Brasil, com ênfase nas eleições de 2022. A pesquisa adota abordagem qualitativa e teórico-conceitual, com base em revisão bibliográfica interdisciplinar nos campos da Ciência da Informação, Comunicação, Filosofia Política e Estudos de Gênero. O estudo demonstra que a desinformação de gênero é um fenômeno complexo, estruturado e intencional, articulado a discursos discriminatórios como o sexismo, o racismo e a LGBTQIA+fobia. Por meio da circulação de conteúdos manipulados e da exploração de afetos negativos como ressentimento, medo e raiva, campanhas desinformativas têm como alvo mulheres em posições de visibilidade pública, especialmente aquelas que desafiam papéis de gênero tradicionais. Evidencia-se que a lógica algorítmica das plataformas digitais, aliada à economia da atenção, potencializa a viralização desses conteúdos, aprofundando desigualdades informacionais. Contudo, o estudo também identifica formas de resistência nos ambientes digitais, especialmente por meio da atuação de coletivos feministas que constroem contra-narrativas e preservam a memória de mulheres vítimas de ataques informacionais. Conclui-se que a desinformação de gênero constitui uma ameaça estrutural à democracia e à cidadania, exigindo políticas públicas, ações educativas e novas abordagens teóricas que integrem a perspectiva de gênero no campo informacional.

Biografia do Autor

  • Majory Karoline Fernandes de Oliveira Miranda, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Recife, PE, Brasil.

     Professora Associada 1, do Dept. de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Doutorado em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais/Ciência da Informação (2010) na Universidade do Porto (FLUP), Portugal. Bacharel em Biblioteconomia (2004) na Universidade Federal de Pernambuco. Membro permanente do PPGCI. Desenvolve pesquisas nas áreas de Fundamentos e Epistemologia da Ciência da Informação; Humanidades Digitais com ênfase em memória, encontrabilidade, práticas e infodemia.  

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Publicado

25/02/2026