A Disputa do Tempo: dialogia informacional e teoria da história no movimento zapatista

Autores

  • Bianca Rihan Departamento de Processos Técnicos e Documentais, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1988-1779
  • José Raphael Sette Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil https://orcid.org/0000-0002-1272-9996

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5941

Palavras-chave:

Antropoceno, Zapatista, Tempo, Informação, Documentos

Resumo

O presente artigo se dedica à discussão sobre “documentos rebeldes”, dispostos a denunciar as falácias do progresso orientado pela lógica capitalista de acumulação e exploração, confeccionados pelos indígenas zapatistas em seu território, no sudeste mexicano. Nesse sentido, abordamos uma discussão oriunda da história econômica e da práxis revolucionária sobre o tempo e a teoria da história, acentuando o encontro crítico entre uma perspectiva epistemológica e prático-informacional. Tendo como princípios incontornáveis a dignidade humana, a conexão e o respeito à natureza e a busca de liberdade dos povos subalternizados ao longo da história, tomar conhecimento sobre a experiência zapatista nos reativa a esperança por um outro tempo e um “outro mundo possível”

Biografia do autor

José Raphael Sette, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Doutorando no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (PPGPUR-IPPUR).

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Publicado

19/05/2022

Como citar

Rihan, B., & Sette, J. R. (2022). A Disputa do Tempo: dialogia informacional e teoria da história no movimento zapatista. Liinc Em Revista, 18(1), e5941. https://doi.org/10.18617/liinc.v18i1.5941

Edição

Seção

Desafios das Ciências sociais no Antropoceno