Autoridade cognitiva, desinformação e hesitação vacinal

práticas informacionais em ambientes digitais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v21i1.7782

Palavras-chave:

Autoridade cognitiva, Desinformação, Hesitação vacinal, Práticas informacionais, Pós-verdade

Resumo

 A disseminação de desinformação em ambientes digitais constitui um dos principais desafios contemporâneos para a saúde pública e para a Ciência da Informação. Este artigo investiga como indivíduos não vacinados ou hesitantes constroem confiança em fontes de informação sobre vacinas, analisando práticas informacionais em contextos institucionais, digitais e relacionais. O estudo baseou-se em entrevistas semiestruturadas com nove participantes residentes nos Estados Unidos, conduzidas no âmbito de intercâmbio de doutorado sanduíche na Rutgers University. A análise seguiu a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (1977), permitindo identificar categorias relacionadas à autoridade cognitiva, à influência das emoções, à triangulação de fontes e à contradição entre confiança declarada e prática. Os resultados evidenciam que a confiança é socialmente construída e modulada por fatores cognitivos, afetivos e algorítmicos, em um regime informacional marcado pela lógica da pós-verdade. Conclui-se que estratégias de enfrentamento da desinformação exigem não apenas comunicação científica clara, mas também o reconhecimento do papel dos vieses cognitivos, das dinâmicas sociais de validação e das estruturas digitais de visibilidade.

Biografia do Autor

  • Carolina Costa Gonzaga, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Belo Horizonte, MG, Brasil.

    Doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCI/UFMG), com estágio doutoral realizado na Rutgers University, nos Estados Unidos, no âmbito de doutorado sanduíche financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2023). Graduada em Enfermagem pela mesma instituição (2014), com especialização em Atenção Básica/Saúde da Família por meio da Residência Multiprofissional em Saúde da Família desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH).Ao longo de sua formação, realizou estágios supervisionados em distintas unidades da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), entre as quais se destacam: Centro de Saúde Waldomiro Lobo; Unidade de Referência Secundária (URS) Saudade Posto de Coleta de Leite Humano e Teste de Provocação Oral; URS Sagrada Família Clínica de Anticoagulação e Nefrologia; URS Padre Eustáquio Ambulatório do Pé Diabético; Centro de Reabilitação da Área de Abrangência Leste (CREAB Leste) serviço de ostomia; Centro de Referência em Saúde Mental (CERSAM) Oeste; e Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) Sagrada Família.

  • Carlos Alberto Ávila Araújo, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Escola de Ciência da Informação. Belo Horizonte, MG, Brasil.

    Professor titular da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, da qual foi diretor de 2014 a 2017. Doutor em Ciência da Informação pela UFMG, com pós-doutorado pela Universidade do Porto, Portugal (2011) e pela Universidad de Salamanca, Espanha (2019). Foi presidente da Associação de Educação e Pesquisa em Ciência da Informação da Iberoamérica e Caribe - EDICIC (2016-2021). Foi vice-presidente da ANCIB - Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (2016-2018). Foi membro da diretoria da Abecin (2011-2014). Foi Editor Adjunto da revista Perspectivas em Ciência da Informação de 2007 a 2011 e de 2013 e 2015. Fez parte da Comissão de criação dos cursos de Arquivologia (2008) e Museologia (2009) da UFMG. Atua nas áreas de Epistemologia da Ciência da Informação; Dimensões sociais, culturais e políticas da informação; Estudos de Usuários da Informação; Práticas Informacionais; Desinformação, infodemia e pós-verdade. 

Referências

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Publicado

05/02/2026

Edição

Seção

Multilateralismo e cooperação internacional para o enfrentamento dos dilemas éticos do capitalismo de dados: perspectivas e resultados.