Em que medida a forma de organização das plataformas digitais pode favorecer a participação cidadã? Este artigo pretende abordar essa questão a partir de um estudo comparativo entre duas arquiteturas informativas digitais: a plataforma Rousseau, do Movimento 5 Estrelas (originalmente em italiano “Movimento 5 Stelle”), da Itália, e a plataforma Decidim, desenvolvida após o movimento 15M, na Espanha, a partir de uma colaboração entre entidades de diversos países. Por meio de uma análise qualitativa de suas arquiteturas – de acordo com uma abordagem fundamentada sobretudo no campo teórico da comunicação –, buscamos investigar e descrever os modos pelos quais a informação circula e opera e as possibilidades que oferece com vistas à participação democrática. Nesse sentido, dois aspectos da plataforma foram examinados: 1) a concepção e o desenvolvimento de códigos; 2) as funções oferecidas pela plataforma e suas interações com os usuários. Neste artigo, partimos da hipótese central de que as condições de comunicação atuam como uma espécie de fundamento para a qualidade e os níveis de participação: assim como estruturas comunicativas mais verticalizadas (como as dos meios de comunicação de massa tradicionais) tendem a concentrar processos decisórios e poder, estruturas mais horizontalizadas acabariam por favorecer ações mais colaborativas e democráticas. Assim, buscamos verificar em que medida os modos de elaboração e organização da informação nessas plataformas, operando em contextos de redes digitais, possibilitariam modalidades mais amplas e efetivas de ação cidadã.
plataformas digitais, cidadania digital, democracia participativa, ativismo digital, design de interface, digital platforms
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