A disseminação de desinformação em ambientes digitais constitui um dos principais desafios contemporâneos para a saúde pública e para a Ciência da Informação. Este artigo investiga como indivíduos não vacinados ou hesitantes constroem confiança em fontes de informação sobre vacinas, analisando práticas informacionais em contextos institucionais, digitais e relacionais. O estudo baseou-se em entrevistas semiestruturadas com nove participantes residentes nos Estados Unidos, conduzidas no âmbito de intercâmbio de doutorado sanduíche na Rutgers University. A análise seguiu a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (1977), permitindo identificar categorias relacionadas à autoridade cognitiva, à influência das emoções, à triangulação de fontes e à contradição entre confiança declarada e prática. Os resultados evidenciam que a confiança é socialmente construída e modulada por fatores cognitivos, afetivos e algorítmicos, em um regime informacional marcado pela lógica da pós-verdade. Conclui-se que estratégias de enfrentamento da desinformação exigem não apenas comunicação científica clara, mas também o reconhecimento do papel dos vieses cognitivos, das dinâmicas sociais de validação e das estruturas digitais de visibilidade.
Autoridade cognitiva, Desinformação, Hesitação vacinal, Práticas informacionais, Pós-verdade
Platform and workflow by OJS/PKP
Desenvolvido por Commscientia