Janela de oportunidade ou inclusão simbólica?

Racismo Ambiental e Agenda Climática em Belém na COP30

Autores/as

Palabras clave:

Racismo Ambiental, Modelo de Fluxos Múltiplos, COP30, Justiça Climática

Resumen

A justiça climática tem raça, gênero, classe e território. No Brasil, a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém/Pará, expôs uma tensão estrutural entre a retórica global de sustentabilidade e as práticas locais de exclusão racial, fenômeno que os autores identificam como o “paradoxo de Belém”. O artigo investiga como o enfrentamento ao racismo ambiental ascendeu à agenda governamental e internacional de decisões, utilizando a COP 30 como janela de oportunidade estratégica à luz do Modelo de Fluxos Múltiplos de John Kingdon. A metodologia é qualitativa, de natureza documental e bibliográfica, articulando o modelo analítico de Kingdon às noções de justiça ambiental e ecologia política de Henri Acselrad. A base empírica compreende documentos oficiais da COP 30, relatórios de organizações da sociedade civil, como Geledés, Dhesca Brasil e Instituto Pólis, e produções do jornalismo investigativo independente. Adota-se, ainda, abordagem metodológica colorida e interseccional, com a raça como eixo primordial de análise. Os resultados indicam que o acoplamento dos três fluxos durante a COP 30 produziu avanços discursivos inéditos, notadamente a inclusão histórica do termo “afrodescendentes” em documentos finais da UNFCCC, como o Objetivo Global de Adaptação e a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental. Contudo, a análise revela que as obras de preparação urbana aprofundaram o racismo ambiental em comunidades negras e tradicionais, como a Vila da Barca e o Quilombo Abacatal. Conclui-se que, embora a COP 30 tenha elevado a justiça climática antirracista à agenda internacional de decisões, a persistência do modelo colonial de urbanização em Belém evidencia que o avanço discursivo, por si só, não garante a implementação efetiva de políticas públicas.

Biografía del autor/a

  • Amanda dos Santos Larêdo, Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD). Belém, Pará, Brasil.

    Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Pará (PPGD/UFPA), na linha de pesquisa Constitucionalismo, Políticas Públicas e Direitos Humanos. Advogada eleitoralista e parlamentar com atuação sob a perspectiva interseccional de gênero. Sócia no Penna Russo Advocacia e integrante da carteira de Direito Público (D. Administrativo, Eleitoral e Parlamentar). Bacharela em Direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Pós-graduanda em Direito Público Aplicado pela Escola Brasileira de Direito (EBRADI). Membra-fundadora e ex-presidente da Liga Acadêmica de Direito do Estado (LADE). Coordenadora Estadual do Núcleo Pará da Associação Brasileira de Juízes pela Democracia (ABJD). Conselheira no Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH). Integrante da Rede Amazônica de Política Para Mulheres.Tem experiência em: Direito Eleitoral; Direito Público; Produção legislativa voltada para a realidade local; Possui interesse em: Direito Constitucional, Direito Internacional, Direito Internacional dos Direitos Humanos, Direito Eleitoral, Direito do Estado, Ciência Política, Relações Internacionais, Direito Digital e Direitos Humanos.

  • Maria Dolores Lima da Silva, Universidade Federal do Pará (UFPA), Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP). Belém, Pará, Brasil.

    Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (1992), mestrado (1999) e doutorado (2007) em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). É professora Associada da Universidade Federal do Pará e Secretária Adjunto da Associação Brasileira de Ciência Política, gestão 2024-2026. Participa do Coletivo LegisAtivo, que reúne cientistas políticos de todo Brasil para a elaboração de análises relacionadas ao Poder Legislativo que, junto ao Movimento voto Consciente, são divulgadas, semanalmente, em sites de grande repercussão. Pesquisa sobre Instituições políticas e políticas públicas, com foco preferencial nas instituições legislativas e nas temáticas meio ambiente e Amazônia.

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Publicado

31/07/2026