Justiça Climática e Soberania do Dado Visual

a Injunção de Ancoragem (PAVT) frente ao Colonialismo de Dados Pós-COP30

Autores

  • Michele Pucarelli Universidade Federal Fluminense (UFF), Departamento de Comunicação Social (GCO), Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (PPGMC). Niterói, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-9345-4463

Palavras-chave:

Soberania do Dado Visual, Protocolo de Ancoragem Visual-Territorial (PAVT), Injunção de Ancoragem, Colonialismo de Dados, Justiça Climática

Resumo

O encerramento da COP30 consolidou um desafio que ultrapassa a diplomacia ambiental: a disputa pela hegemonia dos regimes de informação que narram a crise climática no Sul Global. Neste cenário, a Inteligência Artificial Generativa (IAG) tensiona o valor testemunhal do registro territorial, convertendo o fotodocumentarismo em ativos do colonialismo de dados. O presente artigo propõe o Protocolo de Ancoragem Visual-Territorial (PAVT) como uma resposta técnica e política a esse apagamento. Diferente de abordagens que buscam a correção técnica da IA, o método fundamenta-se no confronto de escalas entre o dado de solo (fotografia documental) e o sensoriamento orbital para desmascarar a "transparência cínica" e a higienização operada pelo simulacro algorítmico. Através da Injunção de Ancoragem e apoiado na cosmotécnica de Yuk Hui e no olhar ch'ixi de Silvia Rivera Cusicanqui, o estudo demonstra que a soberania do dado visual reside na recusa da abstração digital, reafirmando o registro documental como um índice de verdade inegociável. Conclui-se que o PAVT atua como um dispositivo de resistência soberana, subordinando a técnica à materialidade do chão e protegendo a memória territorial frente à opacidade das Big Techs.

 

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Publicado

21/07/2026