Este artigo analisa os efeitos da desinformação de gênero sobre a participação política de mulheres no Brasil, com ênfase nas eleições de 2022. A pesquisa adota abordagem qualitativa e teórico-conceitual, com base em revisão bibliográfica interdisciplinar nos campos da Ciência da Informação, Comunicação, Filosofia Política e Estudos de Gênero. O estudo demonstra que a desinformação de gênero é um fenômeno complexo, estruturado e intencional, articulado a discursos discriminatórios como o sexismo, o racismo e a LGBTQIA+fobia. Por meio da circulação de conteúdos manipulados e da exploração de afetos negativos como ressentimento, medo e raiva, campanhas desinformativas têm como alvo mulheres em posições de visibilidade pública, especialmente aquelas que desafiam papéis de gênero tradicionais. Evidencia-se que a lógica algorítmica das plataformas digitais, aliada à economia da atenção, potencializa a viralização desses conteúdos, aprofundando desigualdades informacionais. Contudo, o estudo também identifica formas de resistência nos ambientes digitais, especialmente por meio da atuação de coletivos feministas que constroem contra-narrativas e preservam a memória de mulheres vítimas de ataques informacionais. Conclui-se que a desinformação de gênero constitui uma ameaça estrutural à democracia e à cidadania, exigindo políticas públicas, ações educativas e novas abordagens teóricas que integrem a perspectiva de gênero no campo informacional.
Desinformação de gênero, Afetos negativos, Governamentabilidade Algorítimica, Ciência da informação, política
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