Governança, administração multilateral, justiça climática e encruzilhadas da COP30 na Amazônia

uma análise das decisões do Belém Political Package

Autores

  • Rhadson Rezende Monteiro Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) Cruz das Almas, BA, Brasil. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD). Florianópolis, SC, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-7992-6110
  • Maria Elisabete Pereira dos Santos Universidade Federal da Bahia (UFBA), Escola de Administração. Salvador, BA, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8565-1125
  • Vera Lúcia Peixoto Santos Mendes Universidade Federal da Bahia (UFBA), Escola de Administração. Salvador, BA, Brasil. https://orcid.org/0000-0003-4265-4216

DOI:

https://doi.org/10.18617/liinc.v22i1.7912

Palavras-chave:

Ciclo COP30, governança climática, direito internacional, administração multilateral;, Decisões multilaterais

Resumo

O artigo analisa como as decisões finais da COP30, reunidas no Belém Political Package, distribuem conteúdos de justiça social, metas quantificadas e financeiras, mecanismos de governança e implementação, status legal e institucional, e território com pluralidade epistêmica. Parte-se da hipótese de que o pacote decisório apresenta elevada densidade jurídico-institucional e procedimental, mas incorpora de modo desigual dimensões distributivas, territoriais e epistêmicas da justiça climática. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem quali-quantitativa, com base em análise documental e análise de conteúdo das 23 decisões publicadas no pacote, codificadas a partir de cinco indicadores analíticos. Os resultados mostram que as decisões concentram maior densidade em status legal e institucional e em mecanismos de governança e implementação, ao passo que justiça social e territorialidade aparecem de forma mais seletiva e menos transversal. Verifica-se que houve avanços relevantes na arquitetura multilateral da governança climática, especialmente em adaptação, gênero, tecnologia, perdas e danos e coordenação financeira. Contudo, tais avanços não se converteram, com a mesma intensidade, em compromissos distributivos robustos, critérios territoriais vinculantes ou incorporação ampla de saberes tradicionais e indígenas. Conclui-se que a COP30 reforçou a infraestrutura procedimental do regime climático pós-Paris, mas manteve limites relevantes quanto à materialização da justiça climática, da transição socioecológica e do protagonismo amazônico no núcleo decisório do multilateralismo climático.

Biografia do Autor

  • Rhadson Rezende Monteiro, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) Cruz das Almas, BA, Brasil. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD). Florianópolis, SC, Brasil.

    Jurista, historiador, cientista social e Professor Adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB/CCAAB), onde também atua como Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social (UFRB/PPGGPPSS).Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Associação Plena em Rede PRODEMA (UESC, UFRN, UFPE, UFPB, UFC, UFS e UFRPI). Doutorando em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/PPGD). Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES/PGCS). Bacharel em Direito e em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Graduado em Ciências Sociais pela UNIBF. Minha trajetória acadêmica e profissional é marcada por uma abordagem transdisciplinar que integra Direito, História, Ciências Sociais e Educação. Desenvolvo pesquisas nos campos do Direito Público, Direitos Humanos, Direito Ambiental e Ecológico, Políticas públicas, Gestão e governança ambiental, Direitos dos povos e comunidades tradicionais, Patrimônio natural e cultural, Ecologia política, bem como na aplicação de tecnologias digitais e inteligência artificial em metodologias científicas e na formação docente.Atuo ainda em investigações voltadas para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com ênfase na interface entre justiça socioambiental e inovação institucional.

  • Maria Elisabete Pereira dos Santos, Universidade Federal da Bahia (UFBA), Escola de Administração. Salvador, BA, Brasil.

    Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia e Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas - IFCH/UNICAMP (2000). Ex-Coordenadora da Coordenadoria de Produção de Indicadores Urbano-Ambientais da SEDHAM/PMS, Ex-Editora da Revista VeraCidade, Editora Associada da Revista Organização Sociedade, Editora da Revista RIGS-PDGS; pesquisadora do Núcleo de Estudos sobre Poder e Organizações Locais - NEPOL/CIAGS/NPGA-UFBA, Coordenadora do Grupo de Pesquisa Águas - Grupo Águas/CNPq e Professora Associada IV da Escola de Administração da UFBA. Desenvolve pesquisa nas áreas de política e gestão urbano-ambiental, gestão de serviços públicos, política ambiental e das águas, sustentabilidade, políticas públicas, direito à cidade e indicadores urbano-ambientais.

  • Vera Lúcia Peixoto Santos Mendes , Universidade Federal da Bahia (UFBA), Escola de Administração. Salvador, BA, Brasil.

    Professora Titular pela Universidade Federal da Bahia. Pós-Doutora em Direito Internacional da Saúde pela Faculdade de Direito e Centro Hospitalar Universitário da Universidade de Nice Sophia Antípolis (França, 2016), doutora (2001) e mestre (1994) em Administração Pública - Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal da Bahia - NPGA/ UFBA. Advogada. Realizou doutorado sandwich, com bolsa CAPES, no Center of Managerial Innovation - University of Bringhton - Inglaterra, sobre Cidadania, Direitos, Inovação e Qualidade na Administração Pública. Sanitarista pela FIOCRUZ, especialista em Planejamento, Avaliação e qualidade em Políticas de Saúde. Especialista em Direito do Estado pela Faculdade de Direito da UFBa e Especialista em Gestão Governamental (EADM/UFBa). Professora visitante no Mestrado Profissional de Gestão de Políticas Públicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) de nov/23-nov/25. Professora orientadora e pesquisadora, credenciada ao NPGA - Escola de Administração/UFBA (Doutorado Acadêmico e Mestrado Profissional), pelo Programa Especial de Participação de Professores Aposentados - PROPAP/UFBA. Linhas de Pesquisa: Políticas Públicas, planejamento e avaliação em saúde. Cidadania e Direitos; Administração Pública; Inovação, Tecnologia e Competitividade. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Observa Políticas, credenciado ao CNPq. Pesquisadora no grupo de Pesquisa ''o Discurso Jusfundamental da Dignidade da Pessoa Humana no Direito Comparado'' da Faculdade de Direito/UFBA.. Coordenou de ago/2007- dez/2009 a Capacitação Profisssional Avançada (Mestrado Profissional) da Escola de Administração/UFBA. Membro do comitê científico da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração e QualiHosp /Fundação Getúlio Vargas/SP. Organizadora e Coordenadora de Eventos Internacionais sobre: Participação, direitos dos usuários; Environmental, Social and Governance (ESG) e Gestão Contemporânea em Saúde. Foi coordenadora e docente, por mais de 15 anos, dos Cursos de Especialização em Administração Hospitalar e Sistemas em Serviços de Saúde. Coordenou, de 2006 a 2019, a Rede de Inovação e Aprendizagem em Gestão Hospitalar (InovarH), apoiada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), da qual é vice- coordenadora e representante na Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (REBRATS/MS). Desenvolve projetos e realiza ações de extensão, ensino e pesquisa sobre: gestão pública, cidadania ativa, direitos sociais, sustentabilidade socioambiental, democracia e participação cidadã; população em situação de rua e judicialização da saúde pública; Estado e Sociedade; Direito Sanitário e Regulatório; Políticas Públicas; Planejameno e Gestão Pública; Redes de inovação, governança e controle; Inovação, qualidade e tecnologias em serviços de saúde; Telerregulação, telessaúde, e-health. Formulação, implementação, Avaliação de Políticas Públicas; Gestão de Serviços Públicos. Tem experiência em: implementação e avaliação de Políticas Públicas; Modelos de Gestão. Capacitação Permanente de servidores e comunidades; Análise e Avaliação de Políticas Públicas e Gestão Estratégica das Contratações em Saúde. Administração Hospitalar, Sistemas de Informações, Telessaúde, Telemedicina, e-health. Planejamento e Gestão Pública. Consultorias (REFORSUS/MS, Pollícia Militar/Ba; Hospital São Rafael). Fez parte do Comitê de Avaliadores da FAPESB e FAPEMG. Coordenação de projetos de pesquisa com financiamento estadual (FAPESB), nacional (MS/OPAS) internacional (PROFAE/BID). Revisora e membro do comissão editorial de periódicos. Autora de artigos, livro e capítulos de livros

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Publicado

16/06/2026