Computadores fazem arte, artistas não fazem dinheiro: plataformização, inteligência artificial e a soberania audiovisual nos casos da Netflix e da Globo no Brasil

Autores

  • Janaine Aires UFRN

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v20i2.7324

Palavras-chave:

Plataformização, Inteligência Artificial, Soberania Audiovisual, Colonialismo de dados, Dependência tecnológica

Resumo

RESUMO: A crescente plataformização e a adoção da Inteligência Artificial (IA) têm transformado a cadeia produtiva do audiovisual, resultando em desafios significativos à soberania audiovisual brasileira. Este artigo tem como propósito investigar como esses processos intensificam as assimetrias de poder e promovem uma dependência tecnológica, impactando as produtoras locais e suas capacidades de geração de valor. Através da análise de dois casos: a relação entre produtoras independentes e a Netflix, e a parceria entre o Grupo Globo e o Google Cloud Platform, que ilustra a transformação da Globo em uma MediaTech, buscamos refletir sobre como a automatização e a padronização de conteúdos, impulsionadas pela IA e pela plataformização, promovem dependência tecnológica e atualizam as dinâmicas de colonialismo de dados. A conclusão aponta que, em um contexto de crescente influência de plataformas estrangeiras e da fragilidade das estruturas regulatórias nacionais, é imperativo desenvolver estratégias que fortaleçam a soberania audiovisual, garantindo a proteção e promoção da cultura, valores e narrativas brasileiras.

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Publicado

28/11/2024

Edição

Seção

IA e a questão da soberania

Como Citar

Computadores fazem arte, artistas não fazem dinheiro: plataformização, inteligência artificial e a soberania audiovisual nos casos da Netflix e da Globo no Brasil. Liinc em Revista, [S. l.], v. 20, n. 2, 2024. DOI: 10.18617/liinc.v20i2.7324. Disponível em: https://revista.ibict.br/liinc/article/view/7324. Acesso em: 3 abr. 2025.